Editorial | Esquerda e direita se radicalizam no mundo e fazem do debate político um risco à vida

O assassinato de Charlie Kirk, influenciador conservador de 31 anos, em um campus universitário de Utah, nos Estados Unidos, é um retrato realista do fracasso do diálogo e da ascensão da violência política no mundo. O campo das ideias, que deveria ser o espaço do convencimento, do debate, da busca de soluções para melhorar uma nação, foi substituído por um aparato bélico. Em vez de argumentar, preferem aniquilar. A discordância deixou de ser tolerada; a política, que deveria canalizar diferenças para o bem comum, passou a alimentar paixões, ódios e impulsos violentos.

Esse esvaziamento do debate é um perigo que não distingue esquerda ou direita. O extremismo transforma o adversário em inimigo a ser eliminado, esquecendo que, antes de um rótulo, há uma pessoa: alguém com família, sonhos, convicções, alguém que acreditava estar fazendo o certo, ainda que você discorde de cada palavra dita. Quando não se enxerga humanidade no outro, qualquer justificativa parece possível, e o resultado é sempre o mesmo: morte, medo e um passo atrás na construção democrática.

A cobertura jornalística do caso também foi alvo de críticas: por que chamar Kirk de “influenciador pró-Trump”? Em jornalismo, dar contexto não é incitar ódio, mas situar o leitor — dizer a que público aquela figura se dirigia, qual era sua relevância no debate. O juízo de valor, se é que deve existir, cabe a quem lê. Mas o essencial não muda: uma vítima é uma vítima, independentemente da ideologia. A morte de Charlie Kirk, como a de qualquer um, deveria ser olhada com pesar, não como combustível para novas guerras.

Em diferentes países, a combinação de diálogo falho e extremismo como primeira resposta tornou-se sintoma dos nossos tempos: dias ansiosos, de mentes inflamadas, de intensa polarização e de uma internet que funciona como palco e motor de redes que se retroalimentam de ódio. Esse ambiente corrói instituições, distorce a verdade e mina a confiança mútua que sustenta qualquer sociedade democrática, um risco não apenas para a política de hoje, mas para o futuro da humanidade.

PAREI PARA VER

A imponente Serra do Quilombo, em Bom Jesus, é um dos cartões-postais que mostram a diversidade das paisagens piauienses. Um convite para contemplar a imensidão.

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