Todo 15 de outubro, as redes sociais se enchem de frases bonitas, flores e homenagens. Políticos, instituições e cidadãos celebram o “nobre ofício de educar”, exaltando o papel transformador do professor. No entanto, passada a euforia das postagens, a realidade, carregada do significado do que é ser professor no Brasil, impõe-se.
Nos 365 dias do dia ano, predominam as queixas quanto a má remuneração dos professores, a sobrecarga, a desmotivação e, muitas vezes, a exaustão emocional. A romantização da profissão virou parte da “fantasia brasileira”, uma narrativa que exalta o educador como herói, mas o mantém preso à precariedade. Heróis não sentem dor, não adoecem.
Enquanto o país perpetua uma hipocrisia poética, o chão da escola continua duro. Faltam materiais, sobram turmas superlotadas e alunos que, imersos em um contexto social de desinteresse e vulnerabilidade, desafiam diariamente o sentido da missão de ensinar. Os professores, por sua vez, enfrentam jornadas triplas, cobranças desproporcionais e a dolorosa sensação de que o país só os reconhece no discurso e não na prática.
O Dia do Professor, no Brasil, tornou-se um ritual de lisonjas vazias. O que o professor mais precisa não é de um “parabéns”, é de um país que o leve a sério. Oito em cada dez professores da educação básica já pensaram em desistir da carreira. Apenas 3% dos estudantes querem ser professores. Quais são os motivos para comemorar?


