Caso de homem flagrado em ato sexual em frente a playground com crianças expõe a falsa sensação de segurança em condomínios

O caso recente em um condomínio do bairro Lourival Parente, em Teresina, em que um homem aparece em uma janela se estimulando em frente a um playground onde crianças brincavam, choca pela conduta inaceitável e, sobretudo, porque escancara a fragilidade dos espaços que deveriam ser os mais seguros para as crianças, perto de casa, do lar, da família.

Em um momento em que o debate sobre a “adultização” da infância está em alta, a cena traz uma pergunta incômoda, porém necessária: onde, afinal, nossas crianças estão protegidas? Mesmo dentro de condomínios, onde a sensação de segurança costuma ser vendida como parte do pacote, as intenções, o estado mental e o caráter de alguém não estão estampados no rosto. Agressores sexuais podem ser pais, tios, vizinhos, colegas de trabalho. As crianças, infelizmente, estão vulneráveis em todos os ambientes. Por isso, a vigilância dos pais e responsáveis não pode vacilar. Não é possível prever o pior, mas é possível prevenir.

Além disso, não basta o escândalo momentâneo. Atitudes dessa natureza precisam ser minuciosamente investigadas, e a punição deve ser exemplar, dentro da lei, mas com o rigor que o caso exige. A impunidade é duplamente perigosa, porque de um lado, estimula a sensação de injustiça e o ímpeto de “fazer justiça com as próprias mãos” nos chamados linchamentos e de outro, desanima quem pensa em denunciar.

Nas redes sociais, alguns usuários também minimizam a situação ou encararam com humor. “Dentro de casa não pode”?, questionou um na publicação de um portal de notícias. Como alertou Zygmunt Bauman, na obra Vidas Desperdiçadas, está em vigência uma era em que “a indignação é instantânea e o esquecimento é quase imediato”. E é nesse intervalo, quando a sociedade se acostuma ao absurdo, que o perigo deixa de ser o ato em si e passa a ser o que a sociedade se torna ao banalizá-lo, permitindo que ele se repita.

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