Editorial | O Piauí resiste: em meio a ilhas de violência no Nordeste, o que tem evitado a tomada de território por facções?

Em meio ao avanço das facções criminosas no Nordeste, o Piauí surge como um ponto fora da curva. Não se trata de negar os problemas de segurança que o estado enfrenta — eles existem e precisam ser encarados com realismo. Mas, enquanto vizinhos como Ceará e Bahia sofrem com áreas urbanas dominadas por organizações criminosas, o Piauí tem conseguido preservar algo essencial: a presença efetiva de suas polícias em todo o território. No Rio de Janeiro, há locais onde bandidos andam de fuzil e é impossível o Estado entrar pacificamente, como se viu na megaoperação deflagrada na semana passada.

O argumento central é simples: o crime organizado prospera onde o Estado se ausenta. Um exemplo prático é que, em zonas periféricas do Rio de Janeiro, facções chegam a cobrar taxas de gás e segurança de moradores. Nenhuma morte provocada pelo crime é “pouca”, e continuamos perdendo vidas em latrocínios, homicídios e feminicídios no Piauí. É preciso reconhecer avanços, mas também é preciso ir além.

O Piauí se mantém como uma “ilha” mais segura entre estados violentos por meio de políticas públicas que combinam investimento, tecnologia e ação integrada. O estado aumentou seus investimentos em segurança pública em mais de 36% em 2024. O reforço orçamentário tem se traduzido em operações, fortalecimento do aparato policial e uso de ferramentas que ampliam a transparência, como as câmeras corporais recentemente implementadas.

Ao mesmo tempo, o combate direto às facções tem sido frequente. A “Operação Aparato”, deflagrada pela SSP-PI no litoral em 2023, mobilizou centenas de policiais e resultou em prisões e apreensões relevantes, um recado de que as forças policiais estão atentas às tentativas de ocupação territorial. Outro exemplo é o reconhecimento nacional recebido pela instituição pelas ações de combate ao roubo e furto de celulares, crimes que alimentam financeiramente redes criminosas.

Ainda há muito a fazer. O desafio é garantir que os avanços não se limitem à repressão, mas alcancem também a prevenção social e a integração comunitária, únicas formas de tornar o território permanentemente resistente ao domínio do crime.

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