O fim de semana trouxe dois acidentes envolvendo figuras conhecidas do Piauí. Na tarde de domingo (9), o apresentador César Filho, o “César Fire”, sofreu um grave acidente de moto entre Campo Maior e Cabeceiras. No sábado, o veículo em que estava o secretário de Cultura, Rodrigo Amorim, colidiu na BR-343, também em Campo Maior. Ambos saíram com vida, mas o susto reacende uma preocupação. Quase toda semana há um novo acidente em estradas piauienses, em diferentes gravidades e, com frequência, fatais.
Segundo dados do Governo do Estado, em 2025 já foram registrados 1,8 mil acidentes nas rodovias do Piauí. Embora o número seja menor do que o de 2023, quando ocorreram 6,9 mil casos, o índice ainda é alarmante e aponta para um problema que vai muito além das estatísticas. A raiz do problema não é apenas estrutural. As rodovias piauienses estão longe do ideal (faltam manutenção, sinalização e correção de pontos críticos, mais presença de fiscalização) mas o que mata, com mais frequência, é o comportamento humano. Segundo o Observatório Nacional de Segurança Viária (ONSV), 90% dos acidentes têm origem em falhas humanas: excesso de velocidade, consumo de álcool, ultrapassagens indevidas, desatenção ao celular e o simples desprezo pelas regras mais básicas de segurança.
Há também um componente cultural que precisa ser encarado de frente. No Brasil, o que engloba também uma forma de agir no Piauí, dirigir é, muitas vezes, tratado como um direito incondicional, não como uma responsabilidade coletiva. A educação para o trânsito continua sendo vista como uma formalidade burocrática, restrita às autoescolas, e não como um processo contínuo de formação cidadã. As campanhas de conscientização são esporádicas, limitadas a datas simbólicas, e perdem impacto em meio à enxurrada de mensagens superficiais.
Quando a negligência institucional se soma à complacência social, o resultado é previsível. Quantos motoristas já viram ou passaram por um acidente fatal e pensaram: “Se eu tivesse saído um minuto antes, poderia ter sido eu”? E quantos, de fato, mudaram algo em sua forma de dirigir? A resposta a essa pergunta resume o desafio do Poder Público – e também de cada motorista. A segurança nas estradas depende de boa estrutura, fiscalização e também de uma mudança cultural que valorize mais a vida do que a velocidade e o risco.


