Como Chico Lucas chegou à órbita de Lula e o papel de “Segov” de Washington Bandeira, o resolvedor do Karnak

Boletim 19/01/16

Prólogo

Fiz um almoço no meu aniversário, na primeira semana de janeiro. À noite, enquanto postava as fotos no Instagram para agradecer aos gatos pingados que se deram ao trabalho de desperdiçar tempo com a humilde cronista, o celular vibra:

“Está acordada? Podendo falar?”, diz a fonte.

No relógio, quase 22h. 

“Esses caras só pensam em política, impressionante. Não, não, não. Amanhã respondo”, penso com meus botões.

Pausa de 30 segundos.

“Estou sim, liga”, digito. O telefone toca. A colunista atende.

Esse jogo não tem pausa e não aceita amadores. Prontos?

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A escada que levou Chico Lucas a Brasília

Justiça seja feita: o secretário estadual de Segurança Pública do Piauí, Chico Lucas, não se indicou nem foi indicado por ninguém para o cargo de ministro da Justiça (levado por Wellington César) e agora para secretário nacional de Segurança Pública, que deve ser oficializado nos próximos dias/horas (ainda não foi, tem uma certa burocracia na coisa toda). 

Ele foi reconhecido (atenção) pelos pares do Conselho de Secretários Estaduais de Segurança Pública (gente de direita e de esquerda, que sempre discorda do ponto de vista do outro, mas deram uma trégua para Chico) e referendado pelo partido, o PT (outro lugar que desconhece a palavra “unânime”). Chico chegou lá através das instâncias externas que validam a competência e habilidade para dada função. Mérito dele leitor, não seja mesquinho, reconheça.

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Entre a esquerda e a direita: o método Chico Lucas

Como resquício de ter cursado Ciências Sociais (não me formei, mas aprendi umas coisas), a colunista tem o hábito de consultar o sociólogo Max Weber (mentalmente, pois ele faleceu em 1920) sempre que pode. 

O que Weber diria para alguém que deseja construir carisma: 

1)Assumir tarefas que as lideranças maiores consideram importantes, porém desagradáveis (tipo, tentar diminuir os casos de violência, assalto, assassinato, facção, etc);

2) Construir redes de lealdade próprias dentro da estrutura (Chico Lucas é defendido arduamente no grupo de Whatsapp “Só Petistas” em que os próprios petistas passam o dia todo criticando tanto o senador Ciro Nogueira, como o ex-presidente Jair Bolsonaro assim como o governador Rafael Fonteles);

3) Tornar-se “ponte” entre grupos conflitantes (Chico é o cara de esquerda com o discurso que parte da direita se não concorda, pelo menos respeita a forma de se posicionar);

3) Demonstrar competência técnica e administrativa que o torne insubstituível (autoexplicativo). A maior força da História é o intelecto.

Se as pessoas passam a contar com você, temem te enfrentar e respeitam sua capacidade de agir… um dia seu telefone toca. DDD 61. É Brasília chamando. 

Quando/se a nomeação sair a colunista volta para a análise de cenários e consequências pois não é de bom tom sentar na cadeira sem ter tomado posse (referência a Fernando Henrique Cardoso, favorito nas pesquisas em 1985, que sentou na cadeira de Mário Covas para uma foto da revista Veja e foi derrotado na eleição para a prefeitura de São Paulo. O gesto foi tido como arrogante e Jânio Quadros venceu e tripudiou).

O quarteto formado pelos delegados Anchieta Nery, Matheus Zanatta, Ian Brayer e Lucy Keiko já pode se organizar para as mudanças vindouras?

Leia aqui uma análise sobre o método Chico Lucas de fazer política.

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Bandeira passa (e resiste) por tentativa de deslegitimização

Atenção, essa é uma coluna só para adultos. A colunista não faz as regras, infelizmente, essas são as leis da natureza humana. Lembre-se, leitor, a perspectiva total é uma ilusão de ótica. Essa é apenas uma coluna opinativa ou, como disse Napoleão Bonaparte: “O que é a história senão uma fábula com a qual todos concordam?”.

O candidato a vice-governador de Rafael Fonteles é e será o assessor especial do Governo e ex-secretário estadual de Educação, Washington Bandeira, acreditam até os mais “wellingtonistas”(apoiadores do ministro do Desenvolvimento Social, Wellington Dias) no PT.

Ainda assim, o que paira na resistência de Wellington em apoiar publicamente Bandeira pode ser lida como um trabalho (involuntário ou consciente, quem souber, morre) de deslegitimização do escolhido por Rafael. Fere-se, portanto, a escolha e a legitimidade do próprio líder petista da nova geração em definir seu sucessor. É como as coisas estão no dia de hoje.

A consequência é uma tentativa de diminuição da força de Bandeira não para 2026, pois ela não é necessária em nada na campanha de Fonteles, e sim para 2030. É no pleito de 2030 que novos jogos e novas cartas serão jogados. Quem não entende a motivação joga damas contra Magnus Carlsen (melhor enxadrista do mundo), o que deve ser péssimo. Quem entende, lê a coluna. Escolha seu lado.

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Dois reis num reinado só

A História conta que até o século XIII, os reis coroavam o filho mais velho enquanto estavam vivos. Era o “rei moço”, que governava junto com o pai. Mesmo sem exercer o poder de fato, essa era uma maneira de mostrar que o herdeiro do monarca foi aceito pela nobreza. Caso contrário, dá-lhe envenenamento e assassinatos misteriosos…

Corta para o Piauí em 2025. É exatamente o que o governador Rafael Fonteles faz com Washington Bandeira, à revelia de caciques como o vice-governador Themístocles Filho (MDB) e o petista Wellington Dias, que resistem em levantar o nome de Washington nessa altura do campeonato. 

Esses líderes ajudam a dar segurança à palavra empenhada, eles têm seu peso. Mas Bandeira, mérito dele, faz tudo o que precisa ser feito: resolve problemas, faz gestos, é simpático e demonstra abertura e humildade. Que fique claro, as questões dizem respeito exclusivamente à relação dos caciques com Rafael, e não com Washington Bandeira. 

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Um breve ensaio sobre as três diferenças da legitimidade de Bandeira e Rafael

Na Ciência Política, legitimidade é o reconhecimento social do direito de alguém governar. Vamos partir do seguinte pressuposto, leitor: é preciso que o poder seja aceito como válido, se não, ele não existe. Se as pessoas não acreditam que você tem o direito de mandar, bom… muita coisa pode acontecer, mas, geralmente, fazem da sua vida um inferno.

Rafael Fonteles faz com Washington Bandeira o que Wellington Dias fez com ele em 2022, mas o detalhe que faz toda a diferença é que Rafael e Bandeira partiram de lugares completamente diferentes. A receita é igual, mas o ponto de partida não poderia ser mais distinto, por isso o resultado final enfrenta resistências: Rafael foi aclamado enquanto Bandeira passa por uma prova de fogo.

Fonteles construiu uma imagem crível de autoridade pelos oito anos como secretário de Fazenda lidando com todo tipo de pedido e problema. Isso sem falar a adolescência e jovem vida adulta como menino prodígio e empresário com presença pública, o que o fez integrar o imaginário piauiense como alguém “fora da curva”. Passou anos se aproximando da classe política enquanto Bandeira corre para fazer o mesmo em meses. Não é a mesma coisa.

Literalmente filho do PT (do ex-deputado federal Nazareno Fonteles), Rafael dominava a gramática interna dos petistas (muy peculiar) e é aceito como um deles, apesar de ser, muitas vezes, lido como altivo demais ou mais distante do que eles gostariam por terem como referencial a figura de Wellington Dias. Ainda assim, Rafael é incontestável como líder no PT. 

Ancorou-se na tradição e na força da instituição partidária. Bandeira era juiz, discreto e que não podia ter vida partidária, mesmo sendo alguém que defendia os valores de justiça social do PT. Mais uma vez, casos completamente diferentes. Não é indo para a sede do PT dia sim e outro também que vai resolver. Mas se não for também, aí o caldo entorna. Sinuca de bico.

Por fim, Fonteles, no tempo em que foi escolhido, conseguiu reproduzir rituais de reconhecimento público, que agora Bandeira busca fazer com as fotos seguidas com lideranças políticas e postadas em sua rede social. É importante, ajuda, dá volume e mostra força. O que não pode é ficar parado. Todo mundo gosta de ficar do lado do vencedor e Bandeira cria para si uma aura de força. Caneta na mão ele tem.

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A solução: tempo, paciência e autenticidade

É impossível acelerar o tempo. Se o leitor quiser cursar Medicina em um ano, é possível? Claro que não, o curso demora seis anos! Mas se o leitor desejar fazer um pão de queijo em 10 minutos, sendo que o tempo para ficar pronto é de 25 minutos, o pão de queijo vai sair cru ou não? (Resposta: vai sair cru). As coisas levam o tempo que têm para levar. 

Washington Bandeira deverá ser legitimado pelo tempo e pelo próprio trabalho. As relações de confiança se constroem com… tempo. Você conhece alguém, diz que vai fazer uma coisa e faz. E a pessoa confia em você. E você ganha um crédito. E essa pessoa te conhece melhor e gosta de você. E se não gosta, pelo menos te respeita. Além disso, o poder é afrodisíaco e tende a devolver aos escolhidos pela Fortuna, a tal da legitimidade. 

Por fim, Bandeira tem como desafio e missão encontrar o jeito Bandeira de ser na política, de se expressar, de conquistar a confiança da turma de políticos que precisa saber quem é Washington (Rafael e Wellington eles já conhecem). Ser quem se é.

A Natureza tem três agentes para restaurar o equilíbrio quando o número de bocas é maior do que a oferta de comida: a fome, a peste ou a guerra. A política é, em sua escala, a violência/guerra por outros meios. É também um conflito de minorias. A maioria aplaude o vencedor e o fornece o material humano para tocar a engrenagem. Nenhum líder pode deixar de passar pelo moinho da objeção, dúvida e crítica.

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Uma historinha sobre Washington na reunião do PT

Um participante da última reunião do PT com Washington Bandeira, na semana passada, olhava para o relógio enquanto Bandeira, tranquilo, sorridente e atento, chamava os petistas pelo nome enquanto anotava as perguntas e respondia amistosamente. 

Disse (contam as testemunhas) que agora, fora da secretaria de Educação, teria mais tempo para ir ao diretório conhecer melhor a turma do PT. E ainda creditou os avanços no governo Fonteles ao ministro do Desenvolvimento Social, Wellington Dias, e a ex-governadora Regina Sousa. É, meus amigos, a missão é dura e o homem fará o que for necessário…

Cada um podia falar por cinco minutos. Quando um dos petistas quis introduzir o assunto “vice de Rafael Fonteles na chapa de 2026”, Marcelino Fonteles, que vem a ser tio de Rafael, tomou a frente e indicou que ali só se falaria de Plano de Governo. Ok.

Mas, o PT é o PT… No final de tudo, o vereador de Teresina Edilberto Borges, o Dudu, brincou: “Sobre a vice, se você quiser vender seu peixe, pode vender. Aqui ninguém está aqui pra lhe atrapalhar. Seu nome foi colocado pelo governador, você está aqui pra construir e é campo aberto. Agora vai ser batalha dura”. A reunião foi a portas fechadas, com entrada restrita.

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Me chame de “resolvedor”

É fato que Washington Bandeira é hoje uma espécie, digamos assim, de secretário de Governo. No papel e no dia a dia da máquina, segue Ivanovick Feitosa. Primeiro, Washington realmente recebeu diversos políticos na sala e na cadeira do Segov, conforme relatado à colunista por participantes de encontros no Palácio de Karnak.

Segundo, porque está claro a todos que possuem pendências no Estado, que liberações de Orçamento passarão por Bandeira. Na reunião do PT, o próprio Washington brincou: “Eu serei um resolvedor”, disse, e ciente do peso dessa sentença, completou, desconversando: “Mas eu sou um dos resolvedores, têm outros…”, relata um dos participantes do encontro. Ou seja: ele é o resolvedor mesmo.

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Me deu vontade de perguntar, mas…

Outro participante do encontro no PT, atuante no ramo dos negócios, relata ter ouvido atentamente a discussão sobre temas como combate à desigualdade racial e direitos da população LGBTQIA+ na reunião: “Tinha que ter sido discutida a situação financeira do estado. Dava vontade de pedir a palavra e perguntar ‘meu amigo quando é que vão pagar os empresários?’”. A colunista questionou por que o nobre petista não fez a capciosa pergunta, já que estava lá mesmo…

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De um operador político experiente: 

“-Qual é a sua leitura sobre a política atual do Piauí envolvendo RF (Rafael Fonteles) e WD (Wellington Dias)?

A) Tá beirando o caos, mas alguém vai ter que ceder.

B) É só jogo político por espaço que não é o do vice.

C) Culpa da imprensa.

D) É briga de verdade e pode mudar a eleição de 2026 e o governo de 2027.

E) Nenhuma dessas; ainda não formei minha opinião.

F) Nem Bandeira nem Vinícius vem outro aí.”

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Meu chute é…

A colunista perguntou a um petista raiz qual das opções tinha mais rumo. Resposta: “Embora WDias vá continuar tentando uma forma de convencer o RF de recuar, mas eu que conheço o RF e o que ele demonstra ser é que não é homem de recuar. Então ele vai levar a cabo e paga pra ver. Tem essa história de Vinícios (Dias) filho de Wellington) ir pra (deputado) estadual. Vamos ver qual a saída proW.Dias se sentir contemplado”. Vamos ver…

Perdão a inconclusão do tema, leitor, é que os jornalistas são como os historiadores: “Sempre simplificam em excesso e escolhem uma minoria maleável de fatos e de indivíduos em meio a uma multidão de pessoas e acontecimentos cuja colossal complexidade ele jamais pode abarcar ou compreender”. Pois é…

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A saúde de Sílvio

Resposta do prefeito de Teresina, Sílvio Mendes (União Brasil) à colunista, ainda referente à última coluna pós-internação de Sílvio: “Sem fumo, dieta e fazendo atividade física tem um ano. Peso mantido”. Não custa nada perguntar: o homem está pronto para a reeleição?

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Para ler, ver e ouvir

“-Você ganha dinheiro com essa coisinha de tênis de mesa?”, Kay Stone, uma ex-estrela de Hollywood.

“-Ainda não”, responde o prodígio do tênis de mesa, Marty Reisman.

“Kay: -Como você vive?”

“Marty: -Bom, eu vivo com a confiança de que, se eu acreditar em mim mesmo, o dinheiro virá”.

“Kay: -O que você planeja fazer se todo esse seu sonho não der certo?”

“Marty: -Isso nem passa pela minha cabeça”.

O frenético “Marty Supreme” (do diretor Josh Safdie, de “Joias Brutas”, nos cinemas) traz Timothée Chalamet (hábil navegante entre os filmes de massa e cinema autoral) interpretando um jogador de ping-pong, aquele tipo de personagem excêntrico que transforma uma atividade marginal em arte através de uma obsessão quase religiosa. De fato, não deixa de ser subversivo dedicar uma vida inteira à perfeição de algo que a cultura considera trivial. E Marty faz tudo, tudo mesmo, pela partida perfeita. Nada acima do resultado.

É impossível não ter alguma admiração (e ao mesmo tempo repulsa) por Marty Reisman, enquanto ele oscila entre a arrogância de um mestre e a vulnerabilidade de um homem que só se sente completo através do som de uma bola de plástico batendo para lá e para cá. Ser o melhor do mundo em algo tão específico requer o sacrifício de quase todas as outras formas de humanidade? Não, me parece que não. Mas também há de se concluir que a grandeza raramente é democrática ou gentil. Contra o caos do mundo exterior, a busca da perfeição às vezes é a única defesa possível.

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Se conselho fosse bom

A raiva nada mais é do que a recusa em admitir que tudo nessa vida é temporário, incluindo posses, relacionamentos e o corpo físico, que é nosso maior apego. Se você não precisa de nada externo para se satisfazer, nunca poderá ser manipulado, escravizado, aprisionado, caluniado e desempoderado. Identifique suas metas e, em seguida, deixe ir a vontade de conquistá-las. A energia do desejo significa, literalmente, “eu não tenho”. O medo de não conseguir algo bloqueia o recebimento.

Dentre os sentimentos com energia mais alta estão a razão (capacidade de ser objetivo e tomar decisões rápidas e corretas), a aceitação (não há necessidade de culpar os outros ou a vida) e a disposição (busca servir). Os mais baixos são a raiva (sentimento de querer “ficar quite”) e tristeza (“se ao menos eu tivesse…”). Assim sendo, a regulação emocional é o maior indicador de inteligência. Pessoas com baixo controle emocional confundem opiniões com ameaças, não têm pensamento crítico e nem controle de impulsos. Seres de baixa energia nos drenam de todas as formas. Lembre-se: seu ego nunca deve sequestrar seu raciocínio. Quem permanece calmo, tem o controle. 

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Cifrada do Tempo Veloz

De acordo com Einstein, o tempo não é absoluto, mas relativo, dependendo da velocidade do observador e da gravidade. Pois bem. No Reino da Távola Redonda Municipal, o tempo corre tão veloz que estão querendo acelerar até mesmo o Torneio Bienal para daqui a mais ou menos oito eclipses mensais (faça as contas). 

A turma dos Apressadinhos diz que tem 21 cavaleiros, a oferta de uns 300 empregos reais e 2 milhões em cotas de argumentos fortes. Ninguém sabe se o Sábio Rei foi informado do acordo pois no final das contas, as chaves do Tesouro ficam com ele, não é mesmo? 

Já o pessoal do Rei Lewis Hamilton não costuma deixar barato, e tem ao seu lado nada mais, nada menos do que o Rei Harry Potter (mas também ninguém sabe se ele vai se meter na história). Isso sem falar dos votos duplos, daqueles que dizem que estão de um lado, mas estão de outro e coisa e tal. Na Física, a Mecânica Quântica aponta que uma partícula (elétron, fóton, átomo, etc.) pode existir em vários estados ao mesmo tempo até ser medida. Antecipar é pedir guerra? Quem briga tem que estar preparado para tudo, inclusive uma bomba atômica? 

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Foto do dia

Por volta de 8h do sábado, 17, a titular da coluna recebeu a ligação do produtor Neto Maciel, companheiro do jornalista Erlan Bastos, informando do falecimento de Erlan (leia aqui o editorial do Boletim sobre a trajetória do comunicador). Na véspera, Erlan pediu a Neto que me desse a incumbência de decidir como informar ao público que ele estava internado no Hospital Natan Portella, em Teresina, com uma tuberculose rara. Não deu tempo.

Estávamos, eu e a família, otimistas, pois acreditávamos, anteriormente, que ele estava sendo vítima de um câncer raro no intestino. Soubemos há poucos dias que era uma tuberculose, quadro complicado, mas tratável. De novo: não houve tempo. A colunista, uma racionalista convicta, foi rendida. O tempo tem lógicas incompreensíveis. 

Nas viagens ao Piauí, era Erlan quem me buscava no aeroporto e tomávamos longos cafés cheios de risada, falando de jornalismo, celebridades e política. Erlan Bastos era apaixonado por política. Teve 17 mil votos para deputado federal no Ceará em 2022, quando apresentava o “Balanço Geral” da Record. Morava na cidade há pouco mais de um ano. Um fenômeno.

Quando foi internado, Erlan entregou dois números de telefones para a mãe dele: o do empresário Wrias Moura (que o trouxe ao Piauí e sempre contribuiu com conselhos e presença generosa na vida do Erlan) e o meu. Honrarei. Erlan está enterrado no cemitério São Judas, em Teresina, essa terra onde ele cresceu na carreira, se consolidou, comprou brigas homéricas, fez amigos eternos e ajudou centenas de pessoas com atos reais de solidariedade assim como levando alegria e entretenimento nesse mundo árido.

Recebeu em sua morte, sem exagero, milhares de homenagens, pois concordando ou discordando das suas posições, ele era o menino pobre de Manaus que venceu pelo talento de saber falar a língua do povo. Isso há de ser reconhecido e foi. Erlan adotou o Piauí, mas era nacional. Muitos conheceram o personagem digital e televisivo combativo. A colunista conheceu o amigo leal e doce, quase um menino, que adorava andar de pantufas e colecionava bonecos de desenho animado. A coluna de hoje é em sua homenagem, Erlan, pois quero continuar me vendo pelos olhos generosos que você tinha sobre mim e que eu, com toda certeza, não mereço.

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A frase para pensar

“Tem muito deputado que só pede coisas que têm cofre no meio”, Luís Eduardo Magalhães (1995-1998), ex-deputado baiano, filho do ex-governador Antônio Carlos Magalhães, explicando as demandas de muitos parlamentares.

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Música da semana

“Pensando em você”, cantada com a voz baixa e sussurrada de Paulinho Moska (lançada em 2003) é sobre o pensamento como forma de presença. Para Erlan Bastos, de Sávia Barreto.

“Eu estou pensando em você
Pensando em nunca mais
Pensar em te esquecer
Pois quando penso em você
É quando não me sinto só”

Sávia Barreto

Sávia Barreto, jornalista, fundadora e diretora-geral do Boletim Brio. Mestra em Comunicação, pesquisou Análise de Discursos e Eleições na Universidade Federal do Piauí. Cursou Doutorado em Políticas Públicas (Ufpi), estudando desigualdade de gênero. Graduada em Comunicação Social na Universidade Estadual do Piauí. Estudou Ciências Sociais (Ufpi). Tem MBA em Comunicação Política e Sociedade pela ESPM, São Paulo. Integra o grupo de estudos “Estratégia, Dados e Soberania” na UNB e é diretora de Comunicação Estratégica da ONG “Fórum para Tecnologia Estratégica dos Brics”, em Brasília, onde reside. Com 17 anos de experiência em redações do Piauí, trabalhou nos últimos dois anos como comentarista e colunista de política em Brasília. Trabalha com consultoria em branding e gerenciamento de reputação digital na Brio Comunicação Estratégica.
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