Piauienses pagam até R$20 mil por harmonização peniana; conheça preços e procedimentos íntimos masculinos e femininos   

A busca por procedimentos estéticos íntimos há muito tempo integra a rotina de clínicas especializadas em Teresina. A novidade está no crescimento no número de adeptos. Procedimentos como a harmonização peniana (capaz de aumentar o diâmetro e circunferência do pênis), realizado através de ácido hialurônico, é um dos mais procurados. O aumento na espessura pode chegar até 10 centímetros. Com tíquete médio a partir de R$ 6 mil e podendo alcançar R$ 20 mil, o segmento tem registrado crescimento consistente, impulsionado parcialmente pelo público masculino acima dos 40 anos, empresários e, em sua maioria, casados.

A propagação do tema nas redes sociais, aliada à oferta de parcelamento e à promessa de ganhos estéticos e de autoestima, vem ampliando o público consumidor, inclusive entre pacientes de classe média. A biomédica Taís Marques, especialista em procedimentos estéticos íntimos, observa uma mudança significativa nesse mercado. 

“No caso dos homens, esse procedimento vai proporcionar o aumento da espessura ou seja, ele vai deixar esse membro mais robusto, mais harmonioso. Os homens têm buscado mais a harmonização íntima. Ainda existe a questão do tabu, mas reduziu bastante, principalmente com a normalização dos procedimentos estéticos íntimos masculinos. Melhora bastante a questão da autoestima, a questão da relação íntima. O paciente vai ter uma mudança não só física, mas também emocional, ele se sente mais seguro, mais atraente e proporciona mais prazer durante o ato sexual”, afirmou a biomédica Tais Marques ao boletimbrio

A aplicação é feita com o paciente acordado, com anestesia local e é minimamente invasivo. Sem necessidade de atestado médico ou afastamentos das atividades da rotina. O resultado do procedimento tem uma duração média de 24 meses, com uma manutenção prevista para um ano após a aplicação inicial. Após o procedimento, é recomendado que o paciente passe pelo menos sete dias sem ter relações sexuais.

Luxo ou investimento?

Apesar de ainda ser visto por parte da população como um procedimento de luxo, o acesso vem se democratizando. De acordo com Taís Marques, há condições de pagamento distintas, com possibilidade de parcelamento entre seis e dez vezes. 

“A minoria ainda vê como luxo. Vai depender muito do perfil do cliente, do poder aquisitivo e da importância que ele atribui a esse procedimento. Por exemplo, tenho pacientes de classe média que fazem o procedimento tranquilamente, com planejamento. A partir do momento em que realizam e alcançam o objetivo desejado, o investimento maior ocorre apenas na etapa inicial. Após as sessões de manutenção, em média entre dez meses e um ano, o valor se torna reduzido, pois é utilizada uma quantidade menor de produto, apenas para complementar e manter o aspecto inicial após a harmonização. Dessa forma, o investimento passa a ser menor”, explica Tais Marques. 

Harmonização glútea em mulheres 

Glúteos aumentados sem necessidade de cirurgia? Sonho de muitas e uma alternativa possível. A harmonização glútea é capa de melhorar o contorno, o volume, a firmeza e a simetria dos glúteos. Muitas mulheres buscam mais projeção, definição lateral e melhor proporção entre cintura e quadril. Os valores médios iniciais disponíveis em Teresina custam a partir de R$6 mil. A durabilidade depende da técnica e do produto utilizado. Preenchimentos duram entre 10 meses e 2 anos. 

Maioria das mulheres que busca cirurgias íntimas em Teresina são noivas ou casadas 

Segundo a ginecologista Monica Santos, que atua com cirurgias íntimas na capital, os procedimentos mais procurados atualmente por mulheres são para correções estéticas associadas a queixas funcionais. Entre os procedimentos mais procurados pelo público feminino, está a ninfoplastia, cirurgia de correção da hipertrofia dos pequenos lábios. A cirurgia é frequentemente associada à capuzplastia, técnica voltada à correção do excesso de tecido no capuz do clitóris.

Além dessas, também há procura por perineoplastia, retirada de plicomas anais e remoção de sinais ou lesões de pele que causam incômodo estético. Outra frente que cresce é o uso do laser de CO₂ para tratamento.

“Atualmente, a maior procura no meu consultório é pelas cirurgias de correção da hipertrofia dos pequenos lábios, procedimento que chamamos de ninfoplastia. Outro procedimento bastante procurado é o laser de CO₂, utilizado para melhora do ressecamento vaginal, atrofia pós-menopausa, ardência durante a relação sexual e incontinência urinária. Trata-se de uma tecnologia que vem se difundindo bastante e ajudando diversas mulheres com queixas genitais e urinárias, não apenas estéticas”, relatou a médica ginecologista ao boletimbrio.

Vergonha, dor e limitação na vida íntima

As motivações relatadas pelas pacientes vão além da estética pura e simples. A combinação entre estética, saúde íntima e bem-estar emocional tem ampliado a percepção de valor por parte das pacientes.

“Algumas pacientes relatam desconforto durante a relação sexual, como se o tecido entrasse no canal vaginal. Outras referem vergonha excessiva da região íntima, o que limita a liberdade com o próprio corpo, como evitar relações com a luz acesa ou deixar de experimentar determinadas posições. Há também queixas de desconforto ao usar certos tipos de roupas, como calça jeans ou calcinhas de renda, além de incômodo ao praticar esportes que geram maior atrito na região íntima. Muitas pacientes relatam, inclusive, nunca terem realizado depilação a laser por não se sentirem confortáveis em expor a região íntima a outras pessoas”, narrou Mônica Santos. 

Riscos e expectativas

Apesar de serem procedimentos considerados de menor porte e com recuperação rápida, há riscos inerentes.

“Como qualquer procedimento cirúrgico, mesmo sendo menos invasivo, existem riscos. As complicações possíveis incluem infecção, deiscência de pontos, sangramento e resultado estético diferente do esperado. É fundamental uma avaliação detalhada antes do procedimento, para alinhar as expectativas da paciente com o que pode ser alcançado. No geral, trata-se de uma cirurgia tranquila, com pós-operatório praticamente indolor e recuperação rápida. No entanto, o sucesso do resultado depende também da colaboração da paciente no período pós-operatório”, frisou Mônica Santos. 

É fato que parte dos pacientes, muitas vezes atraída por preços mais baixos ou promessas de resultados rápidos, se mostra disposta a correr riscos, aderindo a procedimentos realizados em clínicas clandestinas ou por profissionais sem a devida formação, episódios que, não raramente, ganham as manchetes por complicações graves e danos permanentes. Diante desse contexto, é preciso reafirmar o óbvio. 

“O primeiro passo é buscar um profissional habilitado, médico com Registro de Qualificação de Especialista, informação que pode ser conferida no site do Conselho Federal de Medicina. Também é importante avaliar as instalações onde o procedimento será realizado, solicitar fotos de antes e depois, respeitando os critérios éticos, e esclarecer todas as dúvidas. Por fim, o mais importante é escolher o profissional que transmita confiança e ofereça suporte adequado no pré e pós-operatório, orientou Mônica Santos. 

Custos

O valor do procedimento varia conforme a extensão cirúrgica e o tipo de anestesia escolhida. Por se tratar de uma cirurgia ambulatorial, pode-se optar por anestesia local com infiltração anestésica associada à analgesia venosa ou sedação. Essa escolha aumenta o valor do procedimento, mas proporciona maior conforto à paciente.

Os preços ficam, em média, entre R$ 7 mil e R$ 10 mil, incluindo todos os retornos pós-operatórios combinados após a cirurgia.

O olhar do outro

Quando falamos do campo estritamente estético, estamos falando quase sempre sobre o olhar do outro. Porque o nosso olhar sobre nós mesmos não nasce isolado. Ele é construído. É atravessado pela cultura do nosso tempo, pelas referências que consumimos, pelos padrões que se repetem nas telas, nas conversas, nas redes sociais. O ideal de belo é aprendido. É ensinado. É reforçado. E, muitas vezes, é cobrado.

Hoje, por exemplo, espera-se da mulher “bonita” um corpo com glúteos avantajados, simétricos, sem celulite. Do homem, espera-se desempenho, performance e potência sexual. Esses ideais impactam diretamente a saúde mental, a autoestima, a forma como cada pessoa se percebe no espelho. E tudo isso precisa, sim, ser olhado com cuidado.

No fundo, muitas decisões estéticas têm como raiz o medo da desaprovação. O desejo de pertencimento. A tentativa de atender a uma expectativa que nem sempre nasceu dentro de nós, mas foi plantada. Há pessoas que atravessam a vida sendo mais fortes que o ambiente. Outras passam anos e anos tentando se encaixar em um padrão. E não existe aqui certo ou errado, mais evoluído ou menos evoluído. Existe consciência.

A pergunta não é apenas “eu posso fazer?”. É: por que eu quero fazer? Isso é para mim ou para caber no olhar de alguém? Vale o investimento? Vale os riscos, que são pequenos, mas existem?

No fim, o mais importante é a clareza sobre a motivação.

“Grande parte do sofrimento humano nasce do medo de não ser suficientemente amado.”

— Sigmund Freud

Shelda Magalhães

É coordenadora-geral da Agência Brio Comunicação. Foi coordenadora de Comunicação da OAB-PI (2022-2024). Foi âncora da TV Antena 10/ Record TV e da TV Band Piauí. Foi repórter da TV Antena 10. Atuou como repórter do Portal OitoMeia. É jornalista pela Universidade Estadual do Piauí (UESPI). É certificada em Marketing Digital, Branding Pessoal e de Marca.
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