Em menos de três semanas, o preço da gasolina no Piauí saltou de R$ 5,99 para até R$ 7,19 pelo litro, em postos da zona Leste de Teresina. É verdade que a guerra no Oriente Médio, iniciada em 28 de fevereiro, impactou o preço do barril de petróleo nos mercados internacionais. Mas o que os órgãos de proteção ao consumidor estão investigando é se os aumentos praticados no Piauí começaram antes desses efeitos chegarem realmente aos custos das distribuidoras.
Seria oportunismo? A exploração deliberada de um cenário geopolítico para justificar práticas que, de outra forma, seriam indefensáveis. As três maiores distribuidoras do Brasil, Vibra, Raízen e Ipiranga, responsáveis por 60% do abastecimento nacional, foram notificadas pelo Governo Federal com prazo de 48 horas para explicarem seus reajustes. A suspeita são aumentos abusivos sem lastro nos custos reais.
Outro argumento frequentemente utilizado é o da escassez. Sindicatos e postos alegam que há desabastecimento, o que justificaria os preços elevados. Mas o governo do Brasil refuta categoricamente essa narrativa. A oferta está regular. O que pode haver, na verdade, é uma manipulação artificial da oferta para criar a ilusão de escassez, alimentando o pânico dos consumidores e justificando aumentos ainda maiores.
Essa é uma estratégia tão antiga quanto eficaz: criar um problema fictício para vender a solução a preço de ouro. E quem paga a conta? O trabalhador que depende do combustível para chegar ao trabalho. O transportador que vê suas margens encolherem. A população que sente o impacto nos preços de tudo que é transportado.




