EDITORIAL
No Piauí, chegou a vez dos docentes das escolas estaduais decidirem paralisar as atividades por tempo indeterminado. O movimento grevista deve ter início na próxima segunda-feira (24/02). A greve local mais recente durou apenas dois dias. Os professores do município de Teresina suspenderam ontem (19/02) a greve iniciada na última segunda-feira. A justificativa foi a já esperada baixa adesão da categoria.
Historicamente, as greves na educação configuram um sintoma de um problema maior: a falta de reconhecimento e investimento adequado no ensino público. Partem de um sentimento comum e se expandem pelas dores palpáveis do dia a dia, como salários defasados, infraestrutura precária e condições de trabalho que deixam a desejar.
As lutas e insatisfações da educação são antigas e possuem raízes profundas na história nacional. Paulo Freire, um dos maiores pensadores da Educação, defendia que “não é no silêncio que os homens se fazem, mas na palavra, no trabalho, na ação-reflexão.”
A educação é uma aposta de esperança para as nações de quase todo o mundo. Transitórios são os motivos de cada movimento grevista, as nuances sociais que divergem entre as regiões, mas todos as idiossincrasias apontam para um rumo onde tudo se encontra: a urgência por valorização de quem faz a roda da educação girar.
A luta dos professores do Brasil não é um embate isolado, não é uma questão de classe, mas um alerta sobre o futuro que teremos.
GRILAGEM EM TERRAS INDÍGENAS NO PIAUÍ SE TORNA ALVO DA PF E DO MPF

QUADRO GERAL – A grilagem de terras é um problema histórico no Brasil e que ainda aflige as comunidades mais afastadas dos grandes centros, pois geralmente está ligada a conflitos que envolvem violência no campo. Nos últimos anos ficou em evidência outra face da violência no campo, que é a promovida contra povos indígenas, tornando-se um desafio ainda maior para as autoridades.
Nesta quarta, 19, a Polícia Federal, em ação conjunta com o Ministério Público Federal, deflagrou a operação Aldeia Verde, que combateu um esquema criminoso de grilagem de terras indígenas no centro-sul do Piauí, cumprindo busca e apreensão nas cidades de Teresina, Currais e Bom Jesus, no Piauí, além das cidades de Mamboré e Maringa, no Paraná. O esquema utilizava-se de violência e ameaças para expulsar moradores de terras da comunidade indígena Akroá-Gamella, localizadas nos municípios de Baixa Grande do Ribeiro, Uruçuí, Bom Jesus e Currais, que são municípios conhecidos pela grande produção agrícola no estado do Piauí. (GOV.BR)
VALE ACOMPANHAR PORQUE – A questão envolvendo a disputa de terras no território Akroá-Gamella não é nova e as áreas estão em processo de demarcação, que nunca foi concluído, desde 2018. Por conta da não demarcação, as terras sofrem constante invasões e as populações são constantemente ameaçadas. Em 2024 o Ministério Público Federal ingressou com uma ação contra a União e a Funai cobrando que os órgãos concluíssem a demarcação das terras indígenas no território. O conflito é acompanhado de perto pelo Conselho Indigenista Missionário (Cimi), que é uma organização cristã criada em 1972 pela Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB) para acompanhar e defender os direitos e a autonomia dos povos indígenas do Brasil. (CIMI.ORG)
O NÃO-DITO – A região que mais sofre com grilagem de terras no Brasil, sem dúvida é a região amazônica. Uma pesquisa desenvolvida pelo Conselho Nacional de Justiça (CNJ) em parceria com a Associação dos Magistrados Brasileiros (AMB), a Associação Brasileira de Jurimetria (ABJ) e o Programa das Nações Unidas para o Desenvolvimento (Pnud), mostrou que essa atividade é ligada à exploração de madeira, de minérios e à grilagem de terras, é amparada por uma “rede complexa” de crimes que faz uso de “laranjas” para esconder os reais responsáveis pelos crimes, além de estar inserido também na expansão de facções criminosas ligadas ao narcotráfico na região. (CNN)
TÚNEL DO TEMPO – Um vídeo do Greenpeace Brasil, de 2020 mostra a devastação em áreas griladas de povos indígenas na fronteira entre os estados do Pará e do Maranhão. Dados revelam que no período foram registrados 320 Cadastros Ambientais Rurais (CAR) de proprietários privados em áreas sobrepostas a 8 terras indígenas na região, totalizando mais de 67 mil hectares. A grilagem tem aumentado os conflitos nessas áreas, onde há o registro de indígenas isolados, que sofrem grave risco de serem exterminados. (GREENPEACE BRASIL)
VÁ MAIS FUNDO – Reportagem exibida no Fantástico, da rede Globo, no último domingo, 16, exibiu uma expedição da FUNAI, para acompanhar o trabalho de monitoramento e proteção dos indígenas isolados Kawahiva do Rio Pardo, numa região remota no coração da floresta amazônica. A reportagem mostrou ainda o perigo do avanço do desmatamento e da grilagem de terras, inclusive relatou que o posto da FUNAI já foi atacado a tiros em 2018 e que passou a contar com proteção de homens da Força Nacional. (Fantástico)
O QUE ESTÃO FALANDO

O tema que ocupou o noticiário piauiense durante toda a quarta-feira, 19, foi a saída repentina do então presidente da Fundação Municipal de Saúde (FMS), Charles da Silveira, foi que foi noticiada em primeira mão no Boletim Brio (leia aqui). Com menos de dois meses à frente da gestão da saúde de Teresina, o agora ex-presidente da FMS afirmou, em entrevista à TV Cidade Verde, que sua saída da terceira passagem de Silvio Mendes pela prefeitura de Teresina não teve motivação política. “Não existe relação de natureza política nesse processo, é uma questão de natureza administrativa, de forma de encaminhar questões administrativas”.
COLOQUE NA AGENDA

O comediante Fábio Porchat traz para Teresina o show de stand-up “Histórias do Porchat” no dia 12 de abril de 2025, no Teatro G3 Telecom. Conhecido nacionalmente por seu sucesso no canal do Youtube, Porta dos Fundos, carreira na televisão e experiências inusitadas, Porchat promete uma noite de risadas e entretenimento de qualidade. O espetáculo já percorreu diversas cidades brasileiras e internacionais, conquistando plateias com histórias sobre encontros com gorilas na África, massagens peculiares na Índia e situações inusitadas no Nepal. A equipe do Boletim Brio já assistiu e recomenda!
PAREI PARA VER

O céu de Teresina se transforma em uma verdadeira obra de arte ao entardecer. A imagem da seção desta quinta-feira (20/02) foi capturada por @johnwelloficial. O sol se despede deixando um espetáculo de cores. Um registro que ressalta a beleza da capital e nos lembra do privilégio disponível aos atentos à admirar os espetáculos naturais que também existem na cena urbana.
ACHAMOS QUE VALE FICAR SABENDO
Reajustado: O prefeito Silvio Mendes (União Brasil) sancionou o reajuste de 6,5% para os professores municipais de Teresina. Embora o percentual esteja acima do reajuste nacional, ainda está abaixo dos 22,07% reivindicados por muitos profissionais. O projeto de lei foi votado em regime de urgência na quarta-feira (19) e aprovado, com voto contrário do vereador João Pereira (PT). Quem esteve presente relatou ao Boletim Brio que houve um número reduzido de manifestantes em comparação ao ano passado. (G1)
Mais chuva: O Piauí segue com um alerta de chuvas intensas em 117 cidades. A notícia chega como um alívio para os piauenses que enfrentaram meses de calor intenso, mas também serve de alerta: há risco de corte de energia elétrica, queda de galhos, alagamentos e descargas elétricas, principalmente na região central do estado. Nos próximos dias, é recomendado redobrar a atenção ao sair e ao voltar para casa.(Cidade Verde)
Bairro do PCC: Já é uma realidade em filmes e em centros urbanos como os do Rio de Janeiro, mas, aconteceu em Teresina também: criminosos, identificamos como membros do PCC, estavam fazendo assistencialismo comunitário na zona Sul de Teresina. Segundo a polícia, a ajuda era feita para evitar que as pessoas do bairro os denunciassem. Este assistencialismo consistia em oferecer ajuda financeiras, doações e até construir casas para garantir que os moradores não delatassem as atividades ilícitas, que incluíam tráfico de drogas. (O Dia)
Estamos de volta: Uma notícia boa para quem gosta de arte e dança é que o Balé da Cidade anunciou que vai voltar as suas apresentações. O primeiro espetáculo será o “Fuá”, dirigido por José Nascimento. Enfrentando dificuldades nos últimos anos, o Balé da Cidade é referência na capital e movimenta muito o cenário cultural da cidade. Para quem quiser conferir, será nesta quinta-feira (20) na Praça Rio Branco, a partir das 8h. Totalmente grátis. (Portal AZ)




