O Parque Lagoas do Norte, no bairro São Joaquim, já foi um dos principais espaços de convivência e lazer da zona Norte de Teresina, reunindo moradores, visitantes e pequenos comerciantes que encontravam ali uma oportunidade de renda e de encontro com amigos. Durante anos, dizer que morava próximo às “lagoas” era motivo de orgulho para muitas famílias da região. À época em que a região marcou como ponto turístico, cenário para fotos e lugar de passeio para quem buscava um espaço aberto na cidade. Hoje, no entanto, parte dessa memória contrasta com a realidade atual. É o que mostra um vídeo gravado por um internauta e publicado nas redes sociais, acompanhado da pergunta: “você se lembra desse que foi um dos maiores pontos turísticos de Teresina de 2012?”.
Nas imagens, gravadas por Júnior Coiote, o que aparece é um espaço com alguns sinais de abandono. Brinquedos infantis destruídos, estruturas sucateadas e áreas que antes eram cenário de fotos, hoje tomadas pela sujeira. A lagoa, elemento central do parque, aparece poluída. O vídeo também lembra que, no início do projeto, moradores montavam barracas para vender pipoca, cachorro-quente e outros lanches aos visitantes, criando uma dinâmica econômica própria da comunidade. Com o tempo, essas barracas foram retiradas e os quiosques prometidos para os moradores nunca chegaram a funcionar plenamente, o que contribuiu para esvaziar parte da vida cotidiana do espaço.
A história do parque ajuda a entender a dimensão desse contraste. O Programa Lagoas do Norte começou em 2008 com a proposta de recuperar áreas ambientalmente degradadas, melhorar infraestrutura urbana e ampliar a qualidade de vida de uma das regiões mais vulneráveis da cidade, beneficiando moradores. O projeto incluiu saneamento, habitação, equipamentos públicos e um parque linear com ciclovias, quadras e áreas de lazer. Ao longo do tempo, porém, fatores como vandalismo, furtos de equipamentos e falta de manutenção passaram ao longo de diferentes gestões passaram a afetar o funcionamento do espaço. Em 2019, após acumular mais de 60 ocorrências de vandalismo, foi cercado por decisão do Palácio da Cidade, o que afastou ainda mais as pessoas do espaço.
A existência de um parque ambiental, com lazer e infraestrutura, em uma área vulnerável pode mudar completamente a realidade de um bairro ou reforçar mais ainda os problemas sociais que existem na região. Esse tipo de processo mostra como grandes intervenções urbanas dependem da obra inicial, mas, acima de tudo, de cuidado, planejamento e gestão contínua, segurança e participação da própria comunidade para se manterem vivos.
Embora Teresina seja conhecida historicamente como “cidade verde”, a paisagem da capital tem se tornado cada vez mais marcada pelo concreto, como ocorre em muitas grandes cidades brasileiras. Ao mesmo tempo, cresce o interesse da população por atividades ao ar livre, basta observar a quantidade de pessoas que ocupam diariamente a Avenida Raul Lopes, na zona Leste, para correr, caminhar ou pedalar. Enquanto isso, áreas amplas e arborizadas, em outras zonas, que poderiam ampliar essa oferta de lazer e qualidade de vida enfrentam dificuldades de uso e manutenção. A pergunta que fica, de fato, é a feita no vídeo, como tirar fotos, se orgulhar e ocupar os espaços da cidade, se alguns deles estão assim?




