A cena que circula nas redes é perturbadora por acontecer em dos momentos mais comuns da vida teresinense. Um homem para a motocicleta na rua e, diante de uma criança pequena na calçada, faz gestos obscenos. A criança, inocentemente, acena. É por isso que esse episódio precisa ser discutido para além do choque. Ele ilustra como crianças estão vulneráveis em espaços cotidianos nos bairros, nas ruas, mesmo na porta de casa e como a violência sexual pode se insinuar, geralmente, em situações comuns.
A prisão rápida do suspeito é relevante e deve ser reconhecida. No entendo, casos assim mostram a necessidade de campanhas permanentes, extensivas e didáticas para orientar pais, mães e responsáveis sobre sinais de risco, supervisão adequada, limites de aproximação de desconhecidos e a importância de ensinar, desde cedo, que a criança pode e deve relatar qualquer abordagem que a deixe confusa, constrangida ou com medo.
Muitas vezes, criminosos desse tipo não se apresentam como monstros. São figuras banais, discretas, até aparentemente respeitáveis. Assim, o risco pode se esconder por trás da aparência comum do vizinho, do homem educado, da figura que não desperta suspeita. Um predador testa limites e se beneficia da distração coletiva.
O apelo, portanto, é para que esse vídeo não seja tratado apenas como curiosidade ou revolta compartilhável. Ele deve servir como alerta público. Quantos outros casos não têm uma câmera por perto, alguém filmando ou uma testemunha passando na hora? Quantas crianças não conseguem nomear a violência que sofreram? Proteger a infância também passa por linguagem acessível, escuta e pela construção de confiança dentro de casa, para que a criança saiba identificar que algo está errado e encontre segurança para contar.




