Boletim 23/04/26
Alguns pensamentos rápidos sobre campanha eleitoral no Piauí. Começando por quem faz o negócio andar: o QG (quartel-general) que cuida de estratégia política e de comunicação (resumindo: tudo) dos adversários pelo comando do Palácio de Karnak na eleição de 2026. Apresentando os times do governador Rafael Fonteles (PT) e do ex-prefeito de Floriano, Joel Rodrigues (PP), conforme apurado pelo boletim (caso alguém tenha sido esquecido, por gentileza, se apresente e faremos o acréscimo em edição posterior). Antes de saber como a banda toca sob a batuta dos respectivos maestros, convém apresentar os integrantes das orquestras…
O QG de Joel Rodrigues:

André Pontes, publicitário que fez a campanha de Sílvio Mendes (a do Governo estadual, de 2022 e a vitoriosa, à Prefeitura de Teresina, em 2024). Vivendo entre Teresina e Sampa, ganhou a confiança do senador Ciro Nogueira e toca o barco da parte criativa da campanha de Joel Rodrigues ao Governo do Estado. Integrou campanhas nacionais, como a de Eduardo Campos e Marina Silva à presidência da República.
Allisson Paixão, empresário, assessor de comunicação do senador Ciro Nogueira há pelo menos uma década. Amistoso e entendido dos temas, especialmente de mídia, cultiva boas relações com o meio.
Stefânia Oliveira, é considera no núcleo duro cirista, como um braço direito do senador no trabalho político no Piauí. Antes, responsável apenas pela agenda e funções técnicas, cresceu ao longo do tempo, ganhando a confiança do grupo. Lida com parte do núcleo operacional estratégica assim como comunicacional.
Margarete Coelho, ex-vice-governadora, ex-deputada federal e estadual e advogada eleitoral tarimbada, foi a pré-candidata a governadora antes de Joel. De família com força política (a irmã é ex-prefeita de São Raimundo Nonato, Carmelita Castro), entende do riscado e é ouvida, participando ativamente do núcleo duro de bastidores político da campanha oposicionista.
Cristopher Amorim, contador, é casado com a estudante de Medicina e filha do ex-prefeito da capital, Firmino Filho, Cristina Soares. Tem histórico de trabalho com questões municipalistas ligadas a prefeituras e é visto como nome da confiança de Joel.
Geórgia Nunes, comandando o jurídico. Conforme a última coluna do Boletim Brio (leia aqui), a advogada eleitoral é vista pelos pares como bem relacionada e assertiva, traduzindo confiabilidade nas estratégias da campanha oposicionista nas Cortes.
Tonny Kerley, ex-candidato a prefeito de Teresina pelo Novo, economista e comentarista de política na Iel TV, pontuou nas pesquisas de intenção de voto ao Governo mesmo sem ter se lançado. Passou a apoiar Joel e tem andado com o pré-candidato da oposição, inclusive em agendas no interior. Contribui no diálogo político assim como nas questões técnicas de plano de Governo.
O QG de Rafael Fonteles:

Pedro Rocha, assessor especial do governador e servidor do Tribunal Superior do Trabalho, tem ampliado seu raio de atuação para além das funções formais. Presente em agendas no interior, é frequentemente alçado por Rafael a uma posição de destaque. Atua diretamente na interlocução com parlamentares e em tratativas relacionadas à liberação de recursos. Em mais de uma ocasião, o próprio Fonteles mencionou, em tom informal, que por pouco Pedro não compôs como vice (forma de dar relevância ao gestor). Alguns apostam que será ele o primeiro ou segundo suplente a senador de Júlio César (PSD).
André Macedo, secretário estadual de Inteligência Artificial, é formado em Ciência da Computação, com mestrado em Engenharia Elétrica e doutorado em Engenharia da Computação. Professor universitário, já disputou eleição para reitor da UFPI e é figura recorrente nas consultas estratégicas do meio político, especialmente na elaboração de cenários, projeções eleitorais e modelagens de voto nas chapas de federal e estadual. Discreto, exerce influência técnica relevante nos bastidores.
Samuel Pontes, doutor em Direito Público pela PUC de Minas Gerais, professor da UFPI e atual secretário estadual de Administração, integra o núcleo duro desde a primeira campanha de Rafael. Irmão do deputado estadual Dr. Vinícius Nascimento, construiu trajetória própria, vinculada à gestão pública. É apontado como um dos quadros de maior densidade técnica do grupo, tendo dividido espaço no núcleo inicial da primeira campanha de Fonteles com nomes como Chico Lucas, hoje secretário nacional de Segurança Pública.
Marcelo Nolleto, secretário estadual de Comunicação e nome de confiança direta do governador, foi secretário de Governo e acumula funções que vão além da comunicação institucional. Desenvolto no ambiente digital, atua com presença ativa nas redes sociais e intervenções críticas a adversários, em especial direcionadas ao senador Ciro Nogueira.
No campo da publicidade, junto a Marcelo Nolleto, a campanha conta com a SA Comunicação, formada pelos sócios Siqueira Campos e Boni, que têm histórico vitorioso em campanhas de Wellington Dias e do próprio Rafael, além de experiências anteriores com Ciro Nogueira. Pensam estratégia. Soma-se a esse núcleo a ADV6, agência liderada pelos publicitários Paulo Solano e Caio Napoleão, que imprimem uma linguagem mais jovem e contemporânea, indicando esforço de segmentação comunicacional.
Anderson Vieira (leia aqui sobre ele) comanda o jurídico da campanha governista. É procurador do Estado, perfil firme e sóbrio. Com o grau de judicialização característico das disputas eleitorais no estado, deve ter ainda mais protagonismo.
Por fim, mas essencial, Wellington Dias, senador e ministro do Desenvolvimento Social, permanece como o principal fiador político do grupo. Ouvido por todos, sua atuação se dá menos na linha de frente e mais na costura de alianças e mediação de interesses, papel central em um cenário que ainda está marcado por variáveis em aberto.
Comparação final…
No contraste entre os dois QGs, há uma clara diferença de gramática política. De um lado, Joel Rodrigues opera ancorado em um núcleo mais político, mantendo a centralidade na confiança pessoal, capilaridade midiática e trânsito nas vias políticas locais, intrinsecamente ligadas a Ciro Nogueira.
De outro, Rafael Fonteles combina esse mesmo capital político com uma camada adicional de “tecnocracia estratégica”, incorporando quadros com maior densidade analítica e capacidade de modelagem eleitoral.
Só um dos estilos vencerá, o leitor já sabe.
_________________
O federal dele será…
Tudo indica que Jeová Alencar, vice-prefeito de Teresina que se desincompatibilizou recentemente do cargo de secretário municipal de Governo da gestão Sílvio Mendes, vai ser vice de Joel Rodrigues (Progressistas) no palanque da oposição. Se fosse candidato a deputado federal, como alguns cogitam, Jeová não poderia votar no vereador de Água Branca e pré-candidato ao mesmo cargo na chapa peso pesado do PP, Emanoel Paiva.
Com diálogos em todas as cortes e esferas, Emanoel tem sido visto nas rodas de conversa políticas como um nome capaz de surpreender no grupo que tem os federais Júlio Arcoverde e Átila Filho buscando a reeleição numa chapa que tem voto para eleger dois (mas conta com a terceira vaga de sobra. Essa vaga também é contada pelo PT, MDB, PSD, Republicanos… Um deles vai levar, fato). Jeová, por sua vez, ainda não anunciou apoio formal a Paiva e tem gente na oposição que até hoje aguarda adesões e defecções da base governista para fechar o palanque de Joel Rodrigues. Esse é um bom assunto para acompanhar.

_________________
Réplica com nome e destinatário (mais ou menos) oculto
Após a última coluna (você pode ler aqui), o vereador da capital e secretário municipal de Educação, enviou a seguinte mensagem à humilde cronista. A reprodução está feita na íntegra: “Sou leal, sou de grupo. Tanto que sou, que em 2022 decidi apoiar o Dr. Silvio, mesmo sob a ameaça velada de perder o mandato no PSD, que apoiava o Governador Rafael Fonteles. Ah…o ‘pedido exorbitante’: uniforme escolar para os quase 92.000 alunos da Rede Municipal”.
Recado dado. Bateu, levou? (O destinatário da mensagem, se quiser, pode mandar a tréplica).

_________________
Resposta com alguns nomes
Um petista das antigas, daquelas águias experientes, um dinossauro de anel de tucum, fez a seguinte análise ao boletim. Por precaução, alguns nomes foram suprimidos porque nem todo mundo sabe separar a mensagem da mensageira…
“Um candidato ligado ao X (candidato a senador) me falou de várias reclamações do grupo. Por exemplo: eles vão ter que votar no filho do Y (suplente do Z), que vai votar no Ciro Nogueira… e por aí vai. Quanto ao Governo, o Joel (Rodrigues) tá fazendo o que pode e acho que vai fazer bonito. Mas o peso da máquina é grande…Veja Parnaíba: o Rafael (Fonteles) vai ter o apoio do grupo do MS (Mão Santa), do prefeito (Francisco Emanuel) e de praticamente todos os vereadores. No plano nacional (a candidatura do Joel tomaria grande impulso se Flávio Bolsonaro se tornasse o franco favorito). Mas não acredito nisso. Você tem condição de analisar melhor, mas vi o Congresso votar num candidato ao Tribunal de Contas da União (TCU) do PT (300 votos) e cheguei a conclusão que o Lula vai pra cima do centrão com tudo. O Messias (candidato a ministro do STF) ganhando será outra prova que o centrão não morre de amor pelo Flávio e que só vota nele se o Lula não jogar pesado e abrir as torneiras pra eles”. Será?
_________________
Resposta sem nome (a conselho do jurídico)
Complexa ao extremo, só entendidos entenderão…
Essa é de um empresário gabaritado, que anda por altas e rarefeitas rodas políticas e econômicas. “A dúvida do W (candidato a federal) é só uma: o Y (empresário piauiense de voos internacionais), que ao meu ver é o maior opositor do X (candidato ao Governo) junto ao Z (senador), vai dar 30 milhões ou não para ele e sei o V vai domar o W com esta provável oferta”.
Gente, pera lá. 30 milhões do que? Mas o Y não era amigo de todo mundo? Tiramos dois minutos para respirar e a política piauiense vira de ponta cabeça (ou não), impressionante!
_______________
Senta que lá vem história
No livro “Anatomia do Poder”(publicado em 1983 e hoje fora de catálogo, mas o leitor encontra em sebos) o ex-embaixador, economista e cientista político norte-americano John Kenneth Galbraith propõe que o poder, em qualquer esfera, política, econômica ou social, deriva de três fontes essenciais: personalidade, propriedade e organização. Não são excludentes.

Personalidade (o poder que não se transfere): é a fonte mais antiga e mais instável. É o carisma, a capacidade de persuadir, de mover pessoas pela força da presença ou do discurso. Tal como Donald Trump, que construiu uma base política que não obedece ao Partido Republicano, obedece a ele. Líderes que dependem exclusivamente dela são poderosos enquanto estão em cena e vulneráveis quando saem. A personalidade não se delega e não se herda facilmente. Pois é.
Propriedade (o poder que não precisa aparecer): é o mais tangível. Quem controla recursos (dinheiro, terra, meios de produção, informação) controla incentivos. E quem controla incentivos, controla comportamentos. É um poder mais silencioso que o da personalidade, mas frequentemente mais duradouro. Autoexplicativo, a coluna não dará exemplos.
Organização (o poder que sobrevive aos indivíduos) é, para Galbraith, o mais dominante do mundo moderno. Vejamos o Partido Comunista Chinês. Xi Jinping é poderoso, mas é produto e prisioneiro da estrutura. A organização é maior que qualquer nome. Alguns esquecem desse fato óbvio.
Convém saber operar com a mistura exata e a dosagem necessária dos ingredientes para evitar explosões e acidentes inoportunos.
_______________
Se conselho fosse bom
Pessoas que entram em tudo calculando quanto tem a ganhar, quais são “os seus direitos” estão sempre se perguntando por que nada dá certo. Deve ser porque antes de receber, você precisa dar. Não importa a intenção e sim o valor percebido, ou seja, mesmo que esses “coitados” considerem que merecem mais, na verdade são tratados de acordo com o que realmente entregam. A maioria superestima o que entrega. Construa primeiro, se torne inegável e negocie depois.
Os infelizes não são assim porque a vida é difícil, na verdade eles são infelizes porque são 100% egoístas e 0% habilidosos. Envelhecem apenas cronologicamente, mas não passam de eternos infantilizados que acham que o mundo deve alguma coisa a eles. Olhe para as pessoas que você tem na sua vida: elas são um reflexo de quem você é. Invista em si mesmo, construa valor e nunca mais precise pedir nada para ninguém. Daqui a 100 anos você pode voltar aqui e ler esse conselho. Ainda será válido.
_______________
Cifrada do Empréstimo Inusitado
Vencer o Torneio Quadrienal é realmente equivalente a chegar ao Olimpo. Mas antes, se faz necessário atravessar o Inferno de Dante. Nele, figuras conhecidas como Mercadores cobram juros em que o céu é o limite… A situação é tão complicada que uma liderança relata ter recebido um pedido inusitado de um cavaleiro (com mandato): “O X me perguntou se eu tinha 30 mil estalecas para emprestar pra ele. Ele vive mais lascado do que eu e tu. O Y (político acima de muitos) deve 10 milhões de estalecas para o Z (cavaleiro municipal). Esse povo gasta demais, se perde, colocam a corda no pescoço!”.
Esperto mesmo é o cavaleiro federal W, que cumpre os acordos do jeito que dá mas, mesmo assim, mantém time fiel. “Ele é o melhor porque consegue ser o administrador dos pingados. Pinga aqui, pinga ali e vai mantendo todo mundo”, analisa um admirador, que aguarda seu “pingado” cair também, claro. A arte de saber onde, como e quando “pingar”. Quem sabe, sabe. Quem não sabe, assiste…
_______________
Foto do dia
Atenção! Congestionamento! Não na Avenida Frei Serafim, em Teresina. Também não é na São Sebastião, em Parnaíba. Estamos falando do Aeródromo Canaã, o mais recente dos três espaços para pouso e decolagem de aviões particulares na capital, que fica entre as cidades de União e Teresina. O nome entrega tudo: o espaço é da família Lima, do patriarca, o deputado federal Júlio César e seu filho, o deputado estadual Georgiano Neto, ambos do PSD.

“Pra tu ter noção, o F (empresário do ramo de negócios de entretenimento online) deixa o avião dele lá. Lá tem estrutura, duas salas VIPs pra atender as pessoas, cafezinho. Bom demais. Os empresários do agro pousam lá”, relata um frequentador high ticket (alto ticket) do espaço. O bicho pega mesmo é quando o circuito aéreo dos titãs se encontra por lá. Estamos falando dos senadores Ciro Nogueira, Marcelo Castro e Wellington Dias e o próprio Júlio César. Testemunhas relatam à colunista que quando a turma se encontra, eventualmente, todo mundo é educado no off. Sem estresse.
Quem não passa por esse problema é o pré-candidato ao Governo, Joel Rodrigues (PP), que optou por viajar de carro. Sim, leitor, mesmo podendo pegar o avião do senador Ciro Nogueira, Joel tem chegado nas agendas de carro, numa espécie de caravana pé no asfalto. Um deputado, que é da base mas não tem nada contra Joel, comentou, quando soube da história: “Vamos ver até quando ele aguenta nesse ritmo. Estou numa agenda louca. Nem eu que sou um lascado ando só de carro, imagine ele”. Apostas na mesa! Ou melhor, nos ares!
_______________
A frase para pensar
“Eu, como sabem, adoro ser desafiado. Lá no meu Mato Grosso, as pessoas dizem: ‘Não me convide para dançar porque eu posso aceitar’. Adoro ser desafiado. Me divirto com isso”, ministro Gilmar Mendes, do Supremo Tribunal Federal (STF), após o senador Alessandro Vieira (MDB-SE) pedir o seu indiciamento, dos colegas Alexandre de Moraes e Dias Toffoli, além do procurador-geral Paulo Gonet, na CPI do Crime Organizado.



