Na tarde da última quarta-feira (22/04), Silvio Leite recebeu o Boletim Brio em sua casa, num condomínio da zona Leste de Teresina. Com a entrada repleta de plantas que ele insiste em sempre pôr mais uma mesmo contra a vontade do condomínio, fotografias, lembranças, feitos, e o barulho de dois companheiros, que ele não abre mão. Um cachorro spitz alemão e um dachshund, no bom português, um “salsicha”.
Hoje com 70 anos, Sílvio Leite começou sua trajetória na comunicação em um alto-falante de uma pequena cidade do interior. Sua passagem mais destacada foi no Grupo Claudino, onde se tornou referência como promotor de eventos que marcaram gerações, sendo responsável por apresentações da Esquadrilha da Fumaça no Piauí, além de liderar o processo de lançamento do Teresina Shopping.
Foi também superintendente da Sucesso Publicidade. Atuou ainda como Secretário de Comunicação e de Turismo do Estado do Piauí nos dois primeiros governos de Wellington Dias e foi responsável por projetos no Grupo Meio Norte. Sua trajetória é de mais de 50 anos de trabalho, sendo 40 deles dedicados à comunicação.

Foi assim, num dia comum, no ano de 1984, que Silvio Leite, empresário e gestor de comunicação, iniciava sua carreira na publicidade:
“O senhor Valdecy (Claudino) entrou na minha sala e chamou pra eu ir pra uma reunião com ele e o senhor João Claudino. E lá usaram muitos termos que eles não entendiam. Não sei o quê, não sei o quê. Quando eles saíram, seu Valdecy disse: ‘João, você entendeu alguma coisa do que eles falaram?’”, narrou Silvio Leite.
Continuou…
“Aí seu João disse: ‘Eu não entendi nada’
Ele disse: ‘Manda esse rapaz (apontando para Silvio Leite) vir fazer o catálogo aqui’”.
Ele ainda não sabia, mas o futuro lhe reservava uma ascensão profissional marcada por muitos trabalhos na comunicação. Como ele mesmo diz em seu livro “Marcas que marcam”, lançado em 2021, errando e aprendendo.

Boletim Brio: Qual é o erro mais comum que o senhor vê hoje dos empresários e comunicadores piauienses, inclusive os grandes?
Silvio Leite: A pressa. Eles gravam e já colocam no ar. Eu sempre preguei aqui na publicidade que, às vezes, você muda uma vírgula e muda toda a concepção do texto, muda a mensagem. Eu vejo que a geração de hoje é muito imediatista. E, para mim, o principal ponto da comunicação é a emoção, é você transmitir emoção. Eu tive uma experiência com Silvio Santos e aprendi muito isso.
Um supermercado, em 30 segundos, tenta vender 17 produtos diferentes. Não tem foco, não tem estratégia. Eu não tenho formação em comunicação, mas aprendi muito trabalhando. Lembro de campanhas marcantes, como o show do Balão Mágico e a Esquadrilha da Fumaça no lançamento do Teresina Shopping. Tudo era pensado nos mínimos detalhes: horário, organização, experiência do público. Emoção.
E isso faz falta hoje. Outra coisa importante: o cliente precisa acreditar. Porque quem entende de comunicação é o profissional. Não dá para fazer tudo no improviso. A marca precisa ter consistência. Não pode mudar toda hora. E conteúdo não é quantidade, metade do que se produz hoje poderia ser descartado.

Boletim Brio: Como o senhor avalia as redes sociais dos líderes políticos?
Silvio Leite: A rede social do governador deveria ser revisada. Tem uma frase do José Sarney sobre liturgia do cargo. Você pode, uma vez, ir ao mercado, comer pastel… mas repetir isso demais banaliza.
Tem que ter estratégia. Eu converso com ele: quer parecer jovem ou desmistificar a imagem? Então faça com equilíbrio. Hoje há excesso, repetição, falta de coerência. Ele é bom de entrevista, tem conteúdo, números. Mas há choque entre o que ele fala na mídia tradicional e o que aparece nas redes.
Boletim Brio: Por que decidiu sair do grupo Claudino? (episódio não contado em seu livro)
Silvio Leite: No contexto da festa de inauguração do Teresina Shopping, Silvio Leite narrou o seguinte impasse logístico de organização entre ele e o empresário e fundador já falecido, João Claudino Fernandes.
“É o seguinte: eu tomo conta da solenidade, o senhor toma conta da festa. Nem o senhor se mete na minha, nem eu me meto na do senhor”, teria dito Silvio Leite ao fundador do grupo. E assim foi. Quando foi uns dois dias depois, ele ficava até tarde lá no Teresina Shopping. Aí eu cheguei, e uma prima dele disse: “Olha, seu… o bufê grande vai ficar bem ali na praça’.
Eu disse: “Não, ali vai ser a solenidade.” O senhor João disse: O shopping é meu, eu faço do jeito que eu quero. A solenidade se arranja em outro lugar.
Eu disse: “Seu João, não foi isso que nós combinamos. Seu João, o senhor vem implicando com isso. Quando o senhor quiser, o senhor tome conta disso tudo aqui. Mas não foi isso que nós acertamos” Aí não ficamos de bem, nem eu e nem ele.
Nesse dia, eu decidi sair do grupo. Sabe por quê? Porque eu disse: a minha imagem era tão junta do grupo que as pessoas iam se assustar ao me ver discutindo com seu João.
Aí, no outro dia, como eu estava há muito tempo lá, eu tinha uma sala pequena na Sucesso, e tinha muito livro lá, muito disco e tal. No outro dia, comecei a tirar minhas coisas de lá. E ninguém sentia falta. Não passava na cabeça de ninguém que eu fosse sair.
Boletim Brio: Como é sua relação com a família Claudino hoje?
Silvio Leite: Fiquei muito chateado quando fizeram um livro sobre os 25 anos do Teresina Shopping e não citaram meu nome. Um dia, minha neta veio aqui e disse: “Vô, o senhor disse que foi o senhor que fez o Teresina Shopping, mas a fulaninha lá disse que o pai dela falou que tem um livro em que não tem o nome do senhor”.
Escrevi uma nota. Exagerei, porque eu podia ter me atentado só ao shopping, entendeu? Mas também envolvi o João Júnior, envolvi o Fernando, a Hanna, a mãe da Hanna e tal. A partir disso, tivemos um distanciamento. Mas deveriam me pagar, né? Porque eu alertei… Depois dessa nota, o João Júnior foi lá para dentro, aí saiu fazendo almoço.
Falo sempre com o João Vicente e com a Cláudia Claudino. Eu era um dos poucos executivos que vi todos eles pequenos e não os via como apenas meninos, mas como os futuros donos. João Vicente é uma pessoa excelente. Estão fazendo um Centro de Eventos, eu não faria. João Júnior foi escolhido pelo senhor João (Claudino) por dez anos e naquela época ele era o mais preparado, realmente.

Em todas as histórias que contou citou o nome de Valdecy Claudino, irmão de João Claudino, com quem manteve uma relação de lealdade e proximidade por toda a vida. Como prova desse vínculo, um de seus cinco filhos recebeu o nome de Valdecy, Marcos Valdecy, e uma de suas filhas Júlia Rivone, foi nomeada em homenagem a dona Rivone, esposa de Valdecy Claudino.
Entre os inúmeros episódios marcantes de sua trajetória, destacou como inesquecível o apoio recebido dessa família quando esteve hospitalizado em São Paulo, em um período concomitante à inauguração do Teresina Shopping, quando enfrentou uma doença autoimune. Recorda com emoção a amizade leal de Valdecy e de sua esposa naquele momento delicado, quando jamais o deixaram sozinho.
Mencionou ainda, o motorista que o acompanha há 40 anos, e que transitava pela casa e acalmava os dois cachorros enquanto essa entrevista acontecia. Foi esse mesmo colaborador quem atuou como motorista do Armazém Paraíba e ajudava a anunciar grandes iniciativas do grupo por meio de carro de som, contribuindo para transformar suas ideias em realidade.
O modelo de negócio de Carine Paiva
O Piauí não tem tradição em receber grandes eventos de qualificação. O radar brasileiro sempre esteve voltado para os grandes centros, como São Paulo, Rio de Janeiro e Brasília, que concentram eventos de inovação, gestão, marketing e empreendedorismo, um mercado que teve um boom no mundo pós-pandemia e que tem como principais rostos, majoritariamente, pessoas que ganharam alcance e escala no digital.

A empreendedora piauiense Carine Paiva, há três anos, realizou a primeira edição do evento A Nova Era, com o objetivo de aproximar esses nomes e colocar o Piauí no radar dos grandes eventos de qualificação empresarial. Eventos como esse são ousados, pois exigem um grande aporte financeiro para custear palestrantes que são, de fato, nomes de peso.
Nesta edição, que acontece neste final de semana, estiveram presentes nomes como Caio Carneiro, sócio do Grupo Wiser; Renata Vichi, que foi presidente do grupo responsável por comandar marcas como Kopenhagen e Brasil Cacau por 30 anos; Nelson Lins, fundador da SELFIT Academias; entre outros.
Nas rodas de conversa entre empresários, há quem se pergunte: A Nova Era dá certo mesmo? Como o Piauí consegue sustentar um evento desse porte? O Coluna Ápice foi lá conferir.
Como a própria Carine Paiva afirmou, na tarde desta sexta-feira (24/4), durante sua palestra no evento, A Nova Era é a porta de entrada para o ecossistema, criando conexão com a mentora e com os serviços que o grupo gerido por ela oferece como soluções empresariais.
A palestra de Renata Vichi, por exemplo, custou R$ 100 mil, de acordo com Carine Paiva. Já a mentoria vendida no evento pela empresária piauiense custa atualmente R$ 180 mil por um acompanhamento de um ano, com oferta especial no evento de R$ 120 mil para os 50 primeiros participantes.

Assim, A Nova Era se posiciona como um investimento na aquisição de clientes, buscando a fidelização por meio das demais soluções oferecidas pela empresa. O evento reuniu cerca de 1200 empresários e teve a organização elogiada pelos presentes.
Perguntas sem filtro para Kalina Rameiro

Ela tem um estilo muito próprio. Sabe aquela peça que você olha e lembra do artista na hora? Esse é o caso das produções de Kalina Rameiro, artista plástica e designer piauiense, natural de Pedro II, no interior do Piauí. Sua trajetória começou ainda na Universidade Federal do Piauí, onde produzia bijuterias no próprio quarto e vendia para os colegas de turma.
Kalina realizou exposições e workshops em capitais ao redor do mundo, como Paris e Tóquio, e teve produtos utilizados em novelas da TV Globo. Além da carreira artística, é empreendedora social, desenvolve projetos voltados para a capacitação de mulheres e tem seu ateliê em Teresina.
Boletim Brio: Seu trabalho carrega muito da memória afetiva nordestina. Qual lembrança pessoal mais influencia sua criação?
Kalina Rameiro: Minha memória nordestina é afetiva e é a que mais influencia minha criação: a casa e o quintal das minhas avós, o trabalho artesanal que elas faziam, as cores e a arquitetura das casas no interior do Piauí onde moravam.

Boletim Brio: Suas obras misturam arte, design e identidade regional. Em que momento você entendeu que o Piauí seria uma marca tão forte no seu trabalho?
Kalina Rameiro: Nunca pensei no Piauí como uma marca forte para o meu trabalho. Sempre pensei que eu poderia ser e fazer a diferença para o Piauí, com uma arte autoral, diferenciada e com um regionalismo sofisticado.
Boletim Brio: Até que ponto sua produção é estética e até que ponto ela é política ou cultural?
Kalina Rameiro: Minha criação é estética e cultural, sempre.
Boletim Brio: Você já levou sua arte para outros estados e até fora do país. O olhar externo valoriza mais a identidade regional do que o próprio público local?
Kalina Rameiro: Hoje, graças à minha dedicação, ao respeito e a uma arte/artesanato autoral, já conquistei o respeito e a admiração das pessoas do meu estado. E acredito que as pessoas gostam da minha arte porque são pessoas que circulam pelo mundo, leem muito, veem muitas referências, observam e reconhecem que o meu estilo é único: é minha arte, só existe em mim, só existe aqui no Piauí.

Boletim Brio: O que ainda te inquieta como artista? O que você sente que ainda precisa explorar ou provocar?
Kalina Rameiro: O que me inquieta é a falta de ética profissional de algumas pessoas que se autointitulam artistas. Acho que isso ainda precisa melhorar muito.
Whindersson e Alok: o não dito

O Boletim Brio esteve na coletiva de imprensa realizada com o DJ Alok, na última quarta-feira (22/04), em um hotel na zona Leste de Teresina. O humorista piauiense Whindersson Nunes também apareceu por lá. E nem só de música e nem só de humor desenrolaram os assuntos.
Durante a coletiva, abordaram temas que nem sempre ocupam o centro do interesse midiático, como a saúde mental, pauta frequentemente levantada por Whindersson, e também discussões como a chamada “Lei Felca”, mencionada e endossada por ambos. A Lei Felca (formalmente Lei nº 15.211/2025, ou Estatuto Digital da Criança e do Adolescente – ECA Digital) entrou em vigor em 17 de março de 2026. Ela visa aumentar a segurança de menores de 18 anos na internet, exigindo verificação de idade, controle parental e restrições de algoritmos para crianças em plataformas digitais.
Os dois demonstraram compreender e abraçar a influência positiva que exercem ao serem considerados referências por diferentes gerações. Utilizaram a visibilidade e o espaço na mídia não somente para promover trabalhos, vender shows ou fortalecer a própria imagem, mas também para dar voz a temas relevantes para a sociedade. Nem todo artista é um ídolo, já outros…

Destaque jurídico
O advogado especialista em Direito Eleitoral, Welson Oliveira, tem trabalhado na transformação de sua tese de doutorado em livro, fruto da pesquisa desenvolvida no IDP sobre o tema “Erro grosseiro na administração pública: análise dos parâmetros adotados pelo Tribunal de Contas da União”.
“Na tese de doutorado, abordamos a mudança da jurisprudência do TCU ao longo dos últimos cinco anos, onde observamos a ponderação do contexto em que os gestores públicos do Executivo estão inseridos quando da tomada decisões administrativas, momento em que o tribunal de contas não avalia apenas a letra fria da lei, mas todo o contexto social que o gestor está envolvido, como o tamanho da cidade, a estrutura técnica a sua disposição e a disposição do gestor em tentar fazer o correto”, explicou Welson Oliveira à Coluna Ápice.

A obra conta com o posfácio assinado pela conselheira do Tribunal de Contas de Estado do Piauí, Lilian Martins, e o prefácio pelo ministro do Tribunal de Contas da União, Antônio Anastasia. Contribuições de peso para o Direito Eleitoral piauiense.
Manual da Moda: as escolhidas da semana

A empresária Caroline Venâncio, fundadora da marca piauiense Venantis, aposta em uma estética contemporânea e refinada. Valorizando elegância atemporal em vez de tendência passageira. O destaque vai para o bordado da camisa, feito a mão.

Autoridade com estética é o que a empresária Gabriela Pinheiro escolher comunicar, ao usar um blazer com aplicações de plumas com pontos brilhantes distribuídos. A peça é da loja piauiense Landim Brand, da empresária Simone Paes Landim.

A influenciadora Virna Lanay traz feminilidade, contraste e foge do óbvio. O ponto forte é o mix de poás que quebra qualquer ideia de básico. A blusa é da Zara e a saia da loja Zoka.



