A arte multifacetada de André Gonçalves, escritor e idealizador da Revestrés segue deixando rastros; as reinvenções do maquiador Diego Coelho; UFPI + Sebrae: Avexa Hub e mais

“Produzir vestígios, deixar rastros, dizer que passei por aqui, que amei, que errei, que vi coisas que adorei e outras não, que inventei mundos” (André Gonçalves)

São tempos de efemeridades digitais. Já dizia o escritor Zygmunt Bauman mesmo antes de morrer, mesmo sem ter visto o mundo como ele é hoje, farejando o que chamou de modernidade líquida. É essa efemeridade que tantas vezes ofusca a profundidade. A boa notícia é que há os que resistem, ainda temos a história dos inquietos a contar. Nesta edição, a Ápice conversa com André Gonçalves, escritor, publicitário, fotógrafo, doutorando em Filosofia e estudante de Psicanálise que transita por diversas linguagens. Ele abre um baú de memórias sobre a própria trajetória, marcada pela paixão pela palavra e pelo olhar atento ao mundo, com contribuições ao jornalismo cultural e à literatura.

André Gonçalves, que por anos foi um dos nomes que esteve à frente da Revista Revestrés, um marco no jornalismo cultural piauiense. A habilidade de conciliar o rigor editorial com a sobrevivência financeira de um projeto independente é um testemunho de sua paixão pelo segmento. Autor de obras como “Coisas de amor largadas na noite” (2008), “Pequeno guia das mínimas certezas” (2013), “Rita Hayworth foi a Paris” (2020) e “A Faca” (2020) e “Ho Chi Minh era garçom na Lapa (ou do princípio da incerteza)” (2026), André Gonçalves não se limita a um gênero. E convida o leitor a explorar as nuances da existência, a vaidade, o medo do desaparecimento e o desejo intrínseco de comunicação. Essa busca revela a essência de sua arte: fazer com que sentimentos e ideias sobrevivam ao corpo.

Seu mais recente lançamento, “Ho Chi Minh era garçom na Lapa (ou do princípio da incerteza)”, publicado pela Mórula Editorial em parceria com a Área de Criação e a ideias.inc, é uma ilustração dessa versatilidade. O livro, que ele próprio descreve como algo que “menos aceita um lugar certinho numa estante”, propondo uma “pequena afronta às coisas do mundo”. Nesta entrevista, André Gonçalves compartilha suas inspirações, os desafios do jornalismo cultural e da publicidade no Piauí, e a filosofia que permeia sua vida e obra, revelando a profundidade de um pensador que, com cada palavra e imagem, busca deixar sua marca no tempo.

Boletim Brio: Você mencionou que escreve para que “alguns saibam que estive aqui um dia”. Poderia aprofundar essa motivação e como ela se conecta com sua paixão pela literatura?

André Gonçalves: Tem aí uma mistura de vaidade, medo do desaparecimento e desejo de comunicação, desejo de encontro. A gente costuma confessar só a vontade de comunicar, mas vaidade e medo são bastante humanos e estão aí, também. Viver é confuso, a vida é curta. Escrevo, acho, para produzir vestígios, deixar rastros, dizer que passei por aqui, que amei, que errei, que vi coisas que adorei e outras não, que inventei mundos. Mesmo sem saber muito bem se isso serviria para alguma coisa.

Não vejo a literatura como monumento. Desconfio de monumentos, eles ficam datados, comumente desabam. Penso na escrita como bilhetes dentro de garrafas jogadas ao mar. Talvez ninguém nunca as encontre, talvez alguém encontre quando eu já não puder explicar nada. É esse encontro, improvável, que me interessa. Fazer com que coisas que senti sobrevivam ao meu corpo.

Boletim Brio: Como editor da Revista Revestrés, que marcou o jornalismo cultural piauiense, quais os maiores desafios de empreender e manter uma publicação de qualidade com público pagante no cenário cultural piauiense?

André Gonçalves: A Revestrés nasceu de uma ideia do amigo Wellington Soares, e com uma convicção nossa que não era exatamente muito sensata, economicamente falando: de que seria possível fazer, no Piauí, uma revista cultural bonita, com bons textos e imagens, que transitasse entre o regional e o nacional, expandindo a leitura do que se chama de “cultural”. Uma publicação independente e capaz de interessar a um público pensante. Logo descobrimos que cultura também tem de pagar gráfica, pagar fotógrafo, jornalistas, frete, aluguel, boleto…

O primeiro desafio foi conquistar leitores, não só consumidores ocasionais e amigos solidários – e os tivemos, muitos, além de reunirmos uma incrível e talentosa equipe, hoje amigas e amigos de sonho e de vida. Mas o desafio mais difícil, obviamente, foi captar recursos sem transformar a revista em catálogo de patrocinadores. Um jornalismo cultural sem pautas vendidas, sem vender a capa da revista, em um mercado pequeno e com pouco apoio financeiro e institucional. Foram doze anos conciliando rigor editorial e sobrevivência financeira. Foi ótimo!

Boletim Brio: Além da escrita e da publicidade, você também é artista visual e fotógrafo. Como essas diferentes formas de expressão se complementam em sua trajetória criativa?

André Gonçalves: Nunca percebi as coisas que faço como atividades separadas, compartimentadas. Penso, ou sinto, tudo junto. Escrevo pensando imagens, quando fotografo sonho em construir e desconstruir narrativas, brinco de pinturas querendo eliminar o intervalo entre pensar e sentir. E, quando trabalho com publicidade, única atividade na qual me obrigo a ter “objetivos”, busco conceitos para uma marca; porque aí imagens e frases precisam produzir algum efeito direcionado, não basta que sejam “belas” ou “boas”.

Todas essas linguagens lidam com enquadramento, ritmo, corte, desvio, um sair de onde se está. Isso me ensinou que, antes da técnica, existe o olhar. Penso que comecei a ter essa percepção quando ganhei minha primeira “camerazinha” de plástico, aos 7 anos. De certo modo, aos 58 sigo com o mesmo olhar. Procurando relações não muito evidentes.

Boletim Brio: Quais foram os momentos mais marcantes ou as pessoas que mais o inspiraram em sua jornada como escritor e publicitário?

André Gonçalves: O momento mais marcante na publicidade não veio acompanhado de nenhum prêmio para pôr na estante. Há muitos anos, na SA – agência que tive a alegria de ser um dos fundadores, com o querido Siqueira Campos –, fizemos uma campanha sobre prevenção e diagnóstico do câncer de mama. Passaram os dias, alguém ligou para a agência e perguntou quem a havia criado, me passaram o telefone. Era uma jovem que queria, apenas, agradecer: depois de ver a campanha, a mãe dela realizou exames, descobriu um câncer e iniciou o tratamento. O que fizemos havia contribuído, de verdade, para salvar uma vida.

Prêmios parecem importantes, o ego é um grande devorador de biscoitos. A publicidade pode manipular e gerar muito ruído disfarçado de novidade. Mas, se uma ideia nossa chega a alguém no instante necessário e interfere positivamente na vida dessa pessoa, não tem nada melhor.

Boletim Brio: Quais os maiores desafios para as agências e profissionais de publicidade no Piauí?

André Gonçalves: O Piauí sempre teve profissionais muito talentosos. Temos muitos, muitos mesmo. Em todas as áreas, sabemos disso. Mas ainda se trabalha num mercado bem pequeno, fortemente amarrado ao poder público e a lideranças com visão bastante estreita do papel da comunicação, inclusive o jornalismo.

A ascensão acrítica das redes sociais criou a ilusão de que publicar muito, postar muito, equivale a comunicar bem. Não é a mesma coisa, nunca será. Sem valorização da formação que leve em conta as muitas complexidades do que é comunicar, sem inteligência, pesquisa e conceito, as agências correm o risco de se tornarem disparadoras de comunicados coloridos, com posts e campanhas que não se mantêm de pé. Um “corpinho” adequado ao feed, mas sem alma.

Boletim Brio: Na sua visão, qual é a “alma” de um bom publicitário? Quais características essenciais, além das técnicas, são indispensáveis para se destacar na profissão?

André Gonçalves: Curiosidade pelo mundo, pelas coisas, pelas pessoas. Uma curiosidade atravessada por “disciplina indisciplinada”.

Disciplina para pesquisar, estudar, observar, testar, refazer. Para pensar. Anda-se refletindo pouco e “performando” muito. E é preciso bastante indisciplina para desconfiar das fórmulas e atravessar fronteiras formais. Arriscar e querer fazer o surpreendente, quebrar regras, sempre que essas regras estiverem, somente, protegendo o lugar-comum.

Repertório é importantíssimo. Ler literatura, poesia. Ver cinema, ver dança, teatro, ouvir música, acompanhar política e prestar atenção à rua. E isso serve para tudo, não só para o trabalho. Além disso, é indispensável a capacidade de colaboração, já que ninguém faz propaganda nem quase nada sozinho.

E algo imprescindível e pouco lembrado: senso crítico e responsabilidade social. Parece incompatível para alguns, a publicidade é associada ao mercado, ao capital. Mas, sendo um tanto benjaminiano, gosto de acreditar que dá para aproveitar minimamente a técnica publicitária para melhorar o mundo. É nossa responsabilidade melhorar esse mundo que, para tantas e tantos, é irrespirável. Não podemos nos eximir. Não temos esse direito.

Boletim Brio: Poderia nos dar mais detalhes sobre seu novo livro e o que o público pode esperar dele? Já está à venda? Como adquirir?

André Gonçalves: Ho Chi Minh era garçom na Lapa (ou do princípio da incerteza) é meu oitavo livro e talvez aquele que menos aceita um lugar certinho numa estante. Não sei bem se é poesia, romance ou um conjunto de contos. Um pouco de cada, mas talvez ele seja ainda outra coisa. Uma forma que se constrói a partir de quem lê, e eu prefiro que permaneça assim, sem uma identidade muito definida.

Há nele um fiapo de história, que se passa numa cidade tomada por uma sombra, que ninguém sabe de onde veio. Uma cidade submetida à vigilância e ao controle das Autoridades. Mas o que importa é que, nesse ambiente, aparece uma flor. Uma flor vermelha. E aí memória, desejo, afeto e imaginação surgem como formas de resistência. Há uma flor vermelha que resiste. Tem algo de fábula política, de distopia. Se bem que “distopia”, nos últimos anos, se aproxima do que vemos no dia a dia, em toda parte.

Nunca considero um livro completamente pronto. Ele termina materialmente quando é impresso, mas recomeça cada vez que alguém o lê. Livros são sempre completados, ou desarrumados, por quem os encontra. Para mim é menos importante o que o livro diz. Prefiro o que ele produz. Não há sentido na página, o sentido acontece entre a página e a vida de quem lê.

Ho Chi Minh era garçom na Lapa quer ser uma pequena afronta às coisas do mundo. A afronta de uma flor, vermelha, que não pede licença nem cumpre função alguma, apenas aparece e, ao aparecer, afronta o que estava posto. O livro foi publicado pela Mórula Editorial, em parceria com a Área de Criação e a ideias.inc. Está à venda na loja virtual da Mórula, no site e nas lojas da Livraria da Travessa e em outras livrarias Brasil afora. E também pode ser solicitado pelos perfis @ideias.inc e @andrepiaui.

Boletim Brio: Um livro, série ou filme que marcou a sua vida.

André Gonçalves: Fico com dois livros: Sangue de Coca-Cola, de Roberto Drummond, e O lado esquerdo, de Manoel Ricardo de Lima.

Sangue de Coca-Cola é um romance febril, pop e alucinado, quase absurdo, que ajuda a enxergar melhor um pouco dos Brasis que vivemos. Roberto, como eu um apaixonado por futebol, tinha essa capacidade rara de transformar a história política em matéria literária. O Brasil aparece ali como tragédia, carnaval, propaganda e alucinação coletiva – ou seja, um Brasil bastante parecido com o Brasil.

O lado esquerdo, de Manoel Ricardo de Lima, piauiense, poeta gigante, me interessa por outra via. É poesia feita de restos, de ruínas, de corpos e vozes que a história costuma empurrar para fora da página. A linguagem de Manoel Ricardo não pacifica o mundo, quer suas fraturas, Manoel é o pensador de um mundo em frangalhos, mas um mundo que insiste. Manoel escreveu o prefácio de Ho Chi Minh era garçom na Lapa, o que torna essa escolha também afetiva, mas é de afetos que vivemos. O livro foi finalista do Prêmio Jabuti de 2025, reconhecimento inteiramente merecido para uma obra tão política e formalmente inquieta.

Boletim Brio: Uma canção que marcou a sua vida.

André Gonçalves: A Página do Relâmpago Elétrico, de Beto Guedes e Ronaldo Bastos.

Ela me amarra às minhas raízes mineiras, segura minha loucura, como José Arcádio amarrado ao castanheiro, preso à terra natal. Ajudou a formatar meus modos de perceber a vida, minha melancolia e meu “assombro cósmico”. Beto Guedes pertence à linhagem da música mineira – a mesma de Lô, de Bituca – que conseguiu aproximar música do povo ao rock, à poesia, às montanhas e a uma espécie de metafísica sem solenidade. É uma música que, como um relâmpago, quando escuto ilumina tudo por um instante. A mineirada do Clube da Esquina sempre me leva de volta para casa.

Boletim Brio: Uma frase que merece ser compartilhada.

André Gonçalves: Tudo que consigo lembrar é contemporâneo. Tudo que posso pensar é sensível em algum lugar.

Essa frase, que está em Ho Chi Minh era garçom na Lapa, resume bem o que penso sobre memória, tempo e experiência. O que lembramos nunca acontece somente no passado, tudo que lembramos está aqui, reaparece no presente, modificado pelo que vivemos. Tudo que consigo lembrar é contemporâneo, porque a memória acontece sempre no agora.

A segunda parte diz que nenhum pensamento é desencarnado. Tudo que pensamos toca no corpo, seja imagem, afeto, seja algo que não sabemos nem conseguimos localizar. Pode ser na linguagem, ou numa vida que ainda nem conhecemos. Ou talvez nessa aqui, mesmo.

UFPI abre as portas para o empreendedorismo

A universidade e o mundo dos negócios nem sempre foram dois mundos com diálogo ativo. Há quem entenda de forma bem delimitada o mundo dos que pensam e o mundo dos que fazem. Mas, esforços conjuntos das novas gerações dão sinais de que buscam escrever novos roteiros. A Universidade Federal do Piauí (UFPI), em parceria com o Serviço Brasileiro de Apoio às Micro e Pequenas Empresas (Sebrae) e a Fundação Cultural e de Fomento à Pesquisa, Ensino, Extensão e Inovação (Fadex), inaugurou nesta sexta-feira (03/07) o Avexa Hub, novo espaço voltado ao fortalecimento da inovação, do empreendedorismo e da integração entre universidade, empresas e sociedade. Localizado no Espaço Rosa dos Ventos, o hub reunirá iniciativas para o desenvolvimento de soluções inovadoras, startups e negócios de base tecnológica, com foco na transformação do conhecimento produzido na universidade em oportunidades de desenvolvimento para o Piauí.


A ideia é que o Avexa Hub possa atuar na promoção da cultura empreendedora por meio de programas de educação, consultorias, apoio à criação e aceleração de startups, incentivo à inovação aberta e fortalecimento da transferência de tecnologia. De acordo com o presidente da Fadex, Antônio Vinícius, iniciativa é resultado da parceria entre UFPI, Sebrae e Fadex, que buscam aproximar a produção científica do mercado, estimular a proteção intelectual e ampliar o impacto das pesquisas acadêmicas no desenvolvimento socioeconômico do estado.

“O hub é um espaço compartilhado entre a universidade, a FADEX e o SEBRAE. O SEBRAE entra com toda a expertise e modelo de atendimento para o micro e pequeno empreendedor, ou aquele que quer empreender. A universidade, seja através dos professores, do Núcleo de Inovação Tecnológica, que envolve registro de marcas, patentes, aquela questão da defesa da propriedade intelectual, também vai estar aqui no hub. E a FADEX entra justamente para divulgar os editais de fomento, divulgar editais que vão envolver captação de recursos, oportunidades em certames, seja na área pública ou privada. Ou seja, aquele que quer empreender, aquele que quer se conectar com o empreendedorismo, procura o Avesha Hub, que vai ser mais um ambiente voltado para inovação e para o empreendedorismo”, contou o presidente da FADEX ao Boletim Brio.

O diferencial do hub é o acesso à pesquisadores por estar conectado diretamente com a universidade. Pesquisas tem uma função basilar para melhorar um produto ou um processo empreendedor ou industrial. O presidente Antônio Vinícius complementa: “Então, ‘ah, eu (enquanto empresário) quero me conectar hoje com o professor da Engenharia’. Rapidamente ele vai estar aqui. ‘Quero me conectar com o professor da Veterinária’. Então, como eu vou te falar, aqui não tem uma especialidade ou uma vertical em específico. Aqui você vai ter uma área com todas as temáticas que a universidade trabalha, em todas as áreas, seja da Comunicação, das Artes, das Ciências Sociais e Humanas, até voltadas, por exemplo, para as partes médicas, saúde animal e agronomia”, afirmou.

Diego Coelho: o artista da beleza

Se você buscar por um maquiador em Teresina, certamente vai ouvir referências do trabalho de Diego Coelho e não, ele não mora mais aqui há anos. Ao longo de duas décadas, construiu seu nome e clientes fiéis nos segmentos da classe A e B. Foi na TV Meio Norte, que seu talento ganhou maior visibilidade e pavimentou caminhos que lhe levaram a São Paulo.

A transição para o mercado paulistano o fez viver um cenário de contrastes e exigências. Diego Coelho conta ao Boletim Brio que compreendeu que, na cidade grande, o talento é apenas o ponto de partida. A capacidade de adaptação e a entrega o levaram a integrar a equipe de Nádia Tambasco, uma referência no universo da maquiagem, transformando uma admiração de longa data em uma parceria e amizade. Sua filosofia de trabalho nas redes sociais? É a autenticidade e a mínima edição.

Nesta entrevista, Diego Coelho compartilha os bastidores da jornada, os desafios de transitar entre diferentes mercados e a paixão que o impulsiona na carreira. Seria Diego então um maquiador e um artista com sensibilidade e insistência?

Boletim Brio: Qual trabalho ou cliente marcou a virada da sua carreira, o “antes e depois” que te colocou em outro patamar?

Diego Coelho: Sou maquiador há 20 anos e, ao longo dessa trajetória, seria injusto atribuir essa virada a um único trabalho ou cliente. Minha carreira foi construída com muita insistência, comprometimento e constância. Mas sou profundamente grato à TV Meio Norte, que foi responsável por dar grande visibilidade ao meu trabalho e colocar meu nome em evidência. A partir dali, muitas portas começaram a se abrir.

Boletim Brio: Como você vê a diferença entre o mercado de beleza de São Paulo e o do Piauí? O que o maquiador precisa entender para sobreviver na cidade grande?

Diego Coelho: A diferença entre os mercados é muito grande. Existe um fator cultural que influencia diretamente o perfil e o gosto de cada cliente. São Paulo é uma cidade que exige um nível de comprometimento ainda maior. Manter a pontualidade na maior cidade da América Latina, lidar com a logística e, ao mesmo tempo, entregar um trabalho de excelência exige preparo, disciplina e muito sangue nos olhos. Quem deseja construir uma carreira aqui precisa entender que talento é essencial, mas profissionalismo é indispensável.

Boletim Brio: Para quem está começando e não tem contatos nem portfólio, qual seria sua estratégia de posicionamento de imagem do zero?

Diego Coelho: As redes sociais continuam sendo uma ferramenta muito importante, mas hoje elas já estão extremamente saturadas. Por isso, acredito que o diferencial está em mostrar um trabalho verdadeiro, com o mínimo de edição possível, para que a cliente receba exatamente o que viu na internet. Criar expectativas irreais pode comprometer a confiança no seu trabalho.

Outro ponto que considero fundamental é ter referências. Se você admira o trabalho de um profissional, estude sua postura, sua trajetória e sua técnica. Tenha alguém que inspire sua caminhada. Comigo foi assim. Sou admirador do trabalho da Nádia Tambasco desde 2014. Quando cheguei a São Paulo, tive a oportunidade de fazer parte da equipe dela e, hoje, além da admiração profissional, construímos uma amizade. Foi um sonho realizado e uma prova de que inspiração, dedicação e trabalho podem transformar sonhos em realidade.

Boletim Brio: Como você atualiza seu repertório de referências? Segue editoriais, redes sociais, revistas ou tem algum hábito específico de pesquisa?

Diego Coelho: Meu hábito diário é consumir revistas digitais especializadas e acompanhar perfis internacionais nas redes sociais. Sempre busquei referências fora do Brasil para entender tendências, técnicas e movimentos do mercado global. Faço isso desde o início da minha carreira.

Também observo atentamente o trabalho de colegas que considero referência. Muitos deles viajam pelo mundo em busca de novidades e acabam trazendo novas técnicas, produtos e perspectivas que enriquecem muito o nosso mercado.

Boletim Brio: Uma frase que defina quem é Diego Coelho.

Diego Coelho: “Todo recomeço nasce de um incômodo.”

Manual da moda 

A primeira-dama da cidade de Coronel José Dias, a empresária Ambrenna Carvalho, escolheu contar histórias e mostrar para o mundo as beleza da sua terra natal através da moda e é idealizadora do Essência da Serra, uma marca dos artesãos locais. As estampas de onça-pintada e cacto na calça branca fazem referência direta à Serra da Capivara, no Piauí, transformando a roupa em um manifesto sobre identidade regional. É moda que carrega significado, unindo natureza, raízes e cultura em cada detalhe.

A arquiteta Raphaella Sena investiu num tipo de combinação que funciona bem em quase qualquer ocasião, sem muito esforço para ficar bonita. A coluna aparentemente é tendenciosa para o estilo quiet luxury. Será? Ela veste calça e blusa Zara, blazer NV, bota Zara. A bolsa é da Chanel. O cinto da grife Saint Laurent se destaca. Já diria a genial criadora do pretinho básico, Coco Chanel: “Menos é mais”. Chiquíssima!

A jornalista Ivna Dias posou em um vestido amarelo de camadas. Aposta para um evento ao ar livre cercado por flores. O tom vibrante conversa direto com o cenário e ainda favorece a pele bronzeada. A modelagem solta e fluida também ajuda a criar aquele efeito de leveza tão desejado em festas de fim de tarde. Para a alegria das amantes das compras na Shein, o look está disponível na multinacional chinesa.

Shelda Magalhães

É coordenadora-geral da Agência Brio Comunicação. Foi coordenadora de Comunicação da OAB-PI (2022-2024). Foi âncora da TV Antena 10/ Record TV e da TV Band Piauí. Foi repórter da TV Antena 10. Atuou como repórter do Portal OitoMeia. É jornalista pela Universidade Estadual do Piauí (UESPI). É certificada em Marketing Digital, Branding Pessoal e de Marca.
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