Denuncia de violência sexual: a vítima sai e o acusado fica na UFPI?

A denúncia de que uma estudante trancou o próprio curso por medo do agressor, acusado de cometer violência sexual contra ela e que, ainda assim, continua frequentando normalmente o ambiente acadêmico, reacendeu o debate sobre a segurança no campus da Universidade Federal do Piauí (UFPI), especialmente para as mulheres. O caso ganhou ainda mais repercussão após a circulação de um vídeo que mostra estudantes em manifestação dentro da instituição. Em seguida, o coletivo Olga Benário divulgou nota pública acompanhada de documentos, como medida protetiva e boletim de ocorrência, reforçando a gravidade da denúncia.

O episódio inevitavelmente remete a casos recentes que marcaram a comunidade acadêmica, como o da estudante de jornalismo Janaína Bezerra, estudante assassinada em 2023 dentro da própria universidade durante uma calourada. Esse tipo de evento estudantil não tem acontecido, mas, em outros aspectos, o que mudou desde então? Embora se tratem de situações distintas, ambas ilustram a percepção de que espaços tradicionalmente associados ao conhecimento, convivência e segurança podem, na prática, falhar em garantir proteção efetiva a seus integrantes.

Em nota, a UFPI afirmou que recebeu a denúncia em março de 2026, que está prestando acompanhamento psicológico e social à vítima e que o caso segue sob análise das instâncias competentes, com possibilidade de abertura de processo disciplinar e adoção de medidas cautelares.

Aguarda-se uma resposta e, mais ainda, uma ação. Porque, neste caso, há uma inversão difícil de ignorar. A universidade é um ambiente de convivência, circulação, vulnerabilidade e poder. É importante que o princípio da inocência seja respeitado, mas, quando uma mulher sente que precisa abandonar esse espaço para se proteger, a instituição e a sociedade precisam se perguntar onde falharam e por que ainda não existem mecanismos suficientemente rápidos e eficazes para garantir que a vítima permaneça segura sem ter que abrir mão da própria vida e livre circulação.

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