Boletim 22/06/26

Prego batido e ponta virada: o vice-prefeito de Teresina, Jeová Alencar (União Brasil) será anunciado até semana que vem (se os planos não mudarem, aí não é culpa da humilde cronista) como pré-candidato a vice-governador de Joel Rodrigues (Progressistas) na chapa oposicionista.
“Pode cravar, o Jeová vai ser oficializado pelo Ciro (Nogueira, senador) e Joel em Teresina essa semana ou na primeira de julho, só ajustar o calendário”, destacou um oposicionista sobre a decisão.
A chapa Joel e Jeová não é bem uma novidade, mas há camadas interessantes na situação. A primeira delas é que não se espera mais uma “adesão secreta” das bandas da base governista (leia-se PSD). “Iam esperar até a reta final, mas está na hora de oficializar”, completou a fonte ouvida pelo boletim, em off. Na oposição há um foco concentrado na reeleição de Ciro Nogueira ao Senado, o que se reflete nas estratégias da chapa majoritária também.
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É para somar ou para constar?
Apoiadores de Joel enxergam que Jeová não é um vice apenas para constar. A visão do núcleo duro do ex-prefeito de Floriano é de o vice-prefeito de Teresina soma na campanha, visto que é uma liderança com expressividade eleitoral na capital, tendo sido deputado estadual, vereador e presidente da Câmara de Teresina.
“Jeová nunca deixou de ser forte nessa gestão do Sílvio (Mendes, prefeito de Teresina). E é ele que está construindo a campanha do Joel, a partir dali na casa do Ciro. E isso é um fato que não tem quem diga que não é”, completou, lembrando os eventos na capital, que atraem volume substancial de apoiadores a favor da chapa.
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O teresinense e o piauiense, favor não confundir
Há uma clivagem regional aqui também, considerando que Joel foi prefeito de Floriano, a princesinha do Sul, e Jeová traz a capital como contrapeso de representatividade. As duas regiões com preferências próprias.
É fato que o PT e sua coalizão dominam melhor o estado do que a capital. Assim como, historicamente, a capital tende a ser mais crítica ao grupo governista estadual do que o conjunto do interior. O teresinense não é sempre anti-PT ou oposicionista, mas Teresina costuma operar com mais autonomia em relação às máquinas locais e aos arranjos tradicionais do interior, isso é um dado da realidade.

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Sul x Capital
A capilaridade de Joel no sul do Piauí, uma região que historicamente se sente distante do centro decisório de Teresina, mobilizada por uma narrativa de municipalismo e “interior produtivo”, pode dar um mote de campanha para o progressista, é verdade. Mas tudo precisa de equilíbrio.
Como o leitor bem sabe, Teresina é o maior colégio eleitoral do estado (592.642 eleitores, dentro de um eleitorado estadual de 2.709.740 pessoas) e tem comportamento historicamente mais autônomo, urbano e um pouco mais volátil. Com seu 1/5 do eleitorado, Teresina não é apenas uma cidade grande, mas um território capaz de reduzir, ampliar ou neutralizar eventuais vantagens construídas no interior. De todo modo, ganhar Teresina é necessário para uma chapa oposicionista competitiva. Mas só Teresina, também não basta.
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Já vai tarde
Para completar, o que os silvistas (apoiadores do prefeito Sílvio Mendes e, em sua maioria, anti-Jeová) mais querem hoje é “tirar o Jeová da PMT”, relata um observador das dinâmicas de poder do Palácio da Cidade.
Da semana passada para cá, por exemplo, deve ter esquentado bastante a orelha de Jeová com histórias que o colocam na linha de colisão com o núcleo duro silvista. A colunista cruzou as informações com três fontes distintas que confirmam que 1) as histórias de conflito entre silvistas e Jeová circulam (o motivo é assunto que carece de posterior checagem e confirmação) e 2) a relação Sílvio e Jeová não mudou publicamente.

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Estamos conformados de que vai ser a vez dele de novo
O clima na prefeitura é de consenso sobre o verdadeiro pano de fundo de tanto conflito: a disputa pela sucessão de Sílvio Mendes em 2028. Para quem convive com ele, Sílvio demonstra estar disposto a encarar a empreitada de novo. Os jeovasistas (apoiadores de Jeová) dizem que “tudo bem e seja o que Deus quiser”: “Jeová é novo, tem tempo, não é ruim não. Acredito ser uma coisa mais solidificada (reeleição de Sílvio). A velharada quer que ele continue”, analisou um frequentador do Palácio da Cidade, que como o leitor percebeu, chama os silvistas de “velharada”…
A coluna retrucou se havia energia para mais uma dura campanha em 2028. O interlocutor retrucou: “Não sei se ele (Sílvio) tem energia, mas nome ele tem”. Ah bom!
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Ou resolve meu problema até amanhã ou então…
Até as convenções tem chão. O que tem ameaça real de desistência, misturada com blefe e negociações até pertinentes sobre, digamos, “melhores condições de trabalho”, não está escrito. É o caso de um deputado federal de mandato que alega estar por um fio de ligar o botão do F…
“Tu sabe que ele (candidato) é doido, né? Disse que no Governo estadual não tem nada e no federal não está rodando nada pra ele também. Que se não resolverem, ele desiste e pronto”, relata um integrante da mesma sigla, pedindo reserva. A possibilidade, se confirmada, pode desestruturar a maior chapa de federal do momento. Os colegas acham que seria de bom tom a turma dos tomadores de decisão chamarem o homem pra tomar um chá de camomila com ingrediente secreto, urgente!

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Fragmentado
Um político que não pensa em ter menos de 40 mil votos tem como estratégia peculiar a “fragmentação”. O fenômeno é novo, a Ciência Política ainda não catalogou. Para que o leitor siga sempre bem informado, vejamos em que consiste a prática inovadora:
“Não tem mais prefeito inteiro, minha amiga! Por exemplo: na cidade Z, o deputado Y tem o apoio do prefeito. Só que ele não sabe que lá eu sou votado pela primeira-dama e o filho do prefeito. Então o Y não vai ter esses votos integrais que ele pensa não, coitado. E o prefeito que ia receber 1x estalecas vai receber 2x. O mercado está assim hoje!”, explicou o experiente político para a intrigada colunista. Que coisa!

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Se conselho fosse bom
As duas regras extraoficiais mais importantes da vida e que poucas pessoas prestam atenção: 1) Tudo o que você oferece sem esperar absolutamente nada em troca voltará 1000x a seu favor, em todos os casos, sem exceção; 2) Não leve nada para o lado pessoal. As pessoas agem de acordo com os próprios padrões e feridas. A maioria das críticas é autobiográfica. Diminua a importância, gere menos resistência, carregue menos peso.
Quando você aprende isso, percebe que não existe “fadiga crônica”, há apenas vazamento de energia ocasionado por: não ter um propósito claro e viver vagando pelo mundo; continuar em ambientes onde não há bom senso, numa bolha de pessoas pessimistas, apáticas, insensíveis e dramáticas ao invés de priorizar gente otimista, curiosa e interessante. E, por fim, estar constantemente distraído pela vida de estranhos que nem sabem que você existe, enquanto desperdiça a própria vida. Quanto mais tempo você passa reclamando de coisas que estão totalmente sob seu controle, mais difícil e infeliz será a sua vida.
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Cifrada do Lá e Lou
A vida no reino é um eterno toma lá, dá cá. O agora raro apoio de um forte cavaleiro municipal da capital não saia por menos de 1,2 milhões de estalecas no geral (fora os custos da competição), considerando a inflação típica do período do Torneio Quadrienal, que de quatro em quatro anos faz tudo subir de preço. Mas claro que não é só isso porque, afinal, “capim” todo mundo tem mais ou menos igual. Um futuro bem acordado, com possibilidades de uma cadeira privilegiada na Távola Redonda Menor também vale uma decisão ousada? Alguns dizem que sim.
Uma adesão para lá de comentada envolveu o cavaleiro estadual Dom Tiagus que perdeu o apoio de Dom Luizus para Dom Josephus Fernandis. Tiagus não engoliu e prometeu vingança até a quinta geração: “Ele não perdeu apenas o amigo, ganhou um inimigo. Se eu ganhar ou se eu perder, não importa mais nada, ele nunca mais vai ganhar para cavaleiro municipal, nem que o reino desabe!”, bradou Tiagus, que conta com o apoio do rei Harry Potter na empreitada contra Luizus e seu aliado Dom Jasão. Dos acordos quebrados, só uma coisa está certa: o ódio é eterno!
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Foto do dia

A disputa dentro do PT pela primeira suplência do deputado federal Júlio César, pré-candidato ao Senado pelo PSD é, na verdade, um conflito de forças que tem (dentre outros motivos) como pano de fundo deputados ainda chateados com o lançamento, pelo senador e ministro do Desenvolvimento Social, Wellington Dias, do filho, Vinícius Dias, como pré-candidato a deputado estadual. O crescimento de Vinícius se dá, em partes, sob as bases de gente grande e consolidada no PT. Faz parte do jogo, aliás…
Mas o que uma coisa tem a ver com a outra? Calma, leitor. É que a primeira suplência de Júlio foi oferecida para que Wellington indicasse, com a preferência pela filha dele e da conselheira do Tribunal de Contas do Estado, Rejane Dias, a estudante de Psicologia Iasmin Dias. Uma forma de engajar o ministro na campanha. Iasmin recusou, em publicação no Instagram, nessa segunda-feira, 22. Ficaram dois petistas de anel de tucum já lançados, o combativo vereador de Teresina, Dudu e a respeitada ex-vereadora Rosário Bezerra (apoiada agora por Iasmin, ou seja, o núcleo Dias).
Até aí tudo bem também. O bicho pega é nas reuniões a portas fechadas do PT. Sobrando para o ministro, que é acusado por alguns petistas graduados de ter tentado formar uma “oligarquia” própria na sigla. Assim como é defendido por outra banda do PT, que rebate a turma chateada: “Nunca vi tanta gente mal agradecida com o Wellington! A gente tem que votar no fi do Marcelo (Castro), do Júlio (César) e um dos nossos não pode?”. Xiii…
Tem até uma terceira via, que sugere que seja feita para ontem uma pesquisa de opinião pública para saber quem deve ser o suplente de Júlio… Gente, esse pessoal do PT não perdoa nem eles mesmos!
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A frase para pensar
“O fundamento de toda autoridade está na vantagem que o governante concede a quem obedece”, Napoleão Bonaparte (1769-1821), líder militar francês considerado um dos maiores comandantes da história.



