O advogado Rafael Neiva, diretor-tesoureiro da OAB-PI, diz que não é o tipo de dirigente que busca holofotes. Em um ambiente onde ocupar um cargo na Ordem dos Advogados do Brasil costuma ser sinônimo natural de utilizar-se diligentemente do ativo da visibilidade, o diretor da seccional piauiense escolheu um caminho um pouco diferente: o das planilhas, dos métodos, do pragmatismo e de uma personalidade reservada. “Nunca me preocupei em buscar esse brilho que algumas pessoas perseguem incansavelmente. Eu sou uma pessoa racional”, contou em entrevista ao Boletim Brio.

Um ano e meio depois de eleito, Neiva concede sua primeira entrevista e fala sobre finanças no limite, as contas da segunda gestão de Celso Barros Neto aprovadas e as próximas eleições: “Eu não tenho isso como projeto de vida. Se você me perguntar se todo advogado sonha um dia em ser presidente da Ordem, acredito que sim”, disse o tesoureiro da OAB-PI. No universo da advocacia, a OAB tem uma gramática própria. Muitas vezes num tom muito mais bélico do que institucional nas eleições que acontecem a cada triênio.
Sobre o alinhamento com o presidente da OAB-PI, Raimundo Júnior, ele destaca que funcionários antigos ficam surpresos com o bom relacionamento entre os dois: “Dizem que não lembram a última vez que viram isso , um presidente e um tesoureiro tão alinhados”. Sobre as contas aprovadas da antiga gestão, frisa que não é perfil deles fazer a “sangria” de ninguém.
Depois de dezessete anos na advocacia principalmente na área empresarial e pública, o apoio a várias gestões, a atuação como procurador municipal, ele acredita ter chegado lá por ser o cara da “estabilidade emocional”. Como tesoureiro, conta que não se preocupa se preciso for tomar decisões impopulares à classe: “Você precisa dar assistência, sim, mas também precisa cobrar”.
Boletim Brio: Em um ano e seis meses de gestão, quais os principais desafios e o que tentou imprimir, do seu ritmo, do seu jeito, para a advocacia piauiense?
Rafael Neiva: Eu tentei deixar a Ordem o mais profissional possível. Vou te dar um exemplo do que é isso. O Office do Cabral (prédio compartilhado onde advogados podem trabalhar e atender clientes, gerido pela OAB), onde a gente fez mudanças, reformas e tudo, tinha uma internet muito lenta. Quando eu entrei, havia muita crítica. Eu chamei uma pessoa da Ordem que cuida dessa parte de TI e perguntei:“Mas o que acontece nesse Office? Porque hoje internet não é para dar esses problemas.”
Ele falou: “Doutor, lá é uma internet residencial.” Então, assim, não serve. Eu disse: “Residencial? Num lugar que usa, em média, por mês, de 600 a 800 advogados?”Ele disse: “É.” Aí eu troquei por internet empresarial. Hoje nós não temos reclamação. Então, eu sempre falo: acho que o que eu mais tentei fazer, e tento fazer até hoje, é tornar a gestão da OAB impessoal. Quando eu sair de lá, obviamente, eu não quero que a instituição passe por tudo aquilo que já passou. Quero que ela seja minimamente profissional. Não sei se vou conseguir chegar onde eu queria, porque existem limites financeiros, existem muitos problemas.
Boletim Brio: Onde o senhor queria chegar?
Rafael Neiva: Eu queria chegar a um nível de excelência. Acho injustificável você ainda passar alguns dias esperando para receber algumas coisas. Por exemplo, você pede para criar uma sociedade. Existe um trâmite dentro do regimento da Ordem que impede que isso seja feito em 24 ou 48 horas.

Hoje, às vezes, você deixa um colega dez dias esperando por algo que, para mim, seria simples. Mas existe um procedimento: você precisa verificar se há débito, se o sócio tem débito, se responde a algum problema no Tribunal de Ética. Então, esse trâmite a gente ainda não conseguiu tornar tão rápido quanto eu gostaria. Conseguimos melhorar, mas não do jeito que eu queria.
Em que pese a gente ter criado o chatbot e hoje emitir todas as certidões on-line, antes tudo era manual e presencial, a minha luta desde o começo foi essa. Lembro que, na campanha, eu dizia muito: “A nossa OAB é analógica, e eu quero deixá-la digital.”Era isso que me incomodava. O advogado saía de São Raimundo Nonato para receber uma certidão aqui. Hoje não. Hoje todos já recebem on-line.
Mas algumas coisas ainda travam, como essas. Existem questões éticas que, infelizmente, nos prendem. Não tem como passar por cima. Tem que passar pelo Tribunal de Ética, cumprir etapas, e isso acaba levando um tempo. Mas isso está sendo reduzido cada vez mais. Eu acredito que, até o final da nossa gestão, isso esteja equacionado.
Boletim Brio: Com relação aos feitos para a advocacia, o senhor falou dessa modernização. A antiga gestão investia na questão de prédios, de novas subseções. Como foi organizar essa casa e o que vocês querem deixar de marca? O primeiro ano geralmente é de arrumar a casa, e o segundo já é mais de mostrar resultados.
Rafael Neiva: Eu tenho uma visão que talvez seja um dos principais antagonismos da nossa gestão. Vou falar em nome da gestão, mas também muito de mim, porque não estou falando em nome do presidente. Eu lhe confesso que acho um absurdo a gente ter uma sala de luxo dentro da Ordem quando vemos algumas seccionais, como a da Bahia, que tem quatro vezes o nosso tamanho e funciona em um prédio trinta vezes mais simples que o nosso.
Acho que, durante muito tempo, a gente se preocupou com coisas que não são o fim da advocacia. Nesse primeiro ano de gestão, nós lutamos para deixar a sede mais moderna, melhorar os sistemas e, principalmente, conquistar portarias que beneficiassem a advocacia, especialmente a advocacia de massa e a advocacia bancária. Conseguimos alguns avanços junto ao Tribunal de Justiça e à Defensoria Pública para melhorar procedimentos que impactam diretamente a advocacia. Então, nosso foco sempre foi esse: o exercício da advocacia na ponta. Eu cito um caso recente que mostramos nas redes sociais. Fomos inaugurar uma sala da advocacia na Delegacia Regional de Picos.
Era uma sala pequena, aproximadamente metade desta aqui. Colocamos uma mesa, computadores, impressora e fizemos a estrutura necessária. Esse espaço estava destinado havia doze anos, mas nunca tinha sido implementado. Lá, advogados e advogadas atendiam presos muitas vezes de cócoras. Uma advogada disse algo que me marcou: “Essa sala é a obra mais importante para a advocacia de Picos, mais importante do que a sede.” E a sede custou cerca de dois milhões e meio de reais. Essa sala deve ter custado oito mil. Então, acho que essa é a nossa visão: olhar para a advocacia na ponta.
Boletim Brio: Como se deu o processo de aprovação das contas da antiga gestão?
Rafael Neiva: Houve o trâmite normal. Eles apresentaram as manifestações, defesas técnicas. Existe um rito de contas. E foi aprovada parcialmente as contas. Esse rito teve audiência de justificação oral, com defesa de justificação oral e tudo. Mas você reprova contas quando fica claro que houve malversação. Como eu lhe disse, existe um ato técnico para isso, inclusive do Conselho Federal. A gente não pode criar fatos.
E existe, dentro do sistema, essa preocupação com máculas que envolvem o sistema de um modo geral. Eu acho que, em todos os tempos, só houve uma ou duas reprovações de contas no âmbito nacional. As regras para reprovar são mais rígidas. O processo foi público. Em nenhum momento a nossa gestão quis “sangria” de ninguém. Eu costumo dizer que levo a vida sempre querendo bem, pensando para frente.
Tenho dois filhos para criar e não passo a vida remoendo nada. Eu encaro a Ordem como uma missão. Já apoiei outras gestões sem ter cargo. Apoio como missão até o dia em que eu estiver lá. Quando eu não estiver mais, volto para minha vida, de onde eu vivo. Não tenho obsessão em estar dentro do sistema. Algumas pessoas criaram isso como se só pudessem viver se estivessem dentro da Ordem. E vida que segue. Estamos procurando consertar o que foi identificado como erro. Nesse relatório, há apontamentos de procedimentos que foram modificados.
Nossa prestação de contas tem sido usada como referência em outros estados. Alguns presidentes de seccionais entraram em contato pedindo algumas das nossas práticas. As cobranças de suplementares, por exemplo, não eram feitas antes.

Então temos tomado essas medidas, muitas vezes restritivas para quem é inadimplente. Mas também não é justo que quem paga não tenha direito e quem não paga tenha. A advocacia não pode ser impedida de exercer a profissão por decisão do STF, nesse ponto eu concordo. Mas os serviços também não podem ser sustentados sem critério de custo. Durante muito tempo tivemos uma visão muito assistencialista da OAB. Essa visão causou problemas financeiros. Você precisa dar assistência, sim, mas também precisa cobrar.
A OAB é muito grande, tem muitas obrigações, folha de pagamento, impostos, compromissos que não dependem de escolha. Não é “esse mês eu pago, esse mês não pago”. Então, por mais que algumas medidas sejam impopulares, a gente não se preocupa com isso. Quem paga tem direito aos serviços. Quem não paga, infelizmente, não tem. Isso é algo que também observo em outras seccionais. A atividade da advocacia é geral, mas os serviços são claramente direcionados a quem é adimplente.
E aqui no Maranhão, por exemplo, há diferenças de estrutura e funcionamento. Enfim, estamos tentando equilibrar isso. É uma mudança cultural, e não é fácil. Mas estamos tentando deixar melhor do que encontramos. Tenho certeza de que quem assumir depois vai encontrar a OAB em melhores condições do que eu encontrei.
Boletim Brio: Para além do sistema OAB-PI, na sua vida e na própria advocacia, quem é o doutor Rafael Neiva?
Rafael Neiva: Sempre fui um advogado de escritório, de foro, de tribunal, de cuidar de todos os meus processos sabendo cada um deles de cabo a rabo. Brinco que, outro dia, estava em uma solenidade da Ordem e um jovem advogado conversava comigo. Perguntei: “Você tem quantos processos que acompanha diretamente?”
Ele respondeu: “Tenho oitenta.” Eu disse:“Sou de uma época em que, com oitenta processos, eu sabia cada um deles de cabo a rabo.” Sempre trabalhei praticamente de domingo a domingo no meu escritório. Sempre fui um pouco avesso a esse marketing que hoje existe. Não vou dizer avesso, mas sempre fui mais reservado.
Acho que o que realmente faz diferença na advocacia é a credibilidade. É isso que lhe dá clientes, que lhe dá nome. Às vezes vejo muita gente querendo que o reconhecimento na advocacia aconteça muito mais rápido do que realmente acontece. E a advocacia tem um tempo. Você pode até ter sorte de pegar uma causa de grande repercussão e ganhar um processo importante, mas o normal é que a carreira seja construída ao longo do tempo.
Tenho dezessete anos de advocacia. Sempre fui muito discreto. Sempre tive uma vida familiar muito estável. Sou muito bem casado, tenho meus dois filhos, e vivo muito voltado para minha família. Acho que essa imagem de ser discreto vem justamente disso. Aqui no escritório temos uma área empresarial e uma área pública, muito bem delimitadas.
Meu sócio, Charlles Max, foi juiz eleitoral e Procurador-Geral do Município de Teresina. Ele sempre cuidou mais da área pública, enquanto eu sempre cuidei da área empresarial. Sempre tive uma vida digna na advocacia. Nunca me preocupei em buscar esse brilho que algumas pessoas perseguem incansavelmente, como se fosse uma meta de vida. O que eu quero é ter saúde e proporcionar uma vida boa para minha família.

Se eu conseguir manter isso pelo resto da minha vida, para mim já está ótimo. Nunca fui um advogado de virulência processual. Nunca fui de achincalhar ninguém ou querer destruir adversários. Aprendi muito cedo que você ganha processos e perde processos. Acho que esse é um dos grandes diferenciais para se tornar um bom advogado. É preciso maturidade para entender que o colega do outro lado não é um inimigo. É um adversário circunstancial.
Amanhã podemos estar juntos em outro processo. Quando você aprende isso, faz sempre o seu melhor, mas não leva aquilo para o coração. Quando recebi o convite para ser tesoureiro da Ordem, na gestão passada, acredito que o Júnior (Raimundo Júnior, presidente da OAB-PI) tenha pensado muito nessa minha estabilidade emocional.
Ele costuma dizer que sou uma das pessoas mais estáveis emocionalmente que conhece. Você pode me ver sério, concentrado, mas dificilmente me verá desesperado ou emocionalmente desequilibrado. Consigo separar as coisas. E acho que ele queria justamente essa segurança administrativa. Antes disso, participei de outras gestões sem ocupar cargos. Sempre gostei mais da parte estratégica. Os colegas brincavam que eu era quem lia todas as pesquisas, quem refletia sobre os movimentos. Lembro que, quando Chico Lucas (ex-presidente da OAB-PI) foi candidato, praticamente todos os dias, às sete da manhã, ele vinha aqui para conversarmos. Sempre participei dessa forma.
Nunca tive ambição por cargos. Nunca pensei: “Preciso ser isso ou aquilo.” Sempre pensei no grupo. Apoiei o Celso (Celso Barros Neto, ex-presidente da OAB-PI) na primeira eleição dele. Discordei de algumas situações, como é natural, mas nunca saí falando mal de ninguém. O próprio Celso uma vez me disse: “Eu nunca vi você falar mal de ninguém em grupo.” E acho que esse deve ser o papel da advocacia. Nós somos colegas. Passada a eleição, continuamos trabalhando juntos.

É assim que procuro conduzir minha vida: da forma mais discreta possível. Hoje isso ficou mais difícil pela exposição.Semana passada fui a um evento e, quando entrei, todo mundo me chamava.Antes isso não acontecia. Essa visibilidade veio muito em razão do trabalho da Ordem.E preciso reconhecer que há muito mérito do (Raimundo) Júnior nisso. Ele é uma pessoa extremamente focada. Quando coloca uma meta na cabeça, só sossega quando consegue realizar. Essa visibilidade da Ordem nos últimos anos reflete em todos nós que fazemos parte da gestão.
Boletim Brio: Um livro que tenha lhe marcado.
Rafael Neiva: Tem um livro que li recentemente e que me chamou muito a atenção. Chama-se “Como os Advogados Salvaram o Mundo”. É um livro muito interessante, especialmente para quem gosta de refletir sobre a advocacia. Quem me fez conhecer esse livro foi o Marcus Vinícius Furtado. Eu o vi lendo e fiz questão de comprar. Embora seja um livro antigo, é muito bom. É um livro que eu indicaria para qualquer advogado.

Boletim Brio: E filmes ou séries?
Rafael Neiva: Assisto a vários filmes, mas, se você me pedir para lembrar dos nomes depois, vou ter dificuldade. Muitas vezes preciso assistir novamente. Vejo filmes, séries, de vez em quando. Mas, sinceramente, ultimamente tenho dedicado meu tempo livre muito mais à minha família. Meu filho mais velho joga futebol. Tem doze anos. O menor tem um ano e dez meses.
Então, nos fins de semana, vivo rodando a cidade com eles. Hoje meu tempo é muito curto. Tenho o escritório, tenho a Ordem e também sou procurador de Caxias (MA). Tudo isso ocupa muito do meu tempo. Então, o tempo livre que me resta eu dedico à minha esposa e aos meus filhos. Acabo deixando filmes e séries em segundo plano. Ontem mesmo voltei para o escritório com meu filho pequeno. À noite, jogo tênis de mesa com o mais velho. Pela manhã, levo-o para jogar futebol. No fim, meu tempo livre acaba sendo totalmente dedicado a eles.

Boletim Brio: Vai ser candidato?
Rafael Neiva: Eu não sei. Hoje o (Raimundo) Júnior é candidato natural à reeleição. Pelo menos é o que ele diz, e eu acho que ele é o nome incontestável do nosso grupo. Em nenhum momento houve qualquer conversa dentro do grupo sobre uma eventual continuidade minha como candidato. Eu não tenho isso como projeto de vida. Se você me perguntar se todo advogado sonha um dia em ser presidente da Ordem, acredito que sim.
Mas eu não tenho isso de forma doentia, como já vi acontecer em outras gestões. Nunca pensei que precisasse passar por cima de alguém para chegar a um cargo. Se, no próximo ano, o grupo entender que eu devo continuar onde estou, ou assumir outra função, tudo bem. Se entender que não, volto para a minha advocacia e continuo apoiando o grupo da mesma forma que sempre fiz. Nunca tive essa obsessão por cargos.
Na gestão passada, por exemplo, havia grupos internos disputando espaço o tempo todo. Você sentava com uma pessoa e ela falava mal da outra. Eu nunca gostei disso. Acho que nunca houve essa conversa sobre sucessão justamente porque o Júnior é muito transparente. Ele não cria expectativas em ninguém. Ele costuma dizer uma frase que gosto muito: ele não “doura a pílula”. Ele não fica dizendo para alguém que será candidato apenas para agradar. Ele diz de forma muito objetiva: “Quem trabalhar, quem se viabilizar pelo trabalho e não tiver nada que o desabone, pode ser candidato pelo grupo. Quem não estiver nessa condição, paciência.” E eu concordo com essa forma de pensar.
Ieldyson, Silas TV, Amadeu Campos, Joelson Giordani: para onde caminha a relevância no Jornalismo piauiense – Alisson Paixão responde
O jornalista Allisson Paixão acumula mais de vinte anos de experiência no Jornalismo piauiense. Viu e viveu fases da comunicação mantendo sua identidade ligada principalmente ao webjornalismo. Empresário, atual editor-executivo do portal OitoMeia, foi editor-chefe do portal 180 Graus num período de grande audiência do veículo, e é assessor de imprensa e consultor de comunicação. Com o acréscimo de transitar também no campo da comunicação política. Essa posição lhe dá uma leitura particular sobre o momento que o jornalismo piauiense atravessa, uma transição perceptível nos hábitos de consumo de informação.

O Piauí não é novato nesses movimentos. A TV Piauí no YouTube já sinalizava, anos atrás, que o audiovisual digital buscava espaço no estado. O que mudou, agora, é a escala e a velocidade. Iniciativas como as plataformas de conteúdo digital Ielcast e o Silas TV chegaram para ocupar um lugar que a mídia tradicional ainda não soube e/ ou não quis preencher. E elas chegaram pelo Instagram, pelo TikTok, não somente via YouTube, numa lógica de cross media que reorganiza a forma de distribuir conteúdo e a própria relação do público com a informação.
Na entrevista ao Boletim Brio, Allisson Paixão fala sobre esse novo momento, o espaço que as novas mídias conquistaram, os bastidores da relação entre imprensa e poder político no Piauí e o uso da inteligência artificial no jornalismo. Ele também lança um prognóstico: No fim, quem trabalha com seriedade vai sobreviver. Os outros, não.
Boletim Brio: Nos últimos anos, plataformas como o Ielcast e o Silas TV ganharam espaço no Piauí. Como você vê cada uma dessas iniciativas em comparação com a mídia tradicional? Vieram para ficar?
Allisson Paixão: Sim, acredito que vieram para ficar. E quem souber se aproximar do que eles já fazem também terá seu espaço com o público no Piauí. Eu acredito que esta seja uma “tendência” da maneira de acompanhar o noticiário em breve. Em comparação com a mídia tradicional, claro que ainda está anos-luz atrás no que diz respeito à audiência. Por exemplo: existe um público muito maior em frente à TV, assistindo, no horário do almoço, aos programas locais, como os do Amadeu (Campos) , na TV Meio Norte, e do Joelson (Giordani), na TV Cidade Verde.

Mas eu percebo que existe um público alterando essa rotina, por algum motivo. Tem gente, hoje em dia, chegando nesse mesmo horário do almoço em casa, depois do trabalho, depois de pegar os filhos na escola, e ligando no YouTube para colocar no canal do Silas, do Ieldison… E talvez, com o tempo, isso se torne uma transformação até cultural. Em muitos outros países e até aqui mesmo, em alguns estados do Brasil, isso já virou comum. Outro detalhe: as Smart TVs, hoje em dia, em sua maioria, quando você liga, vão direto para algum streaming, como o da Sony ou da Samsung.
Boletim Brio: A relação entre imprensa e poder político no Piauí sempre foi complexa. Estando dentro dessa relação, com sua experiência em assessoria, o que você enxerga que o público em geral não vê?
Allisson Paixão: Perguntinha bem complicada essa… rsrs… Mas vamos lá: na minha visão, o público não está mais interessado na “babação de ovo” que alguns veículos de comunicação insistem em fazer. Claro que existem os acordos comerciais e financeiros. Mas o público, principalmente em tempos de redes sociais, não é bobo. Ele sabe quando há um direcionamento e uma falta de senso crítico. Tanto é que, em menos de seis meses de existência, quando se fala em noticiário de política no Piauí, já não se fala mais sobre os programas de TV tradicionais, mas no Silas TV, por exemplo. É um fato!
Boletim Brio: Dentre a bancada de deputados federais e estaduais do Piauí e dos vereadores de Teresina, de quem é a rede social de que o senhor mais gosta? E por quê?
Allisson Paixão: Particularmente, eu sou suspeito para falar sobre a rede social de que eu mais gosto. Rsrs.
Boletim Brio: Como enxerga a perspectiva do uso de IA no Jornalismo e o futuro da comunicação no Piauí?
Allisson Paixão: Eu acho que o uso de IA e de outras tecnologias no jornalismo, ou em qualquer outro setor, é inevitável. Agora, é preciso saber usar e em que momento usar. Por exemplo: no portal OitoMeia, onde sou editor-executivo, a equipe é orientada a fazer o texto completamente autoral, mas está autorizada a colocá-lo em um ChatGPT desses e pedir que ele corrija, por exemplo, alguns possíveis erros de concordância.
O que sou contra é a pessoa utilizar um desses ChatGPTs para escrever toda a matéria e até mesmo o título. Me desculpe, mas quero longe de mim quem usa esse tipo de prática, enquanto JORNALISTA. Rsrs… Sobre o futuro da comunicação: há uma grande leva de perfis de Instagram se considerando “portais”. Isso é, na minha opinião, ao mesmo tempo perigoso e, digamos, benéfico.
Por que perigoso? Porque existe muito perfilzinho de Instagram que divulga uma mentira como se fosse verdade só para ganhar engajamento. Aí eles apagam a “notícia”, e fica por isso mesmo. E por que benéfico? Esse tipo de prática “queima o filme” desses perfis, de uma maneira geral, e as pessoas, o público, recorrem a um portal “sério”, com um mínimo de credibilidade, para apurar a verdadeira informação. O que, evidentemente, beneficia quem faz um trabalho jornalístico sério.
Finalizo com o seguinte: o filtro das pessoas fará com que apenas quem trabalha de forma séria, correta e honesta sobreviva.
“Você pode mudar a sua história”
A advogada Nailde Ferraz foi uma das palestrantes da programação realizada na última quinta-feira (25/06) na Pastoral do Povo de Rua, onde ministrou a palestra “Como Reconstruir a Vida Exercendo a Cidadania”. Voltado aos moradores em situação de rua acolhidos pela instituição, o encontro teve caráter prático e buscou apresentar caminhos para a reconstrução da autonomia por meio da informação jurídica e do fortalecimento da cidadania.

A programação também contou com entrega de certificados, sorteio de livros e depoimentos emocionantes dos participantes, além das palestras do empresário Silvio Leite, sobre motivação, e do advogado Humberto Carvalho, com reflexões sobre ressocialização. “Ninguém pode mudar o começo da sua história, mas qualquer um pode decidir, hoje, como será o final dela.”, destacou Nailde Ferraz.
Manual da Moda
A empresária Andressa Leão escolheu um conjunto verde musgo da Andressa Leão Store, com top e calça de alfaiataria. O maxi colar da loja Clarissa Lopes Joias quebra a monocromia e a bolsa Chanel em branco fecha a composição. Uma paleta coerente, joalheria com identidade e uma das bolsas mais reconhecíveis da moda mundial. Nada fora do lugar.

A médica Ariela Santos posou com um conjunto de crochê metalizado, composto por top estruturado com aplicações douradas e calça flare com detalhes laterais. A peça de artesanato piauiense elevado à linguagem da alta moda foi assinada pela loja Cactus. Muito elogiada!

O conjunto escolhido pela empresária Paula Pedrosa para assistir ao jogo do Brasil entrega leveza com personalidade. O top de crochê com franjas traz uma sensualidade discreta, quase artesanal, equilibrada pela amplitude relaxada da calça wide leg em jeans claro. A sandália e a bolsa estruturada completam sem exageros, ancorando o visual em um registro que transita com facilidade entre o despojado e o sofisticado. A calça é NK pela loja D&D. A blusa é Fil a Fil. A sandália Schütz e a bolsa Isla.




