Os maiores e melhores escritórios de advocacia do Piauí: uma lista da tradição e da nova geração

“Vou lhe falar a verdade, o Piauí é uma província. Existe um lobby muito grande na advocacia do Piauí”, afirmou um advogado experiente e bem sucedido pedindo sigilo à Ápice, em conversa sobre o mercado dos escritórios da advocacia local. Horas depois, um segundo advogado, da mesma geração, bem conhecido no meio, sabendo da história respondeu: “Que fala deselegante! Eu discordo! Quem consegue criar um ambiente de bons relacionamentos, consegue ser mais ouvido. É melhor admitir sua própria fraqueza”.

O diálogo fala por si só de uma classe que muito faz com eloquência e argumentação. Entre nuances, conflitos, divergências e seguindo as pegadas de quem conhece bem o cenário da advocacia local, a coluna traz à luz um panorama do mercado, mesclando presente, passado e futuro.

*Nas próximas edições, a coluna versará exclusivamente sobre a advocacia feminina e os principais escritórios e mulheres que atuam no Direito local, considerando todas as nuances, desafios e dificuldades que as advogadas enfrentam no exercício da profissão no estado.

Os escritórios tradicionais de advocacia do Piauí mais bem posicionados (de acordo com a percepção de advogados ouvidos pelo Boletim Brio. A lista não foi posta por ordem de influência)
Marcus Vinícius Furtado Coelho
Willian Guimarães

Nelson Nery Costa
Norberto Campelo

Josino Ribeiro Neto Advogados Associados
Sigifroi Moreno
Wildson Oliveira
Araújo e Lopes – Sociedade de advogados
Mário Roberto, Wilson Gondim e Almeida Neto Advocacia
Falcão, Ferrer e Vilarinho – Advogados Associados
João Azêdo – Sociedade de advogados
Celso Barros Advocacia
Cinéas Nogueira
Hidd & Leite Sociedade
Cordão, Said e Villa

Max e Neiva
Alexandre Nogueira

Foto: Montagem/ Boletim Brio

Os escritórios de advocacia do Piauí da nova geração mais bem posicionados (de acordo com a percepção de advogados ouvidos pelo Boletim Brio. A lista não foi posta por ordem de influência)

João Marcos Parente
Almeida e Alencar
Mário Basílio
Uchôa e Magalhães Advogados
Igor Martins Advogados Associados
Daniel Alves Eufrásio

Veloso & Dourado Sociedade de Advogados
Pontes, Ribeiro, Viana Advogados
Eduardo Marcell de Barros Alves
Germano Coelho Silva Advogados
Carlos Henrique

Alex Noronha Advogados
Wildes Próspero
Pedro Rycardo Couto – Sociedade de Advogados
Resende & Lamas Sociedade de Advogados
Gabriel Furtado

Breno Macedo – Sociedade de Advogados

Foto: Montagem/Boletim Brio

Advogado há mais de trinta anos, o Conselheiro Federal e ex-presidente da OAB-PI, Sigifroi Moreno desenvolveu um tripé como “metodologia” própria para o exercício da advocacia. “Ele é fincado em preparo, coragem e postura ética. Se nos afastamos dessas bases, não teremos sucesso. Não existem atalhos. Por vezes até existem, mas não levam a lugares seguros, não trazem o sucesso profissional. Eles constroem uma carreira fincadas em bases frágeis e, seguramente, a queda vem”, declarou.

O advogado Sigifroi Moreno – Foto: Reprodução


O MAIOR PROBLEMA PARA A ADVOCACIA

Morosidade. Este parágrafo não poderia ser sobre outro assunto. O imbróglio é antigo, mas todos os diagnósticos ouvidos perpassam por uma “dificuldade de acesso” ao Poder Judiciário. Ainda sim, o contexto é de evolução e movimentos de aproximação. Adotar o otimismo pode ser uma boa ideia?

“A inacessibilidade ao Judiciário é algo muito difícil para os profissionais que estão iniciando. A não celeridade, existem alguns entraves no âmbito do Poder Judiciário, no que diz respeito a prestação jurisdicional que precisam ser superados, em que pese a constante evolução em termos de celeridade e transparência e moralidade do Poder Judiciário do Estado do Piauí”, frisou Sigifroi Moreno.

Imagine ter uma rotina constante de viagens para realizar audiências em Comarcas por todo o estado. E de repente, de um ano para o outro, acompanhar a virtualização dos processos e dos procedimentos do Poder Judiciário. Entre as irreparáveis perdas que a pandemia da Covid-19 trouxe ao país, a aceleração da adesão aos meios digitais trouxe ganhos para o modo de exercer a advocacia no Brasil. Os avanços são notáveis, assim como os impactos em termos de celeridade trazidas à classe.

Por outro lado, um advogado, dono de um grande escritório com algumas décadas de carreira, que pediu para manter o nome sob sigilo, fez a seguinte análise: “Temos uma judicialização cada vez maior de demandas e há a possibilidade do Judiciário não dar vazão a isso. Estão tentando se aproximar da sociedade. Mas, temos muitos processos, poucas definições e muita dependência [do Judiciário]. O advogado não vive do trabalho só dele. Ele depende do Judiciário e depender do Judiciário é muito difícil. A nível de Brasil, o Judiciário está cada vez mais fechado para se proteger porque ele está vendo uma invasão no número de advogados, de inconsequentes, de pessoas que deturpam a realidade”, analisou.

IMAGEM CONTA QUANTO?

Advogado trabalhista há 25 anos e professor, Cinéas Nogueira, recorda aqueles tempos “diferentes”, com outro jeito de existir no mundo e na advocacia.

O advogado Cineas Nogueira – Foto: Reprodução

“Quando eu comecei a advogar, os clientes vinham atrás da gente. Hoje, a gente tem que ir até os clientes. A gente não pode mais ter uma advocacia passiva. Tem que ser proativo. Tem que mostrar-se nas redes sociais, procurar ter domínio sobre certos assuntos, não de tudo, mas pelo menos de um assunto. Eu vejo poucas faculdades mostrando para os graduandos, que ele também tem que ser um advogado empreendedor, ativo, procurar explorar outras regiões”, relembra Cinéas Nogueira.

O advogado empresarial e agrário, Wilson Gondim, aponta a importância da construção da marca pessoal associada à presença digital, mas pondera que isso não é tudo. “Se o escritório não tiver hoje o mínimo de uma rede social, ele sai perdendo. As pessoas contratam advogado via de regra por indicação, mas elas também chegam pela autoridade que aquele advogado tem. A autoridade é construída a partir da forma que a pessoa consegue passar o seu conhecimento através das redes sociais. Mas, ainda hoje, o que prepondera mesmo são as vitórias. Uma vitória num caso concreto faz com que aquele nicho olhe para ele e as pessoas procuram sempre o advogado que elas entendem que entende mais sobre aquele assunto”, opinou.

O advogado Wilson Gondim – Foto: Reprodução


“O DIGITAL EMPOBRECE”

Um tradicional advogado do mercado piauiense trouxe uma ressalva: “A imagem é uma criação sobre como o advogado se porta, como ele usa as redes sociais, como se apresenta em sociedade, como ele é visto. Se o mercado está saturando e eu tenho poucas opções financeiras, eu aumento a questão da imagem. Os advogados estão usando a rede social para cooptar clientes. Só que o digital ele empobrece pela quantidade de situações criadas. Nem sempre esses que vendem os cursos, eles vivem da advocacia”, enfatizou.

O ambiente digital também proporcionou para advocacia a oportunidade de empreender no ramo da educação. Nacionalmente, são muitos os cursinhos preparatórios para o exame da Ordem dos Advogados do Brasil, para concursos públicos e com métodos para o exercício das mais diversas áreas da advocacia. As barreiras para investimento são menores e as chances de escalar (alcançar mais pessoas) formaram um boom de educação digital em todo o Brasil.

A Ápice justifica a quantidade acima de média de informações em off, nesta edição, através do relato da própria fonte: “Prefiro lhe falar em off. Nossa classe é muito desunida e existem muitas questões sobre publicidade”.

5 ANOS: O DIVISOR DE ÁGUAS

“A advocacia é uma profissão de resistência. Não é uma profissão de resultado rápido. O Judiciário brasileiro avançou muito, trabalhista principalmente, porque se interiorizou, ficou eletrônico, mais barato e mais rápido. Aqui no Piauí, a gente tem uma Justiça do Trabalho que tem nível diamante. Isso quer dizer que uma sentença saí em três meses ou menos. Um processo de recurso é julgado em doze meses ou menos”, afirmou Cinéas Nogueira.

A coluna apurou que em média dura cerca de cinco anos para que aconteça o “divisor de águas” na carreira de um advogado. “Aí ele decide, se vai fazer concurso ou não, percebe se já tem uma carteira de clientes”, destacou um profissional da área. Muito se fala em saturação, excesso de cursos de Direito e cerca de 26 mil profissionais inscritos na OAB do Piauí. As opiniões divergem.

“Não está saturado não. Para o bom profissional, não existe saturação de mercado. O Direito é uma ciência dinâmica, cada vez mais surgem iniciativas no âmbito do Direito, existem mercados novos e quem tem afinidade, preparo, é antenado, moderno, não só no Piauí, a advocacia caminha para esse mercado digital. É um mercado onde a inteligência artificial vai ser cada vez mais utilizada, obrigatória”, manifestou Sigifroi Moreno.

“TENHO UM DOUTORADO E ELE NÃO ACRESCENTA”

“Não existe oportunidade para todos. A oportunidade só surge com a capacidade do estado, do município, de ter dinheiro circulando porque o advogado é autônomo. Manter um escritório hoje é uma divisão muito tênue entre a imagem que você vende, o preço que você cobra e o resultado. O mercado está extremamente saturado pela quantidade de advogados. Hoje o currículo pouco conta, não no sentido pejorativo. Hoje eu tenho um doutorado e ele não acrescenta em nada. Estou falando em causa própria, não é olhando para o colega do lado”, declarou um advogado com mais de 20 anos de experiência e dono de um escritório consolidado.

“FALTA MATERIAL HUMANO”

Se por um lado, fala-se em saturação. Advogados empresários relatam dificuldades de encontrar profissionais adaptados ao perfil do mercado. O advogado especializado em causas do agronegócio, Rodrigo Pontes, informou à Ápice que recebeu mais de 300 currículos para uma seleção de estagiários no escritório. Uma das etapas de seleção é uma análise do perfil comportamental.

O advogado Rodrigo Pontes – Foto: Reprodução

“A maior dificuldade dos advogados empresários hoje é material humano. Nós precisamos conscientizar desde o estágio a se vincular ao estudo, se especializar, conhecer de fato aquelas áreas. E na advocacia, em si, do Piauí a gente precisa fomentar ações de conhecimentos específicos. O conhecimento específico precisa ser comum”, revelou Rodrigo Pontes.

O jurista brasileiro Sobral Pinto falou e sua voz ecoa até hoje que “a advocacia não é uma profissão para covardes”. Qual seria, então, o perfil de um bom advogado?

“O cara tem que ser versátil, adaptar-se às realidades. Tem que ser uma pessoa que aceite ouvir não. Porque nós, advogados, recebemos diariamente o não. É um não, mas você pode abrir a próxima porta e conseguir resolver. Se for alguém que não tenha essa resiliência, nem procura recorrer de um processo pois acha que não tem jeito. Essa insistência precisa ser permanente. A persistência é a principal característica que a gente busca”, contou Rodrigo Pontes.

COMO MANTER-SE RELEVANTE

Wilson Gondim admite que a sua geração, dos 40+, não foi educada para ter inteligência emocional. O que, para muitos, rende desafios e derrotas ainda hoje.

“Têm pessoas que acham que se elas dominarem completamente um assunto, ela vai ter sucesso, não. Ela tem que ter habilidades sociais para se conectar com outros colegas, para construir decisões e acordos, de estar em locais públicos e poder se conectar com possíveis clientes. E tem que ter capacidade social e emocional para ser respeitado. Um advogado que perde um processo sai resmungando e falando mal, os julgadores são seres humanos, eles vão entender aquela pessoa como desequilibrada. Ao mesmo tempo que aquele advogado que também perdeu o processo, mas não sai atacando, esse sim vai ser melhor visto”, defendeu o advogado Wilson Gondim.

Sem delongas, um advogado da nova geração com carteira de clientes consolidada há mais de dez anos no Piauí, categorizou a sobrevivência ao longo do tempo dos grandes escritórios em dois nichos. “Para fazer um grande escritório é necessário ter muito conhecimento técnico da área, ser bem posicionado no mercado, ter uma relação de reconhecimento com o Judiciário e saber transitar bem em diferentes ambientes. Há quem advogue para grandes causas, causas milionárias, e há aqueles que conseguem consolidar uma carteira fixa de clientes”, disse.

INCOPIÁVEL

O caminho para ultrapassar quaisquer saturação de mercado está na diferenciação, seja no perfil profissional e comportamental, ou pelo nível do formação, de modo a agrupar expertises formando um “produto” incopiável. Relacionamentos contam quanto na advocacia do Piauí?

“É um grande erro achar que todo advogado que tem sucesso é porque tem contatos. Esse é o discurso dos que não têm competência para sustentar o seu insucesso, é minha opinião”, Wilson Gondim.

VAMOS COM A IA

Adepto das novas tecnologias, a aposta de Sigifroi Moreno é na inteligência artificial como ferramenta que vai revolucionar a profissão. “A advocacia caminha para o mercado digital, para essa atuação em que a Inteligência Artificial vai ser cada vez mais utilizada, vai ser uma ferramenta obrigatória no exercício da profissão. O que temos é uma horizonte de modernização do exercício profissional, em gestão de escritório, firmatura de parcerias, com o escopo de nos prepararmos para essa evolução. Quem parar no tempo, fica para trás”, pontou o advogado.

Talvez uma ideia até impopular seja não ter o dinheiro como principal fonte de busca na carreira. A ideia parte de Wilson Gondim, que defende a visão do amor à profissão como princípio norteador. Caso o contrário, ele recomenda que vá fazer outra coisa. “Eu lhe digo, conheço pessoas de habilidades intelectuais e com todas as valências de um grande advogado, mas as vezes põe uma empresa de outra coisa e ganha muito mais dinheiro do que na advocacia”, alertou ele.

Adaptar-se, estar disposto a abraçar o que virá, sem esquecer da base, da “raiz” do Direito, e, assim, aglutinar saberes à passagem do tempo. Conhecer melhor as tecnologias, sem se afastar de técnicas tradicionais que são “infalíveis”. Um horizonte possível?

Shelda Magalhães

É coordenadora-geral da Agência Brio Comunicação. Foi coordenadora de Comunicação da OAB-PI (2022-2024). Foi âncora da TV Antena 10/ Record TV e da TV Band Piauí. Foi repórter da TV Antena 10. Atuou como repórter do Portal OitoMeia. É jornalista pela Universidade Estadual do Piauí (UESPI). É certificada em Marketing Digital, Branding Pessoal e de Marca.
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