O juiz que não consegue viver sem escrever: as muitas histórias de João Luiz Nascimento; o novo empreendimento de Lilyan Moura e Helton Luz; piauiense no mercado de palestras nacionais e mais

“A literatura chegou aos poucos. Quando, nos anos 60, eu devia ter uns 08 anos, cheguei em Teresina para iniciar meus estudos regulares, fui morar com minha avó materna. Não havia uma biblioteca em casa.” É por essa fresta de infância que nos convida a caminhar João Luiz Rocha do Nascimento, juiz do Tribunal Regional do Trabalho da 22 Região, professor de Direito da Universidade Estadual do Piauí e escritor de doze obras, a mais recente “O Diário de Cajazeiras”, onde narra vivências da sua terra natal. Obra que tem percorrido todo o estado, em lançamentos já realizados em diversas regiões.

Nascido em solo rural, outrora distrito de Oeiras e hoje Cajazeiras do Piauí, o menino que trocava revistas usadas nas calçadas do Cine Rex e guardava as páginas ilustradas de uma Bíblia de capa dura tem hoje cabelos grisalhos e o mesmíssimo amor genuíno pela escrita, de sempre, como parte da própria identidade. João Luiz Nascimento habita entre o rigor da justiça e a liberdade poética da ficção, defendendo que o Direito e a Literatura bebem, afinal, da mesma fonte humana: a busca incessante pelo sentido das coisas.

Abaixo, uma conversa do Boletim Brio com o autor sobre memória, o peso dramático do cotidiano forense, o cinema como arquitetura de texto e a obstinação de continuar escrevendo como quem joga garrafas ao mar.

Boletim Brio: O senhor nasceu em Oeiras e construiu carreira em Teresina. Existe um momento exato em que decidiu que seria escritor ou a literatura foi chegando aos poucos?

João Luiz Rocha do Nascimento: Sim. Nasci em uma localidade rural, à época distrito de Oeiras-PI e que hoje é o município de Cajazeiras do Piauí. Não há um marco zero, aquele momento em que eu parei e disse “vou ser ou quero ser um escritor”. A literatura chegou aos poucos. Quando, nos anos 60, eu devia ter uns 08 anos, cheguei em Teresina para iniciar meus estudos regulares, fui morar com minha avó materna. Não havia uma biblioteca em casa. Na escola, além daquelas disciplinas curriculares, nenhum incentivo para a leitura. Mas, aí aconteceu que uma tia me levou ao cinema pela primeira vez. Além do deslumbramento que isso me causou, nas calçadas do cinema e na praça Pedro II havia um comércio intenso de revistas em quadrinhos, novas e usadas. Foi amor à primeira vista.

A primeira revista que li foi do Tarzan, o rei das selvas. E foi só o começo. Não demorou muito e eu já estava comprando e trocando revistas usadas pelas calçadas do Cine Rex. Tempos depois, evolui. Passei a ler livros de bolso, normalmente de faroeste, depois revistas de conhecimentos gerais, fascículos de enciclopédias. Foi ainda numa banca de revista que eu comprei os dois primeiros livros de literatura de que me lembro: Olhai os lírios dos campos, de Érico Veríssimo, e O menino do engenho, de José Lins do Rego.

Com o passar do tempo, eu já estava lendo de tudo. Até bula de remédio. E quando, no início dos anos 70, meu pai, juntamente com minha mãe e minhas irmãs, vieram morar de vez em Teresina, ele me presenteou com uma Bíblia de capa dura, em cinco volumes, colorida, toda ilustrada, que ainda conservo até hoje. A passagem da leitura para a escritura foi o resultado de um acúmulo de leituras, tudo isso somado a um dom natural, uma tendência para escrever, acredito. Como a grande maioria dos escritores, comecei escrevendo poemas de amor. O gatilho para o primeiro poema foi uma decepção amorosa. Eu mal tinha 16 anos. Senti uma vontade enorme de colocar no papel o que eu estava sentindo. Meu primeiro texto publicado foi aos 18 anos. Um conto intitulado Novela liberada para este horário, que integrou uma coletânea de contos organizada e editada pelo professor e escritor Cineas Santos, no ano de 1977. Daí em diante, participei da cena literária de Teresina, integrei a geração mimeógrafo, fiz parte de várias publicações coletivas até o final da década de 80.

A partir de então, mergulhei num limbo que durou pelo menos uns 20 anos, período em que me dediquei à família e à carreira profissional que me daria o sustento necessário que a literatura não poderia me proporcionar. A minha Odisseia particular, o meu retorno para a literatura só ocorreu a partir da segunda metade dos anos 2000. E em 2019 publiquei meu primeiro livro individual. De lá para cá já foram doze livros, sendo seis de contos, dois de poesia, um de ensaio, além de dois acadêmicos, frutos da minha dissertação de mestrado e da tese de doutorado.

Boletim Brio: Em outras entrevistas, o senhor contou que o amor pelo cinema veio antes da literatura, nos cinemas de Teresina dos anos 60. O que ficou daquele menino que aumentava a idade na bilheteria dentro do escritor de hoje?

João Luiz Rocha do Nascimento: Ele continua dentro do homem de cabelos grisalhos. Continua apaixonado pelo cinema. É graças a esse menino que ficou encantado pelo cinema que na minha produção, especialmente nos contos, ele é sempre uma referência, além de ser um recurso narrativo, na medida em que sempre lanço mão de técnicas e linguagens cinematográficas. A estrutura fragmentada e entrecortada das narrativas, o corte seco, as mudanças de planos, as várias linhas narrativas que se cruzam ao final, diferentes ângulos ou vozes para uma mesma cena, pequenas histórias dentro de outras histórias, enfim: por conta da minha memória afetiva, o cinema não está presente apenas como tema, mas também como técnica, como forma de narrar. Alguns contos eu chego mesmo a roteirizar.

O exemplo mais radical nesse sentido talvez seja o conto ‘A morte do andarilho’, do livro ‘Os pés descalços’ de Ava Gardner, cujo título já é uma referência expressa ao cinema. Rick e Ilsa sempre terão Paris para se lembrar, uma referência a Casablanca, um dos maiores clássicos do cinema, é outro exemplo. O conto integra o meu livro individual de estreia, Um claro dentro da noite, cuja estrutura também lembra um filme, porquanto dividido nas seguintes partes: Abertura, Parte I, Interlúdio (a famosa pausa para a troca do rolo), Parte II e Epílogo.

Por fim, acrescento que, além do cinema, eu dialogo com outras formas de expressão artística como o gibi e a música. É como se a música, o cinema, o gibi e a literatura se sentassem na mesma mesa de um bar e bebessem juntos da mesma bebida.

Boletim Brio: Antes de ser escritor publicado, o senhor foi leitor. Que livro ou autor mudou a forma como o senhor enxergava o mundo?

João Luiz Rocha do Nascimento: Não há exatamente um único livro ou autor a quem eu possa atribuir a responsabilidade de mudar a minha forma de enxergar ou compreender melhor o mundo, que, para isso, certamente, muitos livros, das mais diversas áreas do pensamento humano, concorreram. Mas, já que estamos falando de literatura, quero destacar dois livros que me causaram um impacto tão grande que, ao final da leitura, eu já não era a mesma pessoa de antes: A metamorfose, de Franz Kafka, e Cem anos de solidão, de Gabriel García Márquez.

Boletim Brio: Antes da primeira palavra escrita, existe sempre uma imagem, um som ou uma frase solta que dispara o processo? Como nascem os seus livros?

João Luiz Rocha do Nascimento: O meu processo de escrita é difuso e não obedece a nenhum tipo de padrão. Quando uma ideia me surge à mente, ela pode ir imediatamente para o papel ou pode passar por um período de maturação, quando faço anotações mentais ou em um bloco de notas, caso em que somente depois de plenamente formatada é que ela passará para o papel. Mas não tenho disciplina, não planejo nada. Não escolho a hora e nem defino o que escrever. Não me obrigo a escrever tantas horas por dia ou em determinada hora do dia. Parafraseando Ferreira Gullar, eu escrevo quando me sinto impactado, quando alguma coisa me causa um estranhamento. O que provoca isso? Qualquer evento do dia, seja ele extraordinário, comum ou trivial. Qualquer um deles pode se constituir em um bom motivo para escrever uma história.

Boletim Brio: A magistratura o coloca diariamente diante de dores concretas, de gente em conflito. Como esse contato diário com o sofrimento alheio entrou na sua escrita?

João Luiz Rocha do Nascimento: No exercício da jurisdição, o papel do magistrado é solucionar conflitos de interesses, oferecer uma resposta adequada para quem bate às portas do Poder Judiciário. Por trás de todo processo, há sempre um drama humano. Dito de outro modo: o que pode estar em jogo é a vida, a liberdade, um bem, seja ele material ou imaterial, enfim, a dignidade da pessoa. Lidamos com isso diariamente. Conquanto, enquanto magistrado, eu tenha que, de forma imparcial, resolver o conflito aplicando a lei e a Constituição do país, é impossível para o outro João Luiz, o escritor, ignorar ou não se sensibilizar com esses fatos, que acabam se constituindo em matriz, em gatilho para a escrita, mesmo porque já se disse, e é verdade, que a grande tarefa da literatura é a constante busca pelo sentido humano em tudo com que ela trabalha.

Quando a dor e o sentimento do outro te atravessam, você nunca sai dessa experiência do mesmo jeito que entrou. Por isso que, de um modo ou de outro, os dramas, os conflitos, as angústias com as quais eu lido no fórum, estão presentes na minha escrita. Neste sentido, ‘Os pés descalços’ de Ava Gardner e ‘Na caverna de Platão’ são dois dos meus livros que se constituem nos exemplos mais emblemáticos da presença da problematização do direito na minha contística.

Boletim Brio: Sendo membro da Academia Piauiense de Letras Jurídicas, o senhor transita entre dois mundos, o Direito e a Literatura. O que eles têm em comum?

João Luiz Rocha do Nascimento: Assim como o cinema me surgiu antes da literatura, esta, a literatura, chegou na minha vida bem antes do direito. Ambos trabalham com a palavra, com o sentido que se deve conferir às coisas e colocam o ser humano numa posição de centralidade. Talvez sejam esses os pontos de maior aproximação. Particularmente, nos trabalhos acadêmicos, assim como no exercício da jurisdição, sempre faço aproximações entre direito e literatura, por entender que a literatura pode ajudar na melhor compreensão do direito. Em boa parte das vezes, é mais fácil compreender uma categoria jurídica, ou um caso concreto levado aos tribunais, lendo os grandes romances da literatura universal do que nos manuais jurídicos, isso sem dizer que esse processo de compreensão ocorre de uma forma lúdica, livre do formalismo e da rigidez da linguagem jurídica, que bem caracterizam o direito.

Boletim Brio: Depois de seis livros de contos, dois de poesia, um ensaio e duas obras acadêmicas, o senhor escolheu a crônica para Diários de Cajazeiras. Por que esse gênero, e por que agora?

João Luiz Rocha do Nascimento: Diários de Cajazeiras é um livro que trata de um tempo, de um lugar e das pessoas desse mesmo lugar a partir do olhar e das lembranças de um menino que hoje é um homem de cabelos grisalhos, mas que ainda guarda na memória os ecos de uma infância. Memória, pertencimento e resistência são as palavras que definem o livro. Para escrevê-lo, eu não poderia fazer isso como um terceiro, guardando uma certa distância, como se fosse um mero observador. Ao contrário, eu teria que mergulhar no próprio mundo no qual eu estive e estou inserido. Para alcançar esse objetivo, eu percebi que não poderia fazer isso lançando mão de um gênero ficcional, como o conto. Daí a opção pela crônica, que é um gênero que trabalha com fatos e o cotidiano das pessoas. A ideia do livro não é de hoje, já tem alguns anos. A execução é que foi tardia, e surgiu da necessidade de eu tentar resgatar uma dívida fundamental com meu pai e com o meu passado.

Boletim Brio: Se pudesse deixar um único conselho para quem está começando a escrever agora, especialmente no Piauí, diante das dificuldades do mercado editorial regional, qual seria?

João Luiz Rocha do Nascimento: Se escrever é pelo menos uma das três coisas fundamentais da sua vida, se acalma ou serve para renutrir a alma, se ajuda a compreender o mundo, então continue. Não desista. Escreva como quem joga garrafas ao mar. Não espere retorno. Não há nenhuma garantia de que isso possa ocorrer.

O jeito Íris Oftamologia de atender

Os médicos oftalmologistas Lilyan Moura e Helton Luz inauguraram essa semana no edifício Diamond Center, na zona Leste de Teresina, a clínica Íris Oftamologia. Em conversa com a coluna, Lilyan Moura destacou os diferenciais que o empreendimento traz aos piauienses. Negócios em saúde costumam nascer do desejo de aplicar métodos personalizados partindo da experiencia acumulada ao longo dos anos. Lilyan Moura tem no currículo a Universidade de São Paulo (USP), uma das mais renomadas do Brasil, onde fez seu fellowship em plástica ocular. Já Helton Luz possui dezesseis anos de prática médica e já realizou mais de vinte e cinco mil cirurgias.

“A Íris nasceu de um desejo que eu e o doutor Helton já tínhamos há muitos anos, que era criar um espaço que refletisse a forma como acreditamos que o cuidado oftalmológico deve acontecer, unindo excelência técnica, tecnologia e um atendimento realmente individualizado. Mais do que abrir uma nova clínica, nós queríamos construir um ambiente em que o paciente se sentisse acolhido desde a chegada e tivesse tempo para ser ouvido. Cada detalhe foi pensado com esse propósito. Outro diferencial foi unir em um mesmo espaço áreas que se complementam, como cirurgia refrativa, catarata e plástica ocular, sempre com uma abordagem personalizada. Porque esse é o propósito da Iris, cada olhar é único e deve ser tratado como tal”, frisou a médica ao Boletim Brio

O mercado das palestras nacionais: como ingressar?

A psicóloga piauiense Karuana Carvalho foi destaque essa semana ao participar como palestrante convidada em um prestigiado evento empresarial em Alphaville, São Paulo, onde teve a oportunidade de palestrar e trocar experiências no renomado espaço do empresário e mentor, Joel Jota. Em entrevista à coluna, Karuana contou que percurso até os grandes palcos nacionais foi fruto de uma transição de carreira. Ela atribui à repercussão de vídeos que gravava na internet a entrada na área de palestras sobre comportamento humano e saúde mental.

“Tem uma frase que eu gosto muito, que diz que ‘a sorte é quando a competência encontra a oportunidade’. Então, eu comecei o meu trabalho como psicóloga, na verdade, recomecei. Fiz uma transição de carreira, voltei para a Psicologia. Só que, no tempo em que eu fiquei parada, eu não fiquei sem estudar. Eu fiquei apenas sem clinicar. Nesse período, fui fazendo MBAs, acumulei oito pós-graduações. Então, eu não estava atendendo, mas estava me qualificando. Fiz a transição de carreira, voltei para a Psicologia, voltei a atender e comecei a gravar vídeos sobre comportamento humano, sobre saúde mental, sobre Psicologia. Foram chegando algumas pessoas, alguns contratantes, alguns empresários, e eles foram entrando em contato. Aí eu fiz a primeira palestra. Quando fiz a primeira palestra, outros empresários estavam assistindo. Após a minha fala, foram me cumprimentar e já pediram meu contato. E aí eu fui fazendo a segunda palestra, terceira, quarta, quinta, até que cheguei aqui”, narrou Karuana Carvalho ao Boletim Brio.

Com uma fórmula baseada em “estudar, trabalhar, servir e repetir”, a profissional tem palestras em diferentes estados do Brasil marcadas para os próximos meses. “Eu acredito que essa seja a fórmula para a gente chegar em bons lugares, em lugares onde a gente consegue servir a mais pessoas, servir melhor, servir com mais qualidade e, principalmente, servir com mais amor”, destacou.

Coquetelaria piauiense em destaque nacional

O bartender piauiense Ricardo de Araújo, um dos nomes à frente do Iver bar, localizado no bairro Morada do Sol, zona Leste de Teresina, foi indicado ao prestigiado prêmio Melhores da Taça, concorrendo na categoria de melhor bartender. A premiação avalia critérios como desenvolvimento de cartas, treinamento de equipes, comunicação de propostas e a padronização e a excelência no atendimento.

Com uma trajetória que já soma destaques em competições nacionais anteriores, Ricardo vê a indicação como um reconhecimento orgânico ao trabalho que vem sendo construído na capital piauiense. À frente de um bar que aposta na coquetelaria acessível, descomplicada e em constante diálogo com o público, ele destaca a importância de furar bolhas e mostrar a força da cena nordestina:

“A indicação vem num momento muito bem oportuno. Eu já participei de outras competições. Em 2021 eu fui também o único piauiense a concorrer numa competição fora do Piauí. Dessa vez já foi bem despretensioso. A gente estava muito mais focado em desenvolver um trabalho concreto no Iver e a gente fez dez meses agora e acabou que é muito resultado desse trabalho diário. A gente tá fazendo com muito carinho, com muita proximidade dos clientes e tentando furar a bolha”, frisou ao Boletim Brio.

Sobre o processo de avaliação, que conta com jurados anônimos e critérios de excelência semelhantes aos grandes guias internacionais do setor, o bartender destaca o rigor técnico envolvido: “E aí a gente está concorrendo com o Melhores da Taça, que é a categoria que diz respeito à coquetelaria e a gente entrou como o melhor bartender. E aí o melhor bartender passa isso: desenvolvimento de carta, treinamento de equipe, comunicação da proposta do bar, padronização dos insumos, que é uma coisa que é obrigatório. Acaba que dificilmente tu vai conseguir entrar numa lista dessas se teu serviço não é minimamente ali padronizado”, mencionou Ricardo de Araújo,

Evento destaque 

O lançamento da marca Essência da Serra, em Coronel José Dias, na sexta-feira (31/07), marcou o calendário cultural da cidade. Idealizado por Ambrenna Carvalho, primeira-dama do município, o projeto colocou na passarela uma cadeia produtiva, onde o crochê, o rechilieu e o fuxico ocuparam o centro de uma narrativa autoral inspirada na iconografia da Serra da Capivara.

Os protagonistas: 22 artesãos locais e 16 alunos da rede pública municipal. A organização colocou os próprios jovens do território para vestir o que é produzido em suas comunidades. Assim, o projeto posicionou a estética local como merecedora de destaque e valorização, afirmando para todo o Nordeste que o repertório visual do semiárido piauiense possui sofisticação técnica e valor de mercado. Dessa maneira, a iniciativa contribui significativamente com a autoestima regional. Coronel José Dias entrega identidade e o Essência da Serra mostra que a valorização da arte da terra é uma estratégia inteligente de posicionamento cultural e econômico.

Alívio 

Nós, que habitamos o ofício de contar histórias, sabemos que o tempo costuma tecer entre o jornalista e o público um vínculo. É uma relação forjada na constância dos anos, na credibilidade da palavra e em uma conexão que, embora profissional, carrega as nuances de um relacionamento real. Por isso, quando um dos nossos silencia por um instante, o eco é sentido por todos.

Nas últimas semanas, o jornalismo piauiense prendeu a respiração. A notícia de que Ítalo John, um dos nomes mais vibrantes e queridos do nosso colunismo social, enfrentava uma grave pneumonia, chegando a ocupar um leito de Unidade de Terapia Intensiva em Teresina, trouxe apreensão. Ítalo fez carreira elevando os outros, generoso, com seu bom humor inabalável e de uma personalidade que é, em essência, única.

A boa notícia chegou como um alívio. Após 13 dias de luta na UTI, Ítalo venceu mais essa etapa e recebeu alta da unidade intensiva. É uma vitória da vida, da medicina e, certamente, de toda a energia positiva emanada por quem o admira. Esta edição da coluna celebra sua recuperação e estima que a saúde se restabeleça com a mesma rapidez e vivacidade que ele sempre dedicou ao seu trabalho. Que o retorno seja breve, pois a cena social piauiense é sempre mais opaca sem o seu brilho e a sua autenticidade.

Shelda Magalhães

É coordenadora-geral da Agência Brio Comunicação. Foi coordenadora de Comunicação da OAB-PI (2022-2024). Foi âncora da TV Antena 10/ Record TV e da TV Band Piauí. Foi repórter da TV Antena 10. Atuou como repórter do Portal OitoMeia. É jornalista pela Universidade Estadual do Piauí (UESPI). É certificada em Marketing Digital, Branding Pessoal e de Marca.
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