Rafael ou Joel: quem leva em Teresina? Ciro fez acordo com Lula? O voto tá valendo quanto? E outros pitacos da eleição 2026

Boletim 04/09/26

Prólogo

Toc, toc, toc? Ainda tem alguém aí? 

Realisticamente, quais as chances de algum ser vivo ainda se interessar pelas informações e análises prosaicas da cronista depois de um hiato de dois meses sem nenhuma explicação – e bem no meio da eleição? Uma em um milhão? Não importa. A humilde cronista está programada para pensar que as coisas vão funcionar bem, por mais improváveis que sejam. Embarque imediato no drone do Augusto Cury? Vamos nessa!

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Rafael ou Joel: quem leva em Teresina? Ciro fez acordo com Lula? O voto tá valendo quanto? E outros pitacos da eleição 2026

Palavras de um rafaelista, ouvido em reserva pelo boletim: “Se não ocorrer um acidente grave de percurso, Rafael ganha no Estado e na capital; Lula ganhando, Wellington Dias continua ministro; Rafael pode ser ministro depois de um período do segundo mandato. Soube que WD e Rafael tem um acordo para 2030, mas não sei qual”.

Palavras de um joelsista: “Prestes a completar uma semana de programas de TV e debates, até agora, o que posso te dizer é que o clima aqui é de otimismo. Mas, claro, diferente do lado de lá, que só fala de ‘será com 90%’, aqui a gente adota os pés no chão… Joel pode surpreender muita gente até 4 de outubro. Há ainda um agravante: um grande número de indecisos. Isso diz muito mais sobre não quererem votar no Rafael e sobre ainda não conhecerem Joel. Esses indecisos vão decidir a eleição”. 

P.S: A colunista não está aberta a debates, mas fique à vontade para discordar. Para uma análise científica e não irônica do tema, sugiro a leitura de um artigo que assinei com a doutora em Ciência Política pela USP, Olívia Perez, publicado no Boletim Lua Nova, uma publicação científica do CEDEC (Centro de Estudos de Cultura Contemporânea). A quem interessar possa título: “Por que alguns governos permanecem? Lições da continuidade do PT no governo do Piauí” (clique aqui para ler).

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Com 200 em THE

A dúvida na classe política é menos sobre o favoritismo inconteste de Rafael Fonteles nesse momento da campanha e mais sobre o resultado, em particular, da campanha em Teresina. E do dia depois do amanhã (vulgo, eleição de 2028). “Rafael conseguiu fazer obra e inaugurar, coloca placa mesmo em Teresina, coisa que o Wellington (Dias) não conseguia”, argumenta um vereador da capital, acrescentando que o governador está, na visão dele, “botando com 200 em Teresina”.

“O Rafael perdeu em Teresina em 2022 porque não tinha dado documento de casa pra ninguém, não tinha feito obra. Sim, aumentou a rejeição dele, mas tem um grupo político forte e trouxe gente com voto de lá pra cá e o Sílvio (Mendes, prefeito) é o Sílvio, não está fazendo campanha pra ninguém”, completou o parlamentar que, obviamente, vota em Fonteles.  

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Lula perguntado se teve ou não acordo com Ciro

Conversa real, ocorrida com uma dezena de pessoas de mandato como testemunhas oculares:

“-É verdade que o Lula fez um acordo com o Ciro (Nogueira) pra eleição ao Senado no Piauí?”, perguntou um curioso a um interlocutor que conversa com Lula.

– “Perguntei direto pra ele (Lula), falei: ‘Presidente, em nome da nossa amizade de 40 anos, sempre baseada na confiança, me diga a verdade, teve acordo?’. E ele respondeu que ‘não’ e que era pra gente eleger os nossos no Piauí (Marcelo Castro e Júlio César)”, respondeu o influente político piauiense com força em Brasília.

Tecla SAP: Políticos experientes enxergam não ter mesmo um “acordo” formal entre Lula e Ciro, mas localizam sinais de um pacto informal, no mínimo de “não agressão”, incluindo o fato de Lula ainda não ter entrado com os dois pés na campanha de Júlio César (PSD) ao Senado e, claro, de Ciro ter tirado seu PP/União Brasil da coligação que daria tempo de TV a mais para Flávio Bolsonaro (PL).

Como disse o Grande Mestre de Xadrez Bobby Fischer (que enlouqueceu, mas isso não vem ao caso): “As táticas fluem de uma posição superior”. A lógica é simples: aqueles que podem evitar perder tempo avançarão para o destino desejado muito mais rápido. 

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Júlio subindo nas bases Marcelo?

Ninguém pode negar que por parte do governador há um empenho em incentivar o voto na chapa completa, Júlio César e Marcelo Castro “A palavra é eleger o Júlio”, destaca um petista que era meio reticente, até ontem, com o pai do deputado estadual Georgiano Neto (PSD). Tudo mudou. Alguns por fidelidade ao grupo, outros na esperança de um “plus”. 

O que não impede um bolsão de resistência no mesmo grupo a favor de Ciro. “Os líderes fazem as suas chapinhas nos municípios, povo cria ilusão de material gráfico (chapa definida em santinhos). Hoje vejo que Júlio cresceu bem, encostando, em parte em cima dos votos do Marcelo (Castro), que tem que ficar ligado”, frisa um deputado da base que vota, naturalmente, em Marcelo e Ciro. É que se Ciro e Marcelo disputam o primeiro voto, Júlio pode desempenhar bem no segundo. É uma lógica que explicamos abaixo.

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A maquinaria do segundo voto

Apesar de alguns não darem o devido valor, a organização política municipal continua tendo capacidade de influenciar eleições de escala superior. Prefeitos, vereadores, lideranças locais e estruturas partidárias reduzem custos de informação, organizam campanha, garantem presença territorial e ajudam a transformar uma candidatura abstrata em uma candidatura conhecida no município. Numa eleição de dois votos ao Senado, para vencer é preciso a associação a uma chapa majoritária competitiva, notoriedade própria e capacidade de receber o segundo voto.

Ciro Nogueira, Marcelo Castro e Júlio César são os três maiores estoques de reconhecimento de nome e carreira longa do estado disputando dois assentos. Ciro vai testar agora os limites entre os fatores: reconhecimento máximo e máquina consolidada, mas posicionado (nacionalmente) no campo oposto ao do governador dominante. Uma vitória de Nogueira confirmaria a tese do voto personalizado vencendo a lógica de palanque. Sua queda confirmaria a força do arrasto. 

Com cada eleitor dispondo de dois votos, multiplicam-se as combinações cruzadas (“um voto da chapa, um voto de fora”), o que historicamente permite sobrevivências de opositores conhecidos mesmo sob governismos avassaladores. 

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Estou preocupado com outras coisas

Às vezes, boas informações são centradas em saber os riscos, as armadilhas e o que evitar, em vez do que fazer. Nesse caso, o prefeito Sílvio Mendes (UB) parece sair na frente (e de perto) na campanha de Joel Rodrigues (PP). A turma nunca vai falar em público, mas reservadamente (contam testemunhas oculares e auditivas da coluna), admite que esperava mais engajamento do prefeito da capital junto a Joel. Lembrando que findas as eleições estaduais, dia 01 de novembro de 2026 já começam as municipais de 2028. 

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Quero ver quem desbanca

“Sílvio só não é candidato (em 28) se tiver ruim de saúde ou com aprovação muito ruim, o que não acho que aconteça. Hoje a aprovação dele beira os 50%, o que permite a reeleição. Em Teresina, o gestor que pagar fornecedores, fizer asfalto e calçamento, o que eles estão fazendo, está bem”, pontua um integrante das antigas da Prefeitura de Teresina, em off.

“Imagino que a prefeitura deve estar com dinheiro porque não gastou nos dois primeiros anos. Tudo bem que teve o histórico do Pessoa (ex-prefeito), mas não teve nada no aniversário de Teresina, só a missa. A licitação do lixo finalmente saiu, e acho que agora vão jogar muita obra e jogar duro. Só em dizer que deu 200 ônibus, já é muito”, completa o entendido nos temas tucanos.

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Ideologia, eu quero uma pra viver…

Um petista que teve 800 votos (é vereador) no interior relata ter fechado um acordo de 20 mil estalecas para apoiar um senador do mesmo campo ideológico que o seu (teoricamente seria R$ 25 por voto que obteve, como métrica para calcular o preço do apoio). “Pro Y (opositor do outro campo), se me oferecem, eu não faria por menos de R$ 60 mil!”, explica, alegando que não é assim que a banda toca não, pera lá!

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Dinheiro na mão é vendaval 

Já outro político relata à coluna que está exasperado com um candidato a quem apoia. “Só depende dele gastar o dinheiro que tem. O homem quer ser eleito, sempre fica no ‘quase’ mas é incapaz de vender um patrimônio, de pegar um dinheiro com agiota, por isso não se elege!”. 

Melhor então fazer como X, candidato forte que enfrentava burburinhos de que estava começando a falhar nos compromissos? Consta que a questão foi habilmente solucionada, colocando um dos principais patrimônios familiares como garantia (coisa de R$ 20 milhões): “Deu uma engatada boa aí no financeiro e um up no Y (candidato apoiado por ele numa alta esfera)”. 

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Ninguém deixa solto não

Apesar de ter iniciado sob desconfiança de sua consistência eleitoral, os demais candidatos a deputado federal estão impressionados com o desempenho, até o momento, do delegado Charles Pessoa (candidato pelo PV, federação com PT): “Se deixar solto pode ter mais de 200 mil votos. Mas não vão deixar não, os meninos vão comprar os votos dele…”. Ainda assim, sobra o suficiente para se eleger, sim ou não?

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Cada um com sua estratégia

Apesar de essa ser uma das mais disputadas eleições da história do Piauí para deputado federal, um parlamentar acredita que “praticamente vão se eleger os mesmos”. No MDB, por exemplo, há a crença num acordo informal de que o primeiro suplente poderá assumir uma cadeira de secretário num eventual governo Fonteles. “É briga pra ser secretário”, diz um conhecedor. O nome do momento é o do vereador Venâncio Cardoso, que sairia com pelo menos 25 mil votos de expectativa. 

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Aqui sou eu e Deus 

Já o voto de opinião é desejado pela maioria dos políticos experientes, mas ninguém conta com ele nas suas contas. Tirando a turma da direita, que tem mesmo eleitores engajados por opinião, o negócio é mais embaixo: “São os vulneráveis, o povo, e aí chegam com o papel. Comigo não, aqui é só na graça de Deus e a liderança pra botar pra dentro os votos”, ressalta um dos políticos que só acredita nos próprios cálculos.

“A campanha já acabou, é a briga das últimas vagas da federação do PT (estadual e federal) que vai até o fim. Vou só agora cumprir meus compromissos no interior. Tem margem pra conseguir aí uns mil votos, mas quem pensa em virar voto mesmo, tá morto”.

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Com a palavra, o leitor

“Eleição bem morna e chata. Senador é tudo igual, quem for eleito não altera em nada a realidade do eleitor. Não temos nenhum outsider sustentando a eleição, animando o debate ou trazendo uma informação nova. Parece que nem está tendo eleição, Rafael não empolga e Joel não aparece”, disse, pedindo anonimato, um leitor crítico e observador. Palavras dele… 

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Era uma vez no Tribunal…

Uma desembargadora bastante autêntica resolveu comprar uma briga daquelas com seus pares de Capa Preta numa Corte acolá. É que havia um acordo informal para que um colega, que sairá de uma função deveras relevante, assuma no ano que vem o posto de corregedor geral de Justiça. Até aí tudo bem. “Regimentalmente, isso só seria possível por acordo, numa acomodação, ou seja, se nenhum dos 19 colegas concorresse…”, observou um jurista sem papas na língua, em conversa com o boletim. Quase beirando a meia-noite do dia do acordo, adivinhe, leitor? A desembargadora registrou sua intenção em disputar. Pra quê?

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Climinha pacato estilo STF

“Nesse assunto de tribunal, toda disputa é ruim. Parte ainda tentou chamar ela, dizendo que aquilo ia quebrar a harmonia da Corte, até o desembargador X (que sempre vota contra todo tudo e contra todos) queria a paz, pra você ver!”, pontuou o observador interno das querelas. Por sua vez, um interlocutor de fora, também ouvido pela coluna, culpa os colegas da magistrada e diz que a história não é bem assim não, alto lá: “Ela avisou sim com antecedência que ia disputar, não existe isso!”. É aquilo… Estratégia é o trabalho de melhorar sua posição e piorar a posição do seu oponente. Quem vence?

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OAB-PI: RJ, Sílvio, Celso e Olívia

Por ter um ou outro advogado (a) como público, o boletim preocupa-se em trazer, regularmente, as informações daquelas bandas para cá. É fato que o atual presidente da Ordem dos Advogados do Brasil, seccional Piauí, Raimundo Júnior, tem crescido com o embate direto com a Prefeitura de Teresina: “O menor que briga com o maior, ganha”, explicou um advogado do lado do RJ.  Pois bem, independente desse embate, é fato que RJ caminha para disputar sua natural reeleição na Ordem. E tem feito uma gestão combativa e popular no público interno. Se depois vai decidir sair para concorrer à Prefeitura de Teresina são outros quinhentos. 

Já a turma da oposição, silenciosamente, faz pesquisas e considera, segundo repassado à humilde cronista, que o ex-presidente, Celso Barros, é o mais cotado para reeditar o duelo com Raimundo no próximo pleito. Os juristas mais antenados acham que Celso pode largar e mais na frente abrir para a advogada Olívia Brandão ser a cabeça de chapa. Olívia que vem a ser sobrinha do ministro do Superior Tribunal de Justiça, Carlos Brandão. Será?

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Paz estilo Alexandre de Moraes e André Mendonça

Nada contra quem gosta de confusão, mas a colunista paga para não brigar com o Helder Eugênio (proprietário do Grupo 180 Graus) e com o apresentador Silas Freire (do Silas TV, canal no Youtube). Um é o rei da retórica, o outro da oratória1. A cronista mal sabe conjugar os verbos. E quando os dois discordam entre si… bom, melhor não se meter, né? 

Parece loucura, mas perdi a noção de quantas vezes tive o desprazer de ouvir essa semana a pergunta sobre qual dos lados estava certo na disputa sobre “vai ter ou não uma operação da Polícia Federal no Piauí às vésperas da eleição”? Ao contrário dos ministros André Mendonça e Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal, por aqui não sabemos nada sobre como andam as operações da PF. De todo modo, os dois pautaram o assunto.

Eleição é briga por recursos, percepção e resistência. É preciso esgotar o inimigo (resistência), desequilibrar a balança da opinião pública (percepção) e, por fim, esperar que os recursos caiam sem maiores esforços. 

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Pegue sua calculadora

Falemos sobre números. Será fácil? Nada que valha a pena nesse mundo é fácil. É útil para quem quer entender melhor as eleições? Pode apostar que sim, leitor. Vamos tentar simplificar as coisas, mas a posição oficial da cronista é trata-lo como um adulto inteligente enquanto exijo sua atenção e a direciono para eleição no Piauí.

Faremos algumas projeções que serão imediatamente questionadas por uma série de exemplos considerados exceção à regra. “Ahh, mas não foi assim em 1876”. Lá vem o “do contra”! Bom, caro leitor, você sabe que a exceção é o exemplo do burro… Esse tema será um pouco longo, assim como a maioria dos meus textos. 2

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A quem tem, será dado mais 

O básico do básico: campanha não é como se larga, é como se chega. E é muito difícil tirar da cadeira quem já está lá. Mas não é impossível, o rei Luís XVI da França (decapitado durante a Revolução Francesa) que o diga. 

A força mais significativa por trás da continuidade de pessoas com mandato em suas cadeiras são, de acordo com a Ciência Política (e a observação fria da realidade): a hereditariedade familiar (o que proporciona capital político inicial e redes de relacionamento); capital cultural superior (formação em instituições de prestígio nacional, principalmente Direito e Medicina); capital econômico (maior parte dos políticos hoje é empresário ou veio de profissões liberais bem remuneradas ou então mais ou menos prestigiadas, como Jornalismo) e a profissionalização política progressiva nos partidos, sindicados ou cargos eletivos menores (vereadores, lideranças populares) que se projetam para a representação estadual ou federal. Fora isso, é o que se chama de “outsider”. 

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QP e QE: breve síntese

A eleição para governador do Piauí em 2022 teve 1.935.323 votos válidos no primeiro turno, de um total de 2.456.056 milhões de eleitores aptos. Para 2026, o cadastro fechado pela Justiça Eleitoral registra 2.708.160 eleitores. A fim de simplificar, vamos colocar como hipótese que serão 2 milhões de votos válidos. Com isso, obtem-se o Quociente Eleitoral, que é igual número de votos válidos no Estado divididos pelo número de vagas. Portanto, para deputado federal uma chapa tem que ter, no mínimo, 200 mil votos.

Já o Quociente Partidário é o número de vagas que um partido conquista, sendo obtido pela divisão dos votos obtidos por seus candidatos e legenda pelo número do QE, dispensada a fração. Assim, se um partido, por exemplo, tiver 300 mil votos, ele terá uma vaga.

Exemplo: Um partido tem 300 mil votos (QP) e alcança 200 mil de QE. Ele fica com 1,5 vagas. Mas a fração será desconsiderada, até porque ninguém nunca ouviu falar de “meia vaga” (em que pese o fato de terem uns mandatos que não valem por meio…). Na primeira rodada, só entram os partidos/federações que tenham conseguido atingir o QE. Ufa, captaram até aqui?

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A tal das sobras

O que são as sobras? Muita gente acha que é uma operação aritmética. Ou seja, se um partido teve 290 mil votos, tira o QE (200 mil) e sobram 90 mil votos. Mas não é assim.

As sobras, na verdade, são das vagas não preenchidas pelo QP. Ganha a vaga quem tiver a maior média, resultado dos votos recebidos divididos pelo número de cadeiras obtidas somadas mais 1.

Assim, num cálculo provável (mas não definitivo) para a Câmara dos Deputados pela bancada do Piauí em 2026:

PT = 700 mil votos

700/200= 3,5

PT faz 03 deputados federais diretos

PSD 1 deputado federal direto

MDB 1 deputado federal direto

Progressistas 1 deputado federal direto

Serão 06 vagas preenchidas. Faltam 04.

Republicanos: primeira sobra, um deputado federal eleito.

PT segunda sobra/terceira sobra

PSD segunda sobra

MDB e Progressistas: como cada um provavelmente fará um deputado diretamente, a disputa será direta. Fará a segunda vaga o partido que tiver mais votos. No momento, as apostas estão mais fortes para o MDB. O PP trabalha tendo como fiel da balança Emanuel Paiva, vereador de Água Branca que conta com fortes apoios.

Fator surpresa: 

A depender dos votos que o delegado Charles Pessoa (PV, dentro da federação do PT) obter (se forem muitos) pode ajudar o PT a fazer 5 federais. Se o PT tiver 750 mil votos (dividir 750/5=150), MDB ou Progressistas terão que ter mais de 300 para fazer o segundo nome.

Enredo mais distante: 

Possíveis, mas improváveis hoje: quinta vaga do PT e Jadyel Alencar não conseguir 160 mil votos na chapa do Republicanos (na cotação de hoje, Jadyel tem as condições de se eleger).

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Para ler, ver e ouvir

Há quase três mil anos, o poeta épico da Grécia Antiga, Homero, contou uma história que parecia ser, na superfície, sobre monstros, deuses, guerras e mares revoltos, mas que era, na verdade, sobre um homem (incomum) tentando voltar para casa. Assim também entendeu o diretor Christopher Nolan no filme “Odisseia” (nos cinemas). Na obra de Nolan, tudo é grande, ameaçador, ruidoso e belo. Matt Damon faz um Odisseu cansado, e Anne Hathaway, uma Penélope que não se contenta em apenas esperar. 

Odisseu venceu Troia, enganou inimigos e sobreviveu ao impossível. Só que nenhuma dessas vitórias resolve sua questão mais básica: o herói que conquistou cidades (raramente por ser o mais forte, mas sim por ser o mais observador) agora precisa descobrir se ainda consegue regressar a si mesmo. As sereias aqui não seduzem pelo desejo, mas por obrigar os homens a encarar as verdades enterradas. A de Odisseu é que a astúcia tem um adversário permanente: a própria vaidade. Toda vez que o herói precisa demonstrar quem é, o caminho de volta se torna mais longo. É um filme sobre como as histórias enganam e libertam, consolam e perturbam, separam e unem. 

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Cifrada do Jogo Peculiar

Na Távola Redonda Municipal, nunca antes na história desse reino se viu um Torneio Bienal tão fácil, o que é deveras peculiar. “Quando a esmola é grande o santo desconfia”, apontou um cavaleiro interessado no tema. Assim que ele calou a boca, o cavaleiro Jasão mandou que retornasse para a Távola seu escudeiro, Gustavus, que baterá de frente (se tudo der certo) com Vilarus, que já conta com 110% dos votos, sendo os 10 excedentes reservados por precaução a eventuais defecções dos profissionais no ramo. “Não se constrói candidatura em um mês. Já vem sendo prestado um trabalho desde o ano passado. Penso assim”, levantou questão de ordem um cavaleiro por dentro das conversas no cafezinho do castelo.

Por via das dúvidas, tem no páreo Decimus de Monza (amigo de fé do rei Lewis Hamilton), Venantius da Mesa de Contas (pesca com o Rei Sábio e janta com o Rei Harry Potter) e Zefiruz Ferox (sem atrito na esfera máxima e desenrolado na esfera mínima). Ou seja: candidato não falta. Falta apenas descobrir se haverá eleição ou se a Távola vai economizar pergaminho, tinta e cafezinho e mandar logo fazer a faixa de campeão. Nesse torneio tem tudo, só não tem menino…

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Cifrada II da Bolsa Urgente

Já no Torneio Quadrienal, a partida se divide entre Profissionais e Amadores, ambos com espadas afiadas (lembrando que o profissional de hoje já foi o amador de ontem… É preciso começar!). Quem não conseguiu vassalos suficientes nas vilas ou não confia 100% nas palavras empenhadas (é raro, mas acontece com frequência) diz que vai aderir ao processo de “Bolsa Urgente” (BU). E 110 a cada 100 experientes no ramo já têm suas estratégias. 

Um candidato a cavaleiro estadual que não cogita perder nem que uma escavadeira passe por cima dele (mas é novato na empreitada) planeja coisa de 60 mil dessas Bolsas Urgentes para o Dia D. Colegas acham que é “estratosférico”. Considerando que o valor unitário de uma bolsa desse tipo chega à casa das 200 estalecas, o leitor faça as contas… Alguns consideram o valor um “absurdo”: “Vai inflacionar tudo para 2028!”, reclama um fiscal da vida dos outros. Pois é…

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Se conselho fosse bom

Ao contrário do que muitos pensam, ser amigável é uma característica de indivíduos superiores. Pessoas excessivamente confrontadoras e desagradáveis, no geral, são aquelas de menor valor e psicologia fraca. Ser um babaca é uma fraqueza e não uma força. Viver num ciclo sem sentido de lutas das quais acreditam que não conseguem escapar é o normal para eles. Esqueça isso. O estado desejável na vida deve ser concordar apenas em fazer as coisas que você realmente deseja, ser fiel a si mesmo e não se vender para impressionar os outros ou fazê-los felizes. Flexibilidade deve ser a meta máxima. 

É inteiramente possível dirigir o carro mais rápido da cidade, em círculos. A inteligência é um motor, mas a paz é o destino. Talvez ninguém nunca tenha lhe dito isso, mas metade dos conselhos que você recebe são pessoas defendendo as próprias escolhas de vida, ou seja, conselhos são confissões ocultas. Prefira apostar no futuro mil vezes e estar errado todas as vezes do que desperdiçar sua vida tentando parecer algo que você não é. 

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Foto do dia

É um dado da realidade que o presidente Lula (PT) tem o voto muito resistente, inclusive, maior que a aprovação do seu governo. É por isso que Lula segue ligeiramente na frente, com margem apertada, na maioria das pesquisas divulgadas até agora. Mas os petistas sabem e o barômetro de Brasília confirma: Lula não está eleitoralmente seguro (vantagem moderada, diferente de hegemonia, com um cenário de eleição competitiva, especialmente num eventual segundo turno, onde Flávio Bolsonaro, do PL, seu principal opositor, poderia capitalizar sob o antipetismo). Por que então a desaprovação de Lula não está se convertendo automaticamente em voto na oposição? Algumas hipóteses abaixo.

As intenções de voto somadas de Flávio Bolsonaro, Augusto Cury (Avante), Renan Santos (Missão) e Ronaldo Caiado (PSD) mostram que existe um eleitorado não lulista numericamente grande, porém, fragmentado. Ainda assim, essa tem sido uma eleição com pouco entusiasmo com o próprio candidato de cada campo, e mais medo da vitória do adversário. Traduzindo: um pleito de partidarismo negativo, decidido por qual candidato mobiliza mais o medo do outro – o que está em aberto e os dois lados têm munição para isso enquanto escala violentamente a crise no Supremo Tribunal Federal.

Historicamente essa terceira via dispersa (hoje incorporada no drone de Augusto Cury) tende a ser comprimida pelo voto útil até outubro. O Cury de hoje foi a Marina Silva de ontem, o Ciro Gomes de antes de ontem e o Eduardo Campos da semana passada. Se o voto anti-Lula for unificado em Flávio, é risco para Lula. Se a crise no STF respingar no Dark Horse de Flávio, ponto para Lula. A conferir. 

“Fulano de tal age de maneira irracional”. Isso não existe. Ninguém é irracional. Um jogo consiste em três coisas ao mesmo tempo: jogadores, recompensas (idealmente, o que você almeja) e estratégias que contribuem para alcançar a recompensa. As previsões são falhas porque cada um projeta sua recompensa no mundo e considera que todos os demais desejam a mesma coisa. Não é bem assim que a banda toca não… 

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A frase para pensar

“A verdade bate à porta e você diz: ‘Vá embora, estou procurando a verdade’, e assim ela vai embora. Enigmático”, Robert M. Pirsig (1928-2017), escritor e filósofo americano.

  1. Por transparência: Bem novinha, há milênios atrás, fui estagiária no 180 Graus, uma experiência decisiva para minha carreira, a qual sou e serei sempre grata. Aprendi muito. Também comentei política por um ano no programa de rádio de Silas na TV Jornal Meio Norte, que me tratou todo o tempo com respeito e consideração às minhas opiniões, apesar da minha inexperiência.  ↩︎
  2. Nas próximas edições, traremos uma projeção objetiva (ou quase isso) dos votos para deputado estadual e federal. Boa sorte aos que vão. Bem-vindos os que ficam. Um expresso sem açúcar? ↩︎

Sávia Barreto

Sávia Barreto, jornalista, fundadora e diretora-geral do Boletim Brio. Mestra em Comunicação, pesquisou Análise de Discursos e Eleições na Universidade Federal do Piauí. Cursou Doutorado em Políticas Públicas (Ufpi), estudando desigualdade de gênero. Graduada em Comunicação Social na Universidade Estadual do Piauí. Estudou Ciências Sociais (Ufpi). Tem MBA em Comunicação Política e Sociedade pela ESPM, São Paulo. Integra o grupo de estudos “Estratégia, Dados e Soberania” na UNB e é diretora de Comunicação Estratégica da ONG “Fórum para Tecnologia Estratégica dos Brics”, em Brasília, onde reside. Com 17 anos de experiência em redações do Piauí, trabalhou nos últimos dois anos como comentarista e colunista de política em Brasília. Trabalha com consultoria em branding e gerenciamento de reputação digital na Brio Comunicação Estratégica.
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