Maia Veloso sobre carreira: “Faria tudo de novo” e sua lista de inegociáveis; psicanalista Liana Pinheiro lança livro e mais

Maia Veloso chega a esta entrevista, exclusiva ao Boletim Brio, em movimento. Da reportagem à apresentação, dos debates políticos ao talk show. São 30 anos de história e de histórias. No Piauí, seu nome se tornou sinônimo de credibilidade,  trazendo uma espécie de elegância combativa diante das câmeras. Sua trajetória passa por programas como Jornal do 7, Sábado Show, Poupa Ganha, Jornal da Tarde, 70 Minutos e Falando Nisso na TV Meio Norte, além de projetos especiais, transmissões culturais e milhares de entrevistas. 

Foi também, a primeira mulher no Piauí e no Nordeste a mediar debates políticos, um marco que ela mesma ajudou a nomear, numa época em que destacar a presença feminina nos espaços de poder não fazia parte da agenda nacional. Maia abriu frestas para que outras jornalistas pudessem imaginar a si mesmas em lugares antes reservados aos homens.

Mas talvez o traço mais interessante esteja no olhar. Ela parece entender que permanecer relevante não é insistir na mesma fórmula até que ela perca o sentido, mas perceber antes a mudança de temperatura do mundo. Foi assim que criou projetos de inclusão, assumiu novas plataformas, desenvolveu consultorias, mergulhou em estudos sobre futuros e deslocou sua atuação da televisão para o digital. Reinventar-se, para Maia, é recusar que o passado seja o limite.

Boletim Brio: Você construiu uma carreira de mais de três décadas na comunicação, atravessando televisão, rádio, jornal, internet e diferentes formatos. O que se transformou em você como jornalista ao longo dessa trajetória?

Maia Veloso: O mundo em transformação e movimento, se você estar atento, é impossível ser ignorado. Sou, de verdade, uma metamorfose ambulante.

O que mudou, durante a jornada, foi o aprendizado sobre a importância da convergência. Comunicação é um território que é atravessado por diferentes contextos, é o pilar de um mundo que orbita em torno dela. Pra mim, nunca foi só sobre jornalismo, ele foi um ponto de partida.

O fato é que eu descobri novas formas de atuar. Criei, imaginem, uma galeria de arte (VIVA ARTE), totalmente diferente, não só pra Teresina, com projetos de arquitetos incríveis (José Ribeiro e a saudosa Yamara, Gualberto Jr, Ronaldo Veras e Paulo Eleotério), Nova Comunicação… Muita gente. Como não aprender e mudar com experiências assim? É necessário desmobilizar o olhar.

Boletim Brio: Você começou em uma época em que a televisão tinha uma lógica muito diferente da atual. O que a Maia jornalista dos anos 1990 faria diferente se começasse hoje e o que provavelmente continuaria fazendo exatamente igual?

Maia Veloso: Eu faria tudo de novo, porque aprendi com as experiências boas e ruins. Posicionamento, até por circunstâncias pessoais, sempre foi uma questão de sobrevivência pra mim. Eu mantenho uma listinha de inegociáveis.

Sobre fazer exatamente igual, eu não faria nada igual. Minha conexão com o mundo em movimento não permitiria. Mas seguem comigo: foco no que é legítimo, relevante e o discernimento sobre o que realmente importa, além de construção permanente de consciência.

E a lógica da TV é um desafio para a evolução dela. Ficou nichada e com dificuldade geracional. O poder e influência foi alterado com a chegada do digital, que trouxe acesso e novas vozes e posicionamentos. Mas, nessa arena, tem espaço e público para tudo e todos. No final do dia, “cada um sabe a dor e a delícia de ser o que é”.

Boletim Brio: Você já realizou incontáveis entrevistas nacionais e conversado com nomes como Fernando Henrique Cardoso, Caetano Veloso, Chico Science e Carlinhos Brown. Depois de tantos anos de carreira, o que ainda faz você ficar genuinamente curiosa diante de um entrevistado? O que você aprendeu com tantas trocas?

Maia Veloso: Nossa, que aprendizado. São mais de 2 mil entrevistas nacionais no meu portifólio. Morar em São Paulo, Belo Horizonte, Fortaleza e uma temporada em Salvador turbinou essa lista. Alguns viraram próximos de tanta recorrência.

Eu sigo mais curiosa que nunca. Agora, com novo mapa de interesse e impacto, atenta a outras relevâncias e com apreço demasiado pelos célebres do conhecimento, pelos novos humanos e os que seguem caminhos menos óbvios.

Boletim Brio: Sua trajetória também inclui muitos debates eleitorais e você foi uma das primeiras mulheres no Piauí e no Nordeste a ocupar esse espaço. Em que momento você percebeu que também estava abrindo uma porta para outras mulheres no jornalismo?

Maia Veloso: Eu acho que a decisão sobre eu apresentar os debates não teve um viés de gênero, ainda não evoluímos nesse nível. Simplesmente, aconteceu. Eu era uma opção editorial e técnica que funcionava. Na verdade, eu que comecei a construir essa narrativa de primeira mulher a fazer debates políticos no Piauí, porque realmente achava um marcador importante, mesmo que só eu estivesse vendo valor. Nós, mulheres, sabemos e devemos enxergar primeiro quem somos e o que podemos.

No mais, sobre os debates, eu torcia pra ter regras que revelassem a verdade, torcia pra não ser chato e pra ser mais curto (risos). Não é difícil apresentar debates, você só rege uma orquestra de réplicas e tréplicas e assiste de camarote a torcida para o circo pegar fogo. Difícil mesmo é assistir aos debates tão esvaziados de propósitos e de verdades.

Boletim Brio: Em sua palestra no TEDx, você abordou “o poder da informação inclusiva” e também desenvolveu o projeto Língua Solta. De onde nasceu essa percepção de que comunicar também pode ser uma ferramenta de inclusão social?

Maia Veloso: Essa percepção nasce quando desmobilizamos o nosso olhar. É, de novo, sobre fazer convergência. Se comunicação é um dos 5 pilares mais importantes pra que qualquer ideia, projeto, instituição e empresa se viabilize, por que não seria em áreas e contextos tão viscerais e vulneráveis?

Ser speaker TEDx numa edição que escancarou o que não estamos fazendo, quando se trata de inclusão, foi uma honra e um sinal importante que eu estava no caminho certo. Nessa fase, eu criei a minha própria metodologia, o OQENEF – O que eu não estou fazendo -, que eu aplico nas minhas consultorias para empresas e projetos.

Sobre o Língua Solta, foi um dos projetos mais desruptivos que eu criei e entreguei. Eu sempre acreditei que o mundo era feito de perguntas e não de respostas. E no Língua Solta respondíamos perguntas dos alunos, de escolas públicas e privadas, sobre drogas, sexualidade, projetos de vida e tecnologia. Isso acabou me levando para uma Pós-Graduação em Políticas Públicas para Crianças e Jovens. Aprendi muito.

Boletim Brio: Você acompanhou a transformação de uma televisão baseada em grade e audiência para um ambiente em que as pessoas consomem conteúdo em múltiplas telas e plataformas. Na sua visão, o que ainda faz a televisão ter força? A força é a mesma? Como você vê o futuro da TV piauiense?

Maia Veloso: Essa análise tem diferentes asentos: global, nacional e local. Daria outra entrevista (risos).

Mas, o veículo TV, particularmente algumas empresas, são fortes e são como transatlânticos. Se desligar os motores, eles ainda ficam por anos em alto mar. Eu sinto falta de mais CEOs mulheres nesse segmento. Elas teriam avançado mais nesse cenário de transformação e confusão midiática.

Eu, particulamente, acredito que toda forma de informar vale à pena. Sou à favor da existência de todos os veículos porque acredito que não é sobre onde se diz, mas o que e como se diz.

Boletim Brio: Você já disse que, nos últimos anos, passou a “deslocar o olhar” profissionalmente e a buscar temas, conexões, territórios e múltiplas plataformas. O que o Jornalismo lhe deu de melhor? Em termos de vivências e formação pessoal atrelada ao profissional. O que o público piauiense que viu Maia Veloso na televisão por décadas pode esperar do futuro?

Maia Veloso: O jornalismo é uma das trilhas a percorrer. Foi me aprofundando no jornalismo que eu entendi que não há uma só resposta para perguntas e descobri a importância da análise de contextos.

Sobre anos de TV, eu e o público construímos um relacionamento desses pra vida toda. Imagina o privilégio da conexão com múltiplas gerações. Isso não tem preço, é muito valioso. Construímos uma relação que segue onde quer que esteja, porque tem legitimidade de ambas as partes.

Sobre o futuro, ele é ponto de partida, é agora. Continuo produzindo conteúdo, agora no digital, no meu canal do YouTube e Spotify, nas minhas redes sociais e nas minhas consultorias. Produzo encontros temáticos para trocas de ideias e estratégias de networking para convidados e construo posicionamento de marcas e líderes, entre outras coisas.

Também não paro de estudar. O que eu não sei me interessa muito, é um lugar de ignorância sofisticada. Há mais de 8 anos, estou imersa em estudos e pesquisas sobre futuros. O caos climática está no centro da minha atenção dentro de futuros regenerativos.

Da letra ao livro

A psicanalista Liana Pinheiro lança, no dia 25 de setembro, em Teresina, Da letra ao livro: a travessia de uma mulher, obra em que aproxima experiência, escrita e elaboração psíquica. O livro nasceu a partir de um período de ruptura marcado pelo divórcio, quando a autora se deparou com questões relacionadas ao feminino, à própria existência e às formas possíveis de elaborar a dor.

A escrita aparece, nesse percurso, como possibilidade de dar contorno à experiência e produzir sentidos para aquilo que atravessa o sujeito. Liana propõe que o livro também possa funcionar como espaço de identificação para quem atravessa momentos de dor e transformação.

“O livro pode abrir espaço para falar das travessias que vivemos ao longo da nossa existência e, quem sabe, levar o leitor a pensar sobre as suas próprias travessias. Talvez possa também fazer companhia a quem está vivendo um tempo de dor, ajudando-o a não se sentir tão sozinho. As leituras, para mim, nesse tempo, foram acalanto. Talvez a escrita possa ser isso também: uma companhia no atravessamento daquilo que, tantas vezes, precisamos percorrer sozinhos”, declarou Liana Pinheiro ao Boletim Brio.  O lançamento será às 19h, na Livraria Entrelivros, na Avenida Dom Severino, 1045.

Gastronomia by leitores do Boletim Brio

Diógenes Bueno, professor doutor em Literatura na Universidade Estadual do Piauí 

Eu adoro a carne de sol do Restaurante São João, inclusive, levo todos os amigos de outros Estados para conhecer. Recentemente, tivemos um Fórum de Coordenadores de PPGs em Linguística e Literatura do Nordeste, que levamos cerca de 30 coordenadores para se deliciar. Todos ficam impressionados!

Além do sabor e da qualidade da carne e de seus acompanhamentos, há uma questão da identidade cultural que atravessa a nossa história como sujeito forjado numa culinária marcada pelo sertão e pelo sertanejo. É uma iguaria entranhada numa geografia física, social e cultural do Piauí.

Isabela Leal, jornalista e repórter de TV 

Fettuccine de Camarão ao molho limone do restaurante Vignoli. É o meu preferido por causa do contraste. O molho é bem cremoso, cheio de textura, mas tem a acidez do tomate cereja e do limão. Daí equilibra. Pra mim, o arremate é a crocância da farofa. 

Fátima Guimarães, cineasta 

O meu preferido é a carne de sol na telha do Restaurante Ô de Casa, no Mocambinho. Porque é um ambiente temático, vintage e aconchegante.

Shelda Magalhães

É coordenadora-geral da Agência Brio Comunicação. Foi coordenadora de Comunicação da OAB-PI (2022-2024). Foi âncora da TV Antena 10/ Record TV e da TV Band Piauí. Foi repórter da TV Antena 10. Atuou como repórter do Portal OitoMeia. É jornalista pela Universidade Estadual do Piauí (UESPI). É certificada em Marketing Digital, Branding Pessoal e de Marca.
Cadastre-se na nossa lista de transmissão
Receba nossos boletins no seu WhatsApp
  • ← Voltar

    Cadastro efetuado

    Você receberá nossos boletins no seu WhatsApp.

Deixe um comentário