Em um campo de futebol, 11 meninos correm atrás da bola. Todos querem ser jogadores profissionais, mas como descobrir qual deles tem mais chances de chegar lá? Ser o mais habilidoso nem sempre é suficiente. Os olheiros procuram, segundo apurou o Boletim Brio, aquele que desde muito cedo, “tem aquela agressividade e garra”, mesmo que sem a técnica certa ainda. E o Piauí tem chamado a atenção nesse quesito. Cada vez mais jovens deixam o estado para jogar nas categorias de base de grandes clubes brasileiros, alguns antes mesmo de completar dez anos.
Para conhecer essa nova geração, a Todavia conversou com profissionais ligados ao esporte e reuniu uma lista de nomes que merecem atenção nos próximos anos.
Conheça algumas das promessas do futebol piauiense (Veja lista com o perfil de cada um ao final do texto):
- Guilherme Reis: Lateral-esquerdo – São Paulo – 20 anos (Teresina)
- Luís Eduardo: Zagueiro – Grêmio – 18 anos (Corrente)
- Marcos Pierre: Atacante – Flamengo – 16 anos (Santa Cruz do Piauí)
- Ryan Victor: Atacante – Cruzeiro – 16 anos (Teresina)
- Jean Carlos: Atacante – Flamengo – 15 anos (Teresina)
- Pedro Mikael: Atacante – Bahia – 14 anos (Capitão de Campos)
- Matheus Piauí: Zagueiro – Vasco – 14 anos (Esperantina)
- João Pedro: Meia – Real Club – Nascido em 2013 – Aprovado pelo Athletico Paranaense
- João Lucas: Palmeiras – 10 anos
- Kalebe: Meia – Teresina EC – 10 anos (Teresina) – Aprovado pelo Athletico Paranaense
- Adryan Lucca: Botafogo – 9 anos
- Kayo Geovanny: Real Club – Sub-11 – Aprovado pelo Athletico Paranaense
- Ryan Riquelme: Volante – Goiás – Sub-20
- Vitinho: Lateral-direito – Goiás – Sub-20
- Cristian Oliveira – 20 anos/meia – atleta do Corinthians, 4 anos de Flamengo e convocações para seleção brasileira sub16

Talentos piauienses estão deixando o estado cada vez mais cedo, aponta jornalista
Para o jornalista esportivo Victor Costa, o Piauí sempre teve bons jogadores, mas, nos últimos anos, os grandes clubes passaram a olhar com mais atenção para os meninos que jogam por aqui. O resultado, na avaliação do jornalista, é que muitos piauienses estão saindo de casa cada vez mais cedo, atraídos por oportunidades que dificilmente encontrariam no estado.
“O Piauí é um celeiro de talentos. Não é de hoje, mas não faz muito tempo que isso se tornou uma realidade mais vista. De fato, muito mais jogadores deixam o estado com status de potencial jogador profissional do que anteriormente, porém esses jogadores estão deixando o estado cada vez mais jovens, antes de completarem 10 anos”, explicou.

O problema é que, para quem fica, nem sempre há onde jogar. Victor pontuou que as competições de base organizadas pela Federação de Futebol começam a partir dos 11 anos, mas muitos times só existem durante os campeonatos. Os meninos treinam, disputam partidas por um ou dois meses e, quando o torneio termina, a equipe se desfaz. Enquanto isso, garotos da mesma idade, em clubes como Flamengo e Palmeiras, já podem disputar competições internacionais. De acordo com ele, a ausência de um calendário regular, influencia no ritmo de quem quer ser atleta profissional.
“Essa falta de calendário diminui o ritmo de preparação dos jogadores e também a visibilidade: se você não joga, você não é visto e fica mais preso à bolha do futebol local”, pontuou.
Victor Costa ainda lembrou que muitos desses meninos crescem em famílias que não têm condições de bancar os custos de uma carreira no futebol. Na adolescência, alguns precisam trabalhar para ajudar em casa. Outros começam a disputar partidas amadoras por cerca de R$ 100 por jogo. O dinheiro faz diferença no orçamento familiar, mas pode significar o abandono de um projeto de formação profissional. O jornalista pontuou acreditar que os clubes piauienses precisam olhar para suas categorias de base como uma oportunidade de investimento, inclusive com a possibilidade de ganhar dinheiro futuramente com a negociação de jogadores.
O que um olheiro procura em um futuro craque?
Nem sempre é o menino que faz mais gols ou dá os dribles mais bonitos. Silvio Eduardo, gerente de futebol com passagens pelo Flamengo, do Rio de Janeiro, Cuiabá e Atlético Piauiense, explicou que, na avaliação de crianças ainda muito jovens, dois fatores pesam especialmente:
1) a mentalidade
2) potencial físico.
Os clubes observam se o garoto é ágil, como reage às dificuldades durante uma partida e, principalmente, se tem uma postura competitiva, ou seja, se não desiste facilmente na primeira dificuldade. A técnica, segundo ele, pode ser trabalhada ao longo dos anos. Um menino de oito ou dez anos ainda tem muito tempo para aprender a dominar melhor a bola. Já o comportamento e determinadas capacidades físicas são características que os avaliadores procuram identificar desde cedo.
“Quando a gente prospecta um atleta, procura justamente aquele que mostra esse potencial desde novo. Não é que outros não consigam se desenvolver, mas terão mais dificuldade no meio do caminho para desenvolver essas valências. Um atleta que, desde novinho, é ágil, tem um bom potencial físico e, principalmente, um comportamento agressivo, que nunca se dá por vencido. Porque a parte técnica, mesmo que ele não tenha uma boa técnica, a gente consegue trabalhar. Um atleta de oito, nove, dez, onze ou doze anos tem muito tempo para desenvolver a parte técnica. Mas o que eu preciso é que ele tenha o comportamento e o físico, principalmente o físico”, destacou.

Perguntado pela Todavia, ele avaliou que o Piauí tem uma boa safra de atletas, mas ainda faltam profissionais qualificados para trabalhar com as categorias de base. Há 20 anos, lembra, boa parte das crianças aprendia a jogar na rua e chegava aos clubes com uma experiência que não dependia de aulas ou treinamentos. Hoje, muitos começam em escolinhas aos sete ou oito anos, o que aumenta a responsabilidade de quem acompanha seu desenvolvimento. Na avaliação do gerente, ainda existe muito amadorismo no futebol regional, inclusive entre pessoas que desejam trabalhar na área sem buscar a preparação necessária.
“A safra do Piauí é muito boa, sempre foi muito boa. Piauí, Maranhão, essa região aqui é um pouco esquecida pelos grandes centros. Só que o grande problema aqui na região, e eu falo com propriedade em relação a isso, é a questão do amadorismo mesmo. É meio que enraizada ainda aquela questão do amadorismo, de não enxergar o futebol como realmente uma profissão. As pessoas precisam ter consciência de que precisam se qualificar mais. O problema é a mão de obra escassa porque as pessoas querem trabalhar no futebol, mas não querem se desenvolver para o futebol. E futebol não é só jogar uma bola lá e dar um treino, vai muito além disso hoje em dia”, pontuou.
Veja aqui a lista
– Luís Eduardo – Zagueiro | Grêmio | 18 anos | Corrente (PI) | @luis_08ofc

– Guilherme Reis – Lateral-esquerdo | São Paulo | 20 anos | Teresina (PI) | @guilherme_.reis06

– Marcos Pierre – Atacante | Flamengo | 16 anos | Santa Cruz do Piauí (PI) | @marcos_pierre11

– Ryan Victor – Atacante | Cruzeiro | 16 anos | Teresina (PI) | @ryavictor__01

– Jean Carlos – Atacante | Flamengo | 15 anos | Teresina (PI) | @jeancarlos011__

– Pedro Mikael – Atacante | Bahia | 14 anos | Capitão de Campos (PI) | @pedromikael_012

– Matheus Piauí – Zagueiro | Vasco | 14 anos | Esperantina (PI) | @matheuspiaui14_

– João Lucas – Palmeiras | 10 anos | @joaolucas.sa29

– Adryan Lucca – Botafogo | 9 anos

– Ryan Riquelme – Volante | Goiás (Sub-20)
– Vitinho – Lateral-direito | Goiás (Sub-20)
– Kalebe – Meia | Teresina EC | 10 anos | Teresina (PI) | Aprovado pelo Athletico Paranaense
– João Pedro – Meia | Real Club | Categoria 2013 | Aprovado pelo Athletico Paranaense
– Kayo Geovanny – Real Club | Sub-11 | Aprovado pelo Athletico Paranaense
Cristian Oliveira – 20 anos/meia – atleta do Corinthians, 4 anos de Flamengo e convocações para seleção brasileira sub16




