Antes de saber que aquilo se chamava produção cultural, Antoniel Ribeiro já ajudava a vender ingressos, divulgar espetáculos e cuidar de figurinos e cenários. Era 1992, no Grupo Raízes de Teatro, e ele ainda não imaginava que aqueles primeiros passos o levariam a uma longa trajetória nos palcos do Piauí. Mais tarde, à frente do Projeto Seis e Meia por 15 anos e da direção do Theatro 4 de Setembro e do Clube dos Diários, aprendeu a aproximar artistas e público.

A defesa da cultura feita no Piauí também aparece quando Antoniel fala de futuro. Ele quer mais reconhecimento para os artistas da terra e mais apoio da iniciativa privada, sem que a cultura dependa somente de recursos públicos. Em 2026, sua trajetória ganhou um novo capítulo na gestão cultural, com a direção do Teatro João Paulo II, em Teresina. Na conversa com o Boletim Brio, Antoniel Ribeiro percorre a cultura pelo caminho mais verdadeiro, o que começa nos bastidores. E lança uma recomendação aos leitores: “Ir ao teatro e prestigiar quem cria por aqui”.
Boletim Brio: Como começou sua trajetória na produção cultural e quais experiências/inspirações mais influenciaram o profissional que você se tornou?
Antoniel Ribeiro: Comecei na produção cultural no ano de 1992, quando fiz parte do Grupo Raízes de Teatro, que era coordenado pelo Aci Campelo e Lorena Campelo, e comecei a fazer espetáculos com eles. Sempre conseguia ajudar nas vendas dos ingressos, na divulgação do espetáculo, figurino e cenário. Sempre conseguia um apoio com os amigos da minha família… Só que eu não sabia que isso já era produção…(risos).
Foi quando o Aci Campelo assumiu a direção do Theatro 4 de Setembro e me chamou para fazer parte da equipe dele. Logo me deu de presente a produção do Projeto Seis e Meia, que, para mim, foi uma escola de produção, pois tive contato com vários artistas nacionais e internacionais. Tanto é que, mesmo mudando a direção, eu continuei à frente durante 15 anos, período em que me tornei diretor do Theatro 4 de Setembro e do Clube dos Diários por 5 anos, além de atuar na produção do teatro por 15 anos.
Boletim Brio: O que os anos de trabalho com o Seis e Meia lhe ensinaram sobre o público de Teresina e seus hábitos culturais?
Antoniel Ribeiro: Durante os 15 anos em que fiquei à frente deste projeto, foi uma aula de produção. Passaram pelo teatro grandes nomes da Música Popular Brasileira, de todos os estilos, agradando ao nosso público piauiense de todas as áreas culturais: pop, rock, MPB… Com o tempo, o público já fazia parte da escolha dos artistas nacionais e locais também, e tínhamos um público cativo em todas as edições, e exigente.

Boletim Brio: Como equilibrar a vinda de artistas nacionais com a valorização e a visibilidade dos artistas piauienses?
Antoniel Ribeiro: Sempre escolhíamos uma atração nacional que tivesse uma conexão com o nosso artista piauiense, e sempre, no final, tinha o encontro dos dois artistas para cantar uma música juntos.
Boletim Brio: Na sua visão, o que há de singular na produção cultural do Piauí e quais aspectos ainda são pouco conhecidos fora do estado?
Antoniel Ribeiro: Nossa produção musical é muito forte e diversificada. Acho que falta uma maior divulgação dos nossos artistas piauienses, que não deixam a desejar a nenhum artista do Brasil. Precisamos de mais união entre os artistas…
Boletim Brio: Que mudanças você gostaria de ver na cultura piauiense nos próximos anos, tanto na formação de público quanto nas oportunidades para quem produz e cria?
Antoniel Ribeiro: Gostaria muito de ver nossos artistas serem reconhecidos nacionalmente. Temos tantos talentos da terra… E precisamos de mais incentivos da iniciativa privada, não podemos esperar só da pública. No dia em que os grandes empresários e alguns políticos descobrirem o valor da nossa cultura, tudo vai mudar no nosso estado.
Boletim Brio: Para fechar, que dica cultural você deixa para o público: qual é seu filme favorito, qual seu livro favorito e qual artista piauiense mais admira?
Antoniel Ribeiro: Dica cultural: ver nossos artistas piauienses, ir ao teatro, ver nossos filmes que estão sendo produzidos aqui e ganhando respeito lá fora…
Filme: Central do Brasil.

Livro: Estou lendo um livro espírita…
Artista que mais admiro? Tenho vários: Vavá Ribeiro, Patrícia Mellodi, Validuaté, Dandinha, Soraya Castelo Branco, Flávio Moura… E muitos mais…
A bússola gastronômica de Rivanildo Feitosa
Teresina tem uma gastronomia marcada pelos sabores nordestinos e por uma cena de restaurantes cada vez mais diversa. Descobrir bons lugares à mesa também exige curiosidade e repertório. Por isso, hoje a coluna convida Rivanildo Feitosa, diretor de cinema e jornalista, um cosmopolita que já percorreu diferentes destinos e explorou sabores de várias partes do mundo. Com olhar apurado e bom gosto, ele compartilha com nossos leitores suas escolhas gastronômicas e revela os lugares que merecem entrar no roteiro de quem aprecia uma boa experiência à mesa.

“Eu sempre valorizo muito a gastronomia de Teresina. É uma das minhas paixões. Tanto que já fiz uma revista, e agora estou em fase de finalização de um livro com dicas de restaurantes e receitas locais. Sempre vou do chique ao mais simples, circulando pela gastronomia local, mas também aprecio essa programação nas viagens, em especial em São Paulo. Devido uma fase mais leve e de restrição hoje, tenho ido com frequência ao Noris, da nutricionista Honorina Paes Landim, e um dos meus pratos preferidos da casa é frango grelhado com crosta de gergelim, acompanhado de purê de abóbora, arroz integral e legumes cozidos”, contou Rivanildo Feitosa.

Já no Coco Bambu, onde também sempre vou, adoro muito a Carne de Sol Lampião (prato desenvolvido pela Jany Freitas, e para mim um dos mais saborosos da rede). O prato vem acompanhado de baião de dois e macaxeira. É uma das mais saborosas e suculentas de Teresina. Em breve apresento um pouco mais dessa paixão no livro Roteiro de Cinema e Gastronomia, um produto da Mostra Therecine.

Projeto transforma geladeiras em bibliotecas e incentiva a circulação de livros nos parques de Teresina
A leitura e a sustentabilidade se encontram no projeto Geladeira Literária, iniciativa da Secretaria Municipal do Meio Ambiente que transforma geladeiras adesivadas em pequenas bibliotecas de acesso livre nos parques de Teresina. A proposta incentiva a circulação de livros, o compartilhamento de conhecimento e o reaproveitamento de materiais, aproximando a leitura dos espaços públicos. Nesta quinta-feira (05/11), pela manhã, o projeto será inaugurado no Parque Matias Matos, localizado no bairro Mocambinho, ampliando sua presença na capital.

A iniciativa nasceu dentro da própria secretaria, com o projeto Ciranda de Livros, que estimulava os servidores a compartilhar obras que já tinham em casa. A experiência foi ampliada para os parques administrados pelo órgão e já chegou ao Parque Encontro dos Rios e ao Parque da Macaúba. “A ideia é que as pessoas levem um livro para casa e deixem outro no lugar, para que essa leitura continue circulando. É uma forma de dar uma nova utilidade a livros que muitas vezes estão parados, além de incentivar o hábito da leitura e trabalhar a sustentabilidade”, explica Naisis Castelo Branco, educadora ambiental e gerente do Núcleo de Educação Ambiental da Secretaria Municipal do Meio Ambiente ao Boletim Brio.

A Geladeira Literária propõe uma relação de troca entre os frequentadores dos parques, fazendo da leitura uma experiência compartilhada e acessível. A expectativa é que a iniciativa alcance outros espaços públicos da cidade, fortalecendo o encontro entre educação ambiental, cidadania e cultura.
Mais iniciativas artísticas em Teresina, por favor
De 4 a 8 de novembro, Teresina recebe a 12ª edição do Festival de Dança e Contemporaneidade, com 12 espetáculos, artistas do Piauí e de outros países, oficinas, palestras e intervenções urbanas. A programação é gratuita e reúne trabalhos como Underground, da companhia francesa L’œil libre, SUKASA, de Josivan Luzes, e Chama Chama Chama, de Josefa Pereira. Uma oportunidade de conhecer novas linguagens, experimentar outros olhares sobre a dança e se aproximar da produção artística.

A proposta vai além dos palcos e também convida o público a experimentar a cidade como espaço de expressão artística. No domingo, 8 de novembro, às 10h, acontece o Tour do Corpo e Cultura, em parceria com o Tempo e Cultura. A caminhada começa no Teatro de Arena, na Praça da Bandeira, e segue até a Praça Pedro II, com intervenções das artistas piauienses Sammya Tamires, Bebel Frota e Alícia Nascimento.
“Vamos fazer o tour Corpo e Cultura, em parceria com o Tempo e Cultura. Vamos trazer a cidade também como uma programação artística. Nesse passeio vão acontecer algumas intervenções de trabalhos que já estiveram pelo Junta em edições anteriores. Esses trabalhos retornam como parte desse passeio artístico, cultural, arquitetônico”, explica Janaína Lobo, uma das curadoras do festival.

A cultura é parte daquilo que dá sentido à cidade, constrói memória e alarga horizontes. Teresina ainda é carente de eventos culturais gratuitos, quando comparada com outras capitais. Talvez uma das medidas mais interessantes do desenvolvimento de uma cidade seja justamente aquilo que ela permite aos seus habitantes experimentar para além das necessidades imediatas da vida.




