Boletim 19/02/25

Charles da Silveira pede exoneração e Francisco Pádua assume FMS

O prefeito de Teresina, Sílvio Mendes (União Brasil), confirmou nessa quarta-feira, 19, à colunista, que Charles da Silveira deixou a presidência da Fundação Municipal de Saúde (FMS). Colunista: “Prefeito, recebi a informação de que o professor Charles pediu exoneração, procede? (às 10h52). Resposta de Sílvio: “Sim. Assumiu o Francisco Pádua, que já foi presidente das gestões Firmino e minha” (às 11h09, via Whatsapp). Essa é a informação. Abaixo, a análise, como é de praxe desse boletim.

Charles da Silveira e Sílvio Mendes/ Foto: PMT

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Pano de Fundo

Integrantes do segundo escalão FMS já haviam dito à fontes da colunista que “poderiam não ficar” na pasta. Consideravam que o clima tinha mudado nas últimas semanas por lá. O equilíbrio de poder do terceiro ano de gestão de Sílvio Mendes começou a favor de Charles, visto pelos pares como “homem de confiança” de Sílvio. Hoje, pende hoje a favor do secretário de Governo, Jeová Alencar (Republicanos), que começou o ano numa posição percebida como recuada e discreta (adjetivos pouco usados para descrever Jeová, aliás).

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Do meu ponto de vista

Um gestor das antigas, que hoje integra posição de poder no Palácio da Cidade, explica sua visão, em off, claro, sobre o contexto da situação: “A expetativa era de que o Jeová não fosse homem de confiança do Sílvio e quando se viu, foi o contrário. Todo mundo ficou surpreso. Ele (Jeová) conquistou o coração do chefe e é homem de confiança, a gente vê assim. O Charles era aquele anteparo, colocaram ele na Saúde, mas o melhor lugar pra ele era o Governo…”. Bom, daí o leitor reflita e tire suas próprias conclusões.

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Deus nos acuda

Na Câmara de Teresina, o clima foi caótico nessa quarta-feira de manhã. Vereadores tentando ligar para Charles da Silveira para demovê-lo da ideia (a colunista também ligou, mas era para apurar informação) e outros já se colocando em guerra frontal contra quem, na cabeça deles, tinha feito Charles sair. Nada disso deu resultado. Aconteceu. Charles foi duro, Sílvio foi rápido. O jogo mudou.

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Não adianta inflar a base 

Ainda no assunto Prefeitura, mas entrando na seara do Legislativo, um vereador da base de Sílvio Mendes defendeu aos ouvidos da colunista, uma “base enxuta”. Ele explica: “Melhor ajeitar 16, 17, 18 vereadores, que sejam 100% fiéis, do que ter uma base de 25 nomes… não adianta ajudar esse povo do PT, na hora do pega pra capa eles vão tá com quem?”. Ihhh, alguém chuta a resposta?

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E se o Santana fosse pra Segov? E o Pedro pra Semarh?

Mudando de assunto, tem gente cogitando (e a colunista ouviu diretamente de um secretário estadual) que o ex-deputado Zé Santana (PT) pudesse ir para a secretaria estadual de Governo e Marcelo Nolleto para o lugar de Pedro Rocha, como secretário-chefe do gabinete do governador Rafael Fonteles. Pedro então subiria para a Secretaria estadual de Meio Ambiente (Semarh), ficando no lugar de Daniel Oliveira (que vai para o Turismo).

Pedro é hoje uma espécie de número 2 de Nolleto, um “resolvedor” do maquinário político do Governo. A especulação de ontem era diferente (volte um boletim e leia aqui): Zé Santana na Semarh na cadeira de Daniel. A urgência para resolver o problema de onde vai ficar Santana tem motivo: por uma questão jurídica, a permanência do ex-deputado como diretor na Agespisa é incerta.

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Nolleto cada vez mais forte

“Vejo esse arranjo como pouco harmônico perante os deputados federais, enciumaria muito colocar o Santana lá (na Segov)”, ponderou um gestor estadual, em reserva. Outro gestor, que não economizou nas hipérboles, disse que a chance de Santana na Segov era “menos mil”. Prova dos nove: a colunista checou com não uma, mas três fontes que costumam saber do que acontece. Da apuração, fica uma conclusão, dita por um outro secretário e que parece ser o ponto final do telefone sem fio: “O Marcelo (Nolleto) não vai cair, está mais forte do que nunca”. 

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Perguntas de graça

  1. Só uma dúvida: Se o deputado federal Jadyel Alencar (Republicanos) for para o PSD, junto com o deputado estadual Georgiano Neto (MDB), e os federais Castro Neto e Marcos Aurélio Sampaio (ambos do PSD), essa não é uma chapa pesadíssima, e praticamente sem cauda… como vai eleger quatro? 
  2. Outra pergunta rapidinho: o ex-deputado Fábio Abreu (Podemos), o deputado Franzé Silva (PT) e o ex-governador Wilson Martins (PT), topariam se dividir entre PT e PSD? Se eles se consideram “um por um” em termos de voto e ninguém quer ser escada… Os três unidos, definem o jogo?

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Alguém sabe a resposta?

“O Fábio Abreu não tem pra onde correr se não tiver chapinha (terceira chapa) porque no PT não cabe mais pela quantidade de homens, então tem que ir pro PSD. A turma está contando com Wilson Martins no PT. Só quem tem voto no Piauí na base do Governo são 12 pessoas, incluindo Franzé, Fábio Abreu, Zé Santana e Wilson Martins. Tem que ouvir eles. Vão ficar juntos?”, enfatizou um parlamentar que costuma entender de voto, ao boletim. E agora, leitor? Para fazer estratégia é bom combinar com os russos antes?

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Cifrada do Ele ou Eu

Em um reino muito, muito distante, dois cavaleiros travavam uma luta pela preferência do sábio rei. O mais velho e leal, sempre olhou com desconfiança o novo e audacioso aliado, em quem depositava uma significativa nuvem de questões obscuras. A coisa se desenrolava lentamente, até que um dos cavaleiros adentrou na busca de informação dos terceirizados de uma área do castelo sob a chefia do velho cavaleiro. Para completar, ata de manutenção predial do Sul do castelo, também estava sendo questionada. Em um rompante, o cavaleiro sênior disse mais ou menos: “Ou ele ou eu”. Foi ele. Todos no reino estão em choque com o desfecho.

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Se conselho fosse bom

Se você não é o líder, não deve se preocupar com a defesa: cuide do ataque. Só o líder defende. Isso é uma regra básica da guerra. E quem é o líder? O líder é quem as pessoas percebem (atenção aqui) que lidera. Não se chega ao topo por meio da “força de vontade” e do pensamento positivo. Tentar “com vontade” não é o segredo do sucesso. Nunca se engane. É sempre mais seguro cobrir demais uma área do que de menos. Nada contra quem “vive e deixa viver”, mas não há espaço para isso numa guerra. Por fim, nunca subestime os perdedores. A II Guerra Mundial foi iniciada pela Alemanha, a perdedora da I Guerra.

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Foto do dia

A respeito do boletim de ontem (clique aqui e volte um dia) com os bastidores da reunião do governador Rafael Fonteles (PT) com a cúpula do MDB e PSD, um cirista (defensor do senador Ciro Nogueira, do Progressistas), respondeu a colunista. O homem ficou meio chateado: “Tem gente do Governo, que jura de pés juntos pela família que não vota em candidato X do Governo ao Senado… Tem uma guerra civil aí irreversível e pronto e acabou. E o Governo tem que preocupar com a eleição deles. Pro Senado, com toda humildade do mundo, acho um caminho altamente sem volta (a favor de Ciro) e nenhum, nem Marcelo (Castro), nem Júlio (César) batem o acordo dos recursos que vamos trazer para as lideranças, tudo na legalidade, obviamente”. Registro feito. 

Só para contextualizar, o textão veio por conta dos cálculos da base aliada de que podem eleger Marcelo e Júlio ao Senado, provocando até mesmo a desistência de Ciro Nogueira na disputa de senador na cadeira da oposição.  

Foto: Suyane Mesquisa / Ascom

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A frase para pensar

“A vida é difícil. Para estar em paz consigo mesmo, deve-se dizer a verdade. Para estar em paz com seu próximo, é necessário mentir”, Adolfo Bioy Casares (1914-1999), escritor argentino.

Sávia Barreto

Sávia Barreto, jornalista, fundadora e diretora-geral do Boletim Brio. Mestra em Comunicação, pesquisou Análise de Discursos e Eleições na Universidade Federal do Piauí. Cursou Doutorado em Políticas Públicas (Ufpi), estudando desigualdade de gênero. Graduada em Comunicação Social na Universidade Estadual do Piauí. Estudou Ciências Sociais (Ufpi). Tem MBA em Comunicação Política e Sociedade pela ESPM, São Paulo. Integra o grupo de estudos “Estratégia, Dados e Soberania” na UNB e é diretora de Comunicação Estratégica da ONG “Fórum para Tecnologia Estratégica dos Brics”, em Brasília, onde reside. Com 17 anos de experiência em redações do Piauí, trabalhou nos últimos dois anos como comentarista e colunista de política em Brasília. Trabalha com consultoria em branding e gerenciamento de reputação digital na Brio Comunicação Estratégica.
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