A estudante universitária Micaela Carolina Rodrigues, de 23 anos, morreu em um acidente enquanto atravessava, de mototáxi de aplicativo, a Ponte Metálica, que liga Teresina a Timon. Segundo relato de familiares, ela seguia para uma entrevista de emprego. A informação é triste e sensível. A juventude, estudo, trabalho e morte se encontram em poucas linhas, colidindo com a brutalidade da interrupção de uma vida de maneira precoce e injusta.
Pode ser que não tenhamos informações suficientes para traçar um perfil de quem Micaela era, seus sonhos, como era a rotina de estudos, os momentos mais felizes de sua vida. Mas temos dados suficientes para analisar a complexidade de uma perda que acontece dessa forma. O episódio coloca diante de quem o acompanha a fragilidade da vida na luta por oportunidades básicas. O fato de ser universitária e estar em busca de emprego representa um investimento pessoal, familiar e social. Quando uma jovem morre assim, partem junto expectativas e se instala, ao redor, mais medo e descrença no futuro de outras pessoas que vivem a mesma realidade.
O mototáxi, nesse contexto, é visto, por muitos como uma escolha arriscada de deslocamento. Em cidades como São Paulo, por exemplo, esse tipo de transporte pago foi proibido. Mas, em um estado com a realidade social do Piauí, para milhares de pessoas, ele é o meio possível e rápido de deslocamento. Em Teresina, onde o transporte público é insuficiente há anos, por sucessivas negligências de diferentes atores políticos, a motocicleta tornou-se a alternativa cotidiana para estudar, trabalhar e sobreviver. Há quem precise ter o nome de boas escolas no currículo, ser fluente em inglês e ter networking para conseguir avançar na vida. E há quem, além de tudo isso, também precisa colocar a própria vida em risco ao se deslocar de um ponto ao outro.
Segundo informações divulgadas pela imprensa, Micaela usava capacete e, ainda assim, teve morte imediata. A perícia esteve no local e deverá apontar as causas do acidente. No entanto, relatos de outros motociclistas que trafegavam pela ponte no momento e que circulam rotineiramente pelo local chamam atenção para o perigo no trecho, durante períodos de chuva, pois a pista se torna escorregadia, aumentando o risco de quedas. Um grupo de motoqueiros afirma que, após a manutenção realizada, a tinta aplicada na ponte agravou a situação e pede a retirada. São relatos que não substituem laudos técnicos, mas também, são queixas conhecidas, reiteradas, que agora voltam ao centro do debate diante de uma perda irreparável.




