Sinais de Margarete para Wellington Dias geram resistência em núcleo bolsonarista
Imagine que você está em Brasília. Sim, você acordou ministro do Governo Lula, numa pasta com orçamento gigante e seus inimigos estão às suas costas, mas também do seu lado. É difícil dormir com esse barulho. No seu partido, querem tomar seu ministério, no Centrão, idem. As preocupações são colossais. No meio disso, você vai ter tempo para se preocupar em… apoiar por debaixo dos panos a candidata da oposição no seu estado para a eleição que acontece daqui há dois anos? Não parece crível, mas a política tem dessas coisas. Vamos puxar esse fio. Passe seu café e fique por aqui, leitor.

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Quem apostar contra, perde
A política é um jogo de manter expectativas e alimentar incertezas. Mas cabe não exagerar na dose. Um petista próximo ao núcleo do ministro do Desenvolvimento Social, Wellington Dias (PT), respondeu ao boletim: “Não vejo a menor possibilidade (de Wellington estar, extraoficialmente, com Margarete Coelho, do Progressistas, na eleição de 26, como páginas ligadas à direita têm especulado). Quem apostar que estaremos divididos em 26, vai perder. Mesmo tendo algumas dificuldades, estaremos juntos”.
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Tudo tem limite!
Todos os agentes que fazem parte de um campo político estão constantemente numa relação de (luta) de forças e oposições. Assim, não satisfeita, vamos mais à frente, dessa vez, com a resposta de um experiente político, em tom um pouco mais crítico: “Ninguém quer briga com o Rafael (Fonteles) e menos ainda com o PT… os sapos serão engolidos. Mas tudo tem limites. Se quando precisam de apoio não estão nem aí para a gente, imagine depois!”, pontuou o sagaz político governista, deixando antever que os descontentamentos existem, sim, ora!

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Te mando um sinal
Da parte da oposição, é visto que a pré-candidata a governadora Margarete Coelho manda sinais velados para Wellington Dias. Já disse em entrevistas que o ministro é cortês e sempre a ouviu, “ao contrário de Rafael”. Curte, inclusive, postagens do ministro nas redes sociais, afinal, ela foi vice dele, nada demais…
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“Ela não é oposição de verdade!”
Mas, no núcleo oposicionista, há um problema de fundo: “Acho difícil a Margarete conseguir apoio dos bolsonaristas raiz, se fica nessa história com o Wellington. E ela está no Sebrae, né? Por que ela não critica o Governo Lula? Porque tem a chancela do Governo Federal para estar no cargo que ela ocupa!”, criticou um oposicionista do lado (teoricamente) de Margarete, Ciro Nogueira e companhia. Fogo amigo tem para todo lado, como se nota acima.
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A turma da intriga não dorme
E tanta história surge de onde, que mal me pergunte – já que tem gente do próprio PT levantando essa bola? Um informante de Brasília tem uma hipótese: “Eu vejo mais como uma intenção de criar uma intriga entre ele (Wellington Dias) e o Rafael. E acaba que nessa intenção tem gente de todo lado”. E Wellington Dias, no meio desse fogo (cruzado e amigo)? “Está bem, se mantém no cargo e recebendo cada vez mais demandas do presidente Lula”.
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“Vou colar o nome dele no Lula para puxar (para baixo)”
“O negócio é colar o Rafael (Fonteles) no Lula. Agora a estratégia mudou”, confidenciou uma fonte oposicionista à colunista sobre qual vai ser o mote da campanha em 2026. Relembrando: em 2022, Rafael era secretário estadual de Fazenda, e se tornou conhecido do grande público com o Pró-Piauí, programa de obras que coordenou na gestão Wellington Dias (PT) e com a junção de sua imagem à de um popular cabo eleitoral, o presidente Lula.

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O presidente vai ser de direita e vai puxar o governador
Com Lula em situação de queda progressiva de popularidade, incluindo no Nordeste, o que a oposição aposta é muito simples, leitor: num candidato nacional de direita que puxe o candidato local ao Governo (o que Lula fez com Rafael) ao mesmo tempo em que o presidente ancore para baixo a popularidade do governador petista. Aposta certa, errada? O tempo dirá. Os dados estão lançados e rodando no ar.
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Ciro e o anel do sono
Ah, o anel que o senador Ciro Nogueira (Progressistas) usa no dedo parece de tucum (parece!) mas não é (volte uma coluna). Trata-se de um anel inteligente da Samsung. O leitor pode adquirir pela módica quantia de R$ 3.499 à vista ou dividido em 18 vezes. Ele usa sensores para medir temperatura do corpo e batimentos cardíacos, acompanhando a qualidade do sono e exercícios.

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Pulsação da Superfederação
O anel deve ter registrado um aumento dos batimentos do senador na noite de ontem, quando foi anunciado, enfim, os encaminhamentos para a futura federação do Progressistas com o União Brasil. A superfederação, se confirmada, será a maior bancada da Câmara dos Deputados e já recebe algumas críticas, como a de que pode causar um desequilíbrio financeiro na disputa eleitoral de 2026 com outras siglas. Já no Piauí, como o União Brasil está no rol de influência do PP, nada muda.

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Vou proibir esse negócio
E não é que o deputado federal Marcos Aurélio Sampaio (PSD) propôs um Projeto de Lei para tornar crime o “grau” (manobras de moto arriscadas) realizadas durante os tais “rolezinhos”? Segundo ele, as práticas ferem o Código de Trânsito Brasileiro. “É inadmissível acompanharmos ‘rachas’ em vias públicas e vermos essas ações serem organizadas e anunciadas nas redes sociais. Práticas que defendemos que também sejam criminalizadas”. Em tempo: Marcos Aurélio é apoiado politicamente pelo delegado Matheus Zanatta, que está a frente das ações de combate aos rolezinhos no Piauí.

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Fim da novela dos precatórios?
O estica e puxa entre o Governo do Estado e o Judiciário piauiense a respeito do pagamento dos precatórios (leia aqui o contexto) promete alguma solução para essa semana. Entendidos nos temas jurídicos informam à coluna acreditar que o caminho do meio é sempre a melhor saída e as coisas podem ser resolvidas localmente mesmo. Nem oito nem oitenta?

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Se conselho fosse bom
A maioria das pessoas está desesperada para ser aprovada. Elas esquecem que o que move a agulha não é o quanto as pessoas gostam de você e sim o quanto lhe respeitam. Ninguém fica impressionado com as coisas que você se acha capaz de fazer – esse é o seu potencial, uma mera promessa. As pessoas só se importam com o que você realiza: fale menos do que você almeja e mostre mais do que você fez.
Claro, nada disso importa se você não se respeita o suficiente para afastar-se de pessoas e situações que não estejam à sua altura. Falta de auto-respeito cheira a sangue e atrai predadores. Não se exige respeito. Ele é conquistado através da competência, controle e uma dose de medo. Se eles não te respeitam, é porque você não deu nenhuma razão para isso. O problema está em você.
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Cifrada dos Mercadores de Juros
Em um reino de alto capital de giro, é preciso honrar os compromissos. O problema é que inflação e outras dificuldades financeiras de ordens diversas, podem atingir até os maiores gregos e troianos. Dessa forma, busca-se aquela mãozinha com os mercadores extra-oficiais, que emprestam a juros reais. E se os mercadores pegam, eles próprios, as moedas com outros mercadores, aqueles das siglas proibidas? E se há um fio que une cavaleiros, mercadores do tipo A e mercadores do lado negro da força? Se puxarem esse fio, vai dar onde? “Ou esse povo acaba preso, ou acaba morto, sei não”, aposta um observador das estripulias do reino. Será?
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Foto do dia

A humilde cronista quis saber de um vereador em que ia dar a Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) que vai investigar os serviços da Águas de Teresina na capital: “Não vai dar em nada”, respondeu, super sincero (até demais!). Mas por quê? “CPI investiga crime, qual crime tem lá? A única coisa que vejo que era errada era a taxa de cobrança de ligação de esgoto, mas a Prefeitura teoricamente legalizou quando fez o acordo pra ligar num prazo…”.
Para ser mais preciso, abriram a CPI então com qual intuito? “A gente ficar calado é muito ruim pra gente. A direita não consegue aprovar uma CPI sozinha, o relator é do PT, isso, mata o viés ideológico”. Compreendido. Seria uma forma de também pressionar o prefeito Sílvio Mendes em relação a Câmara (nesse tema, não faltam interessados)? “Todo mundo (vereadores) está insatisfeito com ele. A Prefeitura demonstrou não querer uma CPI, então…”. Deu para entender ou o leitor prefere a nota em formato de desenho?
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A frase para pensar
“Nunca chegará ao topo da política inglesa”, Lord Asquith (1852-1928), ex-primeiro ministro inglês, em 1908, opinando sobre Winston Churchill, que chegou ao topo da política inglesa.





