Os bastidores do motim na base aliada que planeja a retirada da candidatura de Júlio César ao Senado
Pegando a estrada (área) hoje, mas tenho tempo para uma atualização quente sobre as notícias que moverão a política piauiense amanhã (nada contra o passado, mas aqui preferimos estar um passo, pequenino que seja, adiante):
Se depender de um grupo poderoso de verdade, o senador Marcelo Castro (MDB) terá um novo companheiro de chapa para o Senado na eleição de 2026. Sem blefes, dessa vez. Pós-Semana Santa, insurge-se uma mini-rebelião na base aliada do governador Rafael Fonteles (PT), com potencial para escalar ainda mais a tensão entre os grupos do PT, MDB, Solidariedade e Republicanos de um lado, e PSD (leia-se o deputado estadual Georgiano Neto e o pai, deputado federal Júlio César), do outro. Vamos esquadrinhar o campo minado a seguir.

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Não vamos deixar o Ciro ganhar
Como um quebra-cabeças, o boletim tem juntado as peças e apresenta ao leitor o enigma quase resolvido: figuras do alto escalão querem, sem estardalhaço, tirar mesmo Júlio César da chapa de senador. Motivos? Alguns, mas vamos citar só um deles, digamos que o principal:
“Em várias cidades, o Georgiano pegou um caba e colocou para ser candidato contra um nome da base que podia ser candidato único. Agora, esses prefeitos não querem votar no Júlio e temos que botar quem ganhe. Vamos eleger o governador, fazer 27 deputados estaduais e oito federais. Não vamos deixar o Ciro (Nogueira), que é bolsonarista doente, levar esse negócio! A ideia é abrir o jogo com Júlio e escolher outro candidato a senador”, destacou, em off, ao boletim um interlocutor, com o pé em Brasília.
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Diz uma coisa e faz outra?
Sem querer ser advogada do diabo (metaforicamente), mas o deputado Georgiano Neto não fez, recentemente, públicos gestos de aproximação com diversos políticos como os deputados federais Jadyel Alencar (Republicanos), Merlong Solano (PT) e o deputado estadual Evaldo Gomes (SDD), com quem teve conflitos por conta de bases no interior? O povo só finge que perdoa?
“Ele diz uma coisa num dia e no outro faz outra coisa. Vamos ter que atingir o pai dele. Tem sim uma mínima chance de mudar o candidato ao Senado. O Flávio (Nogueira, deputado federal do PT) nunca teve declaração de apoio forte, foi lançado timidamente, podemos intensificar o Flávio e queimar o Júlio e o Georgiano!”, revelou, num alto nível de sinceridade, um parlamentar por dentro das conversas mais secretas sobre o tema.

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Banquete de consequências
O romancista Robert Louis Stevenso não sabia nada sobre política piauiense quando escreveu que “mais cedo ou mais tarde, todos nós nos sentamos para um banquete de consequências”. Em cidades como Barreiras e São João da Canabrava, por exemplo, prefeitos governistas se ressentem do apoio dado a Georgiano em palanques adversários. Dessa forma, querem dar o troco, criando assim um mapa de micro-resistências explosivas ao voto fechado na chapa Júlio e Marcelo – o que favorece Ciro Nogueira do outro lado, claro.

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Região dos Cocais, ou Faixa de Gaza
O pano de fundo do fogo cruzado com o PSD dentro da base tem nome e sobrenome: região dos Cocais, a mais importante depois de Picos. Mas, ao contrário de Picos, que tem pelo menos cinco deputados eleitos sem brigas (Severo Eulalio, Pablo Santos, Nerinho, Aldo Gil, Thales Coelho) , nos Cocais o buraco é beemm mais embaixo.
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O problema são os irmãos Capote?
“De deputado, tem o Francisco Limma, de São João do Arraial; Janaína Marques em Luzilandia; Esperantina é o vice Themístocles Filho e a esposa Ivanaria Sampaio e em Barras o Edilson e o Wilson Capote. E ainda tem Piripiri, pois a Jôve Oliveira é do time dos Flávios (Nogueira)”, relatou um conhecedor profundo dos rincões piauienses sobre os Cocais. E aí, qual é o problema? “O problema é que todo mundo acha que toda investida do Capote para eleger o irmão deputado no PSD é do Georgiano”. Ahhh…

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Ensinando a ser majoritário
Política é assim: você sabe o que quer alcançar, mas também precisa constantemente responder ao que os outros estão fazendo com você. Coloque desta forma: a tensão Georgiano Neto/Júlio César e aliados do governador Rafael Fonteles é o que a coluna enxerga como uma pedagogia de transição de uma campanha de proporcional de deputado estadual e federal (predatória) para majoritária, ao Senado (conciliatória).
“É aquele aluno que não sabe se comportar aluno e recebe suspensão”, comparou um político de ordem superior sobre Georgiano Neto. Que mal me pergunte, com quantas suspensões vale uma expulsão mesmo?
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Estão empurrando pra fora mesmo?
Conforme é de conhecimento do Piauí e duma banda do Distrito Federal, medo de dar nome aos bois passou longe do boletim. Dessa forma, uma pergunta ingênua da humilde cronista: estão querendo mesmo empurrar o Georgiano e grupo para a oposição? Resposta de um emedebista: “Mas ele já está sendo oposição de vários prefeitos da base…”. Ihh gente!
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Por que ao invés de bater no Júlio vocês não se preocupam com o Ciro?
Já um filiado importante do PSD, defende o grupo, obviamente, e acha que estão passando do ponto na base. “Ficaram de pescoço grosso, né? O Ciro Nogueira (senador do PP) bate no Lula todo dia e o dinheiro que ele conta pra liberar pros prefeitos é dinheiro federal. Eu não entendo, ninguém entende…”, ponderou o aliado de Georgiano Neto.

Deixando o conteúdo dessas observações à parte, o político do PSD também disse ter uma pergunta pertinente a fazer: “Quem está por trás disso? Se é o X (senador) insuflando o Y (deputado federal) pra prejudicar o Rafael Fonteles? O Z (deputado do PT cotado para disputar o Senado) esteve lá com o Ciro várias vezes também…”. Boa pergunta!
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Ventos da capital federal
Enquanto parte do mundo político e da opinião pública ainda podem ser crédulos o suficiente para acreditar na separação entre política nacional e local, jogadores mais obstinados olharão para os movimentos do senador Ciro Nogueira (mais ativos contra o governo petista em plano nacional) e concluirão que pode ser um início de reação na base aliada no Piauí.
Reação não do Governo estadual, pois o governador Rafael Fonteles evita qualquer conflito público com Ciro, mesmo em campos totalmente opostos. Mas com o vento mudando em Brasília, talvez seja do interesse do Governo Federal tentar tirar para valer a cadeira de Ciro no estado. Talvez…
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O inimigo é quem mesmo?
Em eleição, a velocidade é crítica. Não se trata apenas sobre direção – o que você quer alcançar. Mas quando se está vivendo uma pré-campanha, a velocidade se torna a coisa esmagadora. Há tempo de trocar a chapa de senador? O trabalho de conquista de liderança de Georgiano Neto e companhia é tão grave assim que a própria base precisa se desgastar em tantas críticas públicas a um aliado?
O inimigo (figurativamente falando) é mesmo Júlio César? Ou não seria melhor, sei lá, que o grupo governista conseguisse desenhar uma estratégia minimamente coordenada para tentar tomar a cadeira do senador Ciro Nogueira, que está cada vez mais e mais um oposicionista ferrenho do Governo Lula?
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Vai dar em nada com coisa nenhuma
A colunista resolveu ouvir um interlocutor com força governista sobre o “motim” na base. Vai dar em que mesmo? “Nada. Não vai pra lugar nenhum (mudança de candidato ao Senado), não vai mudar nada, o problema continua o mesmo, não é um fato novo é uma escalada no ‘problema Georgiano’. Ele é o maior problema do Júlio (César) e ao mesmo tempo é o responsável por enfraquecer o pai”.

A pergunta que não quer calar, dita com os dois centavos de colaboração do político ouvido em reserva: “Eles (PSD) montaram um time forte, mas não é forte suficiente para ganhar uma majoritária?”. Alguém sabe a resposta, por obséquio?1
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Matemática Avançada Euclidiana
Aos desavisados e iludidos, é bom lembrar que uma chapa de federal precisa dos 400 mil votos para fazer dois deputados direto. E para lançar uma chapa de federal não tem que ter pelo menos um candidato com potencial de 50 mil votos? E para fazer um federal tem que ter coeficiente cheio de 250 mil votos, ou seja, 100%. Enquanto apenas o segundo candidato eleitor pode ser feito com sobra (na eleição passada foram 196 mil votos). Dá para brincar de muita coisa, mas brincar de “chapa de deputado federal”, é um pouco mais complexo…

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Para ler, ver e ouvir
Dirigido por Alex Garland – o mesmo diretor de “Guerra Civil” (com Wagner Moura) – o filme “Tempo de guerra” (nos cinemas) é uma experiência imersiva interessante: som e as imagens são intensos e o espectador se vê absorto naquele mar de sangue, tiros e violência sem sentido. Mostram-se militares norte-americanos sendo violentamente atacados em uma casa em Ramadi, no meio da guerra do Iraque (a situação aconteceu de verdade).
O diretor é conhecido por ser anti-guerra, deixando a porta aberta para o público repudiar a insensatez bélica. Como o co-diretor, Ray Mendonza, é um ex-fuzileiro naval do exército americano, pode-se concluir o contrário: há sentido na violência como resistência e meio para um propósito maior, valendo-se da máxima de companheirismo de que “ninguém fica para trás”. Nota da colunista: no fim, são apenas garotos, numa batalha que eles (e nem nós) sabemos o motivo.

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Se conselho fosse bom
Se você acha que pessoas talentosas são arrogantes, espere até conhecer os fracassados. Quanto maior a insegurança, maior a necessidade que eles têm de menosprezar os outros. Quem não está no seu nível, sempre o verá como arrogante. Se você tem ética de trabalho, algum dom natural e teve alguma sorte, sempre precisará lidar com a inveja. Esse é um fato simples da vida: qualquer coisa que o faça se destacar dos demais, resultará em incompreensão, críticas e até ódio gratuito. Almeje se tornar aquele que não se sente ameaçado, não fica na defensiva, não compete com ninguém e está focado na própria vida.
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Cifrada do Conclave Acelerado
Na Távola Redonda, quatro dos 29 cavaleiros buscam um lugar ao Sol na próxima troca de guarda, marcada para daqui a menos de dois eclipses. Um deles, “Acelerado”, corre rápido e chama atenção, mas tem resistências em ala do Palácio Real: “É um analfabeto e o pior é que não tenta aprender”, disse, duríssimo, um Cavaleiro Sênior, que é ouvido na mesa de decisões. Ah, Sênior é arquirrival de Audaz, que apoia Acelerado, por isso o gosto ruim.
Os outros adversários são: Como Quieto, Guerrilheiro e Cabelo de Fogo. Os quatro já estão pedindo votos e apoios das cúpulas superiores em Roma. A pergunta que não quer calar: o atual rei já foi chamado para opinar? Ele está sabendo que estão tentando antecipar o conclave? Quando a caneta tem tinta, é bom pisar o pé no freio?
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Foto do dia
É interessante acompanhar o debate que acontece na hoje na Comissão de Segurança Pública e Combate ao Crime Organizado da Assembleia Legislativa sobre projetos de lei que integram o programa “Pacto Pela Ordem”. Em que pese o fato do Governo ter ampla maioria na Casa, a oposição ainda assim faz críticas duras, como as vocalizadas pelo deputado Gessivaldo Isaías (Republicanos) alegando a inconstitucionalidade do pacote.

O secretário de Segurança, Chico Lucas, aliás, participa da discussão. “Acredito que essa discussão vai dar mais celeridade ao processo legislativo. Estamos tratando de ações que impactam diretamente na reorganização da política de segurança pública do nosso estado”, defendeu o líder do Governo, Dr. Vinícius (PT), que tem a missão de costurar a aprovação das medidas que são importantes para esse ano na pauta do Governo.
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A frase para pensar
“Os críticos são homens que assistem a uma batalha de um lugar alto e depois descem e atiram nos sobreviventes”, Ernest Hemingway (1899-1961), escritor norte-americano.
- Irei escrever sobre isso separadamente, em uma nova coluna, porque é um tópico que acho profundamente interessante: a política de não-enfrentamento dos conflitos no Piauí ↩︎





