Três grupos políticos disputando e 1 bilhão de questões sobre a licitação do lixo em Teresina 

Boletim 25/06/25

Chega de confusão, acabaram as brigas! A colunista resolveu atuar pela paz no mundo (não entre Irã e Israel, também não é pra tanto!) e vai falar, portanto, de um assunto tranquilo: licitação do lixo em Teresina (concessão por dez anos para coleta e aterro).

“São players políticos muito fortes por de trás dessas empresas. Possuem uma força política e financeira grandes!”, alertou um interlocutor da coluna, frequentador de salas geladas, sobre o tema. Ok, entendi, vamos em frente mesmo assim. Entrem rápido no caminhão, leitores. Prontos para o passeio?

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Toda essa confusão só por causa de R$ 1 bilhão?

Se há pelo menos 19 empresas concorrendo e 50 recursos administrativos e judiciais na licitação emergencial do lixo em Teresina é porque receber quase R$ 1 bilhão para prestar esse tipo de serviço na capital não é pouca coisa, o leitor há de concordar. Parada judicialmente, a licitação envolve fortes grupos empresariais, médios empresários e grandes políticos do Piauí e do Brasil (atenção aqui). Falemos um pouco mais disso.

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A empresa do X, do Y e do Z

Como a colunista não está a fim de ser processada esses dias, vamos escrever de maneira que as pessoas com dois ou mais neurônios consigam ligar os pontos, combinado?

De todos esses grupos empresariais, vamos destacar três:

  • A empresa X, que tem como padrinho um senador articulado e um deputado federal nacional, ambos com força até dizer “chega” em Brasília, disputa para gerir o aterro (por questões estruturais e técnicas, quase não tem concorrente).
  • O contrato para cuidar do lixo de Teresina é complexo, por isso, a empresa Y, de um ex-prefeito do interior com um irmão suplente de deputado, também atua para ser subcontratada para fazer o serviço de reciclagem no aterro sanitário da capital. Mesmo sendo de um grupo político específico, tem bons relacionamentos em todos os lados.
  • E, claro, temos a empresa Z, com um advogado e um padrinho que ninguém gosta de comprar briga por “n” motivos…

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Os defensores de acabar a licitação emergencial e fazer a definitiva 

Os dados estão sendo jogados, eles estão ar nesse exato momento. Figuras relevantes ouvidas pelo boletim no ramo da administração e das contas públicas apostam no seguinte, quando enfim os dados caírem no chão: 

“A licitação emergencial está parada com problema na análise de proposta. É um jogo de tempo. Tem gente que defende acabar essa história de emergencial porque qualquer emergencial dá margem para outras entrarem (com recurso judicial). Então, a história mais forte do momento é que se abra um edital para uma licitação, normal e encerrou papo, mesmo que demore dois meses, 60 a 90 dias. Mas ninguém sabe o que vai ser”. Se eles não sabem, avalie nós, meros mortais!

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Vale a pena ou não vale?

Outro player, dessa vez do Palácio da Cidade, acredita que uma emergencial de seis meses tem um custo significativo: “Você coloca máquina, funcionário e depois vem outra licitação do zero e a empresa perde? Não recupera nem o investimento, não compensa”, analisa, em off

Mas, é claro, a questão é técnica e cada lado tem seus bons argumentos. Em contrapartida, os defensores da emergencial argumentam que a mudança é necessária para melhor atender os interesses deles (não os políticos, dessa vez): o sofrido povo, que precisa para ontem ter as ruas limpas como devem ser.

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Oito é demais ou oito é necessário?

Pode-se se dizer que o lixo é o principal contrato da cidade. Sendo assim, faz diferença se são seis lotes, sendo dois de coleta domiciliar e dois de aterro, além da recuperação do aterro atual, com dois lotes de capina (que costumava ser junto aos contratos anteriores). Para alguns, o serviço precisa ser dividido para, justamente, ser melhor fiscalizado. Para outros, é “inadministrável” ter, teoricamente, oito empresas operando o mesmo serviço. Sem consenso.

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Um sonho de um aterro

E o futuro? “Quase 1 bilhão de reais é um valor muito alto e Teresina é a única capital que não possui aterro próprio, mas há uma resistência para se evoluir pra esse ponto por conta dessas pressões…”, aponta um player que está por dentro dos processos e defende que o próprio Poder Público cuide do lixo.

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Você joga duro comigo e eu jogo duro com você

Por fim, mas não menos importante, há um sutil jogo de estica e puxa entre o Tribunal de Contas do Estado e o Palácio da Cidade. Fontes (mais de uma) da Corte de Contas, acreditam que uma parte da questão poderia ter sido resolvida via controle interno na administração Sílvio Mendes, sem cair no colo do TCE-PI. 

“Gerou incômodo jogar tudo no colo do TCE porque, foram 3,3 mil processos da gestão passada pra lá e 90% deve estar tudo ok porque Teresina tem estrutura administrativa que consegue fazer com que as coisas andem da forma correta com servidores efetivos. Mesmo com os problemas de gestão, a parte da burocracia continuava igual. E o TCE não podia recusar porque poderia parecer que não queria ajudar, né?”, opinou, em reserva, um observador de contas ao boletim.

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O lixo é tudo

Ora, todo mundo sabe que o município é zeladoria: manter a urbe organizada (transporte, limpeza e iluminação). “Só isso já drena os recursos da cidade. Lixo tem a ver com saúde, sanidade, tem impacto em tudo. O lixo é um tema que passou pela eleição e está envolvendo a cidade”, pontua um gestor de alto escalão sobre o grau de relevância do assunto, inclusive com impactos eleitores posteriores. Acompanharemos os desdobramentos.

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Os raimundistas, os celsistas e o incógnito

Quem não estava em Nárnia esses dias, observou que os dois grupos da OAB-PI, situação e oposição, estão reivindicando a decisão do Supremo Tribunal Federal que deu parecer favorável à vaga de desembargador do TJ-PI, para um advogado e não um promotor de Justiça (leia aqui). 

Um integrante do grupo de Celso Barros (ex-presidente) ao boletim: “8×3 e tem gente que tenta matar e ainda anuncia o milagre. Piauí, OAB, Brasil! (emoticon de risada)”. Um raimundista (apoiador do atual presidente, Raimundo Júnior), retrucou: “É engraçado. Olha a luta do RJ pra essa vaga ser dos advogados e os caras querem o crédito, impressionante!”.

Mas, por que será que o grande vencedor e, ao tudo indica, responsável pela vitória, está calado e prefere permanecer oculto? Alguém arrisca?

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Se conselho fosse bom

A lição mais importante para ter uma vida em paz, comprovada matematicamente, é a seguinte: quando conhecer alguém, o trate da melhor maneira possível. Depois, trate as pessoas como elas tratam você. Simples. É a melhor maneira de sair de empregos deprimentes e amizades falsas. É impossível manter relacionamentos profundos e significativos com centenas de pessoas, filtre. 

Não dá para cultivar uma orquídea numa pedra. Se alinhe com aqueles com quem você tem as melhores conexões em nível espiritual, intelectual e emocional. Claro, até as melhores pessoas lhe trarão algum aborrecimento e você precisa aceitar isso, afinal, ninguém é perfeito. Mas o faça conscientemente, sabendo que tempo e atenção são recursos finitos. Nunca tolere o desrespeito, tenha um pouco de dignidade.

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Cifrada do Tá Pouco

No Reino Branco, que forma chapas para o torneio quadrienal, é difícil desmanchar os grupos, mesmo com ofertas generosas aos suplentes, do time das Buchas. Motivo? Bom, segundo a mais recente fábula de Esopo, dois cavaleiros, um titular e um suplente, discutiam sobre os rumos de uma empreitada que ocorrerá no próximo Solstício de Verão…

O cavaleiro suplente reclamava que tinha sim, tudo bem, direito a 16 milhões de emendas em estalecas (a mesma quantidade dos titulares, tudo garantido pelo rei Harry Potter), mas sentia falta da estrutura do gabinete na cidadela legislativa. O titular retrucou: “Ah, não, aí você tem que se eleger, né?”. A turma está insaciável…

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Foto do dia

Vamos supor (e isso é apenas um exercício de imaginação meramente hipotético), que alguns integrantes do atual grupo da Federação de Futebol do Piauí (FFP) decida, sei lá, antecipar a eleição para a nova chapa: para meados de julho, por exemplo. O atual presidente Robert Brown poderia compor com um novo vice, e aí vem a surpresa! Um deputado estadual do MDB, ligado a dois times de futebol, um deles recentemente vencedor de um campeonato local relevante, seria candidato a vice-presidente da FFP? Hipóteses…

Mas, é claro (e essa é uma lei da Física, culpem Newton e não a colunista, por obséquio), que toda ação causa uma reação e coisa e tal. Se isso acontecer, um grupo opositor, que se articula nos bastidores com fortíssimos aliados capas pretas, poderia também fazer sua jogada, não é? 

Entrar com uma ação judicial em meados de agosto alegando prestações de contas com problemas, afinal, se procurar bem, problema é uma coisa que todo mundo tem… A colunista continua sem entender nada, nadica, de futebol. Mas a turma que entende acha que a história promete. Vem aí?

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A frase para pensar

“Eles riem de mim porque sou diferente. Eu rio deles porque são todos iguais”, atribuída a Kurt Cobain, vocalista da banda de rock Nirvana, falecido em 1994.
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Feito à mão

A charge do Rico (veja mais charges aqui) sobre os problemas do presidente Lula no Congresso:

Sávia Barreto

Sávia Barreto, jornalista, fundadora e diretora-geral do Boletim Brio. Mestra em Comunicação, pesquisou Análise de Discursos e Eleições na Universidade Federal do Piauí. Cursou Doutorado em Políticas Públicas (Ufpi), estudando desigualdade de gênero. Graduada em Comunicação Social na Universidade Estadual do Piauí. Estudou Ciências Sociais (Ufpi). Tem MBA em Comunicação Política e Sociedade pela ESPM, São Paulo. Integra o grupo de estudos “Estratégia, Dados e Soberania” na UNB e é diretora de Comunicação Estratégica da ONG “Fórum para Tecnologia Estratégica dos Brics”, em Brasília, onde reside. Com 17 anos de experiência em redações do Piauí, trabalhou nos últimos dois anos como comentarista e colunista de política em Brasília. Trabalha com consultoria em branding e gerenciamento de reputação digital na Brio Comunicação Estratégica.
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