O mundo pós-pandemia revolucionou a consciência sobre saúde através de uma adesão em massa à atividade física e a busca pela performance. Além disso, é um indicador de bem-estar psíquico e tornou-se um “status” agregado à capacidade física individual: ser “bem-sucedido” hoje também tem a ver com o esporte. É cada vez mais comum encontrar ceos triatletas, maratonistas e com rotinas fitness inegociáveis, transcendendo os marcadores etários e de gênero.
Acordar antes do sol para correr, voltar para a academia à noite para fazer um cardio, encaixar um treino entre uma reunião e outra, por que estas pessoas fazem o que fazem? A Ápice conversou com assíduos praticantes do esporte e a eles, concede a palavra.
O ex-presidente da Ordem dos Advogados do Brasil, Seccional Piauí, o advogado Norberto Campelo, de 59 anos, conta que vai à academia de ginástica quatro vezes na semana, ainda joga futebol às quartas-feiras e, na sexta-feira, vai correr no Bio Parque Zoobotânico, em Teresina. Tudo começou com recomendação médica em virtude de problemas de saúde.
“Eu observei que, com a insistência, depois de poucos meses, você começa a fazer aquilo automaticamente. Meu problema na lombar foi curado. Já estou há dois anos nessa rotina e não tive mais nenhum problema. Inclusive, retomei o futebol, que é uma coisa que eu gostava muito, mas que já não estava mais praticando. E, claro, a saúde mental melhora muito também, porque você começa a raciocinar melhor e, consequentemente, isso te dá mais disposição para o trabalho”, contou Norberto Campelo.

O exercício físico é uma espécie de “despressurizador” das rotinas. Por muito tempo e há não muito tempo, era visto como uma “banalidade” por muitos, algo que pressupõe uma “perda de tempo”, em meio há tantos compromissos, projetos profissionais e a ode a super produtividade laboral pregada socialmente. Os tempos são outros. E hoje, o sedentarismo, as descobertas da ciência sobre a relação cérebro e intestino, sobre o estresse fisiológico de um corpo inflamado, transformou as rotinas de quem parou para ouvir.
“Você se torna mais estimulado para produzir. A autoestima, também, automaticamente se eleva. É uma verdadeira revolução na vida de quem retoma as atividades físicas, faz muito bem mesmo. Eu corro seis quilômetros e num tempo bom. O principal aprendizado foi o estímulo para a vida, você passa a sentir mais prazer em tudo que faz. Essa é a sensação que eu tenho. Você amplia a sua percepção de felicidade, das coisas que você gosta de fazer. Você está disposto e capaz de realizar aquilo”, compartilhou Norberto Campelo.
QUANDO O HOBBIE VIRA NEGÓCIO
A empresária Débora Tajra sempre foi apaixonada por atividade física, mas depois da pandemia, quando perdeu 16 kgs mantendo uma rotina saudável, mudou de vida ao unir duas paixões: o esporte e o empreendedorismo. É disciplinada nos treinos de crossfit e corrida, a conferir pelo Instagram.
A imersão nesse universo foi tamanha que ela adquiriu uma loja de moda fitness trazendo ao Piauí uma franquia nacional, a Live Teresina. No momento, ela se prepara para Live Run, corrida anual da marca que acontecerá no dia 08 de junho.

“Eu não acredito que a gente vende só roupa, sabe? Acho que a gente vende é movimento. A minha filosofia de vida, o que eu acredito, é exatamente em trazer pessoas para montar suas vidas através da atividade física, do esporte. Seja fazendo corrida, seja crossfit. Eu brinco que o esporte tem que ser cada vez mais democrático, mais acolhedor. Até na corrida mesmo, eu brinco, eu digo que esse negócio de pace é bobagem, tem que estar é se movimentando, tem que estar saindo de casa. Já ganhou quem saiu de casa porque já ganhou de quem está no sofá”, pontuou a empresária Débora Tajra.
O mindset empreendedor é de disposição a riscos e desafios. É não enxergar como vai ser o futuro, mas seguir constante na jornada. O esporte é também um reforço mental para a disciplina, para suportar períodos adversos, através da percepção de “melhora” gradual, na rotina que se instala e sustenta o ritmo mesmo nos dias mais difíceis.
“Eu tenho um grupo de mulheres, Garotas Que Correm Teresina, com mais de 750 mulheres. Eu sempre gosto de dizer que eu vejo a atividade física e o empreendedorismo como duas coisas juntas. Um complementa a outro e se parecem, porque um ensina para o outro todo o tempo. Eu tenho a chave virada do meu dia, mesmo quando saio de casa meio desmotivada. Depois que eu saio do treino, eu já me sinto outra. A atividade física realmente muda a vida da pessoa porque ela muda também a mentalidade, eu sou uma grande defensora da atividade física exatamente como uma cura”, afirmou Débora Tajra.
A VIRADA DE CHAVE
A empresária, maquiadora e influenciadora, Paula Pedrosa, lembra que em um período de muita dedicação ao trabalho, negligenciou a saúde. Ela chegou a adquirir uma lesão por conta do tempo em que passou sem preparo físico. Foi essa a virada de chave para aderir de vez a um estilo de vida saudável.
Nas redes sociais, ela compartilha os desafios de manter-se constante nos treinos em meio aos compromissos como maquiadora e influenciadora digital. Publica registros começando a trabalhar às 05h e nos horários livres, mantem a disciplina nos esportes em que pratica.

“Sempre amei atividade física, minha mãe sempre foi fitness também. Então, eu sempre tive exemplo em casa. A beleza feminina é profunda e isso envolve bem-estar, qualidade de vida, felicidade, bons relacionamentos… e uma bela maquiagem! Eu amo poder descobrir isso junto com as minhas seguidoras.
Acredito que isso tenha gerado admiração e inspiração para muitas pessoas que gostam de observar verdade quando o assunto é influenciar”, declarou Paula Pedrosa.
Mais do que uma moda, a atividade física está muito mais atrelada à consciência adquirida socialmente, com ganhos de longo e curto prazo. Até porque, hoje, nem sempre o “shape” visto como belo, por si só, gera admiração das pessoas. Essa admiração está muito mais ligada à performance, à rotina saudável e sustentável, e às renúncias que o esporte exige.
A influência fitness — por influenciadores, profissionais ou não — está cada vez mais forte no Brasil, porque os praticantes documentam as suas jornadas. Sobre o “todo dia” e o “shape atlético”, não dá para mentir. Alerta, perigo: as comparações. No mais, é quase uma unanimidade dizer que o que o esporte faz de melhor pelas pessoas é torná-las mais felizes. E isso nunca sai de moda!





