Bandeira, Chico e Antônio Luiz: esses são os únicos vices na mesa de escolha de Rafael para 2026

Boletim 10/06/25

(Prólogo: Acredite ou não, da apuração à publicação final, o boletim médio leva algo em torno de vários dias para ser confeccionado, vamos estipular entre 12/16 horas de trabalho. E, não, eu não fico jogando ping-pong e bordando crochê esse tempo todo, leitor… 

Passei alguns dias em Teresina, o que significa que essa coluna está sendo escrita no único lugar onde alcanço um vislumbre de sossego: o voo de volta para Brasília. Tento enxergar sob uma nuvem de conversas, especulações, devaneios, blefes e jogos. Mas, digamos que consegui óculos especiais na última viagem… 

Limpe a lente, pegue o café, se prepare para o embarque. Destino final? Os fatos.)

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“Chance zero do vice do Rafael em 2026 não ser um secretário estadual dele”

Talvez alguns sonhos sejam destruídos com essas informações, mas todos sabemos que os efeitos de reter a verdade causam danos ainda maiores do que o fim das ilusões, portanto… 

Fontes (mais de uma, atenção) que orbitam próximas ao núcleo de poder estadual, garantem, nesse tom: “Não tem nenhuma chance do vice do Rafael (Fonteles, governador do PT), não ser um secretário estadual dele. Zero chance de ser indicação de quem quer que seja!”.

Tecla SAP: esqueça como vice um indicado do senador Wellington Dias (PT), o deputado federal Dr. Francisco Costa (PT), o presidente da Assembleia Legislativa, Severo Eulálio (MDB), etc. Isso é fumaça, desejo, vontade. Precisamos de algo sólido para pegar. É o que irei lhe entregar hoje, trato feito?

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Os três que estão valendo

Salvo alguma hecatombe (estamos no Brasil, então, tudo é possível), para os bem informados interlocutores da coluna, as opções na mesa para vice-governador na chapa governista de 2026 são apenas essas três (sem ordem de favoritismo): o secretário estadual de Educação, o ex-juiz Washington Bandeira, o secretário estadual de Segurança Pública, o advogado Chico Lucas ou o matemático Antônio Luís, secretário estadual de Saúde, este último com uma porcentagem de 10% de chegar lá.

“Ah, mas tem o Fulano”. “Você esqueceu do Sicrano”. Eu acho que vocês não estão entendendo… São essas as cartas. Rafael montou um time e escolherá um representante do time para tocar o projeto. Que comecem os jogos!

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Acionar, caso necessário

Eu sei o que você está pensando. É que Antônio Luís é uma opção à lá Regina Sousa, que foi vice de Wellington Dias no último mandato do petista no Palácio de Karnak: um nome de confiança, com o compromisso de não disputar a reeleição enquanto o sucessor fosse gestado dentro do máquina burocrática do Governo (em caso de reeleição de Fonteles, obviamente). Um bom matemático precisa calcular mais do que quadrado da hipotenusa…

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Um belo dia de novembro nasce um vice

Se você quiser muito que o sol nasça mais cedo ou que a lua seja minguante ao invés de cheia, o que vai acontecer? Nada, absolutamente nada. Sua vontade não interfere nas leis da natureza (se você acredita no contrário, busque ajuda urgente). As coisas levam o tempo delas. Um vice, por exemplo, pode ser gestado até outubro e anunciado até novembro. É só um chute (ou talvez não).

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O choro é livre

E a relação Wellington-Rafael, em que pé anda? Bom, vamos ver o que um emissário do lado de lá tem a dizer: “O Wellington é um cidadão, não tem problema nenhum com o Índio”. Ah, bom… e o zum-zum-zum vem de onde? “Ah, são as ‘viúvas’ do Wellington!”. Ihh, gente…

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Não atrapalhamos ninguém e ainda não estão satisfeitos?

“Ele (Rafael Fonteles) não tem nenhum parente em nenhum cargo, e nenhum dos Rafaboys vai disputar nenhum outro cargo em 2026. Não está atrapalhando a vida de ninguém, nem de chapa proporcional, de federal, estadual e senador. A gente não mexeu com a vida de ninguém e ainda não vai ter o direito de indicar o vice? Oxe!”, questionou ao boletim um político do andar de cima, frequentar de salas geladas exclusivas. Com a resposta, os universitários!

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O problema é 2030

Se você acompanhou o último boletim (leia aqui), levanto uma hipótese: tudo tem a ver com a eleição de 2030, quando os tecnocratas (chamados de Rafaboys, secretários de Rafael Fonteles) entrarão de vez na guerra dos votos. A questão que importa, porém, não é essa: Wellington terminará o mandato de senador em 2030 e o caminho natural é buscar a reeleição. Só haverá uma vaga de senador. Rafael, se vencer em 2026, ficaria sem mandato, que mal lhe pergunte?

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Rafael não quer ser senador

“Rafael não pensa em ser senador. Acho que o caminho é tentar ser mesmo presidente (da República) ou ministro, se o Lula se reeleger, o que também não é fácil”, disse ao boletim um político reservado e pragmático. Beleza, e o governador petista ficará sem mandato se as duas apostas não vingarem em tempo hábil até 2030? 

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Não tem nenhum problema em 2030

Embora o mundo político possa duvidar disso, essa é a reposta recebida pela colunista e eu tendo a dar credibilidade a essa fonte em específico: “Não tem problema (Rafael) ficar sem mandato”, retrucou o político. “O projeto é coletivo, do nosso time. O Rafael não é um político carreiristas. Com ou sem mandato ele vai continuar sendo o líder do grupo”. Frase forte. Guarde para comprovar no futuro, leitor. Aqui, como sempre, ficamos só com os fatos (lembre-se de não matar a mensageira).

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Ah, e vão aceitar prato feito?

Finalmente, vou dar a resposta que você quer: o mundo político vai aceitar receita pronta e engolir calado? Sabemos que não. Confie em mim, eu entendo. Como ensinava Maquiavel em O Príncipe (sempre ele), a política é um jogo de aparências e realidades: às vezes é preciso ser “um leão para intimidar os lobos, e uma raposa para escapar das armadilhas”. O político deve dosear força e persuasão, ameaçar quando necessário, mas também saber ceder em pontos secundários para garantir o essencial. A habilidade não está em vencer todas as batalhas, mas em escolher quais lutar.

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Ou você negocia ou é negociado

Ainda sobre Maquiavel: se um grupo resiste a uma proposta, não adianta confrontá-lo de frente; é preciso oferecer algo que lhe interesse, mesmo que não seja o ideal. Política, afinal, é a arte do possível, não do perfeito. Ainda assim, é preferível “ser temido, se não puder ser amado”, mas sem jamais ser odiado. Um líder que depende apenas da simpatia está fadado ao fracasso, pois os afetos mudam com o vento. Já o respeito, ainda que nascido do medo, garante lealdade mais duradoura. É ou não é?

Por fim, Maquiavel lembra que “a sorte é árbitra de metade de nossas ações”, mas a outra metade está em nossas mãos. Nenhuma articulação política é garantida, e imprevistos sempre surgem. No tabuleiro do poder, quem não sabe negociar está fadado a ser negociado.

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Trocando em miúdos

O que os governistas do núcleo duro rafaelista pensam sobre isso? “PSD terá seu espaço na chapa e estamos confiantes na eleição do Júlio César, já está empatando com o Ciro (Nogueira) e passa dele nas pesquisas em que é citado o nome do Rafael e do Lula como apoios. MDB terá o espaço do Marcelo (Castro) então está tudo no lugar”, completou o interlocutor governista (e também otimista). Veremos.

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Eu preciso agradecer

Quando eu disse, no final do ano passado, que ia empreender no jornalismo, alguns amigos se preocuparam que 1) as pessoas parassem de me ler porque eu não estaria mais associada a uma marca tradicional e 2) eu deixaria de ter informação porque os políticos e players relevantes parariam de compartilhar informações comigo. Bom, até agora, posso dizer que está tudo bem. 

Corta para junho. Recebi uma mensagem por Whatsapp do Sebastian Eugênio, diretor de conteúdo do tradicional grupo de comunicação 180 graus (do empresário Helder Eugênio), me informando (para minha completa surpresa), que eu havia sido escolhida para receber o prêmio de Melhor Jornalista de 2024. Recebo a honraria, de coração, porque ela materializa as tantas horas de conversa, leitura e confiança mútua entre a humilde cronista, os interlocutores da coluna e você, leitor. É nosso, viu?

Clique aqui para conferir os premiados pelo Prêmio 180 Graus nas mais diversas categorias. 

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A Revolta dos Gabinetes da Alepi

Pirulitando pelo Piauí, a colunista está sujeita a encontros casuais curiosos. Exemplo que se enquadra na categoria, um deputado estadual, que estava almoçando no mesmo local da colunista, desabafou, pedindo reserva: “Tenho que sair logo pois ainda vou passar no meu escritório. Estou revoltado”.

A colunista, sem entender, questionou o motivo. “Ora, os deputados do Piauí foram eleitos para quatro anos e estão há três sem gabinete com um reforma interminável. Não aguento mais! Fui enganado! Preferia como era antes com meu gabinete acabado mesmo…”. Complicado!

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Para ler, ver e ouvir

Por que demorei tanto para começar a ler a obra-prima de Edward Gibbon, “Declínio e Queda do Império Romano” (1776-1788) (pergunta retórica)? Não por acaso, Winston Churchill disse: “Aqueles que não aprendem com a história estão condenados a repeti-la”. Misturando erudição com ironia fina, livro de Gibbon é a mais brilhante aula sobre como grandes potências se autodestroem.

Não, Roma não caiu somente por conta das invasões bárbaras, mas por uma combinação fatal: corrupção sistêmica, divisões internas e uma elite que trocou o interesse público por privilégios. O historiador Arnold Toynbee resumiu tudo: “Gibbon nos faz entender que civilizações morrem por suicídio, não por assassinato”.

A verdade é que Roma perdeu sua capacidade de renovar elites e conter abusos de poder. Mecanismos aparentemente burocráticos como a inflação e militarização da política podem ser tão devastadores quanto exércitos invasores. A história não é mesmo um processo linear, mas sim um teatro de virtudes e vícios humanos. Gibbon nos ajuda, transformando fatos em tragédia shakespeariana. Aviso: “Todas as coisas apodrecem por dentro antes de desmoronar por fora”. E a política, como Roma, é feita por homens, não por deuses.

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Se conselho fosse bom

O jogador de basquete norte-americano Kobe Bryant dizia que seu alto nível de confiança vinha de saber que tinha feito tudo o que podia para se preparar. Se você está nervoso ou ansioso é porque provavelmente seus desejos estão acima das suas habilidades. Confiança é simplesmente a crença, baseada em evidências, de que você pode alcançar os resultados desejados.

A sociedade se aproveita dos ignorantes, preguiçosos, pobres e infelizes. Eduque-se, trabalhe pela sua independência financeira e fique feliz sozinho, confortável com atenção e com solidão. Você pode se comparar, ver tudo que deu errado, ficar irritado e ser um fardo para sua família e amigos ou pode atrair tudo o que desejou se preparando para isso. A escolha é sempre sua.

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Cifrada Blue Label

Num reino que envolve a intersecção das Távolas Redondas Maior e Menor, com a Cidadela da Segurança, o final de semana foi regado a ecos de ruídos, onde uma cavaleira fez desabafos cercada por uma lagoa mágica. Indicada pelo pragmático Cavaleiro A, a cavaleira gente boa X (mas que não leva desaforo para casa) entrou na Cidadela da Segurança e aguardou as ações para uma nova missão. As coisas andaram meio lentas por lá e no meio do processo, o Cavaleiro B conquistou o apoio de X. A troca de apoios resultou em uma inesperada (para a cavaleira, pois os demais já sabiam) exoneração via pombo correio no Diário Oficial do Reino. Custava ter conversado antes?

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Foto do dia

A essa altura do campeonato, todo mundo já sabe que foi “uma loucura de tanto poder junto” (palavras de um presente) o casamento da pediatra Alice Brandão, filha do advogado Nelson Nery Costa, com o advogado Antônio Augusto, filho do ministro nomeado ao Superior Tribunal de Justiça, Carlos Augusto Brandão. “O mundo jurídico do Brasil pendeu seu eixo para lá”, resumiu um advogado sincerão que, no entanto, não foi convidado na seleta lista: “Mais uma vez eu não estava, droga!”, lamentou. 

Alice, filha de Nelson Nery e Lavínia Brandão e Antônio, filho de Carlos Augusto Brandão e Denise Brandão.

Com tantos políticos e juristas, a dúvida é se a lista de convidados (do governador Rafael Fonteles, ao senador Ciro Nogueira, passando pelo ministro do Supremo Tribunal Federal, Kassio Nunes Marques) foi confeccionada pelo deputado emedebista e advogado Henrique Pires (o homem só falta andar de toga, tamanha desenvoltura no meio) ou pela cerimonialista do Palácio de Karnak, Mara Beatriz. Alguém sabe?

Entre uma música aqui, um champanhe acolá, a turma dos jurisconsultos presentes acha que um acordo eminente colocará bandeira branca sob um quinto veto que estava tensionando uma relação de gigantes que tem tudo para ser resolvida. Será? 

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A frase para pensar

“Você é livre para fazer o que quiser. Só precisa enfrentar as consequências”, Sheldon B. Kopp (1929-1999), psicoterapeuta norte-americano.

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Feito à mão

Charge do dia, feita pelo cartunista Rico, no boletim: delator no inquérito do golpe, Mauro Cid foi o primeiro dos réus a falar à Primeira Turma do Supremo Tribunal Federal, nesta segunda, 09 . Clique aqui para ver as outras charges.

Sávia Barreto

Sávia Barreto, jornalista, fundadora e diretora-geral do Boletim Brio. Mestra em Comunicação, pesquisou Análise de Discursos e Eleições na Universidade Federal do Piauí. Cursou Doutorado em Políticas Públicas (Ufpi), estudando desigualdade de gênero. Graduada em Comunicação Social na Universidade Estadual do Piauí. Estudou Ciências Sociais (Ufpi). Tem MBA em Comunicação Política e Sociedade pela ESPM, São Paulo. Integra o grupo de estudos “Estratégia, Dados e Soberania” na UNB e é diretora de Comunicação Estratégica da ONG “Fórum para Tecnologia Estratégica dos Brics”, em Brasília, onde reside. Com 17 anos de experiência em redações do Piauí, trabalhou nos últimos dois anos como comentarista e colunista de política em Brasília. Trabalha com consultoria em branding e gerenciamento de reputação digital na Brio Comunicação Estratégica.
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