As empresárias da nova geração mais bem posicionadas do Piauí; lista

Chegou a hora de falar delas! Não tem jeito, sempre que publicam-se listas por aqui há algumas dezenas de comentários – justíssimos, por sinal: “Mas, e as mulheres?”. A Ápice é escrita por uma mulher. Vamos ao dever de casa: dar o espaço necessário, o destaque e o ambiente para aprofundar questões que só as mulheres sabem pois somente elas passam e vivem. Essa semana o foco será para as empresárias da nova geração. Vamos.

Como é feita a lista?

Um dos principais critérios para aparecer aqui é a menção pelos pares e aceitação por eles. Para confecção da lista, algumas dezenas de empresários, jornalistas e publicitárias foram consultadas. O critério predominante não é o faturamento, até porque essa é uma informação restrita às empresas.

Além disso, os nomes passam pela checagem jornalística feita pelo Boletim Brio e se vale também de critérios como comunicação, expressiva atividade profissional e legitimidade percebida. Não foi feita segmentação por áreas, já que alguns nomes de setores específicos cumpriram com ampla vantagem sobre os demais os critérios estabelecidos. O critério por idade é na faixa de até 45 anos.

As empresárias da nova geração mais bem posicionadas do Piauí (por ordem alfabética)

Ana Luiza Medeiros – Aerovip

Ana Paula Carvalho – AP Professional

Andrea Mello Lombardi – Bright Bee

Andressa Leão – Andressa Leão Store

Assunção Lages – Colcci / DL Teresina / Reserva

Baísa Tajra – Favorito

Carine Paiva – Gox

Daniela Cunha – ServFaz

Danielle Claudino – Luz da Lua / Pampili

Deborah Tajra – Live Teresina / Cajou Boutique

Gabi Pinho – Lenk / Agência Grow

Gabriella Lages – Ajust

Hanna Claudino – Grupo Claudino

Indira Lira – UniFSA

Laís Bezerra e Mônica Santos – Gamo

Liliane Paz – DMI

Livia Batista e Samya Batista – Grupo Jorge Batista

Livia Guimarães – Grupo Meio

Ludmilla Araújo – Arezzo

Luenna Resende – Luauto

Maria Laura Guimarães – Grupo Meio

Maria Teresa Felinto – Vito / Noha / Hub Paradisco

Michelle Alves – Mademoiselle

Mônica Marreiros – Toque de Classe

Natanne Veloso e Glínia Alves – Velocity / Kore

Patrícia Dalto – Fazenda Chapada do Céu / Fazenda Veredinha

Raquel Dias – Grupo Ativa / Mero

Rosilene Lustosa – Espaço Mulher

As empresárias da nova geração mais bem posicionadas do Piauí, segundo o Boletim Brio – Foto: Montagem

“SOZINHA, EU NÃO SOU OUVIDA”

“As instituições chegavam para cobrar e punir, mas não tinham iniciativas para ensinar”, é o relato da empresária Adriana Lobão, presidente e fundadora do Sindicato da Beleza do Piauí e empreendedora há 22 anos.

“Eu achava injusto com as donas de salão que conheço, com quem trabalho, com quem a gente luta tanto. Achava injusto porque não havia, primeiro, uma abordagem educacional. Então, resolvi me juntar a outras cabeleireiras, como Liana Lopes, Fátima, da Beleza Companhia, e Rosalinda, do Espaço Mulher, e falei: ‘Minha gente, vamos formar um sindicato para termos representatividade, porque não adianta eu chegar sozinha à Secretaria da Fazenda para explicar o que acontece no meu salão. Sozinha, eu não sou ouvida'”, relembrou Adriana Lobão.

Adriana Lobão – Foto: Arquivo pessoal

É uma frase comum na literatura que a história das mulheres é a história do silêncio, ao longo dos séculos. Na mesma medida, o lugar das conquistas surgiu com lutas e união feminina. E esse não é um discurso de livro de autoajuda. É um enredo que, mudam-se as personagens, mas segue seu curso com predominância.

“Em pouco tempo, com muita luta e muitas viagens, conseguimos a carta sindical. A Lei do Profissional Parceiro foi proclamada, e conseguimos usá-la a favor do nosso setor. Fizemos tudo com muita responsabilidade, com homologações revisadas juridicamente. Foi um feito muito grande: o Ministério do Trabalho, por meio da Delegacia Regional do Trabalho, nos reconheceu como uma entidade séria. Hoje, se alguém vai até lá para homologar um contrato, eles já indicam: ‘Procure o Sindicato da Beleza’. E a gente recebe esses profissionais para a homologação”, narrou a empresária Adriana Lobão.

“NÃO HÁ MULHER COM ESSE PERFIL PARA INDICAR”

Para escrever essa coluna, o Boletim Brio procurou instituições de classe vinculadas à área empresarial e ouviu de algumas delas que “não havia nenhuma mulher com esse perfil para indicar”. O perfil? Uma mulher da nova geração e bem posicionada no mercado. Como o Jornalismo reflete o social, esse relato tinha que ser compartilhado com as leitoras e leitores.

Para a diretora executiva da Júnior Achievement no Piauí, Cynara Castro, organização sem fins lucrativos, de alcance global, que atua desde 1919 com o objetivo de inspirar e preparar jovens para o empreendedorismo, a principal falta relatada pelas mulheres é a ausência de apoio.

“As jovens empreendedoras sentem faltam do apoio familiar, acabamos escutando muito ‘mas meus pais não me apoiam’. A sociedade já aponta demais, então as meninas precisam desse apoio que começa dentro de casa”, revelou Cynara Castro.

Cynara Castro – Foto: Arquivo Pessoal

Quando se fala em desigualdades, pensa-se logo em espaços de poder ou nos diversos tipos de violência que atingem muito mais as mulheres. A raiz das desigualdades começa em ambientes “seguros”, como em casa, quando, para as mulheres, não é cogitado, num primeiro momento, assumir os negócios da família, ou quando, sob um discurso de “proteção” – já que as mulheres são comumente vistas como frágeis – há um desencorajamento feminino para profissões que exigem trabalho árduo, instabilidade e capacidade constante de resiliência, como o empreendedorismo.

CONHECIMENTO EM XEQUE

A advogada empresarial Carla Cruz, vice-presidente da Comissão de Direito Empresarial da OAB-PI, que assessora mulheres empreendedoras há anos reforça a existência de um cenário preconceituoso.

“A vida da mulher é sempre muito desafiadora, haja vista ocuparmos muitas funções em nossa rotina diária. Mas, no que se refere aos desafios jurídicos para mulheres que desejam empreender, é exatamente o fato de ser mulher, pois ainda existe muito preconceito social que coloca em xeque o conhecimento e a experiência das mulheres empreendedoras em seu ramo de negócios”, relatou a advogada Carla Cruz.

Carla Cruz – Foto: Reprodução

À REVELIA DAS DIFICULDADES, O EMPREENDEDORISMO FEMININO CRESCE

Quem está dizendo são as pesquisas do Serviço Brasileiro de Apoio às Micro e Pequenas Empresas (Sebrae): O Brasil caminha para ter, majoritariamente, empresas comandadas por mulheres. O projeção de cenário do futuro faz parte da perspectiva traçada pela pesquisa Monitor Global de Empreendedorismo 2023 (Global Entrepreneurship Monitor – GEM).

Num país com intensa desigualdade econômica, o empreendedorismo é uma alternativa atrativa para a subsistência. Em Teresina, como em todo o Brasil, são muitas as mulheres que criam seus filhos e sustentam seus lares com a venda de produtos ou serviços. Ainda que as lacunas para o crescimento dos negócios, para o acesso ao conhecimento, ao crédito e à ferramentas de expansão continuem afetando sobremaneira a população mais pobre.

“O maior deles [dos desafios] é manter a empresa nos dois primeiros anos de funcionamento, devido às obrigações tributárias, à gestão de recursos humanos e às dificuldades com fornecedores. Se o nosso país tivesse uma política consistente de fomento à micro e pequena empresa, acredito que o cenário seria mais favorável às mulheres. Como em qualquer negócio, a carga tributária é uma das principais dificuldades para quem busca empreender. Ainda assim, as mulheres vêm conquistando seus espaços em uma economia ainda predominantemente composta por homens empreendedores”, analisou a diretora executiva da JA Piauí, Cynara Castro.

E AS HERDEIRAS E ESPOSAS…

No Piauí, os herdeiros geralmente não ganham de cara o “carinho” da opinião pública. Há um certo ressentimento no ar. Outras edições da coluna já trouxeram listas e a recepção de parte do público é hostil a certos nomes. Na contramão, o convite aqui sempre será contra discursos estigmatizantes.

O Piauí é um dos estados mais pobres do Brasil, com baixíssima industrialização quando comparado a outras capitais e alta dependência do que é público e dos orçamentos estaduais e municipais. Logo, há um cenário com condições propícias para que as desigualdades se acentuem e para que se possa mensurá-las no dia a dia de forma mais tangível. A população do Piauí, segundo dados do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), é de 3.375.646 habitantes. Só a cidade de Teresina possui uma população de 866.300 pessoas.

A aquisição de recursos e, por consequência, a maior sobrevivência às crises, as oportunidades de obter conhecimento, o networking, a rede de apoio, o estímulo à prática e à mentalidade empreendedora são facilitadores para os jovens que já têm mães ou pais bem-sucedidos nos negócios. Vale ressaltar que isso não é tudo e está longe de ser. A esses indivíduos também é imputada a pressão do meio, a responsabilidade de tomar decisões certas e de se provar por si mesmos. Independentemente da posição em que se encontrem, as mulheres são colocadas um passo atrás.

A escritora francesa Virginie Despentes, em seu aclamado livro “Teoria King Kong”, que trata de temas sobre sexualidade, violência, feminismo e marginalização social, aponta que: “As mulheres que me rodeiam ganham efetivamente menos dinheiro do que os homens, ocupam postos subalternos, acham que é normal serem menosprezadas quando se lançam em alguma empreitada. Existe um orgulho doméstico em avançar com o freio de mão puxado, como se isso fosse útil, agradável ou sexy. Um gozo servil em relação à ideia de servir como trampolim”.

Ela completa: “Nosso poder nos envergonha. Estamos sempre vigiadas pelos homens, que continuam a se meter em nossas coisas para nos dizer o que nos convém ou não, e sobretudo somos vigiadas por outras mulheres, através da família, das revistas femininas e do discurso dominante. É necessário minar esse nosso poder, nunca valorizado em uma mulher: ‘competente’ ainda quer dizer ‘masculina'”. Às mulheres, a palavra.


Shelda Magalhães

É coordenadora-geral da Agência Brio Comunicação. Foi coordenadora de Comunicação da OAB-PI (2022-2024). Foi âncora da TV Antena 10/ Record TV e da TV Band Piauí. Foi repórter da TV Antena 10. Atuou como repórter do Portal OitoMeia. É jornalista pela Universidade Estadual do Piauí (UESPI). É certificada em Marketing Digital, Branding Pessoal e de Marca.
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