Boletim 29/07/25
Alguns sortudos estão pegando sol em Barra Grande, outros vendo corrida de Fórmula 1 na Riviera Francesa. Mais alguns, fazendo terapia pelo ChatGPT enquanto terceiros seguem buscando a receita mais atualizada do morango do amor. Você já entendeu meu ponto, leitor, vamos parar por aqui.
A colunista… bem, a colunista está refletindo no vácuo1 das futricas requentadas da política piauiense (dessa vez, direto de Brasília, pois meu escritório consiste num computador e num celular), sobre quem se destacou esse primeiro semestre de 2025.
Não foram muitos, é verdade, mas dar a César o que é de César (como disse Jesus nos Evangelhos), é um lembrete de que devemos ser justos quando possível (com quem merece, óbvio). Listas são sempre polêmicas e questionáveis, também é verdade (o que não nos impedirá, nesse boletim, de seguir com a inglória e ingrata empreitada, afinal, caçamos mamutes e não codornas, você sabe).
Critérios
Que júri formou essa lista e sob que critérios? Ok, eu posso responder isso.
O Boletim ouviu, ao longo das últimas semanas, deputados, vereadores, secretários, gestores de primeiro e segundo escalão, além de políticos profissionais e observadores amadores, e tirou a média. Esses são os políticos mais lembrados pelos pares e partícipes da política piauiense e da capital federal. São os maestros e os que encontram-se em espiral ascendente no poder do Piauí.
Características destacadas para o encaixe nas categorias:
Competência para moderar discussões políticas e públicas, mediar acordos políticos, coordenar processos deliberativos e capacidade diferenciada para formar alianças influentes. Atuar na arte do acordo, conseguindo extrair o máximo de concessões mantendo relações. Outros políticos o procuram para consultas, apoio e validação de suas decisões. Conseguir pautar temas e direcionar discussões conforme seus interesses estratégicos.
Demonstrar timing político apurado, precisão na análise do cenário político-social, agilidade na geração de soluções, habilidade para estruturar posicionamentos e competência para posicionar suas iniciativas no epicentro dos debates, exercendo protagonismo na formação de opinião e influenciando a tomada de decisão em público ou nos bastidores. Sua participação em debates e discussões altera o patamar e a direção das conversas.
No final do ano faremos a nova lista, atualizada, com novas categorias. Até lá. 2
Categoria Maestros Selo Boletim Brio (Eles comandam a orquestra)
Assembleia Legislativa do Piauí
Severo Eulálio (MDB) – colocou ordem na casa e a bola no chão. Liderança serena e firme num primeiro semestre de pressão alta
Fábio Novo (PT) – eleito o novo cacique da tribo no PT, numa eleição histórica, projeta para si um novo cardápio de opções políticas futuras
Gustavo Neiva (Progressistas)- a voz firme e altiva da oposição num estado tão difícil de se ficar no sol questionando o poder dominante

Câmara de Teresina
Enzo Samuel (PDT) – capitão reeleito e prudente da nau barulhenta em mar revolto, navega para desafios maiores, com doses mescladas de cautela e ousadia calculada
Eduardo Dragalana (PSD)- chegou chegando e deixou promessas e experientes comendo poeira com discurso e movimento político audaz
Pedro Alcântara (PP)– levou, do bolso, a maturidade do olhar jornalístico com pegada da geração Z.

Governo do Estado
Washington Bandeira (secretário de Educação) – conseguiu costurar projetos relevantes e soluções criativas numa área crucial, com impacto a longo prazo
Chico Lucas (secretário de Segurança Pública) – considerando os índices de violência recebidos, tem a maior curva de resultados positivos do Governo
Marcelo Nolleto (secretário de Comunicação) – na Comunicação orquestra, com mais naturalidade e estratégia, a vitrine que condensa os êxitos da gestão

Prefeitos
Pablo Santos (Picos) – autenticidade e carisma têm marcado positivamente o começo de sua gestão
Jôve Oliveira (Piripiri) – tem a pegada na dança e na política, consolidando Piripiri como um polo de atenção positiva no Norte do Piauí
Ivanária Sampaio (Esperantina) – reafirma sua posição de liderança feminina no Norte do estado com uma gestão entre as mais bem avaliadas do Piauí

Categoria Espiral Ascendente Boletim Brio (Cresceram e prometem dobrar a meta)
Assembleia Legislativa do Piauí
Evaldo Gomes (Solidariedade)- subiu para vice-líder (e articulador de confiança do Governo) na Alepi e entrará no PT pela porta da frente
Tiago Vasconcelos (MDB)- assumiu o mandato crescendo em estrutura e capilaridade com a força do Governo enquanto levanta a bandeira de conscientização do autismo, não se limitando mais ao eleitor evangélico
Rubens Vieira (PT)- crescimento forte em colégios relevantes, escalando em Parnaíba e Teresina, reforçam o avanço da nova liderança do PT.

Câmara de Teresina
Venâncio Cardoso (PT) – múltiplos poderes, projeção de futuro e posição estratégica o colocam sob os holofotes sucessórios
Bruno Vilarinho (PRD)- tirando leite de pedra ao negociar com os vereadores para a gestão Sílvio Mendes, tem ganhando a confiança dos pares e ascende internamente como liderança
Samantha Cavalca (PP)- assumiu o mandato causando com voz, personalidade e repercussão nos embates da direita piauiense

Governo do Estado
Pedro Rocha (secretário-chefe do Gabinete do Governador)- pouco conhecido do grande público, mas importante articulador nos bastidores do poder real
Léo Sobral (Departamento de Estradas de Rodagens)- um executivo no estilo: “missão dada é missão cumprida”, cresce estrategicamente
Victor Hugo (Investe Piauí) – um poliglota no setor privado. É o implementador dos projetos de desenvolvimento do Governo Rafael Fonteles

Prefeitos
Rogério Castro (São Raimundo Nonato)- está honrando o legado dos Castro na política e virando um forte articulador no interior.
Amaelton Bezerra (São José do Piauí), presidente da APPM – com poucas palavras, agrega e comanda os prefeitos do Piauí.
Maxwell da Mariinha (Altos) – reconhecido como liderança em Altos e região. Tentando seguir os passos da sua antecessora e busca emplacar uma vaga na Alepi

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Uma pode sair logo e a outra não vai sair tão cedo
Agora, para os eventos atuais, ok? No Palácio da Cidade, novidades na estrada da licitação do lixo podem ser movimentadas nos próximos dias no caminho de uma solução (ou algo desse tipo). O imbróglio respinga diretamente na gestão, que já tem seus próprios problemas (e não são poucos) para resolver.
Já o povo da Publicidade, está em paz pois tirou do coração a expectativa de uma licitação para esse semestre. Considerando a ordem de prioridades da PMT nesse momento, é melhor não alimentar expectativas. Carpe diem! (Leia sobre os dois temas aqui e aqui)

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Se conselho fosse bom
A mediocridade não tem nada a ver com falta de talento. É que os normais se recusam a suportar o atrito psicológico necessário para se separar do conforto. Quando as apostas ficam sérias, apenas um nome é sussurrado. Seja esse nome. Você pode comprar a atenção das pessoas, mas a reputação, não. Ainda não inventaram um modo de fingir consistência sob pressão. Quando se sentir perdido, a resposta é educação. Se você já tem conhecimento suficiente, a resposta é execução. Se já está agindo, a resposta é consistência. Apareça todos os dias e você vai ultrapassar 99% das pessoas.
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Cifrada do Curto-Circuito
No Reino da Porcentagem, é preciso saber rodar e destravar. Ansiosos, muitos cavaleiros se atrapalham e pegam de um Mestre das Moedas para cobrir a fatura do outro. Também, pudera! Com juros reais de 8% em cima das estalecas emprestadas, não tem quem aguente o rojão. O problema começa com as porcentagens iniciais (10%, 15%?) para reparos necessários em mini-castelos e cidadelas e vira uma bola de neve.
Passando pelo pessoal de dentro, os impostos e tudo mais, tem gente que se enrola nos aditivos que rodam na velocidade da luz, tem cavaleiro dos mares que promete resolver e não recebe ninguém e, para piorar, os campeonatos quadrienais encarecem tudo para todo mundo. Mal acabou um e já tem gente de olho no caixa do próximo campeonato. Essa turma não para! Cavaleiros, usem o freio, ele não é enfeite!
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Foto do dia
De um presidente de partido no Piauí, que costuma andar com uma bola de cristal no bolso do paletó (já acertou várias):
“Essas projeções de chapas com 8 deputados federais e 24 estaduais serão para uma disputa duríssima. Minha opinião baseada na redução de vagas, ficaria assim para estadual: PT (11 deputados), MDB (11 deputados), Progressistas (2 deputados). Para federal, PSD (3 federais), PT (3 federais) e PP (um federal). Republicanos pode fazer um com a regra da ‘sobra da sobra’. Minha modesta opinião”. Está no rumo?

Isso aqui é para iniciados e membros “sênior”. Se você está na categoria “júnior”, pode pular: há uma vaga “sobrando” que pode ser de um partido menor (que não seja PT e PSD ou PP), pensando na disputa de deputado federal no cenário de redução das vagas no Congresso Nacional (escrevi sobre isso aqui). Sendo assim, o quociente eleitoral será de mais ou menos 240 mil votos. A sobra dos 80%, portanto, será de 190 mil votos. Mas (sempre tem um “mas”), se um partido menor fizer 165 mil a 170 mil votos, pode sim, com chances reais, eleger um federal. Essa é a sobra das sobras.
(Mais sobre a política de Brasília na coluna diária do jornalista Juarez Oliveira, a Termômetro, que estreou essa semana no boletim. Recomendo).
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A frase para pensar
“Feliz de quem faz do seu hobby o seu meio de vida”, George Bernard Shaw *1856-1950), dramaturgo irlandês.
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Feito à mão
Refletindo fora da caixa, a charge do dia do Rico aqui no boletim. Veja mais charges.

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- Informe para os dois ou três gatos pingados que me acompanham por aqui: estarei de mini-férias (sim leitor, sou um ser humano…) e retorno às colunas normalmente na próxima segunda-feira, 04/08. Ler bons livros já é uma viagem, mas eu vou além e darei um pulo na Feira Internacional do Livro em Paraty, que tal? Volto com novidades. Se sentir saudades, leia o arquivo. Tem uma ou outra coisinha que se aproveite e é atemporal. ↩︎
- Por quê uma lista? Qual a necessidade disso? Gosto do tipo raciocínio formado por um reconhecimento de padrões, alguma recordação e a percepção de mudanças sutis na linguagem. É algo muitas vezes inconsciente, mas preciso (quase sempre, mas nem sempre). Basicamente, é para quem pensa em estrutura e o boletim reflete essa forma de organizar o que parece caótico. ↩︎





