Turismo: Comparar preços do litoral do Piauí ao do Ceará é inevitável, mas injusto

“Uma caipifruta na Praia do Futuro, em Fortaleza, é mais barata do que na Praia de Atalaia, em Luís Correia”, diz um internauta.
“Melhor ir pra Fortaleza mesmo de Guanabara”, responde outro. As redes sociais foram tomadas por comparações e críticas aos preços dos estabelecimentos comerciais do litoral piauiense. Visitantes afirmam que os valores estão cada vez mais altos e que a falta de estrutura tem afastado o público, que acaba migrando para o Ceará, onde, segundo eles, encontram preços mais justos e serviços de melhor qualidade. Será?

Junto dessa discussão, há uma questão mais profunda. No Brasil, o empresário muitas vezes é visto como vilão, quando, na verdade, é também quem precisa sobreviver em meio a dificuldades e ainda gerar empregos e renda. No litoral do Piauí, os desafios são vastos: falta de energia e água, infraestrutura precária, transporte caro e um período de temporada mais curto, que concentra o faturamento em poucos meses do ano.

Não é simples manter um negócio aberto o ano todo em um ambiente assim. Os custos fixos continuam, mesmo quando o movimento cai e o resultado, inevitavelmente, reflete nos preços. Isso não significa ignorar os casos de abuso ou a necessidade de mais equilíbrio entre qualidade e valor. Mas é importante fazer o contraponto: para que o turismo cresça, é preciso investimento, divulgação e, sobretudo, valorização do que é nosso.

O litoral piauiense tem potencial, beleza e história. Falta fazer dele não apenas um destino de temporada, mas uma oportunidade permanente de desenvolvimento, para quem visita e, principalmente, para quem vive e empreende ali.

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