
Desde a madrugada de 25 de agosto de 2011, quando a estudante de Direito Fernanda Lages foi encontrada morta no prédio em obras do Ministério Público Federal (MPF), na Avenida João XXIII, zona Leste de Teresina, paira sobre o Piauí uma nuvem densa de dúvidas, versões e acusações que fizeram desse episódio um dos casos mais emblemáticos contra mulheres da história recente do Estado.
Foram ouvidos nesta reportagem o pai de Fernanda Lages, Paulo Lages, o delegado da Polícia Civil e, hoje, vereador James Guerra (Avante), o advogado da família Luca Villa e o jornalista Eneas Barros, que acompanhou o caso para escrever um livro. Diante do extenso material reunido e da complexidade da apuração, a coluna será dividida em partes. A segunda parte trará uma entrevista pingue-pongue exclusiva com Paulo Lages, que revisita lembranças da filha e expõe suas críticas à condução da investigação.
Passados 14 anos, o que restou foi uma mistura de boatos, declarações sem checagem, teorias em comentários de postagens e julgamentos midiáticos, em que cada narrativa tentava sepultar a anterior, até que o próprio fato acabou engolido pelo rumor e pela passagem do tempo. O caso foi arquivado pelo Ministério Público em 2020, sem a identificação de crime ou de responsáveis.

Ao longo do texto, a intenção é oferecer ao leitor uma visão mais ampla e documentada sobre o que aconteceu, respeitando a memória de Fernanda e a dor de sua família, mas também destacando as falhas, excessos e silêncios que moldaram a narrativa do caso. De acordo com as informações reunidas pelo boletim, ao final da investigação conduzida pela Polícia Federal, não foram encontradas provas materiais ou indícios consistentes de assassinato. O inquérito, concluído em 2012, apontou morte acidental ou suicídio, afastando a hipótese de homicídio doloso.

Mas, há entre uma ala da população, que acompanhou o caso, uma forte descrença nesse desfecho e teorias de que ela teria sido morta. Uma matéria nacional chegou a ser veiculada no site Uol, apontando a possibilidade de “queima de arquivo”.

Escrever sobre o caso, mesmo 14 anos depois, continua sendo uma tarefa complexa. Primeiro, pela dor que ainda pesa sobre a família de Fernanda, uma sentimento difícil de ser compreendido e que transcende o noticiário e revela o vazio deixado pela perda de uma filha, amiga e jovem mulher. Depois, porque a história foi, desde o início, contada muitas vezes a partir do ruído, não dos fatos. Essa dificuldade também é relatada por outros jornalistas que buscaram revisitar o caso com rigor. Um exemplo é o das podcasters Mari e Rob, do canal Fábrica de Crimes, que ao produzirem um episódio sobre o tema abriram a narrativa reconhecendo a impossibilidade de se chegar a uma versão única, diante da quantidade de informações conflitantes. [Clique aqui para ouvir]
Segundo apurou a Todavia, o caso teve cinco linhas de investigações. Polícia Civil e Federal, Ministério Público e imprensa entraram em competição narrativa. Essa disputa corroeu a confiança pública e criou uma teia de contradições: cada relatório, entrevista ou coletiva parecia desmentir a anterior.
Primeira investigação
Quem fez: A Polícia Civil estadual.
Conclusão: trabalhou inicialmente com a hipótese de uma morte violenta, mas sem apontar culpados.
Desdobramento: O inquérito foi devolvido ao Ministério Público, que vinha insinuando nomes de possíveis suspeitos, mas não apresentou provas nem denunciou ninguém.
Segunda investigação
Quem fez: A Polícia Federal, que assumiu o caso depois.
Conclusão: A PF apontou que poderia ter sido suicídio ou morte acidental, ou seja, sem crime.
Detalhe: Essa foi a primeira investigação oficial que descartou a hipótese de homicídio.
Terceira investigação
Quem fez: Os promotores do Ministério Público Eliardo Cabral e Ubiracy Rocha.
Tipo: Uma investigação conduzida de forma independente.
Conclusão: Nunca foi divulgada ao público.
Observação: Segundo o jornalista Eneas Barros, bem como membros da Polícia entrevistados, esses promotores alimentaram teorias e especulações e acabaram influenciando a opinião pública com versões sem provas.
Quarta investigação
Quem fez: Conceição Krauss, perita em psicologia forense da Polícia Civil do Distrito Federal.
Método: Entrevistou mais pessoas e traçou um perfil psicológico da jovem.
Conclusão: Suicídio.
Quinta investigação
Quem fez: Antônio Lunardi, perito da Polícia Civil de Brasília, trazido pelo Ministério Público.
Conclusão: Não foi divulgada claramente. O perito realizou o trabalho, voltou a Brasília.
Os personagens e o que defenderam: a família, a polícia e o Ministério público
Paulo e Cassandra Lages, a dor da família

No centro de tudo, permanece a família Lages. Procurado pela Todavia, o pai de Fernanda Lages, Paulo Lages, atendeu a ligação, por celular, com muita educação e concordou em conceder uma entrevista. O ex-vereador da cidade de Barras afirmou que, 14 anos depois, continua insatisfeito com o que a polícia e a Justiça apresentaram. Ele considera que a perícia foi fragilizada, que houve falhas na preservação do local do crime, e que a investigação não conseguiu responder perguntas básicas, como por que Fernanda entrou na obra e o que realmente aconteceu naquela noite.
“Ela tinha uma ligação muito forte comigo, do que eu conhecia a Fernanda, eu afirmo que ela não ia tomar nenhuma decisão de tirar a vida dela, sem ter deixado uma carta, mesmo que escondida para encontrar depois […] Por que ela foi fazer lá [nas obras do MPF]? Ela tinha amizades no trabalho, na faculdade, das amigas, quem são essas pessoas que estavam com ela no dia e não foram identificadas? Por que lá [nas obras do MPF]?”, questionou.

Ele pontuou que conversava por ligação com a filha costumeiramente e que falou com ela por volta das 19h30 do dia anterior a sua morte: “Ela estava normal, lúcida”, disse. Ao enviar fotos para o boletim, pede para reparar no sorriso da filha. “Nunca mudava”, pontuou. Ele se lembra de momentos simples, do dia a dia, de que ela tinha muitos amigos era o tipo de pessoa que não passava despercebida. Há um tom de saudade, mas também de gratidão por essas lembranças.
“Eu tenho lembranças, não tem um dia na minha vida que não lembre da Fernanda. Hoje a tenho como meu anjo da guarda. Tenho um filho especial e peço ela para proteger. No dia que for a minha hora, não vou com tristeza, pois vou encontrar a pessoa que mais amo na vida. Não para ela me contar como foi, não é sobre isso. Eu tenho boas lembranças da Fernanda, só mesmo que ela era uma pessoa indomável quando queria algo, discutia, ela era muito decidida”, descreveu.
Paulo acredita que pessoas com poder político e social influenciaram a investigação e que isso impediu que a verdadeira autoria do crime fosse descoberta. Ele menciona suspeitas sobre membros de uma família específica ligada ao caso, mas evita citar nomes diretamente.
A tia de Fernanda, Cassandra Lages, atualmente, concede raras entrevistas. Em 2017, afirmou ter recebido uma carta psicografada atribuída ao espírito da sobrinha durante uma sessão mediúnica. No documento, a universitária pede desculpas à mãe por não ter seguido à risca seus conselhos, agradece ao pai e as orações que recebeu, mas, não fala sobre o que aconteceu no dia de sua morte.

Jivago Castro, engenheiro das obras do MPF
Outro personagem central no caso foi Jivago Castro, engenheiro responsável pela execução das obras do então novo prédio do Ministério Público Federal, local onde o corpo de Fernanda Lages foi encontrado em agosto de 2011. O nome de Jivago foi amplamente exposto pela imprensa local, antes mesmo de haver qualquer elemento que o ligasse diretamente ao ocorrido, situação que exemplifica o quanto o caso foi permeado por vazamentos, boatos e julgamentos antecipados. Durante as investigações conduzidas pela Polícia Civil e, posteriormente, pela Polícia Federal, nenhuma prova material ou indício consistente apontou para a participação dele no episódio.
A Todavia buscou o contato o engenheiro com pessoas próximas, que informaram que ele trocou de número e, desde então, não obtiveram contato. Também buscou comunicação, através do Instagram. O Boletim não localizou o perfil pessoal do engenheiro, então, enviou uma mensagem ao perfil do na rede social da Vanguarda Engenharia, empresa de Jivago, mas, não obteve uma resposta até o fechamento desta matéria. O engenheiro já participou de entrevistas, onde sempre negou o envolvimento, sendo a mais recente no IelCast. [Assista o vídeo aqui]
“Estamos aqui por honra, bandido, gente leviana, tem uma resposta quando bate de frente com um homem […] Eles me provocaram e estão tendo uma resposta a altura, como em qualquer corporação tem as maçãs podres. Sempre que eles falavam sem cobrança, quem deu corda para eles? A imprensa. […] Esses caras falaram tanta besteira”, afirmou em entrevista ao Ieldyson Vasconcelos.

Eliardo Cabral e o Ubiraci Rocha

À frente das investigações sobre a morte de Fernanda Lages, em 2011, estavam os promotores Eliardo Cabral e Ubiraci Rocha, ambos do Ministério Público do Piauí. Eram eles que conduziam as oitivas, acompanhavam as diligências da Polícia Federal e se pronunciavam à imprensa sobre os rumos do caso.
Eliardo Cabral, chegou a dizer em entrevista que o desfecho do caso “assustaria a população” e que “havia um figurão envolvido em um assassinato”, tornou-se um dos rostos mais lembrados da apuração. Passada mais de uma década, o cenário mudou: Eliardo Cabral morreu em 2021, vítima da Covid-19. Já Ubiraci Rocha pediu afastamento do caso Fernanda em 2017. Ele continua em atividade, hoje à frente da 14ª Promotoria de Justiça de Teresina.
Maria da Conceição Krauser, a psiquiatra de Brasília
A psiquiatra forense Maria da Conceição Krauser, da Polícia Civil do Distrito Federal, foi responsável por traçar o perfil psicológico de Fernanda Lages a pedido da investigação. Ela esteve três vezes em Teresina, onde se hospedou no hotel Blue Tree e entrevistou cerca de 27 pessoas, entre amigos, familiares e testemunhas, para analisar os últimos seis meses de vida da estudante. O resultado do laudo surpreendeu: a perícia concluiu que Fernanda cometeu suicídio, o que causou insatisfação e revolta na família, que sempre defendeu a hipótese de homicídio. As informações a seguir que descrevem detalhadamente o estado psicológico de Fernanda antes de sua morte foram retirados do livro “O Boato” de Eneas Barros, que tiveram como base entrevista da médica à Cidade Verde, na época.
Em entrevista, Krauser afirmou que “gostaria de ter dado a notícia de homicídio”, reconhecendo a dor que o diagnóstico de suicídio provoca. O laudo apontou que Fernanda sofria de transtorno bipolar e apresentava comportamentos decorrentes do uso habitual de álcool, o que teria contribuído para a morte. Segundo o relatório, a jovem saía com frequência para beber, envolvia-se em relacionamentos com diferentes homens e mantinha amizades com pessoas ligadas a drogas e à polícia. Ela também costumava relatar o desejo de casar-se.

A perícia também relatou mudanças bruscas de humor nos meses que antecederam a morte, com Fernanda trocando o comportamento reservado por uma rotina noturna intensa. Krauser descreveu um quadro de depressão, mania de perseguição e medo, reforçando a tese de transtornos mentais que, segundo a equipe, teriam levado a estudante ao suicídio.
James Guerra, primeiro delegado ao assumir caso
Na época do caso Fernanda Lages, o delegado James Guerra era um dos mais jovens a assumir o comando da Polícia Civil do Piauí, tinha apenas 35 anos, recém-nomeado e diante de um dos episódios mais midiáticos e controversos da história recente do Estado.
“Eu amadureci um ano o que levaria uns dez anos para amadurecer. Tive que responder perante muitos poderes e adquirir uma capacidade de diálogo com a imprensa que eu não tinha. Eu evoluí profissionalmente uns cinco anos em um, porque tive que amadurecer à força”, afirmou em entrevista à Todavia.

Atualmente, ele é vereador de Teresina pelo Avante e também já foi superintendente das Ações Descentralizadas (SAAD) Leste na gestão do ex-prefeito Dr. Pessoa.
Perguntado pela Todavia, ele afirmou acreditar que todas as provas técnicas sustentam a tese de suicídio. Na visão dele, as suspeitas levantadas pelos promotores e alimentadas pela imprensa nunca tiveram base concreta. “E hoje, nem que aparecesse, dificilmente se aparecesse, uma pessoa para confessar [o crime], ela não seria condenada porque todas as evidências, todas as provas, todas as perícias, todos os laudos, todos os depoimentos, tudo leva para o suicídio. Então, não é simplesmente. Chegar alguém, um promotor pegar o caso e denunciar. Não tem como, porque não há evidências. Todas as evidências são ao contrário, indicam o suicídio”, destacou.
Lucas Villa, advogado da família
Em entrevista à Todavia, o advogado Lucas Villa afirmou que, mesmo após todas as investigações, o caso não terminou de forma satisfatória para a família, pois muitos pontos permaneceram sem explicação. Ele citou, por exemplo, a presença de perfis de DNA masculino na mureta do prédio, exatamente onde foram encontradas as marcas da sandália de Fernanda, perfis que nunca foram identificados. Para ele, isso e outros detalhes técnicos deixam aberta a possibilidade de homicídio, ainda que reconheça que a investigação oficial concluiu por suicídio.
“Infelizmente não terminou a contento da família, que eram meus clientes, porque não ficou esclarecido de forma adequada o que realmente aconteceu naquele local. Alguns aspectos ficaram ainda por explicar, talvez pelo problema da preservação do local do crime, talvez pela ênfase muito grande em alguns momentos de se ficar discutindo a autoria sem que se tivesse um foco realmente na materialidade inicialmente, para saber que tipo de evento tinha acontecido ali, se um homicídio, um suicídio ou um acidente. Mas a gente entende que todo mundo fez seu trabalho dentro das medidas do que era possível naquele momento, mas infelizmente o resultado não foi esclarecedor na perspectiva da família”, declarou.

Perguntado pela Todavia, Lucas esclareceu que o inquérito foi arquivado. Ao refletir sobre o que mudou desde então, Lucas diz ter aprendido a importância de moderação nas palavras e a necessidade de manter o foco técnico nos autos do processo, e não na opinião pública. Como ele mesmo afirma: “A mediatização e a espetacularização das investigações e dos processos penais prejudicam profundamente a aplicação da justiça. Não é a arena da opinião pública ou da imprensa o lugar para discutir o direito penal.”
Caso foi marcado por muitos boatos e falta de checagem na mídia, aponta autor de livro
Entre os muitos boatos que circularam à época, um dos mais difundidos afirmava que Fernanda Lages teria sido levada para Fortaleza, onde teria se tornado vítima de tráfico internacional de mulheres. A versão, sem qualquer base nas investigações oficiais, foi divulgada por programas locais e chegou a ser mencionada por promotores durante entrevistas. Segundo o jornalista Enéas Barros, autor do livro O Boato: Verdade e Reparação no caso Fernanda Lages, essa história é um exemplo de como a desinformação transformou o caso em espetáculo, criando versões fantasiosas que desviaram o foco da apuração real dos fatos.
Outro episódio, ilustra a capa do livro dele. Uma matéria divulgada pelo portal AZ, pelo jornalista Arimatéria Azevedo, que afirma que um GPS apontava que o engenheiro, Jivago Castro, como principal suspeito. Fato que, segundo ele, não teve comprovação. Atualmente, Arimatéia Azevedo enfrenta problemas de saúde graves, foi condenado a 9 anos e 4 meses de prisão pelo crime de estelionato. A Todavia, tentou o contato, através do perfil do Instagram identificado como sendo o do jornalista, bem como a conta do portal AZ, mas não conseguiu contato até o fechamento deste texto, e deixa o espaço em aberto para qualquer manifestação sobre o assunto.
Enéas Barros afirma que confia na conclusão da Polícia Civil sobre o caso Fernanda Lages, defendendo que “a verdade é a verdade dos autos”.
“A verdade pra mim é a verdade dos autos. Eu acredito na solução da polícia. Eu acredito por quê? Porque a polícia investigou muito mais do que eu. A polícia que tem as informações pra dizer se foi sim ou se foi não. Levou pelo inquérito policial. Para mim aquilo ali é a verdade. E a reparação era o que nós esperávamos, o que eu esperava do Ministério Público, que nunca reparou esse caso. Ainda hoje o Ministério Público deve essa reparação, porque tem uma pessoa aí que ficou marcada na sociedade”, pontuou.

Caso Fernanda Lages 14 anos depois: expiação pela sensação de impunidade, machismo e saúde mental
Passados 14 anos, ao revisitar o caso e ouvir pessoas que participaram diretamente das investigações, é possível fazer reflexões a partir de lentes que, talvez, passaram despercebidas pela época. A primeira delas diz respeito à desconfiança da sociedade em relação às instituições públicas. Amadurece, há muito tempo, ainda mais acirrada nos dias de hoje, pelo contexto social e político e pelo aumento do uso das redes sociais, uma crise de credibilidade nas instituições públicas. O caso Fernanda Lages, por supostamente envolver, segundo informações divulgadas à época, mesmo sem qualquer comprovação até hoje, um “figurão”, um “filhinho de papai”, alimentou na população o sentimento de que a investigação não estava sendo conduzida de forma transparente. Cresceu no público a percepção de que as informações verdadeiras não estavam sendo reveladas. Esse sentimento vem de uma mágoa antiga das camadas da sociedade de que o poder econômico poderia, mais uma vez, garantir impunidade, mesmo diante da perda de uma vida.
Outra questão que não pode ser ignorada é a de gênero. Fernanda era uma mulher jovem, de estatura, estudante de Direito e foi encontrada morta em um local que simboliza a própria Justiça. Era considerada pelos amigos uma mulher bonita e de vida social ativa, e essa imagem foi amplamente explorada pela mídia. As reportagens estampavam o rosto de Fernanda, e algumas chegaram a divulgar fotos dela de roupas íntimas, após sua morte, e imagens do corpo após a queda, material inclusive fornecido por instituições oficiais. Naquele início da era dos portais de notícia, essas escolhas editoriais foram naturalizadas. O episódio revelou um tipo de exploração sensacionalista, de um teor quase de “abutre midiático”, que transforma a dor em audiência. O pai de Fernanda, revelou a Todavia, que ele próprio nunca teve coragem de ver essas imagens.
O caso Fernanda Lages acabou se tornando também um retrato de como o sensacionalismo e a busca por audiência moldaram narrativas, silenciaram debates importantes e expuseram, sem pudor, as feridas de uma sociedade que ainda prefere o espetáculo à, de fato, evitar o julgamento do outro, tanto de Fernanda quanto de outros envolvidos.
O que realmente aconteceu com Fernanda Lages? Talvez o caso nunca encontre uma resposta definitiva, ao menos no imaginário popular que se criou, mas revisitar sua história é também uma forma de encarar o que foi silenciado na história na busca por visibilidade em cima de tragédias, sobre as mulheres e sobre a própria verdade.






