“As áreas do Piauí estão cada vez mais seguras para produzir, porque as terras estão ficando mais velhas. Então isso faz com que realmente o Piauí passe a ter uma segurança muito maior nessa parte do agronegócio”, a análise é de Everton Moreti, diretor comercial do Grupo Progresso, gigante do agronegócio piauiense, em entrevista ao Boletim Brio.
O estado tem um faturamento de quase R$ 13 bilhões (segundo dados de 2022/2023), o valor estimado do que movimenta o agronegócio no Piauí, na região do Cerrado. Na fronteira agrícola do estado, entre os municípios de Baixa Grande do Ribeiro e Uruçuí, estão alguns dos maiores produtores de grãos do Brasil, com foco em soja e milho.
Em cerca de 20 anos, o crescimento do Piauí nessa atividade gira em torno de 282%, de acordo com o Instituo Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), um avanço que revela a potência de um setor cada vez mais estruturado e estratégico. A Coluna Ápice traz as nuances e especificidades desse negócio bilionário que opera em solo piauiense.

O grupo hoje tem um faturamento estimado em R$1,3 bilhão, me corrija se eu estiver equivocada. Quais são as principais alavancas que o grupo está investindo para crescer nos próximos cinco anos?
O grupo, na verdade, tem um faturamento de R$ 1,5 bilhão. Se você coloca a BrasBio, é uma holding separada, que não entra. E se você pensar hoje no Grupo Progresso, a parte de sementes, que é Progresso Sementes, hoje é o principal foco de faturamento, que coloca aproximadamente R$ 800 milhões. E a parte de soja que vem se consolidando e vem tendo uma estabilidade produtiva, que faz com que a empresa possa investir cada vez mais.
E, pensando nos próximos cinco anos, eu julgo que é a consolidação de forma segura para ter um faturamento de R$2 bilhões.
O Piauí ainda enfrenta gargalos de infraestrutura logística. Como isso impacta a competitividade do grupo comparado a estados do Centro-Oeste?
É de encarecer coisa de R$ 15 num saco de soja. Então, isso daí afeta muito. E a margem já está super apertada, então, realmente, isso impacta diretamente. E aí tem negócio igual ao que foi vendido, que teria o Porto do Piauí, e, na verdade, não passou de história, porque não saiu do papel.
Qual é o momento hoje do agronegócio no Piauí? Fala-se muito da chegada das agroindústrias. Como é que o senhor avalia esse momento ? O que o Piauí tem de novo?
Tem um projeto de agroindústria de etanol aqui em Baixa Grande do Ribeiro, tem a agroindústria de etanol da BrasBio ali em Uruçuí, tem a chegada do frigorífico da Friato (empresa especializada na produção e comercialização de frangos) ali em Uruçuí, que serão abatidos aproximadamente 500 mil frangos por dia. Fora isso, os projetos dos frigoríficos suínos e frigoríficos de carne bovina que tem aqui no Piauí. Então isso vai impulsionar muito a região.
Além disso, eu coloco que o Piauí está numa consolidação das áreas de produção.

Como é que o senhor avalia o impacto das novas regras europeias diante do desmatamento, que estão previstas para entrar em vigor até o final do ano?
É uma opinião muito pessoal minha: enquanto tiver sobrando alimento, eles vão criar “n” regras, mas na hora que o pessoal tiver começando a passar fome, a passar necessidade, essas regras não vão passar de falácias.
Dentro do grupo hoje, como é que funciona a estrutura de governança? Existe uma separação entre a gestão da família e a gestão profissional?
Hoje a família está inserida na governança. Então hoje o seu Cornélio Sanders é o presidente, a dona Ani Sanders é conselheira administrativa e os filhos. O Gregory Sanders cuida mais da parte de operação, da parte das fazendas em si, e os outros dois filhos, que são a Greicy Sanders e o Gueberson Sanders, ficam na parte administrativa e financeira em Brasília. Então quem está na governança hoje são eles. E o que tem fora da família são peças estratégicas, pensando mais na parte comercial.
Se o senhor pudesse mudar uma coisa no ambiente de negócios do Piauí para o agronegócio crescer mais rápido, o que seria?
A política, o governador, o governo (risos). O PT é um atraso hoje para a agricultura, um atraso para quem quer produzir. Hoje é tudo muito engessado, as leis ambientais estão cada vez mais rigorosas e um ponto fundamental, que eu diria que é o mais importante: a quantidade de impostos que o Brasil paga hoje, que é a maior carga tributária do mundo hoje está no Brasil. Isso impacta diretamente. Imagina você pagar 35% de imposto. Tudo que você produz fica para o governo. Isso daí hoje é a grande dificuldade. A conta não fecha.
Piauiensidade
O Piauí Moda House chegou à sua 11ª edição este ano. O evento, que é o maior da moda piauiense, aconteceu em São Paulo, no Fashion Meeting, e também nesta semana com um desfile e exposição de peças em Teresina. O Boletim Brio esteve presente no desfile que ocorreu na capital.
O evento mostrou a força de uma cadeia produtiva ampla, que envolve estilistas, empresários, modelos, influenciadores e diversos colaboradores. Esse ecossistema movimenta a economia, gera renda e fortalece o mercado criativo no estado, consolidando o papel da moda como vetor de desenvolvimento para o Piauí.
Há, ainda, o aspecto do reconhecimento da própria identidade. As peças apresentadas carregam referências aos costumes e à história local, contribuindo para que o piauiense se veja representado. Iniciativas como essa reforçam o sentimento de pertencimento e oferecem ao público a oportunidade de sentir orgulho sobre aquilo que é produzido aqui. Afinal, só é possível se orgulhar daquilo que se conhece e reconhece.

A diretora do evento, Raquel Dias, classificou o trabalho realizado nos últimos anos como uma missão: o fomento às marcas, à arte local e ao pertencimento, buscando a valorização do Piauí pelos próprios piauienses e a difusão da identidade regional pelo país.
Na ocasião, ela usou jóias e broches autorais assinados pela designer piauiense Surlene Almeida, que produziu peças exclusivas, feitas à mão com Opala da cidade de Pedro II.

O terceiro romance de Nelson Nery
O herói da independência do Piauí, Leonardo Castelo Branco, inspirou a nova obra do advogado, ex-presidente da OAB-PI e atual presidente do Conselho Estadual de Cultura do Piauí, Nelson Nery Costa, lançado nesta semana. O livro de 400 páginas teve seu primeiro esboço em 2022 e demandou nove meses de processo de escrita.
“A Máquina do Castelo Branco, meu terceiro romance, é uma tentativa de adaptação de um livro perdido do Leonardo Castelo Branco, um herói da independência do Piauí, na verdade o único brasileiro preso e remetido à prisão do Limoeiro em Lisboa. Então, uma pessoa por si só, fascinante. É o segundo piauiense a publicar livro, mais fascinante, mas também ele foi um inventor. E discutia uma forma de energia moderna, que é o motocotino, uma energia limpa, vamos dizer assim. Então, o livro é do presente, onde uma empresa na Irlanda começa a desenvolver um projeto de motocotino, e a partir disso tem nossa história. É uma história de romance, é uma aventura, fala de Dublin, fala de Londres, do Porto e Portugal, Rio de Janeiro e Esperantina aqui no Piauí. Uma viagem na história, uma viagem sobre a literatura, mas acima de tudo um romance de aventura e de amor”, contou Nelson Nery à Coluna Ápice.
O livro pode ser adquirido na Livraria Entrelivros, na Avenida Dom Severino, zona Leste de Teresina.

Um convite à pausa
Contemplar é um ato muitas vezes subversivo num mundo que corre, e a arte é sempre um convite para que a gente pare, respire e permita que algo maior do que o cotidiano nos atravesse devagar. A Casa Alma reúne marcas autorais piauienses, um espaço gastronômico e oficinas criativas. É um projeto no formato pop-up, ou seja, pensado para associar lojas em uma experiência de varejo por tempo limitado.
A entrada é gratuita, e o funcionamento ocorre de quinta a domingo.

“A intenção é que o evento fosse além de uma feira, que fosse, de fato, uma loja dedicada a essas marcas que trabalham com o manual, com essa preocupação de trazer o artesanal para o dia a dia. Ela vem para atender à demanda desse público. A gente tem um público em Teresina que consome arte, que valoriza e consome peças locais. Quando a gente fala em comprar do pequeno, comprar do local, a gente está gerando renda para o nosso lugar. E não tem nada mais grandioso do que gerar oportunidades para a nossa casa, para o nosso lugar”, afirmou Emille Passos, estilista e diretora da Casa Alma, em entrevista ao Boletim Brio.

A iniciativa está disponível desde o dia 16 de abril, vai até 10 de maio, e propõe ampliar o acesso à arte, fomentar o empreendedorismo local e valorizar as produções criativas do estado. A ideia é um “convite para um momento de pausa”. A Casa Alma fica localizada na Rua Angélica, na zona Leste de Teresina.
“Não é porque estou no mesmo segmento que o outro é meu concorrente e não posso me associar a ele. Pelo contrário: hoje, essas colaborações, como a gente chama, são essenciais para a manutenção e crescimento dos negócios. Então, a Casa Alma também surge como uma proposta de mostrar que essas associações são possíveis”, frisou Emille Passos.
Três perguntas para Ícaro Carvalho
Ele diz que é um sonhador, adorava participar de olimpíadas escolares, passou em Medicina na Universidade Federal do Piauí, mas preferiu estudar Engenharia Mecatrônica na Universidade Estadual de Campinas (Unicamp), uma das mais concorridas do país. Ícaro Carvalho é um nome jovem na política e na gestão pública, filho do ex-deputado Assis Carvalho (falecido em 2020), é vice-presidente de Desenvolvimento de Negócios na Investe Piauí, agência estadual de atração de investimentos. E vem sendo bem lembrado pelos pares e setores ligados ao ambiente empresarial piauiense.

Qual a lembrança mais feliz que tem ao lado do seu pai?
Minha vida é repleta de boas memórias ao lado do meu pai. Tanto dentro de casa, com seu sorriso largo, seu repertório inesgotável de piadas e seu conhecimento sobre praticamente tudo, sempre com uma resposta pronta, quanto fora dela, onde sua coragem e integridade nos enchiam de orgulho diariamente, especialmente diante dos desafios de ser uma pessoa pública.
Mas acredito que a lembrança mais marcante sejam os meses que antecederam sua partida. Por conta da pandemia, nos isolamos apenas nós dois em nossa chácara, em Oeiras, e tivemos a oportunidade de viver um convívio intenso e inesquecível.
Foram momentos simples, mas profundamente significativos: churrascos feitos juntos, conversas sobre a origem da vida, músicas que iam de Bob Dylan a Belchior, cavalgadas, caminhadas ao nascer do sol… e, principalmente, o contato com o seu lado mais humano. Um homem que carregava a responsabilidade de mais de 130 mil pessoas, mas que se emocionava profundamente, bastava um caso não dar certo para que aquele homem aparentemente tão forte demonstrasse toda sua sensibilidade.
E, por mais doloroso que tenha sido o dia da sua partida, levo comigo o registro de um vídeo que ilustra que aproveitamos esse momento como se fosse o último. Deixamos registrado, para toda a vida, um vídeo cheio de amor, cantando juntos “Divina Comédia Humana”, de Belchior. É a última e mais emocionante memória que tenho ao seu lado.
Você está como vice-presidente de implantação de negócios na Investe Piauí. Ficou mais fácil abrir uma empresa no estado?
Sem dúvida alguma. O ambiente de negócios do Piauí melhorou consideravelmente nos últimos anos, resultado de um conjunto de ações coordenadas entre diferentes órgãos e políticas públicas voltadas ao desenvolvimento econômico, coordenado pelo governador Rafael Fonteles.
Alguns indicadores deixam isso claro: em 2025, o Piauí alcançou a liderança nacional no tempo médio de registro de empresas. Além disso, o estado atraiu mais de R$ 44 bilhões em investimentos nos últimos três anos.
Esses números refletem um cenário cada vez mais atrativo para investidores, impulsionado tanto pelas potencialidades naturais do estado quanto pela melhoria no ambiente institucional.
A Investe Piauí é um símbolo desse momento. Trata-se de uma empresa estatal criada justamente para reduzir o distanciamento entre o setor privado e o poder público. A lógica é simples: o governo não deve apenas não atrapalhar, ele deve ajudar.
Nosso papel é proporcionar a melhor experiência possível ao investidor, reduzindo burocracias dentro dos limites legais e atuando diretamente na viabilização dos projetos. E os resultados demonstram que essa estratégia tem sido bem-sucedida.
Qual maior gargalo do agronegócio no Piauí e por que ainda não foi resolvido?
O principal gargalo do agronegócio no Piauí ainda é a infraestrutura elétrica.
Apesar dos esforços da concessionária e dos avanços recentes, o sistema elétrico do estado ainda apresenta limitações importantes. Em muitos casos, essa deficiência se torna o fator decisivo para o insucesso de empreendimentos, especialmente nesse momento de verticalização do agronegócio.
Trata-se de um desafio complexo, que envolve planejamento de longo prazo, investimentos robustos e articulação institucional, mas que vem sendo enfrentado como uma das prioridades para destravar o pleno potencial produtivo do estado.
Ainda bem que ele voltou
Generosidade é um adjetivo que combina com Rivanildo Feitosa. Um dos mais renomados colunistas sociais do Piauí, com mais de 25 anos de carreira, apresentou seu novo projeto na Rádio Clube News e, como não poderia ser diferente, do jeito dele, reunindo gente.

Foi em um jantar para cerca de 50 convidados, em um restaurante de um shopping em Teresina, que ele deu o tom do que vem por aí, uma revista semanal digital e um videocast onde recebe seus entrevistados. Tudo com a sua marca registrada, a conversa leve, natural, quase como quem não quer nada, mas querendo tudo: conexão.
Rivanildo tem esse dom raro de puxar assunto sem esforço, de receber amigos e transformar encontros em conteúdo relevante. Ele agrega, provoca, comunica, sempre com a sua visão de mundo muito própria. E, calma, ele não vai abandonar alguns dos seus maiores prazeres. Viajar continua no roteiro. Aos 52 anos, não pretende viver longe de outra paixão antiga: o cinema. Mas, convenhamos, também não dava para ficar longe do Jornalismo.
Depois de um ano sabático, ele está de volta. E, pelo visto, voltou com fome de conversa. Ainda bem.
Manual da Moda
Na edição desta semana, inspirados na filosofia do Piauí Moda House, as escolhidas vestem lojas piauienses.
A médica Fernanda Negrão escolheu peças da loja Vizaviz Teresina, que conta com a curadoria da empresária Liana Tapety, para noite de solenidade na capital. Com destaque para a saia midi com padrão geométrico que quebra o óbvio e adiciona personalidade e modernidade.

A nutricionista Denise Maria escolheu um conjunto de alfaiataria em tom acizentando para renovar as fotos profissionais. A produção é assinada pela loja D&Z Teresina. A curadoria da loja é feita pela CEO Ducarmo Fontinele.

A estilista piauiense Amanda Lima posou em um vestido preto nada básico, comunicando presença, estilo e elegância. O look é da loja Zoka, liderada pela empresária Mikaella Britto.






