O empresário e professor Vilton Soares, dono do Colégio Propósito e da Great International School, em Teresina, provocou debate nas redes sociais ao listar sete cursos que, segundo ele, não gostaria que os próprios filhos fizessem. Entre eles, Jornalismo, Arquitetura, Design, Marketing e Publicidade, Radiologia, Engenharia de Software e Direito. A fala dividiu opiniões. Houve quem visse exagero no tom e quem lembrasse que, se a régua for apenas a possibilidade de substituição pela Inteligência Artificial, então quase nenhuma profissão está de fato imune, inclusive áreas tradicionalmente vistas como mais seguras, como a Medicina.
O primeiro ponto é que o debate, apesar da forma como foi apresentado, toca numa questão importante do nosso tempo. A inteligência artificial pressiona funções operacionais em diferentes áreas e tende a ocupar espaços onde o trabalho se limita à repetição, à padronização e à execução sem pensamento próprio. Isso vale para o Direito, para a comunicação, para a tecnologia, para a arquitetura e para tantas outras profissões. Na área Jurídica, por exemplo, tem sido comum notícias com leis ou precedentes totalmente inventados pela IA no que chamam de alucinação. O risco maior, portanto, está no tipo de profissional que se forma. O risco é chegar ao mercado sem repertório e sem capacidade de construir uma identidade própria no que faz.
Outro ponto importante é que a escolha de uma profissão não deveria ser guiada apenas por status, por promessa de retorno financeiro ou pela ansiedade em torno do que supostamente “vai dar dinheiro” no futuro. Trabalho também é vocação, contribuição social, aptidão e sentido de pertencimento. Muita gente entra em determinadas áreas apenas pela lógica do financeiro e, justamente por não se reconhecer ali, não consegue se destacar. No fim, pode ganhar menos do que ganharia em uma área mais coerente com os próprios talentos.
Ponto número três. Até aqui, a IA já demonstrou enorme capacidade fazer alguns serviços, até acelerando processos e executando tarefas com eficiência.u Mas ela ainda depende daquilo que continua sendo profundamente humano, que é a sensibilidade, repertório e leitura da realidade. Assim, a tecnologia reforça a necessidade de de bons profissionais ao tempo que vai tirar outros da zona de conforto do genérico.




