Cláudia Claudino abre os bastidores do maior grupo empresarial de varejo do Piauí: IAs versus empregos, escala 5×2, relação com os irmãos e mais

Quem vê Cláudia Claudino, diretora de um dos maiores grupos empresariais do Piauí, com mais de 500 lojas espalhadas pelo Nordeste e faturamento que ultrapassa R$ 3 bilhões ao ano, talvez imagine uma rotina distante da vida comum. Mas ela faz questão de quebrar esse estereótipo. “Eu sou mãe, dona de casa. Muita gente se admira quando me encontra no supermercado, porque acha que eu nunca fiz supermercado. E eu sempre fiz supermercado. Sempre levei meus filhos para o colégio”, afirmou à coluna. 

Em uma sala de reuniões na sede do Grupo Claudino, localizado no bairro Vermelha, na Zona Sul de Teresina, ela recebeu o Boletim Brio. Sorriso no rosto, chegou dizendo “você pode perguntar tudo”. Filha do empresário nacionalmente reconhecido João Claudino Fernandes, ela diz conhecer bem o chão de loja. Antes de ser diretora, passou pela área de vendas, estoque, caixa, conferência, depósito, jurídico e compras. No Piauí que ainda enfrenta gargalos estruturais para empreender, ela é uma das vozes experientes em fazer negócios longe dos grandes centros. 

“Desde criança eu frequentava as lojas. Nas férias, eu gostava muito de ir para a João Cabral (onde há uma loja do Armazém Paraíba) e ficar ajudando em alguma coisa. Como meu pai dizia: ‘A gente vai pegando gosto’. Minha cabeça está sempre na ativa. Mesmo nos meus momentos de lazer, eu estou sempre atenta a algo que possa gerar dali algum insight. Não diria que um negócio, é uma ideia, alguma coisa nesse sentido. Mas eu sempre fui um ser humano em processo de crescimento, de evolução”, declarou Cláudia Claudino. 

Cláudia Claudino, o pai João Claudino e a filha Dani Claudino

Grupo Claudino está implantando IAs e pode diminuir número de funcionários

Em meio às transformações tecnológicas que redefinem o varejo brasileiro, o Grupo Claudino vem intensificando a adoção de sistemas de inteligência artificial. Para Cláudia Claudino, a modernização é um movimento de sobrevivência e eficiência operacional acelerado pela pandemia.

“Estive em São Paulo visitando uma loja da Riachuelo, em cerca de quinhentos metros quadrados, com apenas um funcionário. Totalmente autoatendimento. Você chega, entra, escolhe o produto, vai para o checkout, faz o pagamento no totem… Só tinha um funcionário para tirar dúvidas ou buscar algo que não tivesse na exposição. A inteligência artificial vem avançando para melhorar processos. Algumas situações não substituirão, mas no que puder ser substituído, será aplicado. A gente já vem implantando desde a pandemia. Vi a pandemia como uma oportunidade para acelerar projetos que estavam sendo pensados. É uma necessidade e uma realidade”, declarou ao Boletim Brio. 

Relação com os irmãos 

Após o falecimento do empresário João Claudino Fernandes, ocorrida em 2020, surgiram especulações sobre a relação dos irmãos Cláudia, João Vicente, João Júnior, Alayde Christine e João Marcello, em meio à sucessão das empresas e do patrimônio. A administração do Teresina Shopping, por exemplo, é comandada por João Claudino Júnior, enquanto o Armazém Paraíba é dirigido por Cláudia Claudino. 

João Vicente Claudino, Cláudia Claudino, João Claudino e João Claudino Júnior

“Hoje, se você pegar o histórico das empresas familiares, não só no Brasil, mas no mundo, família por si só já não é uma coisa muito fácil. Quando tem negócio no meio, aí a coisa muitas das vezes se desanda. Então eu não vou dizer pra você: ‘Tem uma briga’, porque briga pra mim é quando existe agressão. Eu digo que podem existir não concordâncias em determinados assuntos, e que a falta de comunicação não ajuda. Então, eu não sei quais são as lendas, muita coisa se fala. Eu precisaria pontuar cada item pra dizer se é falso ou verdadeiro. Mas as empresas continuam, e os pontos que ainda não estão acordados, existem muitos meios pra se buscar o entendimento. Alguns se consegue buscar de forma administrativa; aqueles que não são possíveis assim, você tem que recorrer à Justiça para buscar” contou ao Boletim Brio. 

“Muitas empresas e cinco cabeças pensantes” 

“Para o tamanho do negócio que é o Grupo Claudino, que não é só uma empresa, não é só o Armazém Paraíba, são muitas empresas. A vida toda foi administrado por duas pessoas: meu tio e meu pai. Em 2003, eles se separaram. Então aí já foi um ponto. Ah, eles brigaram? Não, mas eles entenderam que naquele momento o melhor era se separar. Se separaram, cada um foi cuidar do seu negócio. Então imagine: se dois entenderam que o melhor para o negócio era cada um cuidar, imagine cinco. Entendeu? São muitas empresas para cinco cabeças pensantes. É natural que em algum momento um não concorde com o outro. Como vai resolver, é como eu lhe disse: ou administrativamente, ou societariamente, ou judicialmente. Só tem esse jeito”, argumentou Cláudia Claudino. 

Valdecy Claudino, tio de Cláudia e o pai João Claudino, ambos in memorian

Escala 5×2

A discussão sobre a substituição da escala de trabalho 6×1 pela 5×2 ganhou força no Congresso Nacional, sendo tema de propostas já aprovadas na Câmara dos Deputados e em análise no Senado. A medida tem sido defendida sob o argumento de ampliação do descanso semanal dos trabalhadores, mas também gera preocupação entre empresários de diferentes setores, que avaliam impactos diretos na folha de pagamento, na organização das escalas e na competitividade das empresas. 

No cenário empresarial piauiense, a executiva Van Fernandes, do Grupo Vanguarda, já vem adotando modelos mais flexíveis em algumas unidades, antecipando tendências de reorganização do trabalho no varejo brasileiro. Questionada sobre como o Grupo Claudino se posiciona frente a essa discussão, Cláudia Claudino foi objetiva em mensurar impactos. 

“Com o aumento dos custos, naturalmente, você terá que transferi-los para o produto ou serviço, não é? Então, isso é uma consequência natural. Agora, eu acho que é um processo que ainda vamos aguardar, pois há a votação no Senado. Eu acredito que vai passar, mas acho que precisamos ver de que forma isso vai acontecer. Depois vêm as normatizações naturais, como sempre ocorre. Em seguida, vêm as possibilidades de negociação com os sindicatos. Então, é preciso aguardar para poder implementar. Mas não resta dúvida de que a consequência será, sim, o aumento de custos. E, conversando com uma chinesa em São Paulo, hoje ela presta serviço para nós e mora em São Paulo, eu comentei: ‘Olhe, agora vai ter a escala cinco por dois’. E ela disse: ‘Como? Mas como? Na China, a gente quer trabalhar até oito dias.’ Coisas diferentes da nossa realidade”, disse a empresária. 

Qual a dificuldade de manter indústria no Piauí? 

A gestão industrial no Piauí enfrenta gargalos que vão muito além da operação interna. Na visão de Cláudia Claudino, a competitividade é minada por uma combinação de custos logísticos elevados, carga tributária restritiva e uma carência crítica de políticas públicas de incentivo e capacitação de mão de obra, fatores que colocam o estado em desvantagem frente a vizinhos nordestinos.

“Por exemplo, a Guadalajara, que é indústria, ela concorre com outras indústrias do mesmo ramo que ficam no Sul e Sudeste do país, onde têm perto todos os fornecedores de matéria-prima. E aqui na Guadalajara, você tem que bancar o estoque pra poder a fábrica funcionar. Depois disso, para escoar o produto final, a malha viária nossa não ajuda. Seja terrestre, seja aéreo, o frete sai muito caro. E o estado do Piauí tem a carga tributária de ICMS entre as maiores do país. Se não me engano, só perde pro Maranhão, por pouco. Então fica sem condição de concorrer. Não é animador, é desanimador”, enfatizou a empresária. 

Cláudia Claudino chama atenção para a ausência de uma cadeia estruturada de capacitação em alguns setores, que acaba exigindo um esforço adicional dos próprios empresários, o que reduz a competitividade local.

“Outros estados dão incentivo para que as indústrias se instalem: o imóvel, o terreno, incentivo fiscal, mão de obra qualificada. Outro fato: aqui no Piauí não existe mão de obra qualificada. Por exemplo, se uma indústria de calçado pensasse em vir se instalar em Teresina, não existe mão de obra. Por quê? Porque em Teresina nunca existiu uma indústria de calçado. Aí qual é o órgão que vai treinar essa mão de obra? Não tem. Quer dizer que o empresário, além de comprar o terreno e gastar com toda a instalação, ainda tem que treinar mão de obra? É muito oneroso. E aí ela prefere ir para estados que dão toda a infraestrutura. Tem muitos estados do Nordeste que dão. O Ceará dá. A Bahia dá. Pernambuco, muitos outros estados do Nordeste possibilitam isso. Não o Piauí. Então eu acho que o Piauí não tem hoje estrutura para atrair investimentos em setores que geram emprego”, defendeu. 

Um dos maiores aprendizados com o senhor João Claudino? 

“Meu pai é uma pessoa que para ele não existia nada, dentro daquilo que ele acreditava ser possível fazer, que não desse certo. Então, se tinha uma dificuldade aqui: ‘Não, se não dá por aqui, dá por ali’. Se era uma coisa que ele acreditava, você tinha que dar um jeito de realizar, porque ele não aceitava: ‘Ah, não deu pra…’Não, sempre dá, sempre procurava um jeito. Então foram muitos. Ele era uma pessoa muito persistente, acreditava, sempre ia buscar soluções. Sempre terminava uma coisa, ele idealizava outra. Muito curioso. Ele gostava de conversar. Ele tinha interesse de ouvir a sua história. Se ele tivesse aqui, não era você quem estava perguntando, era ele”, relembrou Cláudia Claudino. 

O que lê nas horas vagas? 

“Eu gosto de livro, sempre nos assuntos de liderança. Eu gosto muito. Qualquer livro que trate de soft skills, todas as habilidades comportamentais. Depende muito do tema que me apareça e do momento que eu esteja vivendo. Não sou muito de romance, sou mais de livros que têm o foco num determinado assunto. Geralmente, esses livros eu transformo em palestra para o projeto de liderança que eu desenvolvo”, contou Cláudia Claudino. 

Qual sua relação com as causas sociais e instituições de caridade? 

“Quando foi em 2021, meu primeiro neto, Gabriel, nasceu com síndrome de Down. Aí eu passei a me dedicar à causa da síndrome de Down, muito ligada à APAE e a outras instituições que trabalham com pessoas com síndrome de Down. Foi quando surgiu a ideia do Conexão de Afeto. Que no primeiro movimento foi para ajudar a APAE de Teresina, porque papai era muito ligado ao professor Cordão, que durante muito tempo presidiu a APAE. E hoje a presidência está com o filho do professor Cordão. Na época, eu fui visitar a APAE de Teresina e vi que precisava de ajuda, de recursos financeiros. E tive a ideia de fazer o Conexão de Afeto, que se tornou um movimento, não só uma ação. Teresina hoje, o que é que tem pras pessoas fazerem? Não tem praia. Então as pessoas vão para eventos, e principalmente gostam quando o evento é com gastronomia. Então eu idealizei um evento, e com esse evento nós conseguimos recursos e montamos uma sala de terapia com recursos sensoriais na APAE. É uma sala de fisioterapia muito bonita. O segundo já foi pra Down The Amo, que é uma instituição aqui de Teresina que também trabalha com crianças com síndrome de Down. E é um movimento que vai sempre acontecer em prol de alguma instituição”, explicou. 

Cláudia Claudino, o neto Gabriel e a filha Dani Claudino

O processo de autoconhecimento 

Para além das questões societárias, Cláudia dedica atenção especial ao capital humano através de métodos de gestão inspirados na psicologia positiva. A meta é transformar o ambiente corporativo em um espaço de autodescoberta para o colaborador. 

“Eu gosto muito de estudar, sempre estou buscando. Não digo aperfeiçoar, mas buscando novos conhecimentos em diversas áreas. Desde 2018, eu iniciei um processo de autoconhecimento, estudo da psicologia positiva, da felicidade também dentro das organizações. E isso tem me possibilitado melhorar o projeto que eu criei desde 2006, que é o Programa de Desenvolvimento de Liderança (PDL) no Armazém Paraíba. Só que hoje esse projeto acontece de uma forma bem ampla. E o foco dele é o desenvolvimento do colaborador, mais dentro da sua descoberta como pessoa, para que ele entenda que a liderança começa nele”, destacou Claudia Claudino. 

Quais suas metas e sonhos para o futuro? 

“É viver o hoje, claro, ter planos, ter metas, mas acreditar que o que a gente tem que fazer é agora. Tenho o meu propósito de vida, que é impactar positivamente na vida das pessoas, por isso que eu procuro no PDL despertar sobre isso. Procuro nas minhas ações sociais fazer também um pouco, porque eu sei que essas instituições têm uma abrangência muito grande para as pessoas que precisam daquele atendimento. Isso aí me move, sabe? Isso aí me realiza. E é ter paz na consciência e alegria no coração. Tudo aquilo que me tira a paz, me tira a liberdade e me tira a autonomia, não me agrega”, finalizou Cláudia Claudino. 

Destaque jurídico 

O Conselheiro Federal da OAB Piauí, Ian Cavalcante, faz parte de comitiva da advocacia que entregou formalmente um pacote de propostas técnicas elaboradas pela Comissão Nacional de Direito Notarial e Registral do Conselho Federal da OAB (CFOAB) ao Conselho Nacional de Justiça. Ele é um dos poucos piauienses que presidem uma Comissão Nacional da instituição. As sugestões, construídas com foco no aprimoramento normativo dos serviços de cartórios em todo o país, foram acolhidas pelos conselheiros Marcello Terto e Rodrigo Badaró, do CNJ, para análise e encaminhamento institucional. 

“O Poder Judiciário está sobrecarregado, e nós, advogados, não podemos aceitar que um direito legítimo do nosso cliente fique parado por anos em uma fila de tribunal quando ele poderia ser resolvido em dias na via extrajudicial. Nosso objetivo é dar segurança jurídica para que o advogado possa resolver inventários, divórcios e regularizações imobiliárias com rapidez, sem abrir mão da segurança, e garantindo que suas prerrogativas sejam respeitadas.

Para mim, como representante do Piauí no Conselho Federal, é um orgulho imenso liderar esse debate nacional. Levar a voz do nosso estado para o centro das grandes decisões do país mostra que a advocacia piauiense é qualificada, estratégica e está na vanguarda da modernização do Direito no Brasil”, falou Ian Cavalcante.

Musculatura criativa: como adquirir? 

A escritora piauiense Clara Mello reuniu participantes de diferentes idades e experiências durante uma oficina de escrita criativa realizada neste fim de semana no Teresina Shopping e nesta segunda-feira (22/06) na Assembleia Legislativa do Piauí. Os encontros proporcionaram uma imersão no universo da criação literária por meio de exercícios, leituras e dinâmicas voltadas ao estímulo da imaginação e da expressão escrita.

“Ao longo da minha trajetória como escritora, roteirista, dramaturga e compositora, fui reunindo exercícios, técnicas e maneiras de estimular a criatividade e criar o que eu chamo de musculatura criativa. Da mesma forma que, para praticar um esporte ou levantar peso, a gente precisa desenvolver resistência, acredito que com a criatividade acontece a mesma coisa. Nas oficinas, fazemos vários exercícios a partir de textos e leituras que eu trago, além de propostas para que todos escrevam juntos, como uma grande brincadeira coletiva. É um espaço seguro, acolhedor, sem julgamentos, onde a experimentação é mais importante do que a lógica do erro e do acerto”, destacou Clara Mello ao Boletim Brio. 

Manual da Moda 

A empresária Michelle Alves recebeu muitos elogios nas redes sociais ao compartilhar produções para dias na capital paulista. O conjunto adquirido na loja Adelaide Dantas imprime personalidade. Nos complementos, escolhas que elevam a composição. A bolsa Hermès acrescenta exclusividade ao look e o scarpin é da Schutz. E claro, um elemento que ela fez questão de destacar à coluna, o perfume Chanel Coco, por Mademoiselle Teresina, loja em que é proprietária. O feeling é de marketeira raiz! 

A advogada Martha Brandão posou com uma composição que une sofisticação e valorização da produção local. A blusa em tom verde oliva é assinada pela  loja Kempf. Já a calça jeans de modelagem ampla, bordada artesanalmente com flores e cactos, foi produzida por Rebeca Gonçalves da loja Repris. Uma produção toda “made in Piauí”. 

A empresária Carla Mistura apostou em uma produção leve e sofisticada para evento social. O vestido fluido é da loja Core Deluxe. Os acessórios são da sua loja, Lys. Enquanto a bolsa da Chiquita acrescentou um elemento lúdico e autoral ao look, revelando criatividade e autenticidade. O resultado foi uma composição que comunica delicadeza, confiança e estilo próprio, assinada por Luana Alencar. 

Shelda Magalhães

É coordenadora-geral da Agência Brio Comunicação. Foi coordenadora de Comunicação da OAB-PI (2022-2024). Foi âncora da TV Antena 10/ Record TV e da TV Band Piauí. Foi repórter da TV Antena 10. Atuou como repórter do Portal OitoMeia. É jornalista pela Universidade Estadual do Piauí (UESPI). É certificada em Marketing Digital, Branding Pessoal e de Marca.
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