Por Clara Pimentel e editado por Paula Sampaio
Opalas com colorações esverdeadas foram achadas em Castelo do Piauí, a 133 Km da região de Pedro II, onde as pedras azuis são bem conhecidas. “A opala é uma gema que, em seu nome, já carrega nobreza e mistério, tendo origem no termo upala, que significa pedra preciosa, do sânscrito, a língua sagrada dos antigos sacerdotes hindus”pontua um dos estudos do geólogo Érico Gomes. O mineral é garimpado desde a década de 1960 no inteiror do Piauí, especialmente no município de Pedro II. Mas, no último mês de setembro a Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado do Piauí – (FAPEPI), apresentou uma nova variante da pedra famosa ,por seu brilho singular, a opala verde.
“Embora sejam opalas diferentes, a de Pedro II é uma opala que tem um jogo de cores e enquanto que essa é uma opala verde, toda verde, sem jogo de cores, mas o aspecto geológico é muito similar. Então eu dei algumas orientações, peguei mais algumas amostras, trouxe para a Teresina para fazer um estudo, e melhor caracterizar esse material.”

O geólogo Érico Gomes foi o responsável por apresentar ao mundo a descoberta, em entrevista ao Boletim Brio, o pesquisador disse que um senhor local da região de Castelo do Piauí, que acopanhava os bastidores dos seus estudos em Opala feitos no Piauí, por meio do perfil do instagram @APL Da Opala (Arranjo Produtivo Local), entrou em contato com ele para falar sobre uma pedra que havia encontrado em sua cidade e que desconfiava se tratar de uma nova Opala.
O especialista em Geologia afirmou que curioso, foi até o município se encontrar com o homem para poder ver pessoalmente a tal pedra. Chegando lá, após análises preliminares, Érico confirmou que se tratava, de fato, de uma opala, e, a partir daí, mobilizou sua equipe para mais oberservações a respeito. Porém, até o momento, não há resultados conclusivos sobre o leva, geologicamente essa Opala a possuir um tom verde, tão diferente da cor azulada tradicional.

A jornada do geólogo até a descoberta
“Sempre fui uma criança curiosa, que amava o contato com a natureza”, descreve Érico Rodrigues Gomes, o geólogo responsável pela descoberta de um novo tipo de Opala no Piauí. Érico disse, em entrevista ao Boletim Brio, que sua paixão pela terra começou logo na infância, quando ia passar as suas férias no interior, pois apreciava mais a zona rural mais do que a cidade.
“Eu acordava de manhãzinha cedo, pegava o cavalo e saía, ou mesmo andando, saía andando pelas estradinhas, pelas trilhas antigas, abandonadas, tinha aquela mata fechada por cima do caminho e sempre gostei desse contato com a natureza”, disse.

“A geologia me chamou atenção”
O pesquisador, atual professor do Instituto Federal do Piauí (IFPI), pontuou como se encontrou na geologia. Érico contou que, em sua juventude, quando estava finalizando o Ensino Médio, viveu a típica angústia de não saber qual profissão seguir, mas foi através de um guia de carreiras, em uma revista à venda no Centro de Teresina, que os seus olhos brilharam.

“Um dia eu fui andando na praça, lá no Centro tinha uma banca de revista e me chamou a atenção lá uma revista que estava exposta na banca, guia de profissões, e eu curioso fui olhar aquele guia de profissões. E a Geologia me chamou a atenção, naquela época ninguém falava em geologia, não tinha Geologia no Piauí, ainda hoje não tem, não tinha os meios de comunicação nas redes sociais, internet, e eu fiquei curioso para saber mais informações sobre Geologia”, relembrou.
A saída do Piauí em busca de um sonho
O professor explicou ao Boletim Brio que ficou sabendo, por meio de um tio que morava em Natal, no Rio Grande do Norte, que a cidade possuía o curso de Geologia. Curioso pela carreira, o jovem Érico seguiu viagem para a capital potiguar a fim de conhecer o curso de perto.
“Em julho de 84 eu peguei um ônibus e fui pra Natal, pra visitar um curso de Geologia, eu cheguei lá e fiquei encantado, quando eu voltei pra Teresina nas férias de julho, o vestibular era no final do ano, e eu falei para os meus pais que eu queria fazer Geologia”, destacou.
Depois desse momento de deslumbre, o futuro geólogo descobriu que o curso existia também em Fortaleza. Érico fez o vestibular e ingressou na universidade na capital cearense, onde passou dois anos.
“Comecei Geologia em Fortaleza, fiquei dois anos lá e depois eu transferi para a Belém no Pará, na Universidade Federal do Pará, que tinha naquela época um excelente curso, ainda hoje é um excelente curso de Geologia. Então foi assim que tudo começou”, acrescentou.
Afinal, o que é uma Opala e qual a importância dela para o Piauí?
A pedra preciosa é famosa pelo seu brilho, que muda conforme a luz e o movimento, parecendo carregar um arco-íris dentro dela. A joia é considerada rara porque só é encontrada em dois lugares em todo o mundo: na Austrália e em terras piauienses, na região de Pedro II. A opala é classificada conforme os seguintes atributos: Se é natural, a presença ou ausência do jogo de cores, a tonalidade do corpo (body tone) ou cor básica ou cor de fundo (background color) ou cor do corpo (body color) ou cor da massa opalina.

A Opala tipicamente conhecida é natural das terras da cidade de Pedro Segundo e costuma ter o tom azulado luminoso como cor predominante. Recentemente, a Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado do Piauí (FAPEPI) apresentou que na cidade de Castelo do Piauí, foi encontrada uma Opala com características inéditas, isso porque a pedra possui uma coloração predominantemente verde. Os estudiosos ainda não sabem o que provoca essa distinção química quanto à cor das pedras.
Na cidade de Buriti dos Monte, na regiaõ Centro-Norte do estado, já foram encontradas Opalas amareladas e avarmelhadas, também conhecidas como “Opalas de fogo”. O registro desses minérios é quase tão antigo quanto o das opalas tradicionais de Pedro II. Toda via, a obra assinada por Érico Gomes, junto de outros especialistas da área, chamado “As Opalas do Piauí”, afirma:
“Tendo jogo-de-cores, a Opala é denominada de Opala preciosa, como exemplo, as Opalas encontradas em Pedro II. Na ausência do jogo de cores, é uma Opala comum, como exemplo, a Opala laranja encontrada em Buriti dos Montes.”

A curiosidade pela opala
Já o interesse por minerais também começou bem cedo. Durante os anos de formação, ele se dedicou aos estudos de minérios variados e foi em Pedro II, já estudando a Opala, que Érico realizou o seu trabalho de conclusão de curso, o TCC.

“Quando eu fui me formar, o meu trabalho de conclusão de curso foi estudando as opalas de Pedro II. Eu queria conhecer, saber como que elas se formavam, quais as características, as propriedades. Isso aí já foi em 1988/1989. Fiz o trabalho de conclusão de curso, estudando as opalas de Pedro II, fazendo toda a caracterização delas na época,” esclareceu o especialista em Geologia.
O início da pesquisa
O geólogo destacou que primeiro apresentou o seu projeto de estudar a escala produtiva da joia ao Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico (CNPq), mas que, por limitações de recursos, transferiu a proposta para a FAPEPI.

“Foi fantástico! O projeto foi aprovado e aí nós começamos a desenvolver ações voltadas à inovação, empreendedorismo, geração de renda em toda a cadeia da Opala na região de Pedro II.”
A partir daí, novas oportunidades foram surgindo e a equipe de estudos abriu uma escola, o Centro Tecnológico da Opala (CETAM). Os novos projetos derivados da pesquisa trazem, segundo Érico, pessoas de toda parte do país e do mundo, que se dedicam a entender mais sobre a Opala.

“Começamos a dar cursos de lapidação, de ourivesaria, modelagem 3D, design de joias. Hoje nós já somos uma referência no Brasil, temos alunos de São Paulo, temos alunos de Fortaleza, Salvador, já tivemos alunos da Venezuela, do Peru, alunos da Holanda, da Grécia, então da Europa a América do Sul, para o Brasil inteiro, nesse segmento de joalheria”, frisou o estudioso.
A Opala verde
Em meio a tanta dedicação, trouxeram ao conhecimento do geólogo a presença de uma Opala diferente no município de Castelo. Chegando à cidade, Érico Gomes percebeu que se tratava, de fato, de uma pedra com coloração inovadora e nunca vista. A partir daí, a dedicação pelo trabalho só aumentou na equipe, que já tinha anteriormente iniciado a análise de outra pedra de Opala variada, na cidade de Buriti dos Montes.

“Isso ampliou o raio de atuação do apelo da Opala, estávamos apenas em Pedro II, agora vamos para Castelo e Buriti dos Montes, os prefeitos estão muito motivados também, querem fazer parceria conosco, para capacitarmos os jovens, para gerar renda na lapidação, na ourivesaria, no empreendedorismo, em negócios, então vai gerar renda, aumentá-la por toda a região, isso é muito gratificante! ver as pessoas realizando seus sonhos”, concluiu o cientista da terra.
A nova Opala ainda não esta sendo comercializada. Os estudiosos ainda estão buscando entender qual é a reação do minério quanto à lapidação. Porém assim como a opala de fogo de Buriti dos Montes, a pedra verde não deve atingir os mesmos preços de mercado que a Opala azul e poderá ser vendida por valores entre R$ 50 a R$ 500. Muitas vezes, as Opalas tradicionais são consideradas pedras mais nobres que podem variar entre R$ 1.000 e R$ 5.000. A grande importância da Opala preciosa encontrada em Pedro II se dá pelo fato destas serem tão belas quanto as similares encontradas na Austrália,confundindo-se com as mesmas no mercado mundial. Mas, com um importante diferencial, a sua comprovada qualidade gemológica, o que a torna tão cobiçada por colecionadores,lapidários e indústria de joias.
A importância desse trabalho
A Opala verde é uma novidade, mas a joia já possui història no Piauí. Pedro II é amplamente conhecida pela presença da pedra rara, e a ampliação de lugares que possuem essa raridade tem a capacidade de fomentar o turismo, a cultura e o empreendedorismo de todos que vivem há anos da comercialização da joia. Da mineração e lapidação da pedra à confecção e venda das joias prontas, todos os envolvidos saem ganhando com os próprios recursos de sua terra.

A paixão pelo brilho da Opala não se limita apenas à curiosidade de Érico, que surgiu logo cedo. A descoberta e o estudo dessas rochas são o primeiro passo para um mercado muito maior e cheio de tradição: os “opaleiros”, que são todas as pessoas envolvidas no fascínio pela Opala, que nasce do Piauí e ganha o mundo!


