Termômetro da comunicação digital das campanhas no PI por Luan Landim; a história da jovem empresária Pérola Nunes; a nova biografia de Carlos Said e mais 

A Coluna Ápice inaugura uma nova seção dedicada à gastronomia, com dicas de restaurantes e pratos que merecem entrar no radar de Teresina. A proposta é apresentar experiências selecionadas a partir do olhar da coluna e, também, das preferências compartilhadas pelos nossos leitores e convidados.

Esse elo entre o Boletim Brio e quem nos acompanha é parte essencial da nossa linha editorial. Por isso, a nova seção nasce como uma proposta de comunicação integrada, em que o leitor também participa da construção das pautas, indicando lugares, sabores e experiências que considera especiais.

Júlia Botelho, influenciadora digital 

Meu prato favorito é o Suínos dos Sonhos (Tomahawk suíno com risoto de cebola caramelizada) do Pitanga Gastrobar. 

É o prato que mais tem me dado água na boca atualmente. O corte suíno vem servido num ponto perfeito, macio e suculento. O risoto de cebola caramelizada é surpreendentemente delicioso. Um prato autoral super autêntico do Pitanga!

Tonny Kerley, professor universitário, doutor em Marketing e apresentador

Minha indicação é o Filé Rossini, do Pecattu da Gula. O restaurante tem seu cardápio assinado pelo renomado chef francês Laurent Suaudeau, e isso se percebe na proposta e no cuidado com a gastronomia. Escolho o Filé Rossini porque é um prato sofisticado, que valoriza a qualidade e a suculência da carne e, ao mesmo tempo, apresenta uma combinação de sabores marcantes e muito equilibrados. É especial justamente por reunir técnica, elegância e sabor em uma mesma experiência. Para mim, é aquele tipo de prato que transforma uma refeição em um momento gastronômico: tem personalidade, é bem elaborado e proporciona uma experiência que vai além do simples ato de comer.

Arnaldo Ribeiro, jornalista e apresentador do Cidade Alerta na TV Antena 10 

Eu quero destacar aqui o carneiro feito Maria Isabel, ou seja, o carneiro misturado com arroz. Assim como diz a história, bem grudentinho, empregadinho na panela. Esse carneiro é produzido pelo meu amigo Bené, na churrascaria Gordeixos. Ele vem com todo o acompanhamento: Maria Isabel de carneiro e, claro, vêm as verduras, vem a farofa, e é uma delícia.

Então, é um prato bem regional, bem nosso, né? Carneiro feito Maria Isabel, misturado com arroz e, assim, com aquele pregadinho na panela. É a melhor comida que eu acho e tem com muita, mas com muita, muita categoria lá no Gordeixos, que é um restaurante na Zona Leste, ali na região do Planalto do Uruguai.

Termômetro da comunicação digital das campanhas eleitorais no Piauí

O Piauí vive o auge de mais um ciclo eleitoral. Existe uma competição visível entre os próprios candidatos, quem posta mais, quem aparece mais, quem parece maior. Mas essas camadas escondem uma pergunta que poucos sabem responder: esse volume todo que tantos buscam está virando voto? Para o gestor de tráfego pago e estrategista de growth (crescimento nos indicadores de marketing ) Luan Landim, a resposta é um pouco mais complexa do que qualquer métrica isolada.

Segundo ele, o maior desafio é saber com quem falar. Quem fala com todo mundo não fala com ninguém. E aqui isso é especialmente difícil por uma questão geográfica. O Piauí tem 224 municípios e uma distribuição muito desigual. Teresina concentra cerca de um quinto do eleitorado e o restante está pulverizado em cidades pequenas. Isso cria um problema prático de mídia, porque audiência pequena não ganha escala nas plataformas. O custo por pessoa impactada sobe justamente onde o eleitorado é menor. 

“Tem também um ponto que quase ninguém considera: a base de seguidores de um candidato não é a base eleitoral dele. Tem gente de outras regiões, de outros estados, de outros perfis. O número de seguidores dá uma sensação de tamanho que nem sempre corresponde à realidade. E mesmo esses seguidores você não alcança. Quando alguém publica um conteúdo, aquilo aparece para uma fração pequena da base. As pessoas não compreendem isso, acham que postar é falar com todos que as seguem. Não é. São funis dentro de funis: o post aparece para uma parte da base, e dentro dessa parte só uma fatia está de fato na região. E estar na região ainda não significa que aquela pessoa vota em você. Para ampliar isso existem dois caminhos. Um é o compartilhamento, que é gratuito e depende de produzir conteúdo que alguém queira compartilhar. O outro é a mídia paga, que é o único jeito de garantir que o conteúdo chegue a quem você escolheu, na região que você escolheu”, esclareceu Luan Landim. 

Campanha organizada versus campanha barulhenta 

É esse tipo de leitura que separa uma campanha organizada de uma campanha barulhenta. O eleitor piauiense mudou de comportamento, e isso mexeu com a forma de fazer propaganda. Ele reconhece uma peça publicitária em segundos e pode rolar a tela logo em seguida. A boa e velha emoção segue ditando os indicadores de retenção de audiência. 

“O público nunca esteve tão exposto a conteúdo político, mas rejeita justamente aquilo que tem cara de propaganda. Ele não consome menos política, consome por outra porta. Foi isso que obrigou a comunicação política a mudar. Saiu do palanque e entrou na conversa. O digital foi o que tornou isso possível, porque permite uma comunicação olho no olho, como se o candidato estivesse falando diretamente com aquela pessoa. Nos veículos tradicionais, o candidato fala com a massa. No digital, ele fala com alguém. É outro registro. Mas faço uma ressalva que no Piauí é decisiva: no interior, os veículos tradicionais continuam muito fortes. Rádio, liderança local, contato direto. O digital não substituiu isso. Ele soma”, pontuou Luan Landim.

Quem trata digital como substituto de território no interior está fazendo uma conta errada. Na mídia paga, a consequência foi uma inversão. Antes se comprava alcance, falar com o máximo de gente possível. Hoje o jogo é frequência sobre quem já demonstrou afinidade. É mais eficiente conversar várias vezes com quem pode votar em você do que uma vez com o estado inteiro, apontam as análises.

Hoje, arte bonita com número e slogan também importa muito menos. O que segura audiência e conversão é posicionamento, opinião, história pessoal, alguém de confiança falando sobre o candidato. Isso também reorganizou o jeito de montar as estratégias de comunicação digital. 

Nem toda boa ideia é boa para todo mundo 

Para alguns candidatos, uma comunicação produzida, com estética de agência e acabamento visual, é importante para transmitir estrutura, profissionalismo e força de campanha. Para outros, especialmente quando o eleitorado e o branding pessoal foram construídos a partir de uma naturalidade, uma comunicação excessivamente plastificada pode produzir o efeito contrário, que é afastar as pessoas e até gerar uma desconexão com a própria base.

Por isso, tudo é uma questão de contexto. É preciso entender quem é o público, qual é a trajetória daquele candidato e como a imagem pública dele foi construída ao longo do tempo. Não se trata de chegar à campanha, aumentar o volume de produção e envelopar toda a comunicação com uma estética sofisticada esperando que o eleitor se conecte. Em alguns casos, essa estratégia pode funcionar. Em outros, pode justamente romper a conexão que já existia. 

Os desafios das equipes de comunicação do Piauí

Para Luan Landim, é aqui que mora um dos maiores desafios das equipes de campanha. Muitas vezes o candidato quer ver o número subindo, quer ver visualização, quer sentir que está sendo visto. E cabe ao estrategista explicar que aquilo que reconforta em reunião pode não significar nada no dia da urna. Visualização sozinha não significa nada além de vaidade. O melhor público de uma rede social não é o seguidor, é quem engaja. E boa parte de quem engaja ainda nem segue o candidato. O erro também tem efeito em cadeia. Quando a campanha só persegue volume, ela bate na mesma audiência repetidas vezes. 

“O maior erro das equipes está em achar que tráfego pago serve para falar com mais pessoas. É o contrário: ele serve para falar com as pessoas certas, na frequência certa, nas regiões certas, com o objetivo de aumentar a base de apoio. É a mesma lógica da rua, você não trabalha para apertar mais mãos, trabalha para formar mais lideranças, porque liderança multiplica. No digital é igual. Mas o que acontece na maioria das campanhas é o foco em visualização. E visualização é métrica de vaidade: aquele número que sempre sobe, deixa todo mundo satisfeito na reunião e não diz nada sobre resultado. Ela mostra que a plataforma entregou o conteúdo, não que a pessoa se interessou por ele. Quem aparece como visualização pode ter passado por cima em dois segundos. O que importa é separar quem realmente assistiu. Esse público é ouro, porque demonstrou interesse, e com ele você conversa de novo, com outro conteúdo e outro objetivo”, explicou o gestor de tráfego pago. 

Curadoria de referências por Luan Landim 

O que mais mexeu comigo nos últimos anos não veio de um livro de marketing, veio de um incômodo. Na última campanha, e também no corporativo, eu via muito cliente perdido diante dos próprios dados. Tinha informação, tinha número, tinha relatório, e não sabia o que fazer com aquilo. Isso me incomodava demais. Foi o que me levou a estudar Growth, que é uma metodologia baseada em hipótese, teste rápido e medição. Você observa, levanta uma hipótese, testa, mede e decide com o resultado na mão em vez de decidir por intuição. 

E o livro que mais tem me acompanhado é “A Meta”, do Eliyahu Goldratt. É um romance empresarial que explica a teoria das restrições: todo processo tem um elo mais fraco, e enquanto você não resolve esse elo, melhorar o resto não muda o resultado. E isso não vale só para empresa, vale para campanha e vale para a vida pessoal também. 

Fora disso, gosto de série e filme que trata de como as pessoas lidam com pressão, Suits é um exemplo, pela maneira como o personagem atravessa situações complexas sem se perder. Mas confesso que meu humor é bem infantil: para desligar mesmo eu vou de The Big Bang Theory. E tem uma coisa que contradiz completamente a fama que eu tenho de ser sério, chato e analítico: filme de cachorro me derruba. Eu choro.

Uma vez, antes de pegar um voo, me despedi do meu cachorro e chorei ali mesmo, antes de embarcar. Acho que isso diz alguma coisa sobre comunicação, inclusive. A gente passa o dia inteiro olhando número, planilha, custo por resultado, e no fim o que faz alguém parar e prestar atenção nunca é o dado. É o que toca. O dado serve para você saber onde falar e com quem falar. Mas o que convence é sempre humano.

Mais de 30 funcionários, três lojas e vinte e poucos anos: conheça a trajetória empreendedora de Pérola Nunes 

Aos 17 anos, Pérola Nunes começou a empreender com apenas R$ 1 mil. Seis anos depois, a jovem empresária piauiense está à frente da Cacto de Prata, loja de acessórios em prata, que já conta com três unidades em shoppings de Teresina, mais de 30 funcionários e um e-commerce responsável por 25% do faturamento da empresa. Pérola é da geração Z e, fiel aos novos tempos, encontrou nas redes sociais uma ferramenta para comunicar seu trabalho e, com isso, ilustrar novas possibilidades de carreira para as gerações mais jovens e conectadas. Empreender cedo também é ocupar espaços e construir o próprio caminho, diante de uma plateia que pode se transformar em público consumidor.

Sonhar com o empreendedorismo? Não, ela sonhava com a advocacia, carreira que deixou para trás no terceiro período do Direito para se dedicar exclusivamente ao negócio que começava a dar sinais de crescimento em potencial. Nesta entrevista ao Boletim Brio, ela conta desafios de começar jovem, as escolhas que transformaram sua vida e os caminhos percorridos até fazer da Cacto de Prata um negócio em expansão. Além do preconceito, das limitações e das dúvidas que muitas vezes acompanham quem decide empreender. Seguir fazendo e acreditando, mesmo diante do medo de errar ou de sentir vergonha, está entre as lições que o caminho lhe trouxe. 

Boletim Brio: A Cacto de Prata nasceu no seu quarto, com um investimento modesto. Quando você olha para aquela Pérola de 17 anos, o que reconhece como instinto e o que hoje sabe que foi construído com aprendizado?

Pérola Nunes: Essa primeira pergunta eu vou responder ela de forma bem geração Z, com a trend que está tendo agora. Eu comprei uns pratinhas há sete anos atrás e, hoje, praticamente, elas que me sustentam. Então, eu falo isso porque eu não tinha intenção nenhuma em empreender. Eu não me vi, no futuro, empreendendo. Na verdade, eu me vi como uma advogada, como uma concursada, como uma pessoa que prestava serviço.

Para mim, foi mais que uma surpresa na minha vida, literalmente. Foi uma coisa que caiu nos meus braços. Eu não esperava. Foi pra passar, entre aspas, o tempo, porque eu tava muito mal, por conta que eu não tinha passado na universidade federal. E era meu grande sonho. Eu tinha passado um ano pro vestibular, em preparação pra isso. Eu não tinha conseguido e achava que minha vida estava super atrasada. 

Boletim Brio: Como surgiu o seu interesse pelo empreendedorismo? O que pesou na decisão de deixar a faculdade de Direito para focar na área empresarial? 

Pérola Nunes: O empreendedorismo surgiu por conta dessa minha frustração, e eu fui me consolar. Não foi por necessidade financeira no momento, mas eu me encontrei super. A minha missão era dobrar mil reais, comecei com mil reais, e a minha missão era dobrar esse dinheiro. E, quando eu me vi, eu já estava super apaixonada com o que eu estava fazendo e continuei. Aí, quando foi três meses depois, eu pedi para minha mãe. Eu já estava no terceiro período de Direito. Eu pedi para ela: “Mãe, deixa um ano sem estudar, porque estava na pandemia, a faculdade estava bem ruim no sentido de entrega, mesmo de conteúdo, e eu ia focar esse um ano, esperar a pandemia passar e ver como é que seriam os resultados.”

E, assim que passou esse ano de pandemia, eu consegui levantar o dinheiro suficiente para montar a minha primeira loja lá no Dirceu. Uma loja de 8 metros quadrados na época, muito pequenininha. E hoje a gente está em três grandes shoppings. Hoje, a nossa menor loja tem 32, uma tem 60 e a outra tem quase 80 metros quadrados.

E a gente é mega feliz, porque a importância do físico foi conhecer outro tipo de público. Porque as pessoas, assim que saíram da pandemia, sentiram a necessidade de visitar locais e tudo. Então, começou a me gerar a famosa experiência do cliente. Então, a gente foi se interessando em fazer eventos, deixar a loja mais arrumada, se dedicar mais à marca. Então, foi muito importante.

Boletim Brio: Para além dos números de crescimento, que escolha de posicionamento foi decisiva para a marca ser reconhecida em Teresina e avançar no comércio online? 

Pérola Nunes: Eu sou tão crítica ao ponto de escolher acessórios, como bolsas e sapatos, que são dourados ou com ferragem mais champanhe, que dê pra combinar com minhas joias, porque minhas joias sempre vão ter que roubar a cena, em tudo que eu fizer.

Então, minha presença foi marcando isso. O meu perfil pessoal, todos os dias, tem que ter alguma coisa envolvendo a Cacto de Prata. Isso desde quando eu comecei. E, hoje, eu tenho um daily que reúne mais de 12 mil mulheres que me assistem todos os dias, em que eu conto da minha rotina, conto dos meus perrengues, conto das minhas vitórias.Então, tipo assim, eu resolvi ser mais real. Quanto mais real eu sou, mais as pessoas se identificam comigo.

Boletim Brio: Como mulher e jovem empresária, você já viveu eventuais tentativas de descredibilização ao longo da sua trajetória? Como lidou com isso? 

Pérola Nunes:  Hoje em dia, eu trato muito sobre o posicionamento. Eu tento chegar antes na pessoa do que a pessoa chegar em mim. Em que sentido? Em postura, em conversa, em apresentação. Eu sempre me apresento. Então, tipo assim, eu não deixo a minha idade resumir quem eu sou. Porque eu tenho quase sete anos de trajetória, então muita gente demora a tomar iniciativa. E, porque eu tomei muito cedo, eu não tenho culpa das outras pessoas terem tomado um pouco mais tarde. 

Eu já lidei com várias situações de pessoas me descredibilizando, tendo preconceito até mesmo com o empreendedorismo no estado do Piauí. E eu coloco a pessoa no lugar, com a devida elegância e como deveria. 

Boletim Brio: Em uma conversa mais pessoal: que hábitos sustentam sua rotina quando o trabalho exige presença constante, organização, exercício, leitura, silêncio, fé, tempo com a família, viagens? E o que você faz quando precisa se desligar da empresária e simplesmente ser a Pérola?

Pérola Nunes: Eu sou uma pessoa que ama rotina. Eu sou uma pessoa que dorme cedo. Eu sou uma pessoa que a primeira alimentação do dia é uma leitura bíblica, não é uma comida material.

Então, eu cuido muito do meu lado espiritual, cuido muito do meu corpo também. Assim que eu termino minha leitura, eu vou tomar café e vou pra academia. E, quando já dá oito horas da manhã, que é o horário eventual que o comércio abre, eu já tô ali, pelo menos, as minhas atividades primordiais do dia, de pessoa física, já estão resolvidas. E eu começo o dia com mais leveza. 

E, quando eu tenho aquele tempo disponível, no final de semana, tiro minhas férias e tudo, eu amo viajar, conhecer coisas novas. Eu amo o mundo, eu amo a aventura.

E eu também sou uma pessoa muito simples. Em que sentido? Eu gosto muito de me reunir com a minha família, de passar um tempo com os meus sobrinhos e afilhados e só ser uma pessoa normal, sem o peso de carregar, e ser preocupada 24 horas com o CNPJ. 

Graças a Deus, depois de muitos anos, eu sei a hora de parar, sei a hora de continuar, e isso, sem dúvidas, me dá um gás e aumentou muito mais a minha produtividade.

Boletim Brio: Que conselho você daria para uma jovem que tem um produto, uma habilidade ou um sonho, mas ainda sente vergonha de começar pequeno e aparecer nas redes sociais? 

Pérola Nunes: A internet hoje tornou tudo muito grandioso. Que todo mundo tem que ser muito grande, muito perfeito, muito harmônico. E eu acho que as pessoas precisam ter peito pra ser diferente, pra investir no diferente. Porque o que eu vivo hoje poderia parecer vergonhoso lá atrás, mas eu deixei a vergonha se sobressair e passei à frente.

Então, eu acho que tudo que determina realmente o que a pessoa quer pra vida dela é o propósito de vida. Ela precisa ter muito propósito, ser muito alinhada com o que ela quer, muito focada no que ela quer e entender verdadeiramente quem ela é. Porque, assim, as críticas, o que acontece fora, o que vão falar, não vai resumir a pessoa que ela foi ou que ela está tentando se tornar.

Boletim Brio: E qual é o próximo capítulo que você gostaria de escrever para a Cacto de Prata, em expansão, propósito e impacto?

Pérola Nunes: A Cacto de Prata, pra mim, é uma missão de vida. Eu entendo o empreendedorismo hoje não como uma forma de ganhar dinheiro, de ser bem-sucedida, nada disso. Eu acho que tudo isso é fruto dos meus plantios, mas não tem felicidade maior do que eu ter mais de 30 famílias sendo sustentadas pelo meu negócio.

Famílias que trabalham, que buscam o seu pelo meu negócio, contribuem positivamente para a vida de muitas mulheres e, principalmente, adolescentes que se visualizam muito em mim.

Então, assim, o meu impacto está sendo na nova geração, o meu impacto está sendo nas famílias que trabalham comigo, o meu impacto está sendo em terceiros, em estar motivando pessoas. Então, querendo ou não, é uma via de mão dupla, porque tudo é energia, então é uma troca de energia muito grande em mim e com as pessoas que acreditam no meu trabalho. Passou a ser realmente um propósito.

E a Cacto de Prata está tão aberta a novas possibilidades que, sem dúvidas, o que eu vivo hoje, nesses quase sete anos de empreendedorismo, é um nada perto do que ainda está por vir. Porque eu acredito muito que ainda tem que muito a crescer. A gente tem um e-commerce fortíssimo, a gente envia para todo o Brasil. O nosso e-commerce hoje representa 25% do nosso faturamento e grande parte está no estado do Maranhão. 

Então, assim, não parou por aqui. Tem muito plantio ainda pra acontecer, tem muita história ainda pra rolar e, sem dúvidas, é motivo de muito orgulho, hoje, ser uma das maiores empregadoras do estado do Piauí no meu ramo e ter tanta fidelidade, tanto amor, tanta admiração pelas pessoas que me rodeiam. 

O jornalista ou a lenda? Carlos Said, o Magro de Aço, ganha nova biografia pelas mãos do filho, Gustavo Said

Há personagens que pertencem à história e outros que, de tão profundamente ligados a ela, acabam se confundindo com o próprio tempo. Carlos Said, o lendário Magro de Aço, está entre eles. Aos 95 anos, o jornalista, radialista, professor, historiador e ex-goleiro do River Atlético Clube ganha uma nova edição de sua biografia, escrita pelo filho, o jornalista, professor e escritor Gustavo Said. O lançamento aconteceu na última quinta-feira (10/09) no Cine Teatro da Universidade Federal do Piauí, no Campus da Ininga. Quinze anos depois da primeira edição, o livro retorna revisto, atualizado e ampliado, agora com aproximadamente 500 páginas, novas fotografias e seis capítulos. 

Em entrevista exclusiva ao Boletim Brio, Gustavo Said amplia o olhar sobre o legado do pai e aponta que reduzir Carlos Said ao pioneirismo da imprensa esportiva seria insuficiente. Para ele, a importância do Magro de Aço também está na maneira como exerceu o jornalismo e na própria dimensão mítica que sua trajetória alcançou.

“Falar da principal contribuição do jornalista Carlos Said, o lendário Magro de Aço, ao jornalismo piauiense não é tarefa fácil. Porque parece muito óbvio que o seu maior legado foi ter fundado a imprensa esportiva no Piauí. Ele foi o pioneiro da imprensa esportiva no rádio e no jornal e, ali, plantou os alicerces nos quais se desenvolveu a atividade jornalística de cunho esportivo. Mas existem outros pontos que precisam ser elencados. Eu acho que o exemplo do Carlos Said, a sua dedicação, a maneira como sempre desenvolveu as atividades jornalísticas de forma apaixonada, isso também deve ser considerado: a forma íntegra, a forma aguerrida, apaixonada com que exercia a sua profissão”, explanou Gustavo Said. 

Na leitura de Gustavo, existe ainda uma terceira dimensão, talvez a mais simbólica, que explica por que Carlos Said ultrapassou os limites da profissão para se transformar em personagem do imaginário piauiense. “E eu elencaria um terceiro aspecto, que diz respeito ao seu legado enquanto jornalista, o legado deixado para o estado do Piauí. E esse diz respeito mais à lenda que se criou em torno dele, né? O Magro de Aço, esse mito da imprensa estadual. Esse aspecto diz respeito ao fato de que, enquanto jornalista, Carlos Said sempre se manteve fiel àquilo que os seus leitores e ouvintes diziam dele. Então, eu acredito que, ao assumir as características do personagem social criado pelo imaginário de leitores e ouvintes de rádio, Carlos Said passa a integrar, de maneira muito autêntica, as características desse personagem”, declarou o escritor. 

É justamente nessa fidelidade ao personagem criado pelo público que Gustavo encontra uma das maiores lições profissionais deixadas pelo pai. “Eu acho que esse compromisso com aquilo que se esperava dele, com aquilo que os seus leitores e os seus ouvintes esperavam dele, essa determinação em continuar sendo aquilo que sempre se disse que ele era, eu acho um exemplo profissional fantástico. Essa fidelidade para com seu público. Então, a gente pode, por aí, elencando esses três aspectos, mencionar um pouco o legado do Carlos Said para a imprensa esportiva estadual”, finalizou Gustavo Said.

A trajetória que começou com a imigração dos pais de Carlos Said da Síria para Teresina atravessa o futebol, o rádio, o jornalismo, a universidade e as transformações sociais da capital piauiense. Foi ele quem fundou a imprensa esportiva do Estado, criou a primeira equipe de esportes do rádio e realizou, em 1950, a primeira transmissão radiofônica de uma partida de futebol no Piauí. Foi também professor da UFPI por mais de 30 anos e uma voz marcada por independência, ironia, erudição e irreverência. Aos 95 anos, o Magro de Aço permanece como testemunha e personagem de uma grande história. 

Manual da Moda 

A empresária Taciane Torres escolheu um vestido preto, com brilho no tecido e uma saia de babados estruturados que chama muita atenção, quase escultural, para comemorar mais um ano de vida. O salto plataforma complementa a proposta comunicando força e presença. É um composição de protagonista. O vestido é da Olly, e o sapato, da grife Gucci.

A empresária Thâmara Vaz apostou em um look que traz delicadeza com um toque retrô. Manga bufante, gola alta amarrada, estampa de poá, saia midi rodada. O sapato vermelho é o ponto de contraste, trazendo personalidade. E talvez o detalhe mais interessante esteja justamente na escolha das peças: o look é da Lojas Renner. Uma produção acessível e que traz sofisticação. 

Shelda Magalhães

É coordenadora-geral da Agência Brio Comunicação. Foi coordenadora de Comunicação da OAB-PI (2022-2024). Foi âncora da TV Antena 10/ Record TV e da TV Band Piauí. Foi repórter da TV Antena 10. Atuou como repórter do Portal OitoMeia. É jornalista pela Universidade Estadual do Piauí (UESPI). É certificada em Marketing Digital, Branding Pessoal e de Marca.
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