José Itamar Almeida de 11 anos se apaixonou pelo futebol porque um campeonato escolar o levou a outro estado antes dos dez anos de idade. Rafael, mesmo tão jovem, fala do esporte com convicção e já tem uma coletânea de qualidades técnicas para listar sobre os jogadores favoritos, e o pequeno Bernardo pediu aos pais para jogar bola depois de demonstrar, a princípio, desinteresse pelo esporte.
Os jovens treinam futebol na escolinha Inter Academy, na Zona Leste de Teresina, e demonstram um brilho no olhar ao se encontrarem em campo com a bola. O Boletim Brio conversou com esses meninos, pais e a treinadora deles para entender como essa paixão pode se transformar em carreira.
Cristiano Ronaldo e Neymar Júnior são os jogadores mais inspiradores para Bernardo, Rafael e José. Esses garotos, que têm entre oito e onze anos de idade, jogam bola desde os cinco e disseram ao que serão jogadores profissionais de futebol no futuro.
A admiração que inspira
Leandro Almeida, pai de José Itamar Almeida, afirmou que o interesse do garoto começou quando ele foi para uma competição do colégio em Fortaleza, no Ceará. Depois disso, passou a querer jogar futebol sempre. O pai disse que a família já é bastante atlética e, por isso, incentiva tanto o filho.
“Já está na veia esse gosto pelo esporte e eu apoio”, disse o pai.

José disse que admira Pelé, Neymar Júnior, Cristiano Ronaldo e Nico Williams, jogadores que jogam ou jogavam, respectivamente, pelas seleções brasileira, portuguesa e espanhola. Ele disse que admira esses profissionais pelas habilidades e performances dentro de campo.
“Com certeza, é o meu sonho ser jogador de futebol. Se eu pudesse jogar em qualquer time, escolheria o Flamengo ou o Real Madrid”, concluiu o garoto de onze anos.
O interesse veio aos poucos
A história do garoto mais novo, Bernardo, de apenas oito anos, é um pouco diferente. Seu pai, Thiago Pereira, disse ter colocado o filho para praticar futebol aos cinco anos, mas o menino não mostrou interesse logo de cara.
“Colocamos ele com cinco para seis anos, mas ele não mostrou muito interesse, retiramos ele da escolinha. Porém, há dois anos, ele pediu para voltar a jogar e colocamos ele aqui no Inter”, explicou o pai de Bernardo.

Bernardo disse que começou a jogar bola porque acha muito legal. Quem ele mais admira também é Cristiano Ronaldo, e o garoto demonstrou um grande carinho pelo Palmeiras.
O pai do pequeno jogador declarou que dará todo o incentivo para o filho caso ele queira seguir carreira no esporte, desde que também mantenha o foco nos estudos.
“Não é fácil! Muitas crianças jogam futebol e nem todas estão em grandes times. É um desafio de disciplina e vontade, é preciso muito preparo para enfrentar esses desafios”, frisou Thiago.
A criatividade e a coletividade em campo
O último jovem jogador que o Boletim Brio entrevistou foi Rafael Braga, de 11 anos, que falou sobre o que mais adora na escolinha de futebol: a coletividade.
“O que eu mais gosto aqui é da coletividade em campo. Meus amigos estão junto comigo para me apoiar e ajudar quando eu erro”, destacou Rafael.
O garoto também explicou o motivo de Neymar ser o seu jogador favorito. “Gosto dos dribles dele, da criatividade que ele tem em campo”, disse Rafael.
O pai do jogador mirim, Frederico Maciel, contou ao Boletim Brio que viu no filho a mesma paixão que teve ao longo da vida pelo futebol e, por isso, o incentiva tanto.
“Quando era jovem também, eu gostava muito de jogar bola. A primeira coisa que eu fiz foi colocar ele numa escolinha, e ele é apaixonado por jogar bola. Joga praticamente quase todos os dias, inclusive lá no condomínio. Ele já passou por outras escolinhas aqui em Teresina, joga na escola também, já disputou alguns torneios em Fortaleza, em São Paulo, e conquistaram êxito! Vou sempre incentivar, claro, aliado aos estudos. Porque hoje, se você perguntar para ele o que é que ele quer ser, é o quê? Jogador de futebol. Mas a gente sempre fala, eu e a mãe, que os estudos caminham juntos”, enfatizou Frederico.
A preocupação com os estudos
Os pais de todos os meninos mostraram grande preocupação com os estudos dos filhos. Isso porque a rotina de um atleta é muito intensa e conciliar isso com a vida acadêmica nem sempre é fácil.
Frederico, pai de Rafael, disse que muitos jovens garotos sonham com a carreira profissional no futebol, mas que a realidade é bem mais complicada do que o sonho.

“É um funil muito bem apertado, não é fácil. E chega uma hora que realmente vai ter que optar, se deseja seguir uma carreira profissional. Se será promissora ou não, por enquanto não dá para saber”, argumentou o pai.
O que chama a atenção da professora
A professora dos garotos, a treinadora esportiva Misjennifer, disse que os três têm algo bastante incomum: sempre buscam, dentro dos treinos, dar o melhor de si.
“Por eles, estariam aqui de segunda a quinta-feira. Eles me perguntam: ‘Tia, eu posso vir?’, e aí fazemos uma dosagem”, explicou a treinadora.
Misjennifer contou que o maior apoio que dá aos alunos é para que, inicialmente, busquem sempre a coletividade à qual Rafael se referia, pois isso contribui para a formação cidadã, que considera essencial para quem talvez um dia se torne profissional. A professora, assim como os pais, acredita que, se depender da paixão e da garra desses garotos, o futebol piauiense está em boas mãos e os futuros craques já estão em treinamento.

“Todos têm aquele pensamento: ‘Ah, eu quero ser um Neymar da vida.’ ‘Tia, eu quero ser o Messi, quero jogar que nem o Messi.’ O Rafael, por exemplo, joga no ataque: ‘Tia, eu quero ser o Cristiano Ronaldo.’ O Bernardo já é mais atacante também. Então, assim, eles têm aquele sonho, né, de toda criança, de querer se tornar um jogador profissional. Aqui nós trabalhamos também, mas o nosso foco maior, primeiro, é torná-los cidadãos. O futebol, como a gente diz para eles, vai vir como consequência. Mas, como em todo futebol, não basta ter talento. Eles têm que ter educação, têm que ter disciplina, e é isso que a gente mais trabalha”,conluiu a treinadora
A história comum
Jogadores como Vinícius Júnior, que vive uma trajetória de destaque em clubes europeus e na seleção brasileira, também se dedicavam por horas ao futebol na infância. Aos cinco ou seis anos de idade, Vinícius ingressou em uma escolinha polo do Flamengo no bairro de Mutuá, em São Gonçalo, e não parou mais.

É nesse cenário que os pais conseguem enxergar os próprios filhos: uma criança dedicada hoje e um atleta promissor amanhã. Para os jovens, porém, o que mais importa é alcançar esse sonho. Eles estão dispostos a se dedicar para chegar lá e, quem sabe, orgulhar o Piauí.


