Nove anos em São Paulo deram à ginecologista Renata Albino formação, rotina de grande centro e a certeza de onde queria estar. De volta a Teresina, a médica reencontra a família, as raízes e um tipo de conversa que ainda pede coragem entre as mulheres da cidade: a que trata de hormônios, desejo e do próprio corpo. Durante os anos no consultório, entendeu que junto de uma queixa física às vezes há uma história de insegurança ou exaustão que nunca foi dita em voz alta.

Na prática médica, a sexualidade feminina continua sendo um assunto complexo. Temas como, prazer, orgasmo, dor durante a relação e insatisfação com a aparência íntima ainda são assimilados por parte das mulheres como “difíceis” de levar ao consultório. Algumas chegam a acreditar que certos desconfortos são inevitáveis e precisam ser suportados. Ao Boletim Brio, a médica fala de estética íntima sem padrão de beleza, de tecnologia com critério e do que chama de uma medicina próxima, sem tabus.
Boletim Brio: Você voltou a morar no Piauí. O que esse retorno representa na sua história, pessoalmente e como médica? O que encontrou diferente na relação das mulheres daqui com a própria saúde?
Renata Albino: Voltar ao Piauí tem um significado muito especial. Depois de nove anos em São Paulo, onde construí uma etapa importante da minha formação e da minha vida, estar novamente perto da família e das minhas raízes é uma escolha que me emociona. Volto mais madura, com experiências que ampliaram minha maneira de enxergar a medicina e com vontade de contribuir para a saúde das mulheres daqui. Como médica, vejo esse retorno como um recomeço cheio de possibilidades.
Ainda estou conhecendo melhor as demandas das pacientes de Teresina, então não seria justo fazer comparações definitivas. Mas já encontro mulheres interessadas em entender seus hormônios, sua sexualidade e as mudanças do próprio corpo. Quero participar dessas conversas com informação de qualidade e uma medicina próxima, sem tabus.
Boletim Brio: Que conversa sobre o corpo feminino você percebe que ainda é difícil de ter, seja por vergonha, tabu ou falta de informação?
Renata Albino: A sexualidade feminina continua sendo um assunto delicado. Muitas mulheres têm dificuldade de falar sobre falta de desejo, prazer, orgasmo, dor durante a relação ou insatisfação com a aparência íntima. Algumas chegam a acreditar que certos desconfortos são inevitáveis e precisam ser suportados. Quando esses temas podem ser discutidos sem constrangimento, abre-se espaço para identificar problemas reais, desfazer mitos e ajudar a mulher a conhecer melhor seu corpo.

Boletim Brio: Hoje, o que as mulheres mais procuram no consultório quando o assunto é estética íntima? Quais queixas ou desejos aparecem com mais frequência?
Renata Albino: Entre as queixas que motivam a busca por estética íntima estão o escurecimento da região vulvar, a perda de volume ou flacidez dos grandes lábios e as mudanças percebidas depois da gestação ou com o envelhecimento. Muitas vezes, a mulher também traz dúvidas sobre o que é normal na própria anatomia.
Existem procedimentos como preenchimentos e bioestimuladores que podem ser avaliados em situações específicas, mas seus benefícios e riscos precisam ser discutidos com transparência, porque as evidências ainda são limitadas para algumas indicações. Faço questão de explicar que não existe um padrão de beleza íntima: o objetivo é compreender a queixa, e não transformar diferenças naturais em defeitos.
Boletim Brio: Reposição hormonal e rejuvenescimento íntimo estão em alta. O que há de mais moderno e respaldado na área disponível no Piauí?
Renata Albino: Na saúde hormonal, o avanço mais importante é a possibilidade de individualizar o tratamento. Na menopausa, a terapia hormonal pode ser muito eficaz para sintomas como ondas de calor e suores noturnos, desde que exista indicação e sejam avaliados os riscos e as contraindicações. Temos opções por via oral e transdérmica, como géis e adesivos, além de tratamentos vaginais locais para sintomas geniturinários.
Já no chamado rejuvenescimento íntimo, é preciso ter critério. Tecnologias como o laser e alguns procedimentos injetáveis despertam interesse, mas não devem ser apresentados como soluções universais: para várias indicações, ainda faltam estudos consistentes de eficácia e segurança a longo prazo. Ter acesso à tecnologia em Teresina é positivo; o essencial é saber quando ela realmente oferece benefício e quando há alternativas com respaldo científico mais sólido.
Boletim Brio: Quais problemas de saúde ginecológica ou sexual ainda são mais negligenciados pelas mulheres, mesmo com um maior acesso à informação no mundo de hoje?
Renata Albino: Vejo que muitas mulheres ainda adiam a investigação de cólicas incapacitantes, sangramentos fora do padrão, dor na relação, perda urinária e sintomas da menopausa. Também é comum que alterações na vida sexual sejam tratadas como algo sem importância, mesmo quando afetam o relacionamento e a autoestima.
O desafio atual não é apenas ter informação, mas saber distinguir orientação confiável de promessas fáceis. Nem todo sintoma é hormonal, nem toda queixa exige muitos exames. Um bom atendimento começa por ouvir, examinar quando necessário e investigar com critério.

Boletim Brio: Depois de tantos anos escutando e cuidando de mulheres, o que esse encontro tão próximo lhe ensinou sobre as pressões e dificuldades que elas carregam, muitas vezes em silêncio? E como esse cuidado e convivência transformaram o seu olhar?
Renata Albino: A medicina me ensinou muito sobre o corpo feminino, mas foram as mulheres que me ensinaram a olhar além dele. No consultório, percebi como tantas mulheres tentam conciliar trabalho, família, relacionamentos e cobranças sobre a aparência, frequentemente deixando a própria saúde para depois.
Por trás de uma queixa sobre o corpo ou a sexualidade, às vezes existe uma história de insegurança, exaustão ou sofrimento que nunca foi dita em voz alta. Essa convivência me tornou uma médica mais atenta ao que não aparece nos exames. Aprendi que uma boa escuta pode mudar o rumo de uma consulta e que cuidar também é oferecer informação, respeito e espaço para escolhas conscientes. É assim que quero que cada paciente se sinta: livre para falar, segura para perguntar e verdadeiramente cuidada.
Marcas apostam em experiências

A oficial de Justiça Adrianna Anjos reuniu amigas na última semana para uma manhã de Mat Pilates. Praticado sobre o solo, com o auxílio de um colchonete e, em algumas aulas, de acessórios, o Mat Pilates trabalha força, flexibilidade, equilíbrio, postura e consciência corporal. A modalidade também acompanha uma tendência crescente no universo do wellness, que é transformar a atividade física em uma experiência coletiva, que combina saúde, socialização e momentos de pausa na rotina.
As marcas têm percebido que construir relacionamento com o público exige muito mais do que apresentar produtos. As collabs entre empresas e espaços de bem-estar ganham força como estratégia para aproximar consumidores, gerar identificação e fortalecer o posicionamento das marcas. Em Teresina, esse movimento se reflete no crescimento de estúdios especializados, espaços fitness com propostas diferenciadas e ativações que convidam as mulheres a desacelerar e investir em qualidade de vida.
O encontro foi realizado em parceria com a marca Alto Giro e o estúdio de pilates Dayane Carvalho. “Queremos cuidar da saúde, cuidar da mente, trocar experiências e renovar as conexões”, destacou Adrianna Anjos.
Destaque jurídico

A advogada Lorena Corrêa tornou-se a primeira mulher do Piauí a integrar o Instituto Brasileiro de Direito de Trânsito (IBDTrânsito), instituição nacional dedicada à área. Além da representatividade feminina, a nova integrante atuará no projeto Elas à Frente do Trânsito, iniciativa que busca ampliar o protagonismo das mulheres no setor e incentivar sua presença nos espaços de decisão. A atuação também pretende fortalecer o debate sobre segurança viária e aproximar as discussões nacionais dos desafios enfrentados pelo estado, especialmente diante dos acidentes de trânsito envolvendo motociclistas.
“Integrar o Instituto Brasileiro de Direito de Trânsito (IBDTrânsito) representa um marco importante na minha trajetória profissional e uma oportunidade de contribuir para o fortalecimento do Direito de Trânsito no Piauí. Também estarei atuando no projeto. No Piauí, a segurança viária representa um importante desafio. Acredito que podemos contribuir para aproximar as discussões nacionais das necessidades do nosso estado, fortalecendo o debate técnico sobre segurança viária e incentivando mais mulheres a ocuparem espaços de liderança e atuação nesse setor”, destaca Lorena Corrêa.
13 anos de história do Outlet Chic com novidades
O Outlet Chic realiza sua 32ª edição nos dias 13, 14 e 15 de novembro, no Centro de Convenções de Teresina, com entrada gratuita e descontos de até 80%. Com 13 anos de história, o evento aposta na inovação e na diversificação de segmentos para fortalecer o comércio piauiense. A novidade desta edição é o Outlet Car, espaço dedicado à comercialização de carros e motocicletas, ampliando as oportunidades de negócios para empresas, revendedores e consumidores.

“Eu acredito que o grande diferencial do Outlet Chic é a nossa capacidade de inovar, ampliar oportunidades e acompanhar as necessidades do mercado. São 13 anos de história, conectando lojistas e consumidores e contribuindo para movimentar a economia do nosso estado. Nesta edição, ampliamos essa experiência com a chegada do Outlet Car, dedicado ao setor automotivo, fortalecendo o evento e abrindo novas possibilidades de negócios. Novembro é um período estratégico para o comércio, pois permite aos lojistas renovar estoques, aumentar as vendas e conquistar clientes, enquanto os consumidores podem antecipar as compras de Natal e aproveitar descontos de até 80%. Nosso propósito é criar um ambiente favorável para quem vende e vantajoso para quem compra, mostrando que tradição e inovação podem caminhar juntas”, destaca Roberta Rocha, idealizadora do Outlet Chic.



