Turma de políticos profissionais quer reforma administrativa na gestão Sílvio Mendes (para ontem)

Boletim 11/09/25

Ofício extra-oficial a ser entregue mentalmente na mesa simbólica do prefeito de Teresina, Sílvio Mendes (União Brasil) até meados de dezembro. Remetente: turma da sala gelada da Câmara de Teresina, base do próprio prefeito, por sinal. Os mais afoitos já citam até que seriam três vagas a serem oferecidas ao Palácio Chagas Rodrigues. 

“O Sílvio tinha que fazer uma minirreforma ali pra janeiro. Troca o pessoal da Saad Centro, Fundação Wall Ferraz, Cultura, Defesa Civil e Semdec, coloca uns três vereadores, numa pasta grande e dois numa pequena”, sugeriu um parlamentar em conversa reservada com a colunista. A ideia vai prosperar ou fica pra próxima?

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Queremos uma reforma! Queremos uma reforma!

A colunista levou a lista de demandas a um membro da prefeitura, para avaliação (atenção, a lista é sobre o que os políticos querem, não sobre o que Sílvio vai ou não fazer): “Daí, intocável só a Cultura, ele (prefeito) é muito fã do Aurélio (Melo). Só se o Aurélio quiser sair. O Kléber (Montezuma, da Fundação Wall Ferraz) ia ser diretor do IPMT no início da gestão. Por outro lado, ele chegou a ser convidado para o lugar do Charles da Silveira na Saúde e não quis”, pondera o integrante da gestão Sílvio, em off.

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Tem como fazer essa reforma hoje mesmo?

Por fim, a colunista questionou um outro político se ele achava que Sílvio Mendes deveria fazer uma reavaliação dos quadros em janeiro. A resposta: “Em janeiro? Tem gente que quer que ele faça é hoje! Ali só não troca o Marco Antônio (Ayres) e o Jeová (Alencar)…”. 

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Resumindo 

Traduzindo: ao se aproximar o término dos primeiros noves meses da gestão Sílvio Mendes, os problemas mais graves ainda são limpeza e transporte público. Na seara política, o relacionamento com a Câmara segue como uma questão não resolvida. Os rumores de uma possível reforma no secretariado municipal, como uma “gentileza” para com os edis, construiria a tão necessária e desejada base de apoio no Legislativo.

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E a poupança na Secretaria de Finanças?

Quem conhece o prefeito diria de bate pronto que Sílvio não tem o perfil de ceder a pressões, muito menos de abrir um balcão de negociação de cargos. Mas é preciso avaliar as dificuldades do ano que termina e as que virão com a chegada de 2026. 

Financeiramente há sinalizações claras de melhor situação. Alguns gastos foram reduzidos, e todos que passam pelo corredor da secretaria de Finanças sabem que uma gorda poupança tem sido feita mirando uma possível melhora na capacidade de pagamento junto ao Tesouro Nacional, o que pode levar a um refinanciamento das dívidas do município.

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Vem aí

Mas o ano que se aproxima, além de herdar os problemas não resolvidos do ano que termina, começa com um considerável aumento do IPTU, passa pela necessidade de um reajuste nos salários dos servidores e prossegue com uma eleição que vai movimentar todos os atores políticos da cidade. Desta forma fica a dúvida, Teresina terá em 2026 o Sílvio do “não” ou mudaremos o título desse texto para “Vão-se os cargos, fica a base”?

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Os três grupos de líderes em Parnaíba

Aproveitando que Parnaíba deve ser o point político a partir dessa sexta-feira, com uma série de eventos políticos e empresariais, segue a pergunta da colunista e resposta do deputado estadual Dr.Hélio (MDB) sobre como o poder se divide hoje no tabuleiro do litoral. Dr. Hélio foi candidato a prefeito, disputando com o atual prefeito, Francisco Emanuel (PP), na época apoiado pela deputada Gracinha Mão Santa (PP):

 “Tem, claro, o grupo da deputada Gracinha… o Mão Santa está mais quieto assim pela idade dele; eu, Dr.Hélio, que trago obras com apoio do governador pra Parnaíba… O resto é requerimento e dizer que pediu, quero ver é mostrar. Têm muitos deputados que não têm identidade na Parnaíba. E, claro, a prefeitura, que hoje é resultado da cisão do próprio grupo do Mão Santa. A prefeitura sempre é um poder”.

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Eu só acho engraçado que…

E como vai ficar o clima no MDB caso a deputada Gracinha ingresse mesmo no partido, dividindo a sigla com Dr.Hélio?

“Até hoje eu tenho uma dúvida porque ela nunca foi clara se vai ficar (no MDB), mas não faço nenhuma objeção em relação a isso. Ele (Francisco) tem tido um canal de diálogo com o Governo. Acho que eles estão em posição consolidada, absolutamente distantes um do outro. Mas a deputada, que era tão crítica ao Governo, mudou totalmente de visão. Ela, que assegurava que estava levando pra Parnaíba um candidato preparado, não esperou 10 dias e rompeu!”, pontua Dr.Hélio. Ihhhh, gente!

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Eu dei um tempo pra ver se decola

Tem como avaliar a gestão de Francisco Emanuel ou está cedo demais? “Tenho que dar um tempo pra ver se a pessoa apresenta resultado, me disponho a ajudar e infelizmente, concretamente, não aconteceu o que a cidade precisa. A gente não consegue enxergar essa mudança em relação à gestão anterior. Falando como cidadão não tem nada que a gente observa que mudou 180 graus ou que mude 45 graus”, comparou Dr.Hélio ao boletim.

Ele acrescentou que “a cidade está ainda aguardando um resultado prático. Estou achando que o prefeito está perdendo tempo com uma discussão estéril e bate boca”. A colunista trará mais flashes da política parnaibana nos próximos boletins, completando as opiniões de todos os lados do triângulo do poder no litoral.

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Um argumento a favor da chapinha de estadual do Republicanos e um contra

Ainda sobre a possibilidade de chapinha de deputado estadual do Republicanos, há um argumento principal, favorável à tese, pairando na Mesosfera e captando pelas anteninhas da coluna.

Dizem os interessados que a chapa organizada pelo deputado federal Jadyel Alencar tiraria uma possível cadeira de deputado estadual do Progressistas, na oposição, pegando o pastor Gessivaldo Isaías para compor o grupo e, por isso, deveria ser apoiada pelo Palácio de Karnak (ninguém sabe o que o governador Rafael Fonteles, que está na China pensa disso. Se alguém quiser perguntar e contar a resposta para a colunista, ficaremos no aguardo).

Questionado, um político estadual experiente, respondeu assim ao boletim: “Tu acha que ele (Rafael Fonteles) vai tirar gente do MDB e PT só pra agradar o Gessivaldo?”. A colunista não acha nada, nada mesmo…

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Eu quero saber é o que eu tenho a ver com isso

Dos quase 4 mil terceirizados que tiveram o contracheque cortado recentemente no Governo do Estado, pelo menos mil eram da cota de um fortíssimo candidato a deputado federal, que está tentando até hoje se recuperar do baque. A justificativa do corte foi a falta de cadastramento para trabalho presencial nas repartições, o que ninguém nega ser uma medida necessária para a moralização do Estado. 

Voltando a falar de política: três deputados petistas e dois emedebistas, além de um político de sigla média, também foram bastante afetados. As lideranças desses políticos seguem ameaçando rompimentos e já tem gente refazendo todo o orçamento de pré-campanha e recalculando a rota: “Tô tentando apagar incêndio todo dia. Acabei de receber mensagem de um prefeito: ‘Não fiz compromisso em cima disso não, quero o meu do mês’. Vou ter que cobrir eu mesmo!”, lamentou um deputado, em reserva.

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Reposta da deputada Bárbara

Nota enviada pela assessoria da deputada estadual Bárbara Soares ao boletim. Segue abaixo, na íntegra. A nota faz referência ao conteúdo publicado na última edição do boletim, informando que atores políticos especulavam indícios de que o marido da deputada, o advogado Breno Macêdo, poderia ser candidato no lugar dela. 

“Sobre a possível desistência da candidatura, a Deputada Bárbara do Firmino reafirma que será candidata a reeleição em 2026. Ressalta, ainda, que é lamentável ver a maternidade usada como motivo para especulações desse tipo e que isso desvaloriza a luta das mulheres pelo direito de ocupar espaços de poder conciliando plenamente a vida pública e familiar.

A deputada destaca o apoio incondicional de seu marido, Breno Macedo, parceiro presente nos preparativos para a chegada da Bella e também nas agendas pelo interior do Estado, que muitas vezes exigem viagens longas e em ritmo acelerado.

A deputada reafirma seu compromisso com suas bases políticas, com seus eleitores em Teresina e em todo o Estado. Sua trajetória é prova de que as mulheres podem estar onde quiserem — na política, no trabalho e na maternidade — sem abrir mão de nenhum dos seus sonhos.”

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Resposta da colunista

Historinha real, aconteceu com a colunista. Ano passado, a humilde cronista recebeu a informação de que a deputada Bárbara Soares, então no Progressistas e pré-candidata a prefeita de Teresina pontuando nas cabeças, iria desistir para apoiar o petista Fábio Novo na disputa pela prefeitura de Teresina, deixando o grupo da oposição, encabeçado pelo hoje prefeito eleito Sílvio Mendes (União Brasil). 

Três fontes, um secretário estadual e dois deputados, confirmaram o fato na época (todo jornalista deve ser paranoico com o próprio trabalho, duvidando de tudo e de todos e fazendo dupla ou tripla checagem). 

Como a colunista é jumenta batizada, ligou, por descarrego de consciência, para a deputada, que atendeu e negou. Disse que tudo era “boato da imprensa”. Publiquei na manchete da minha coluna no portal Cidade Verde, onde trabalhava na época: “Bárbara nega que vá desistir para apoiar Fábio Novo”. Enter. Meia hora depois, a parlamentar apareceu ao lado de Fábio Novo, anunciando apoio ao deputado e rompendo com Sílvio. Fim.

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Abaixo o déficit de atenção!

Especialistas apontam que o excesso do uso de telas tem diminuído a capacidade cognitiva das pessoas, prejudicando a compreensão na interpretação básica de textos. De fato, parece ser realidade. Ainda assim, recomendo ao leitor que releia aqui a nota da última coluna a respeito do tema

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Sacando a carteirada de gênero

Apesar de algumas pessoas usarem a pauta de maneira equivocada, a desigualdade de gênero é um problema sério, cultural e entranhando nas redes de poder no Piauí. Vide os governos Rafael Fonteles e Sílvio Mendes, de espectros ideológicos opostos, mas que possuem igualmente cotas mínimas de mulheres nos lugares de tomada de decisão (essa é uma constatação irrefutável da realidade e não uma opinião, aliás). 

Qualquer acéfalo (que não tem cabeça) poderia observar isso apenas analisando os fatos, mas a colunista acha que todo sofrimento é pouco e resolveu passar quatro anos labutando no Doutorado de Políticas Públicas da Universidade Federal do Piauí, pesquisando uma tese sobre os motivos que levam as mulheres a não ascenderem no serviço público do Piauí (faltou só entregar a tese, mas falemos disso depois). 

Como estudar nunca é demais, caso o leitor esteja sem nada melhor a fazer, seguem alguns artigos científicos assinados pela humilde cronista sobre o assunto: Um lugar mais justo para a mulher: desafios para uma democracia inclusiva ao gênero e “Peso de Ser Mulher: As Políticas Públicas na Conciliação Entre lar e Trabalho”. Já dizia Nelson Rodrigues: “Nada é mais difícil e cansativo do que demonstrar o óbvio”.

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Se conselho fosse bom

Sua personalidade, mentalidade e estilo devem abrir portas independente dos seus atributos financeiros. Se você só se sente respeitado quando tem dinheiro, isso é muito grave. Significa que seu valor monetário está acima do seu valor inerente, como indivíduo. 

Para não ter uma vida miserável, cultive a indiferença absoluta em relação àquilo que você não pode controlar e a responsabilidade total sob aquilo que você tem controle. Admita seus erros e conserte o que está errado. Só se sente infeliz quem não tem uma direção para seguir, um inimigo para fugir e tarefas que impulsonem seus objetivos. Se esse não for o seu caso, você precisa fazer uma introspecção séria e mudar algumas coisas na sua vida.

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Cifrada do Duvido Você se Filiar 

Na incansável busca por participar do próximo Torneio Quadrienal, o cavaleiro municipal Dinâmico procurou a ajuda do padrinho de cima, o cavaleiro Acelerado. Os dois foram conversar com o sábio Mestre Merlim que, com seus poderes psiquiátricos, falou: “Por mim, está resolvido, vamos só conversar com os meninos da Confraria do Meio pra ver o que acham!”, disse Merlim, que é um líder bastante conciliador. 

Parece que as palavras foram entendidas de trás para frente… cavaleiro Dinâmico saiu dando uma entrevista no jornal mágico afirmando ter sido convidado para se filiar e coisa e tal. Pra quê, né? A turma da Confraria do Meio se revoltou pois quer ver o cão pintado de ouro, mas não quer papo com a nova filiação que promete carregar uma draga de votos.

Fizeram uma enquete rapidinho e deu 9×1 o placar de quem não quer Dinâmico filiado na Confraria do Meio. O único voto a favor era do padrinho, Acelerado: “O problema é que o Acelerado quis resolver por cima e o Dinâmico falou demais!”, resumiu um integrante do grupo. Eita povo que gosta de uma confusão…

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Foto do dia

Os olhos estão no Supremo Tribunal Federal na semana de julgamento do ex-presidente Jair Bolsonaro, que deve ser condenado, ao que tudo indica, por 4 votos a 1 na Primeira Turma, segundo o pessoal que sabe das coisas na capital federal. Na atual estrutura do STF (11 ministros, decisões monocráticas, turmas, plenário) há divisões, de convicção, de estratégia, de visão de Direito Constitucional, e isso é normal numa Corte colegiada. 

Mas essas diferenças, quando muito polarizadas ou vistas externamente como incoerências ou oportunismos, fragilizam a percepção pública da Corte. Os recortes de falas de ministros viram memes, takes no Tik Tok ou no Reels do Instagram. Os ministros são pop. Para o bem e para o mal. É um poder que tornou-se mais visível, mais influente, mas também mais contestado. E o julgamento super-televisonado de Bolsonaro só reforça a tese.

E o futuro? O pessoal que faz apostas em Brasília, enxerga um longo processo de recursos com embargos de declaração e infringentes. Este último, se aceito, pode levar a ação ao plenário do STF e começar uma nova série de 20 capítulos, retardando uma possível punição a Bolsonaro. O Brasil, o boletim e o leitor, assistem.

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A frase para pensar

“Eu não sou teimoso. Teimoso são aqueles que teimam comigo”, Antônio Carlos Magalhães (1927-2007), ex-governador da Bahia.


Sávia Barreto

Sávia Barreto, jornalista, fundadora e diretora-geral do Boletim Brio. Mestra em Comunicação, pesquisou Análise de Discursos e Eleições na Universidade Federal do Piauí. Cursou Doutorado em Políticas Públicas (Ufpi), estudando desigualdade de gênero. Graduada em Comunicação Social na Universidade Estadual do Piauí. Estudou Ciências Sociais (Ufpi). Tem MBA em Comunicação Política e Sociedade pela ESPM, São Paulo. Integra o grupo de estudos “Estratégia, Dados e Soberania” na UNB e é diretora de Comunicação Estratégica da ONG “Fórum para Tecnologia Estratégica dos Brics”, em Brasília, onde reside. Com 17 anos de experiência em redações do Piauí, trabalhou nos últimos dois anos como comentarista e colunista de política em Brasília. Trabalha com consultoria em branding e gerenciamento de reputação digital na Brio Comunicação Estratégica.
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