[Aviso: o boletim sempre privilegiará o resultado das ações em vez das intenções dos envolvidos. Numa história padrão, uma ação acontece após a outra, em linha reta. No padrão explosivo, tudo acontece ao mesmo tempo.
Uma boa trama tem um herói e todos os oponentes se enfrentando pela mesma meta. É uma verdade universalmente conhecida que aquilo que encanta o público é a surpresa orgânica, e não mecânica. É desnecessário lembrar que isso requer grandes habilidades].

Boletim 10/11/25
“Momentos extraordinários requerem respostas extraordinárias. Um cara vem te matar e tu vai dizer: ‘por favor, guarde as armas!’. Claro que não, né?”, diz um político importante ao boletim, conjecturando o passado, presente e futuro. O Piauí parece viver hoje momentos extraordinários numa intersecção entre política, polícia, mundo jurídico e… crime organizado?
De modo geral, como está o clima? “Tá legal não, tá ruim, a água tá turva, como dizem…”, responde um outro político ao ser questionado pelo boletim. O interlocutor foi questionado se, porventura, está devendo alguma coisa para alguém, sei lá… “Estou não. Mas vou te dizer o que eu senti e o que eu ouvi, certo? Está um clima diferente no ar. É uma guerra fria”, respondeu, apresado e sem detalhes.
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Conclusões rápidas
- Tragam brioches? 10 entre 10 esposas de políticos/empresários estão sendo orientadas a “baixar a bola” na exposição nas redes sociais.
- O Governo apanhou na operação Difusão, do setor de Saúde, tocada pela Polícia Federal. Fato que hoje parece longínquo. A oposição apanha agora com a “Carbono 86”, da Polícia Civil, tateando para se afastar do tóxico tema ligado a investigar ramificações do braço financeiro da facção Primeiro Comando da Capital (PCC) no Piauí (leia a última coluna sobre o tema aqui).
- O Piauí tem uma intricada rede subterrâneas de relacionamentos próximos, amigáveis e familiares envolvendo séculos de relações de confiança que disputas eleitorais distanciam apenas temporariamente. Implicações com A, levam a B, que levam a C. Alguns, otimistas, apostam que isso basta. Outros acham que é sempre bom combinar com os russos. O problema é que os russos são uns chatos, desconhecem esse povo e nunca combinam nada com ninguém…
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Apresento-lhes provas em contrário
Fontes que permeiam o lado dos empresários Haran Santhiago Girão Sampaio e Danillo Coelho de Sousa, alvos da operação Carbono 86, informam, em reserva, que enxergam furos (e contraprovas) a serem explorados nas versões da acusação, entre eles a fala do diretor do Instituto de Metrologia do Estado do Piauí, Júnior Macêdo, de ter recusado achaques e propinas advindos de donos de postos para relaxar nas investigações de irregularidades técnicas e a suspeita de que a operação de venda (e posterior retomada de comando) dos postos tenha sido ilegal. A conferir.

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Por que parte da Civil
De todo modo, as últimas operações policiais ligadas de alguma forma ao mundo político no Piauí partiram todas da Polícia Civil (Alandilson Cardosos, apontado como namorado da vereadora Tatiana Medeiros, foi alvo de investigação da Polícia Civil do Piauí. As outras são: “Gabinete de Ouro”, da antiga gestão da Prefeitura de Teresina, “Usuário Zero”, envolvendo o desembargador José James, do Tribunal de Justiça do Piauí e agora a “Carbono 86”).
Claro que, com a complexidade dos temas, órgãos como a Polícia Federal e Ministério Público atuam em conjunto, aumentando o alcance e a profundidade.
A coluna tem uma hipótese para isso (leia abaixo).
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Tudo está no supercomputador
Como informam interlocutores cientes do trabalho policial, há um substancial (e inédito) investimento em tecnologia na Segurança do Piauí, ou seja, o núcleo de dados (chamado de Data SSP-PI) consegue processar muita informação, com alta velocidade. Isso porque está sob o comando da pasta um supercomputador (que fica na Etipi, Empresa de Tecnologia da Informação).

Não que antes do supercomputador o trabalho não fosse feito. É que tudo era rodado em máquinas menos potente, também caríssimas, chamadas de “work station”. Passa-se de investimentos de 100 mil para milhões. De andar de jegue para voar de nave espacial, mais ou menos…
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Eles tem como saber de (quase) tudo
Assim, com processamento de dados em alta velocidade, é possível fazer o cruzamento de dados dos celulares com geolocalização. Esse é um grande diferencial, passando de um trabalho de investigação quase artesanal para uma escala industrial onde todos os fluxos são organizados.
Num caso de homicídio, por exemplo, dá para saber com exatidão se alguém estava numa cena de crime (por conta do cruzamento de dados celulares). O mesmo serve para casos que não são de homicídio… Aí fica difícil negar?
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Afonso Gil, Robert Rios e Correia Lima: uma breve história dos anos 90
O historiador francês Edgar Morin, de quem a colunista é admiradora do trabalho, diz que “os seres humanos produzem história, mas também são produzidos por ela”. Isso quer dizer que eventos não têm uma única causa, mas resultam de redes de interações: políticas, culturais, econômicas e psicológicas. Voltemos ao tempo, portanto, para entender os dias de hoje.
Os anos 80 foram a época da pistolagem e violência no Nordeste, tudo com articulação comprovada com parte das elites locais em redes criminais híbridas (rural-urbana).
Dentre os casos que ilustram o período no Piauí estão as operações com participação direta da PF contra o então coronel Correia Lima, sob a superintendência de Robert Rios Magalhães (depois secretário estadual de Segurança Pública) e de Afonso Gil Castelo Branco, promotor de Justiça que coordenou a guinada do então Centro de Apoio às Promotorias, priorizando primeiro a investigação de violência policial e depois o combate ao crime organizado (final dos anos 1990). Afonso Gil foi eleito deputado federal em 2002 e faleceu em 2004.
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Eu vejo o futuro repetir o passado
A compreensão do crime organizado no Piauí nos anos 1980 e 1990 passa necessariamente por esses três personagens que ocupam lados distintos do tabuleiro: o promotor inquisitivo (Afonso Gil), o policial federal que tensionou as redes criminosas e o sistema político (Robert Rios) e o militar tido como símbolo da violência e dos “grupos de extermínio” (Correia Lima).

O trabalho de Afonso Gil construiu a base que, anos depois, permitiu o surgimento do modelo de Grupo de Atuação Especial de Combate ao Crime Organizado (GAECO/MP) e a profissionalização da investigação integrada.
Em uma época de baixa capacidade investigativa local e captura política das forças policiais, Robert Rios foi disruptivo e deslocou o eixo do enfrentamento do plano local para o plano federal.
Já Correia Lima mesclava a influência dentro da Polícia Militar, controle territorial com acusação de pistolagem, relações com elites políticas e uso privado da violência pública. O resto é história.
Assim, saiu-se, no Piauí, de um modelo de criminalidade personalista, territorializada e articulada ao poder local para formas mais complexas, já conectadas a fluxos nacionais. É o ponto em que estamos agora.
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O futuro de Tatiana
No mundo jurídico, tudo que é eleitoral é atípico. A Justiça Eleitoral não tem estrutura própria: são juízes estaduais, desembargadores e advogados, justamente porque essas pessoas não podem se perpetuar num poder tão delicado. É essa a Justiça Eleitoral que deve julgar agora a vereadora de Teresina Tatiana Medeiros (eleita pelo PSB).

“Há um consenso jurídico e político por uma resposta mesmo com controvérsia a respeito da obtenção das provas. Minha opinião? Tende a ser cassada até porque a manutenção dela na Câmara chama a atenção pra lá… ”, conjectura um jurista por dentro do processo, em conversa reservada com o boletim.
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Contrato com diabo
Sobre o hipotético risco do crime organizado e facções envolvidas de alguma forma na política, um político explica ao boletim o próprio receio: “Se você descumprir um acordo com um político profissional ele fica chateado, fala mal de você e vai te passar a perna depois (roubar suas lideranças). Mas com um político ligado a facção… até agora todos os que não cumpriram não voltaram pra contar história, né”. Complicadíssimo!
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E se… (Versão Fogo de Monturo1)
Nada mudou na superfície, mas por dentro, todas as hipóteses são aventadas pelos descontentes. E se o deputado federal Júlio César (PSD) disputasse a vaga de vice de Rafael Fonteles em 2026 e não o Senado? Para o presidente Lula, é mais relevante um senador do PT (além da derrota ao líder do Progressistas, Ciro Nogueira)? Tem gente (minoritária, mas com mandato e voto) que defende o escrito acima. Fica o registro a título de curiosidade.

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Aviso: só cabe um
Desdobramento do assunto de cima. Pelo tamanho diminuto e relevância nacional (também diminuta), é provável que o Piauí permaneça indicando apenas um ministro caso Lula seja reeleito em 2027. O discreto/estratégico senador e ministro do Desenvolvimento Social, Wellington Dias não tem jeito de quem quer se aposentar no Tribunal de Contas da União (TCU) ou sumir como líder de um governo de esquerda no Senado…

Já o ousado e pragmático Rafael Fonteles, se reeleito governador, não demonstra ser alguém que hesite em subir para ministro em seguida, deixando o vice ser efetivado no mandato. Ora bolas, com um vice de confiança, Rafael pode seguir tranquilo para o projeto nacional. E por aí vai…
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All win
Quando ambos os jogadores apostam no all-in, isso significa, na linguagem do pôquer, apostar todas as suas fichas de uma só vez em uma jogada. Ou você ganha tudo ou perde tudo naquela mão.
Convém só tentar dar all-in quando: está muito confiante na força da sua mão, quer blefar para intimidar os adversários ou está com poucas fichas e precisa arriscar para sobreviver no jogo. A colunista não sabe quem está em que posição… Só há uma certeza: é risco total e aposta máxima.
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Se conselho fosse bom
Pessoas que desrespeitam um manobrista ou garçom num restaurante, não são confiáveis. Elas estão lhe mostrando seu verdadeiro caráter pela maneira com que tratam aqueles de quem não precisam. Os que são gentis com você e grosseiros com um estranho, estão, na verdade, performando decência e só o fazem porque você é benéfico para eles naquele instante. Quando você deixar de ter poder, lhe tratarão igual aquele estranho.
Saber disso o impedirá de despejar energia nas pessoas erradas: limites não são barreiras, são filtros. Qualquer tipo de grosseria ou ostentação é vulgar, só mostra alienação e um teto moral baixo, além de insegurança camuflada de superioridade. O verdadeiro poder não se importa em ser subestimado, ele existe sem precisar ser mostrado. O poder efetivo é mais silencioso do que orgulhoso.
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Cifrada do Futuro a Deus Pertence
Num reino onde a potência solar é máxima, a turma faz prognósticos para o distante Torneio Quadrienal. Observadores do Palácio enxergam que o Sábio Rei será mais candidato do que nunca: “O rei de janeiro era um, o de hoje é outro… Finanças organizadas, né? Aquela máxima: primeiro ano de gestão, ruim. Segundo ano, razoável. Terceiro, bom. Quarto, ótimo!”. A fórmula ainda funciona? Veremos.
A Confraria do Meio, por sua vez, ensaia lançar o presidente da Távola Redonda Estadual na disputa, o cavaleiro Rigiduz. Além do DNA de estirpe e do partido com tradição, Rigiduz trabalha para ser bem votado no reino do calor. Vem se movimentando em ações sociais e a turma de servos enxerga que ele tem como se passar por uma ave rara, muito amada naquelas bandas: o tucano. Quem sabe…
Os Vermelhos, no entanto, prometem (como sempre), uma guerra interna. Combativos que só, já sabem que o cavaleiro Lançamentus vai tentar novamente, com lições pretéritas absorvidas e sangue no olho na revanche. Já o cavaleiro estadual Francesco, cogitado para a empreitada, pula longe quando se fala do assunto e já mandou avisar que podem esquecer que ele existe pra essa missão. Pode vir ainda um médico jovem e gente boa, com o apoio do rei Harry Potter? Tudo está em aberto e os dados ainda não foram lançados!
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Foto do dia
Aconselhada a diminuir o hiperfoco em política, a desavisada colunista aceitou o convite para dar um pulo numa corrida de rua no domingo de manhã em Teresina. Beleza, por que não?
Com o pace (ritmo) de 40 minutos para fazer 5 km (não precisa pesquisar: essa é uma pessoa muito lenta), a pobre jornalista topou a parada e quando chegou lá às 5h30 da matina descobriu que era nada mais, nada menos, do que a I Corrida da Assembleia Legislativa do Piauí. É mole?

Algumas peculiaridades: o curioso caso dos políticos que se teletransportaram para a chegada sem uma gota de suor, o que só pode ser considerado um feito raro que merece ser estudado pelos cientistas do Esporte (exceções: os deputados Flávio Nogueira Júnior, Tiago Vasconcelos, Severo Eulálio e Marden Menezes, o vereador Enzo Samuel, presidente da Câmara de Teresina e o secretário de Turismo e maratonista internacional Daniel Oliveira que estavam elétricos de dopamina e pingavam suor).
O pessoal que “correu” de bermuda ou calça jeans. A turma que apareceu só na entrada e sumiu e a galera que caminhou o percurso todo e dava pequenos pulos de corrida de 30 segundos (em defesa deles, tinha muita subida no trajeto)… Foi daí pra melhor, leitor, provando que eles correm bem, só que é atrás de voto, favor não confundir! A colunista saiu da corrida se sentindo o Usain Bolt. Que venham mais corridas da Alepi!
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A frase para pensar
“Onde houver uma árvore para plantar, planta-a tu. Onde houver um erro para emendar, emenda-o tu. Onde houver um esforço de que todos fogem, fá-lo tu. Sê tu aquele que afasta as pedras do caminho”, Gabriela Mistral, poetisa e diplomata chilena, agraciada com o Nobel de Literatura de 1945.
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Música da semana
Quando você é uma criança nascida no final da década de 80, sem internet em casa, resta: brincar na rua, ler historinhas e gibis e ver TV aberta de qualidade duvidosa.
Apesar disso, houve sim uma boa safra televisiva da década de 90, que pode ser medida por sucessos como “Mulheres de Areia”, em que as gêmeas Ruth e Raquel (uma era amável e a outra má e ambiciosa), vividas por Glória Pires, disputavam o amor do namorado de Ruth, o empresário Marcos (Guilherme Fontes). Tinha também o Tonho da Lua (Marcos Frota)… enfim, vocês entenderam.
Sendo assim, damos start na semana com a trilha sonora da novela da novela com “Ai, ai, ai, ai, ai”, de Ivan Lins, saudoso tema da polêmica Raquel. Apreciem a pérola!
- Fogo de Monturo, para quem passou as últimas décadas em Nárnia, é um fogo de baixo calor que arde lentamente por baixo de uma pilha de material, causando danos ocultos e persistentes. É uma metáfora, claro. ↩︎





