Oposição planeja unir palanque em torno de Joel e estuda lançar Toni Rodrigues deputado estadual: “Tentar forçar segundo turno contra Rafael”

(Aviso: Ao que tudo indica, o objetivo de quem entra na política é competir, progredir e correr riscos, como já disse o estatístico norte-americano Nate Silver. Ao contrário do que os leigos e amadores podem imaginar, quem disputa eleição não espera paz. Para entrar no ramo, é preciso ter aquilo que Homero chamava, na Grécia Antiga, de thymos (θυμός). É uma espécie de “espírito” ou “ânimo”, a sede das emoções, da coragem, da raiva, do impulso vital.

Os heróis da Ilíada sentem o thymos “inchar no peito” antes da batalha, é quase um órgão da paixão, distinto tanto do intelecto quanto do corpo físico. Essas pessoas buscam ardentemente uma certa quantidade de luta. E terão. Elas podem se meter em situações nas quais não possuem o menor preparo, algo capaz de lhe causar um enorme dano se der errado. Nada disso os impede de agir.)

Boletim 03/07/26

Enquanto houver bambu, há flecha, caro leitor. A oposição no Piauí estuda, efetivamente, unir Progressistas (Joel Rodrigues, pré-candidato ao Governo) com PL (Toni Rodrigues, também pré-candidato). A coluna confirmou a informação com uma forte liderança do grupo oposicionista que, no entanto, fez questão de frisar os limites da possível e ainda negociada fusão: “Pode acontecer, mas o Jeová (Alencar, vice-prefeito de Teresina) vai ser vice”, pontuou, em reserva. 

O leitor da última edição já tinha ficado sabendo que a decisão de Jeová como vice foi tomada e será efetivada ao público nos próximos dias. De todo modo, essa é uma mudança interessante na estratégia da oposição em uma eleição que está – seja pelo clima de Copa do Mundo, seja pela posição confortável de Fonteles na liderança das pesquisas – bem morna até agora.

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A gente ainda está só conversando

Já um interlocutor do PL, com quem a coluna conversou brevemente, destacou que sim, “a conversa ainda está sendo desabrochada”, mas o diálogo lá é que a oposição entre com uma “chapa única com vistas em empurrar pro segundo turno” ou mantenha-se em raia própria, também para tentar levar a disputa contra o PT de Rafael Fonteles ao segundo turno. Por ora, frisa o bem informado articulador, “continua mantida candidatura do Toni Rodrigues”. 

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Toni para deputado ou para vice?

Um oposicionista ouvido pelo boletim afirma que o ideal é que Toni Rodrigues, jornalista popular nas redes sociais, onde faz críticas contundentes ao Governo local e nacional do PT, seja candidato a deputado estadual pelo PL. “O Toni tem tudo para ser o maior puxador de votos do PL, já pensou?”, questionou.

A colunista respondeu que sim, que já pensou, mas é importante sempre combinar com os russos (no caso, com Toni. Em entrevista ao jornalista Silas Freire, no programa Silas TV, disponível no Youtube, o pré-candidato ao Senado do PL, Tiago Junqueira, deixou claro que uma união das chapas poderia acontecer com Toni de vice de Joel e não como candidato a deputado).

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Segundo turno: como chegar lá

O segundo turno não constitui um mero prêmio de consolação para oposições competitivas, leitor. É um evento aritmético, deflagrado quando o primeiro colocado permanece abaixo de 50% dos votos válidos (brancos, nulos e abstenções são excluídos). O que a oposição piauiense negocia, portanto, não se resume à composição da chapa: está em disputa qual teoria de rebaixamento do denominador eleitoral será adotada.

Na Ciência Política, está consolidada a ideia de que o sistema de dois turnos premia partidos dotados de capacidade de coalizão (fazer aliança com outras siglas) e penaliza os isolados. Quem não dispõe de parceiros para o segundo turno não deveria, a rigor, apresentar-se ao primeiro. A vida é dura…

Outro ponto: os votos de Rafael Fonteles permanecem inalterados pela divisão do palanque adversário. O que se altera, e apenas sob uma condição específica, é o denominador: candidaturas múltiplas favorecem o segundo turno se, e somente se, mobilizarem eleitorados que, de outro modo, se absteriam ou anulariam o voto. A verdade é que Tony Rodrigues alcança um eleitorado bolsonarista digital que talvez não se mobilizasse por Joel Rodrigues. Cada voto dessa natureza que ingressa na urna como válido dilui, marginalmente, o percentual de Rafael. Pelo menos é isso que a oposição deseja.

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Depois de 2010 o PT liquidou todas no primeiro turno

Sabemos também que os eleitores evitam o desperdício do voto. As disputas majoritárias sustentam um número reduzido de candidatos viáveis porque os demais perdem densidade na reta final. É quando o eleitor pragmático migra para quem detém chances reais de vitória. Uma candidatura única tende a sinalizar viabilidade, é verdade, e viabilidade atrai um voto mais estratégico. Este é o argumento implícito de quem defende Joel na cabeça de chapa, com Jeová Alencar na vice e Tony encabeçando a nominata do PL. Veremos.

Vale lembrar que a AtlasIntel de junho atribui a Rafael Fonteles 63,5% das intenções de voto, com vantagem superior a 40 pontos percentuais sob Joel, ou seja, cenário de confortável reeleição em primeiro turno. E uma ressalva, a título de informação: o Piauí não registra segundo turno para o Governo do Estado desde 2010 (Wilson Martins). Desde então, o campo petista liquida a disputa em outubro.

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Enigmático

O prefeito da capital, Sílvio Mendes (União Brasil), respondeu a última coluna, que trata do nome de Jeová Alencar (União Brasil) como vice de Joel Rodrigues e das conversas no Palácio da Cidade para a sucessão dele, Sílvio: “O diamante aumenta de valor quando bem lapidado”. O leitor captou?

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Coisa de milhões

A turma (deputados, prefeitos, vereadores e lideranças) está com os nervos a flor da pele. Motivo: precisam que seja liberado até sexta-feira (sério, até o dia 03/07) as emendas parlamentares do Governo Federal e Estadual (a data oficial é dia 04, mas quem vai mexer nisso no sábado, pré-Copa?). Depois da data, por conta das restrições da Justiça Eleitoral, não roda mais nada. 

Para os que ainda duvidam da força do senador Ciro Nogueira em Brasília (ele é co-presidente da federação PP/União Brasil, que tem a maior bancada do Congresso) consta informar que o homem era o único que estava conseguindo liberar, incrivelmente e para chateação dos governistas, emendas que caem a conta-gotas para os adversários. “Ontem à noite sinalizaram que ia liberar. Não tava saindo do Marcelo (Castro), e do Júlio (César) também não sai. Só quem tava conseguindo liberar era Ciro e só tem até amanhã. Muita promessa e todo mundo na expectativa. Coisa de milhões e milhões”. 

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A vida dos profissionais fora de Nárnia

Há um quê de verdade em quem enxerga a vida em sociedade assim: há o Estado, as elites e todo o resto. Mas, quando olhamos a classe dos poderosos, supostamente bens de vida, parece que as coisas não são bem assim tão incríveis como imaginaríamos… Está aberta a temporada de caça às lideranças do vizinho. Atentai bem!

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Bala na agulha

Já na parte da oferta, um negociador político revela, de boa-fé, que faz acordos de adesão ciente de que a liderança “adquirida” não é totalmente confiável quando pula de barco. “Bom, a pessoa muda de lado se for por uma negociação melhor. É confiável? Não. Mas qem tá tomando não tá preocupado com isso. Agora que começou. Até 20 de julho tem troca troca de voto. Vinícius Dias (PT) não tinha voto nenhum, hoje está eleito (deputado estadual). Se tiver bala na agulha, força política… vai longe!”.1

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Paga minha abdominoplastia e resolve meu processo que está parado há 15 anos

Já um experiente articulador tem um bloco de anotações deveras curioso. Nele, constam os pedidos singelos e peculiares das lideranças que votarão num político arrojado: “Bom, tem um aqui pedindo uma excursão pro Ceará de 12 mil reais, a outra quer fazer uma abdominoplastia pra tentar ficar magra. E tem um com um outro processo de 700 mil reais parado há 15 anos, sem empenho nem nada. Ah, e cada liderança diz que precisa de um carro alugado pra andar!”. É mole?

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Entregar ou devolver? As estratégias de imagem de Rafael e de Joel

Das muitas correntes teóricas da Comunicação, a colunista se especializou não em Inteligência Artificial, não em dados e quantificações (pois é, onde a cronista estava com a cabeça?), mas sim na artesanal e complicadíssima Análise de Discursos, que é uma mistura de Linguística, Psicanálise e História. Pois bem, nessa obscura linha de pensamento, acredita-se que todo orador produz um “ethos”, que nada mais é do que do uma imagem de si construída discursivamente, sempre em interação com o auditório. Favor não confundir com a personalidade real do orador. Como sabemos bem, um sujeito pode transmitir ser sério e gente boa sem ser, não é mesmo? 

Nesses termos, o governador Rafael Fonteles e o ex-prefeito de Floriano, Joel Rodrigues, não disputam apenas o voto, mas sim a mesma palavra: povo. Nas redes sociais e na TV, Rafael fala em “entregar”, portanto, produz um Estado cuja legitimidade decorre da eficácia administrativa. Quando Joel fala em “devolver”, por sua vez, cria na cabeça do eleitor um Estado cuja legitimidade estaria rompida por uma suposta apropriação indevida. Ambos enfrentam versões distintas do mesmo problema: Joel precisa persuadir que pode chegar ao governo enquanto Rafael deve convencer que o futuro que anunciou já começou a chegar. Um disputa a expectativa de vitória; o outro, a expectativa de realização.

Esse é um ponto que mereceria muitas páginas para se desenvolver, então vou apresentar apenas a versão expressa.

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Fonteles: o ethos da credibilidade

O ethos de Rafael Fonteles, ou seja, o seu personagem público, é de “sério” (o governante que não gosta de conversa mole, de migué); o ethos de “competência” (os compromissos, os indicadores, as obras) e o ethos de “virtude”, jovem pai de família dedicado e que faz o “dever de casa” no equilíbrio fiscal como sinal de caráter administrativo. Seu discurso fabrica uma imagem de si sustentada pela ideia de eficiência, sobriedade e domínio da máquina.

A cena: Ele fala do lugar institucional, é o governador, e a posição lhe empresta autoridade. Sua cena preferencial (a cenografia) é a da entrega: inauguração, visita técnica, ordem de serviço, número, resultado. Seu fiador, isto é, a figura corporal e moral que o discurso permite enxergar, é o administrador competente, sóbrio, adulto.

Essa cenografia produz ainda um efeito político: a obra abre espaço para adesões além da fronteira partidária. No Norte do estado, prefeitos e ex-prefeitos de oposição dividiram recentemente o palco com petistas para declarar apoio à reeleição. Assim, o adversário também deixa de ser inimigo e vira gestor local atendido pelo Estado.

Ponto de risco: O reverso dessa moeda é o flanco já apontado: uma agenda que corre o risco de parecer apenas institucional, feita de anúncio e inauguração, com um núcleo de poder fechado em si e sem calor. Todo ethos tem seu ponto de vulnerabilidade, e o da credibilidade é a frieza. Quem comunica desempenho nem sempre comunica afeto. E é nessa fenda que a oposição tenta entrar, quando dissemina pelas redes sociais supostas “broncas” de Fonteles à equipe de comunicação, em evento público, ou respostas mais atravessadas a jornalistas.

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Joel: o ethos de identificação

Joel Rodrigues ocupa o lugar contrário. Não disputa, em primeiro plano, a gramática da competência técnica, mas sim a da proximidade. Seu capital está na identificação: ethos de humanidade (o homem de origem popular, filho do carroceiro); ethos de solidariedade (o que escuta, abraça, se comove com a queixa) e, no ethos de chefe, aquele que conduz. 

A pré-campanha de Joel abarca uma biografia selecionada, repetida e encenada: a origem pobre, a experiência no interior, a trajetória em Floriano e a derrota apertada para o Senado em 2022 são a matéria da construção persuasiva. O sujeito político se oferece como prova viva do que diz. O corpo do candidato, sua origem, sua fala, seu modo de circular pelo interior, funciona como fiador de um mundo ético que o eleitor é chamado a incorporar. A proposta é votar em alguém que se apresenta como “um dos nossos”.

E a frase “devolver o Piauí aos piauienses”, recorrente na comunicação de Joel, é uma cenografia no sentido mais claro: devolver pressupõe que algo foi tomado. O Piauí teria sido apropriado por um grupo político longevo, e a eleição apareceria como ato de devolução. Onde Rafael Fonteles entrega (dá o que é bom), Joel devolve (recupera o que teria sido retirado). Se há piauienses esperando a devolução, há um povo lesado, é o que ele desenha no seu discurso.

O motor de Joel é a mobilização da emoção, da indignação e da esperança. Essa cenografia em imagens: em Cristalândia, no Sul do estado, Joel anunciou a própria chegada com um megafone, em cima de um quadriciclo, a antítese da solenidade palaciana.  Sua agenda é feita de feira livre, mercado público, festejo, missa, vaquejada, caminhada. Nomeia a entrega de Fonteles como propaganda e se oferece como realidade. 

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Contraofensiva

A oposição enuncia em duas vozes, de dois lugares distintos. Joel é o abraço, a escuta, o “pé na estrada”. Esse fiador não pode se sujar demais com o ataque duro sem arriscar a ideia de simplicidade, que é seu maior capital. Então, quem bate mais frontalmente é o senador Ciro Nogueira, que opera a linguagem mais cortante. A fórmula do “menino do Lula”, cravada por Ciro em maio, é um ataque direto ao ethos de Rafael: sugere dependência, tutelagem e diminuição simbólica. Sugere que Fonteles não teria luz própria e o diminui diante de uma oposição que tenta se apresentar como mais vivida, mais madura, mais enraizada.

Mas o governador não ficou parado no terreno dos indicadores. Ao ser atacado, puxou para dentro do próprio discurso a expressão “elite do atraso”, reposicionando a cena: de um lado, povo, futuro, desenvolvimento; de outro, grupos que trabalhariam contra o avanço do Estado. Nenhum discurso é ilha. Rafael convoca uma expressão já carregada de memória política e sociológica para reorganizar a fronteira da disputa. Essa é uma briga pelo imaginário sociodiscursivo: quem consegue fixar a representação legítima de que fala pelo Piauí. Se Joel tenta constituir “o povo” contra “os que tomaram o Piauí”, Rafael tenta construir outra fronteira: povo e futuro contra elite do atraso. 

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O que falta a cada um

Joel domina duas camadas de que uma oposição precisa: denúncia e presença. Falta consolidar a terceira, a mais difícil: plausibilidade. Sem a crença de que a vitória dele é possível, denúncia e presença podem não virar voto. Por isso, a aposta mais contundente da oposição é a ideia de que o eleitor ainda não entrou plenamente no jogo eleitoral, uma espécie de “teoria da campanha adormecida”. É estratégia e uma forma elegante de conviver com números adversos.

Mas Joel enfrenta um desafio adicional, que extrapola sua própria comunicação. Sua candidatura precisa administrar um palanque nacional heterogêneo. Ao mesmo tempo em que procura construir um ethos de proximidade, simplicidade e interioridade, não pode fugir do campo bolsonarista representado por Flávio Bolsonaro, que atravessa turbulências nacionais relacionadas ao caso Banco Master e os conflitos no campo familiar (leia a Foto do Dia abaixo). O Piauí ainda é um estado essencialmente lulista, não custa lembrar. A oposição precisa, portanto, equilibrar dois contratos de comunicação distintos: o discurso afetivo de Joel e a identidade ideológica de um palanque nacional mais polarizado. 

Rafael tem o problema inverso. Lidera com folga, mas corre o risco de que seu fiador, o gestor competente, resvale para a figura do governante eficiente, porém distante. Seu desafio não é apenas entregar mais, é transformar credibilidade e gestão em pertencimento e vínculo. Há ainda uma tensão própria do discurso governista. A estratégia da entrega produz enorme força simbólica, porém, quanto maior o repertório de anúncios estruturantes, maior também a expectativa pública de materialização. 

Projetos como a cadeia do hidrogênio verde, a consolidação do Piauí como polo de data centers, a expansão da economia digital e outros empreendimentos apresentados como vetores da transformação econômica do estado passaram a ocupar lugar central na narrativa de futuro do governo. À medida que a campanha avança, a oposição tende a deslocar a disputa do terreno da promessa para o da comprovação, perguntando não apenas o que foi anunciado, mas o que efetivamente saiu do papel. Em termos discursivos, a credibilidade construída pela antecipação do futuro precisará ser continuamente alimentada por evidências do presente.

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Prometa se quiser, mas não meta meu nome no meio

Governistas acreditam que Rafael Fonteles “só perde se for para ele mesmo”. Explicação: ao ter criado, via uma comunicação eficaz, um sonho de Piauí evoluído e moderno, um novo ideal piauiense, o petista elevou demais o próprio sarrafo.

“Alguns dos empresários que chegaram a oferecer projetos ao Governo não tinham a mínima condições e foi o Rafael que ficou com a imagem de quem vende mas não entrega”, pontua um observador da cena política, acrescentando que a nova máxima no seio governista é de que lançamentos podem acontecer desde que os ditos empresários usem o nome do Piauí e não do Governo ou de Rafael.   

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Resposta do leitor: um empresário

A base está otimista, faça-se o registro. O fogo de monturo do início da pré-candidatura de Joel Rodrigues, passou entre os governistas. “Você está tendo acesso aos trackings eleitorais? A diferença está muito grande, há mais de 25 dias seguidos. Estou vendo a militância da oposição murcha. Você vê algum fato novo na oposição que possa ao menos gerar alguma disputa de fato?”, questionou ao boletim um empresário bem relacionado, acrescentando que, do ponto de vista dos rafaelistas, a consolidação de Rafael Fonteles “afeta Ciro”, ou seja, puxa Júlio César (PSD) como segundo voto, atrás de Marcelo Castro (MDB).

A oposição, claro, discorda. Diz que Rafael pode até estar na frente, mas “não é tanto assim” e que Ciro disputa não é o segundo voto não, é o primeiro. Vamos ver no dia em que as urnas se abrirem, leitor…

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Resposta do leitor: um ex-deputado

Sempre preservando o sigilo da fonte, que é um ex-deputado mais do que experiente. Resposta recebida pela cronista após a última coluna (leia aqui): “O Jeová (Alencar) vai ser candidato a prefeito de qualquer jeito. O golpe é colocar ele de vice do Joel para ganhar em Teresina e depois o Joel ser o candidato a prefeito (na sucessão de Sílvio Mendes”. Será?

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Se conselho fosse bom

Assuma a total responsabilidade por tudo que está errado na sua vida. Diga: isso é culpa minha e esse é um problema meu para ser resolvido por mim. Não jogue a culpa na sua mãe, no seu pai, no papa, no karma ou no Universo. A vida não está te punindo, ela só quer te ensinar. Você não pode esperar que ninguém resolva tudo que está errado na sua vida. Ninguém vai fazer isso. Conserte você mesmo, tire isso do caminho e siga sua jornada. Caso contrário, você ficará travado para sempre, em um ciclo infinito de repetições infelizes. 

Se algo continua acontecendo com você, saiba que o problema é você. Se pergunte: o que estou fazendo que permite que isso ocorra? Enquanto você não tiver consciência dos padrões inconscientes e familiares que estão introjetados, a mesma lição chegará com rostos diferentes. Muda de parceiro, mesmo problema. Muda de emprego, mesma frustração. De cidade, mesmo vazio. A vida só muda se você mudar.

Se alguém te desse milhões de reais hoje, ou o corpo dos sonhos, você saberia como mantê-lo? A resposta é não, porque a coisa que você deseja não é o ponto. É quem você precisa se tornar para ter o que almeja. Você não é essa pessoa. Se dedique às coisas que você está tentando ignorar. Pare de querer pular etapas. Talvez isso não faça sentido para muitas pessoas e está completamente ok. Se você é o problema, isso também significa que a solução está em você.

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Cifrada da Confissão Premiada

No reino do Sol Fervente, a antiga cavaleira Luminescência ainda detém poderes especiais sobre valiosas informações do passado. Como nada no mundo é de graça, ela aguarda que sua colaboração seja, digamos assim, premiada. Foi oferecida aos capas pretas, responsáveis pelo veredicto, um pergaminho secreto, em que constaria a proposta de Luminescência. Nela, estaria uma breve, mas contundente, antecipação dos fatos na gestão do ex-Rei Coffee Strong. “Agora quando vazar, ela pode se mudar do Brasil…”, acredita um ex-cavaleiro, testemunha ocular dos fatos. Os citados vão de B, C, D, L e P, passando por praticamente todas as letras do alfabeto no rumo da Távola Redonda Menor.

“Tem até o recibo com a assinatura do X e da esposa de Y, que receberam um valor lá em espécie”, recorda o entendido no tema. A cronista do reino, que não gosta de confusão, minimizou a cena: “Mas a pessoa assinou porque teve um pagamento em estalecas recebido, qual é o problema?”. O cavaleiro, já sem paciência, retrucou: “Me poupe, eu vou receber aqui uma propina e assinar meu nome completo! Tinha pelo menos assinado com letra de forma, tinha inventado uma rubrica que não era o nome, sei lá!”. Bom…

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Cifrada do Troco

Um sábio vice-imperador, conhecido por ser bastante generoso, firme e comedido, mas também com memória de elefante (capacidade notável de recordar detalhes por décadas), não quer nem ouvir falar de apoiar Y (apoiado pelo rei Harry Potter) a uma cadeira no Senado Romano. Está fechado com X, que é do seu partido, os Amarelos, e com Z, do campo dos Azuis. 

Alega aos ouvidos atentos que tem motivos antigos e de sobra para tomar suas próprias decisões e ponto final. Aliados desse vice-imperador de barbas e cabelos brancos, afirmam que Z irá vencer porque “muitos líderes vão votar nele, simplesmente porque ele ajudou nos últimos anos. Só perde se Jesus descer e isso não vai acontecer porque Jesus não faz sacanagem com ninguém”. Eita! 

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Foto do dia

Resumão: a crise Michelle x Flávio Bolsonaro é menos uma “briga de família” e mais uma disputa pelo direito de dizer o que é o bolsonarismo legítimo. Um cara chamado Michel Foucault (filósofo francês), diz que em toda sociedade há uma disputa pela “ordem do discurso”: quem pode falar, de onde fala, com que autoridade e quais falas são consideradas legítimas dentro de determinado campo. Michelle não falou naquele vídeo de 27 minutos na véspera do jogo do Brasil na Copa do Mundo, apenas como esposa de Jair Bolsonaro. Ela tentou se colocar como guardiã moral do movimento, mulher conservadora, religiosa e leal ao “líder”. Flávio, por sua vez, retrucou a partir do lugar de herdeiro político autorizado pelo pai, candidato presidencial e operador político do PL. O problema, o leitor já sabe, é que esses dois lugares de fala entram em choque. 

A saída de Michelle do PL Mulher, anunciada essa semana é um gesto em que ela não precisa dizer “estou rompendo com a campanha” para ser como desautorização simbólica de Flávio. E, claro, a crise revela os limites do lugar permitido à mulher dentro do próprio bolsonarismo. Michelle foi funcional como imagem de família, fé, feminilidade conservadora e mobilização de eleitoras. Mas, quando passa a reivindicar autonomia política e montagem de palanques, sua presença deixa de ser apenas decorativa e se torna disruptiva.

Por fim, mas não menos importante, o bolsonarismo se alimenta da retórica da família como unidade moral. O conflito em veias abertas mostra a família um lugar de  ressentimento e disputa sucessória, o que enfraquece um dos signos mais fortes do próprio movimento. Se a “família Bolsonaro” aparece fragmentada, a promessa de ordem, lealdade e autoridade também se fragmenta.

A política contemporânea é uma disputa pela cena pública, caro leitor. Quando a oposição ocupa a cena com brigas internas, o presidente Lula pode jogar parado, deixando que o adversário produza seu próprio desgaste, sem precisar intervir diretamente. A direita passa a falar sobre sua própria desunião, e não sobre os problemas do Governo. Ponto para Lula. 

P. S: Para ler uma análise mais aprofundada do caso Michelle, o leitor pode pular para o Substack lançado semana pela colunista. Ele é chamado de “Pequena Teoria do Agora”: clique aqui se tiver interesse (assine e receba no e-mail). Para ouvir o último episódio do podcast “Fiel da Balança” com a cronista, o cientista político Vitor Sandes e a jornalista Paula Sampaio, clique aqui.

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A frase para pensar

“Você não está falando com alguém que acordou um perdedor. E essa atitude de perdedor e essa premissa de perdedor não fazem sentido para mim”, Jensen Huang, empresário e engenheiro eletricista americano natural de Taiwan, co-fundador da Nvidia, a empresa com maior valor de mercado do mundo.

  1. Em política, respeito e confiança nunca podem ser pedidos, devem ser oferecidos primeiros. É o que se verifica em situações de “equilíbrio de Nash”, em um jogo ou disputa estratégica, ninguém tem incentivo para mudar sua escolha sozinho, porque, dadas as escolhas dos outros, aquela já é a melhor resposta possível. Assim, se você tentar explorar seu oponente, corre o risco de também ser explorado. Então é melhor pisar devagar.  ↩︎

Sávia Barreto

Sávia Barreto, jornalista, fundadora e diretora-geral do Boletim Brio. Mestra em Comunicação, pesquisou Análise de Discursos e Eleições na Universidade Federal do Piauí. Cursou Doutorado em Políticas Públicas (Ufpi), estudando desigualdade de gênero. Graduada em Comunicação Social na Universidade Estadual do Piauí. Estudou Ciências Sociais (Ufpi). Tem MBA em Comunicação Política e Sociedade pela ESPM, São Paulo. Integra o grupo de estudos “Estratégia, Dados e Soberania” na UNB e é diretora de Comunicação Estratégica da ONG “Fórum para Tecnologia Estratégica dos Brics”, em Brasília, onde reside. Com 17 anos de experiência em redações do Piauí, trabalhou nos últimos dois anos como comentarista e colunista de política em Brasília. Trabalha com consultoria em branding e gerenciamento de reputação digital na Brio Comunicação Estratégica.
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